Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

27 de dezembro de 2022

FRANCO-MAÇONARIA: VELHARIA OU NOVIDADE? (DESADEQUADA OU ADEQUADA ao AQUI e AGORA?)

 


Transcreve-se, com a devida vénia e respectiva autorização do Boletim Informativo " Chico da Botica", Ano 18, Edição 172 de 30.11.20022, este artigo de opinião:

FRANCO-MAÇONARIA: VELHARIA OU NOVIDADE?

(DESADEQUADA OU ADEQUADA ao AQUI e AGORA?) 

Vou começar por rever alguns conceitos, tais como Ciência, Moral, Religião, Política e Comportamento, dito de outro modo, o que tudo explica através da evidência (ou o que abre a Luz na escuridão); o que está bem e o que está mal (ou que é belo e o que não o é); o que religa as pessoas (ou o que se vê e o que se não vê); o que junta as pessoas (ou quem decide o quê); o que explica atitudes e intenções (ou o que permite que todos os conceitos anteriores sejam validados ou não).

Qualquer um deles é tão antigo como actual se considerarmos as variantes que a dinâmica de cada um sofreu ao longo dos tempos.

A Ciência deu os primeiros passos nas longínquas Eras em que Sumérios, Egípcios, Chineses e Aztecas se preocupavam com as colheitas e pastorícia que, entretanto, substituíram a caça e a ingestão da flora silvestre. Depois, assente nos seus próprios pés, foi-se estruturando sem, contudo, factos, procedimentos e resultados serem comuns (de acordo com Paul Feyeraband os elementos estruturais comuns em Ciência são para entreter os autores e os outros e não para explicar a própria Ciência). É curioso registar que o conhecimento dos Antigos foi preservado de modo não científico, mas hoje, os actuais cientistas apenas sabem mais e melhor sobre os detalhes dos fenómenos. Quantas vezes a dita Ciência foi abordada por palavras e não por acções? Não deveria ser libertada, a Ciência, da lógica dogmática e epistemológica? Quantas vezes as ideologias usaram o nome da Ciência para promover assassínios culturais? Estaremos, ou não, cada vez mais longe da ideia (platónica) de ser a Ciência um sistema de enunciados comprovados pela experiência e observação prontamente expostos por padrões racionais? Poderão as vertentes, intelectual e humanista, serem democráticas, ou seja, sem primados? Porque será que o que é cientifico tem que excluir projectos não científicos? Poderão os peritos consultar não peritos para melhor expressarem e comprovarem, não velhos clichés, mas novas e brilhantes experiências? Não sabemos nós que a uniformidade impede o poder critico, daí a proliferação das teorias ser mais benéfica para que se consiga preservar a melhor, seja ela antiga ou moderna? Não foi o desenvolvimento desigual da Ciência que lhe permitiu a sobrevivência? Não foi a riqueza das distinções entre o contexto da descoberta e o contexto da justificação da mesma que adormeceram a Ciência durante tanto tempo? Porque quererão os cientistas, com um vocabulário inacessível, destruir a sabedoria popular?

24 de dezembro de 2022

A OBRA

 


Com a devida vénia e respectiva autorização, transcrevemos este poema de Adilson Zotovici, aproveitando para desejar Boas Festas a todos os leitores do blogue:

A OBRA

Essa a oportunidade

Se com teu ferramental

Construíres com bondade

Um bom templo fraternal


Lapidando  com equidade

Tiritante pedra inda informal

Usando tua habilidade

Resultante d’ Arte Real


Asperezas da vaidade

Da pedra bruta, ocasional,

Extirparás com humildade

No maço e cinzel afinal


Assim moldarás em verdade

Templo de amor Divinal

A paz e a fraternidade

Lapidados neste Natal ! 

Adilson Zotovici

ARLS Chequer Nassif-169

21 de dezembro de 2022

Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

 


Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

Poderíamos trazer outras definições às epidemias, no entanto, apesar de diferentes, encontraríamos várias características comuns: o seu caráter temporário, a circunscrição territorial, a morbilidade e a mortalidade acima do usual. Há doenças endémicas, epidémicas e pandémicas. 

A designação “pandemia” só começou a ser utilizada no século XX. O uso da palavra “epidemia” não está isenta de uma certa ambiguidade, pois há doenças que marcaram o passado e são difíceis de classificar. Tratam-se de doenças endémicas que acompanham a humanidade desde há séculos, mas que, por razões ambientais ou outras, têm uma maior incidência, atingindo picos que lhes dão uma proporção epidémica. A este propósito, são de mencionar os exemplos do tifo e da tuberculose. A tuberculose é conhecida desde há milhares de anos, tendo sido identificada em múmias egípcias. Ao longo do tempo, a sua denominação foi-se alterando: escrófulas, tísica. Mas foi no século XIX que alcançou uma dimensão pestífera, que justificou a designação que então lhe foi atribuída: “peste branca”. Com a industrialização a incentivar homens e mulheres a partirem para as cidades, estas transformam-se em verdadeiros antros de doenças. Amontados em bairros periféricos e insalubres, junto a fábricas e lixeiras, condenados a sobreviver com magros salários, incapazes de satisfazer necessidades básicas, os operários serão as principais vítimas da enfermidade. O bacilo de Koch tinha, no entanto, a particularidade de não discriminar classes, não distinguindo o casebre do palácio, embora tivesse preferência por corpos debilitados, cansados e consumidos. Tendo como pano de fundo a tuberculose que Thomas Mann em 1924 escreveu um dos romances mais influentes da literatura mundial que o próprio qualificou como a busca da ideia do homem, o conceito de uma humanidade futura que vivenciou o mais profundo conhecimento da doença e da morte. No entanto, as proporções que a tuberculose atingiu em oitocentos exigiu dos estados a tomada de medidas para a combater e Portugal não foi exceção. Assim, em 1853, na cidade do Funchal, surgiu o primeiro sanatório português. Nos finais do século, em 1894, foi instituída a declaração obrigatória da tísica e, no ano seguinte, teve lugar o primeiro grande congresso sobre a doença. Também nesta década foi organizada uma comissão para estudar a melhor resposta hospitalar para os tuberculosos. No âmbito das medidas destinadas a combater a “doença do peito”, Miguel Bombarda propôs a fundação da Liga Nacional contra a Tuberculose, com núcleos espalhados pelo país. Em 1899, por iniciativa da rainha D. Amélia, foi constituída a Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT), tendo como objetivos a criação de instituições para tísicos, a construção de sanatórios para os tuberculosos curáveis e de hospitais marítimos para crianças. A ANT tinha duas sucursais, uma no Porto e outra em Lisboa. Em 1822 a cidade de Lisboa e sobretudo Portugal era dominado pela mortalidade por tuberculose (1ª causa de morte), epidemia crescente de sífilis e uma dívida pública gigantesca que só acabaríamos por pagar alguns meses após o 25 de abril de 1974. 

Atualmente o que temos é a mesma dívida publica impagável, uma epidemia de HIV/SIDA (insidiosa) a que se podem juntar a gonorreia, sífilis (escondidas por autoridades de saúde e institutos públicos e privados interessados e resistentes aos antibióticos) e a ancestral tuberculose. O que fizemos em 200 anos para inverter a situação?. Nada.

Assim sendo, a pandemia é caracterizada quando a doença (já em fase de Epidemia) se generaliza pelos indivíduos localizados nas mais diversas regiões geográficas, como num continente ou mesmo em todo o nosso planeta. Nestes casos, existe um contágio epidémico intercontinental, de gigantescas proporções letais, capaz de ocasionar profundas alterações demográficas, políticas e económicas, i.e., doenças como a peste, a varíola, a tuberculose, a malária e agora a Covid-19 tem moldado o comportamento humano durante séculos.

Solstício Inverno 2022

 


Neste dia 21 de Dezembro, às 21h48, teremos mais um Solstício de Inverno, ou Solstício de Capricórnio, que a nossa Tradição associa a S. João Evangelista. Será a noite mais longa do ano. E também aquela que precede um novo Ciclo da Luz, em que os dias serão progressivamente maiores. 

E assim como o Iniciado que está na Escuridão e vem até nós em busca da Luz, importa que também nós saibamos fazer deste Ciclo, um tempo de introspecção e de crescimento, com renovada confiança no trabalho de desbaste da pedra bruta e a firme determinação de contribuir para o sucesso da Maçonaria Universal e, em particular, do nosso Grande Oriente Lusitano, em prol da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e do aperfeiçoamento do Homem e da Humanidade com a mais ampla prática dos valores da Justiça e da Solidariedade.

Para todos Vós, MM:.QQ:.IIr:., os meus votos de umas Festas Felizes e de um novo ano guiado pela Luz, com Amor e Sabedoria, e pleno de êxitos pessoais e profissionais.

Cândido, M.'.M.'.

VM.'. Resp.'. Salvador Allende


20 de dezembro de 2022

A MAÇONARIA COMO CAMINHO ENTRE O EGO E O EU

 


A MAÇONARIA COMO CAMINHO ENTRE O EGO E O EU.

O trabalho que me propus realizar e, que vos apresento aqui hoje, tem como principal objetivo ser uma reflexão pessoal. 

O que me levou em primeiro lugar a impor um conjunto de regras, a mim próprio, para o realizar.

Não consultei bibliografia, não recorri a definições previamente elaboradas por outros, sobre os conceitos do EU ou do EGO, nem tão pouco pesquisei sobre os mesmos. Ser parco nas palavras e sucinto nos raciocínios. Quis partir daquilo que sou, usar o senso comum e refletir sobre mim próprio. Colocar o EGO e o EU sobre perspectiva… apenas e só a minha perspectiva, nua, crua e despojada de intenções.

Para levar a cabo tal tarefa, comecei por recorrer ao poder da música que têm a capacidade de me toldar a mente e deixar aflorar a consciência. Isolei-me do mundo e principalmente dos outros. Imaginei que estava sozinho e sem espelhos. Sentei-me em frente a uma folha branca, e sem filtro, sem preocupação e até mesmo sem rumo, comecei a escrever. Bastaram alguns momentos de reflexão para deixar claro que na dualidade do EGO e do EU, o EGO é-me muito mais familiar.

Sei bem como o alimentar, o que o magoa e como me faz sentir. Apresenta-se como uma espécie de massagem intelectual, uma necessidade de confirmação de mim, que não raras vezes sinto que caminha no sentido oposto e cada vez mais distante do EU.

Talvez a expressão mais simples e o primeiro sinal de alerta da presença do EGO nas nossas vidas seja, curiosamente ou não, a simples utilização do pronome EU, quando nos referimos aos nossos feitos e virtudes: “Eu faço...”, “Eu sou...”, “Eu consigo…”,  expressões que tantas vezes usamos de forma inadvertida e que por si só são já uma afirmação sobre o outro.

Contrariamente, nos momentos em que nos deparamos com as nossas debilidades ou limitações o EU, pura e simplesmente, desaparece da frase e dá lugar à utilização de expressões sem sujeito, tornando-se assim impessoal e distante do próprio. “Não consigo” ou  “Não fui capaz” são apenas alguns exemplos daquilo a que me refiro. 

Olhando um pouco mais em detalhe o EGO reparo que é racional, cauteloso e metódico. Não me desafia para não dar lugar à falha, não arrisca para não desiludir e não colocar assim em causa a sua imagem, ou melhor, a imagem que tenho e têm de mim. O EGO é a sombra na caverna, a imagem refletida no espelho no momento da iniciação,mas não sou EU. 

6 de dezembro de 2022

DISRUPÇÃO PRECISA-SE!!

 


DISRUPÇÃO PRECISA-SE!!

Para melhor conhecer e agir num mundo em rápida mudança

O Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, define “disrupção” como sendo “uma faísca que se solta entre dois corpos eletrificados”.

Mas na literatura económica mais recente, este termo tem sido utilizado para definir um processo inovador, resultante de uma mudança de atitude organizacional que permite transformar um produto ou serviço caro e de mercado limitado, noutro mais acessível e barato, capaz de gerar um mercado muito mais amplo que o anterior.

Um exemplo clássico referido nas aulas de economia é o sucedido com a evolução dos computadores. 

De início, grandes máquinas caras e complicadas, só utilizáveis por organizações públicas e privadas com muitos recursos e exigindo a sua operação por pessoal altamente especializado. Depois, a pouco e pouco chegaram os desktops, os laptops e, hoje, os smartphones. A investigação, a acumulação de conhecimento e a criação inovadora, permitiram a sua simplificação e o seu uso generalizado por utilizadores sem qualquer formação específica.

Estes processos disruptivos são a causa frequente do desaparecimento de muitas empresas tradicionais que, não se sentindo imediatamente afectadas pelo aparecimento de concorrentes inovadores, mantêm inalterada a sua actuação ignorando as consequências futuras geradas pelo crescimento de novos mercados que acabam por as absorver ou mesmo forçar a sua extinção. A DEC – Digital Equipment Corporation, uma empresa americana de computadores, é um exemplo e um caso de estudo, porque cresceu consistentemente até ter um volume de vendas de 14.000 milhões de dólares e uma força de trabalho com mais de 130.000 funcionários em todo o mundo, mas acabou por desaparecer por não ter sabido implementar as mudanças necessárias para acompanhar a evolução tecnológica e resistir à concorrência do mercado. 

Mas será apenas no tecido económico que se verificam estas situações? É apenas entre as empresas que o imobilismo e a autossatisfação com a manutenção do “status quo” conduz à desgraça?

Recordando um dos mais célebres debates televisivos do século passado, direi: “Olhe que não doutor! Olhe que não!” 

De facto, vários estudos já realizados comprovam que nos últimos 50 anos, a maioria das organizações sociais, políticas e religiosas, viram o seu número de membros diminuir significativamente, em muitos casos entre 25% e 50%. 

E embora tais números reflitam menos participação e menor compromisso, a verdade é que eles não têm apenas uma dimensão moral, são também o resultado de uma mudança global ocorrida nas nossas sociedades, fortemente influenciada por um acelerado desenvolvimento tecnológico que veio alterar não só os modos de produção e as relações de trabalho, mas ainda as formas de relacionamento social e os tradicionais padrões comportamentais e comunicacionais. 

Tudo isto se aplica igualmente à Maçonaria, como bem atestam as estatísticas referentes à evolução do número de membros das mais importantes Obediências mundiais. 

É o caso da América do Norte, cujas cerca de 50 Grandes Lojas tinham mais de 4 milhões de membros em 1960 e contabilizavam em 2017 pouco mais de 1 milhão, estimando-se que serão apenas 320.000 os obreiros activos.  No Canadá, a redução não foi menos drástica, passando de 250.000 maçons ativos para pouco mais de 35.000 em 2020. A Inglaterra, contava no início dos anos 50 com uma comunidade de cerca de 500.000 maçons, passando para apenas 193.500 em 2020. Uma redução de 46% que também explica o facto de só entre 2010 e 2019 terem sido fechadas 850 Lojas. Outro exemplo do preocupante declínio do número de obreiros é o da Austrália. Em 1980 as suas seis Grandes Lojas tinham 230.000 membros e em 2020 apenas 30.200. 

3 de dezembro de 2022

Turbulência

 

Com a devida vénia e repectiva autorização se transcreve esta Reflexão publicada no Jornal Mensal "Cavaleiros da Virtude "-Ano IX nº 045-Novembro 2022.

Turbulência

Carlyle Rosemond Freire

M|I| CIM 307.07 - A|R|L|S| Terceiro Milênio nº7 - GOAL

Membro da Academia Maçônica de Ciências, Letras e Artes - AMCLA - Cad. 113

Se falarmos de forma científica, a turbulência nada mais é que um estado desordenado ou de agitação de um determinado fluido, onde os mesmos, com trajetórias irregulares do fluxo de ar e, com velocidades instantâneas e flutuações aleatórias, fazem um avião balançar.

Bom, em nossas vidas a turbulência pode ser considerada a mesma coisa, só que de forma simbólica, pois nem sempre é ou será um fluido o causador dessa turbulência. Costumamos dizer que nossas vidas estão turbulentas devido às agitações causadas por meios externos e, que não conseguimos controlar; seria uma analogia perfeita se não fosse algo parcialmente verdadeiro. Mas porquê tem dinossauros mortos na capa?

Então, para tentarmos compreender a ideia desta crônica, vamos voltarum pouco no tempo... ...os dinossauros foram extintos a mais de 65 milhões de anos e, segundo os paleontólogos, foi um período difícil para esses animais; e quando foi fácil para nós? Assim como hoje, era a lei do mais forte, a diferença é que atualmente existe uma falsa ideia de democracia, mas, que no final, manda quem tem o poder. Sim, mas não vim falar de democracia... a vida dos dinossauros no período mesozoico era cheia de turbulência, pois não havia a mínima certeza de absolutamente coisa alguma, já que a ideia era sobrevier no agora, sem pensar no porvir, e para isso, valia tudo. É importante lembrar que, historicamente, os fatores externos ao meio sempre interferiram de forma negativa naqueles que não souberam se adaptar. Infelizmente um fator externo como um grande meteoro não abre a possibilidade de adaptação, só extinção mesmo.

Supondo que a ficção de termos um Parque dos Dinossauros fosse verdadeira nos dias de hoje e, assim como na animação Zootopia, vivêssemos todos em harmonia. Como faríamos para removermos um corpo de um “Patagotitan mayorum”, de 77 toneladas, se o mesmo estivesse morto no meio de uma cidade? É aí que quero chegar. Há uma frase sempre proferida pelo Irmão Antonio do Carmo Ferreira (se fosse mencionar o currículo seria maior que a própria crônica), que diz o seguinte: “o problema não é matar um dinossauro, mas remover sua carcaça”.

Logo acima afirmo que as turbulências são causadas por meios externos, mas o que presenciamos ultimamente são pessoas com mentes fracas, sugestionáveis e com preguiça de pensar, o que faz com que as possíveis turbulências externas sejam amplificadas interiormente, provocando uma destruição ainda maior. Utilizando a frase do Mestre Dom Carmo, digo que temos uma mania deixar dinossauros mortos no nosso caminho, aumentando a turbulência.

Fica fácil de entender quando trazemos essa analogia simbólica para as nossas vidas e percebemos que somos um espaço cheio de dinossauros mortos. Vamos aos exemplos: quando um relacionamento termina (morreu o dinossauro), mas a pessoa insiste em lembrar-se das coisas que aconteceram (a carcaça permanece); quando você não está satisfeito com o salário, mas não procura algo melhor; quando um filho critica os pais, mas não procura seguir sua própria vida; ou seja, somos um terreno sagrado para guardar problemas. Ainda sim, preciso dizer que nem sempre uma turbulência ou um dinossauro morto pode vir de algo ruim, mas se causa preocupações e indefinições em nossas vidas, aí sim, vai ser um problema. Seriam muitos exemplos para mostrar que realmente é muito fácil matar um dinossauro, mas, pela dificuldade, é bem mais cômodo manter a carcaça apodrecendo no nosso caminho e continuar a reclamar das turbulências, muitas vezes ampliadas pelo fétido odor provocado por nossa própria mente. Então, fica a lição: mate o dinossauro, e para que não haja turbulência, remova-o do seu caminho aos poucos, mas remova.


22 de novembro de 2022

Constituição e Maçonaria

 


Constituição e Maçonaria

Defesa da República e da Humanidade

O Grande Oriente de França (GODF) é a mais antiga e maior de várias organizações maçónicas sediadas em França e é a mais antiga da Europa (uma vez que foi formada a partir de uma Grande Loja de França mais antiga em 1773, e absorveu brevemente a formação mais antiga de 1799, permitindo-lhe datar a sua fundação desde 1728 ou 1733). O Grande Oriente de França actual é geralmente considerado como a “casa mãe” da Maçonaria de Rito Francês.

Diversas teorias foram elaboradas sobre o verdadeiro papel da Maçonaria na Revolução Francesa. Sobre os preparativos do movimento revolucionário saído das lojas maçónicas francesas, e os investigadores dividem-se entre a participação directa das lojas e da Maçonaria Francesa na Revolução, enquanto outros defendem que ela quase ou nada teve importância para a mudança de Regime. Este aspecto tão peculiar que só os Maçons podem entender, verificou-se em Portugal em 1910, quando as diferentes Obediências Maçónicas com colunas levantadas quase ou nada participaram na Implantação da República, e foi a Carbonária que organizou grande parte da oposição armada e o golpe que derrubou a monarquia.

Mas ainda quanto à Revolução Francesa, o que sem dúvida teve mais influência numa nova Constituição e num novo regime, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), e na Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (1791), foi sem dúvida a Revolução Científica operada durante o Iluminismo. As Luzes, o Conhecimento e a Razão foram o estímulo para que o homem social se libertasse, para que percebesse a subtileza entre os assuntos do Estado e os da Igreja, Entre a liberdade de escolha política e religiosa e uma tremenda e ignóbil perseguição, proibição e tortura.

Igualmente é reconhecida a influência da Maçonaria na Declaração de Independência e na Revolução Americana, como na constituição dos Estados centro-americanos e sul-americanos. No México, a Maçonaria teve muitos presidentes da República politicamente comprometidos com a educação secular, as liberdades públicas e a ajuda ao campesinato pobre. A Maçonaria apareceu no México colonial durante a segunda metade do séc. XVIII, quando os emigrantes franceses ali se estabeleceram na capital, para logo serem acusados e condenados pela inquisição. A Independência do Brasil em 1822 e a elevação de D. Pedro I a Irmão, com o nome iniciático de Guatimosim, abriu as portas à Implantação da República Brasileira em 1899.

O Uruguai torna-se independente da Coroa Portuguesa em 1825. A Argentina iniciou o seu caminho da unificação para a República em 1810. A Bolívia declarou a sua Independência em 1825, e em 1826 o Maçon Simon Bolivar outorgou ao país a primeira constituição. O Chile tornou-se independente da Espanha e teve constituição em 1823. O Chile, a Venezuela e a Argentina chegaram à independência com uma nova Constituição, pelos IIr:. Maçons Bernardo O’Higgins, Simon Bolívar e José de San Martí.

E a história é longa da contribuição da Maçonaria para a implantação das Repúblicas no Mundo e na elaboração das constituições.

21 de novembro de 2022

A ARTE REAL POR ELA

 


Com a devida vénia e respectiva autorização transcreve-se mais um poema de Adilson Zotovici:

A ARTE REAL POR ELA


Eu sou Arte e sou Real

Por obra de sabedoria

O Grande Arquiteto Universal

É a Vigia e meu Guia


Com escolhido pessoal

Moldo justo  a cantaria

Que com rico ferramental

Templos ergo por magia


Prego a paz e um mundo  igual

A liberdade à porfia

Sou fraterna e sou laical


Meu postulado inebria

Por todo lado, sou global...

Eu sou a Maçonaria !


Adilson Zotovici

ARLS Chequer Nassif-169

8 de novembro de 2022

SOBRE O MEU NOME SIMBÓLICO

 

SOBRE O MEU NOME SIMBÓLICO

Ao longo do meu percurso de vida, que já leva 56 anos, tive vários nomes ou alcunhas. O primeiro, que me define enquanto cidadão de pleno direito, foi o de nascimento, escolhido pelos meus queridos pais, e registado de acordo com a lei no registo civil. Há quem não goste nem se identifique com o seu nome. Comigo, isso nunca foi um problema.

Em criança e na minha juventude, fui identificado por outros nomes (alcunhas não me faltaram), todos atribuídos pelos muitos amigos que fui tendo ao longo da vida. Fui “Canina”, porque era muito pequeno para a idade, "Radar” porque tinha as orelhas grandes e estava sempre atento, “Bulhas”, porque tinha muito acne, “Máquina” porque tinha muita resistência, vejam bem, até cheguei a ser “Maçom”, nome atribuído pela minha avó paterna porque eu não profetizava a fé católica. Engraçado, identifiquei-me com todos os nomes (alcunhas) que me foram atribuindo menos com o de “Maçom”. Na altura, parecia-me depreciativo e que nada tinha a ver comigo.

A escolha de um nome simbólico que me definisse perante a família maçónica e com o qual me identificasse, não foi tarefa fácil. A decisão final aconteceu poucos minutos antes de sair da... (editado pela Comissão Editorial do Blogue). Antes de tudo, importa perceber um pouco melhor o conceito de identidade:

“Para a antropologia, a identidade consiste na soma nunca concluída de um aglomerado de signos, referências e influências que definem o entendimento relacional de determinada entidade, humana ou não humana, percebida por contraste, ou seja, pela diferença ante as outras, por si ou por outrem. Portanto, identidade está sempre relacionada à ideia de alteridade, ou seja, é necessário existir o outro e seus caracteres para se definir então por comparação e diferença. A existência de personalidades, mais conhecidas ou menos conhecidas, com as quais me identificasse, em virtude das suas características, valores ou atitudes, não foi problema.

25 de outubro de 2022

SOBRE O MEU NOME SIMBÓLICO

 

SOBRE O MEU NOME SIMBÓLICO

Um dos poucos segredos da Maçon⸫ ...(Editado pela Comissão Editorial do Blogue)... foi a necessidade de escolha de outra identidade, no entanto não a tinha aprofundado e, consequentemente, não estava decidida quando fui confrontado.

Ponderei algumas personalidades, com maior ou menor relevo na história e com as quais me identificava, quer pelos seus feitos ou pelos seus actos, mas acabei por antepor ...(Editado pela Comissão Editorial do Blogue)...

Nasceu algures na década de 1880, na aldeia de Lajeosa do Dão, concelho de Tondela, distrito de Viseu, foi marceneiro, merceeiro e curandeiro, actividade esta com que granjeou notoriedade e popularidade nas redondezas. Faleceu em 1955 ou 1956 e,...(Editado pela Comissão Editorial do Blogue)..., não tive a felicidade de ser seu contemporâneo (nasci em 1977).

Consta que era um homem sempre bem-apresentado, muito respeitado e reputado, características que lhe conferiam o estatuto de referência entre os seus conterrâneos.

Não obstante a dignidade de qualquer uma das suas profissões e o papel comunitário que desempenhou, a razão principal da minha escolha resultou no facto de ter sido, provavelmente, Maç⸫

Esta conjectura é baseada nas informações convictas e veiculadas, ao longo dos anos, pela... (Editado pela Comissão Editorial do Blogue)..., tios e outros familiares, se bem que uma pesquisa, entretanto efectivada com a preciosa ajuda do Ir⸫ José Martí, aos arquivos da nossa Ord⸫, não a tenha confirmado, por não existirem registos históricos tão longínquos.

Ainda que o conhecimento da vida do (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) seja, manifestamente, escasso, é, para mim, mais do que suficiente e até inspirador para tomá-lo como exemplo a seguir.

Vou continuar a acreditar, orgulhosamente, que  sou (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) de um Ir⸫, que descansa no Or⸫ Eterno, e tenho a responsabilidade acrescida de dar continuidade à sua obra, trabalhando a minha pedra bruta, defendendo e propagando os valores da família, da amizade fraterna, da liberdade, da pátria e dos bons costumes.

Abranches Cardoso, Apr⸫

Resp⸫ L⸫ Salvador Allende

20 de outubro de 2022

Mulheres na Tradição do Rito Escocês Antigo e Aceito


Mulheres na Tradição do Rito Escocês Antigo e Aceito

O Templo e o Rito 

É com apreensão e introspecção que me vejo obrigado a traçar esta prancha, sobre um tema que desde a Revolução Francesa nos tem ocupado os tempos de ‘Recreio’ e que hoje assume um lugar tão impertinente como a discussão sobre a identidade de género entre as crianças e adolescentes, e sobre a indústria da mudança de sexo.

A comparação não é para ser tomada à linha, já que se tratam de assuntos de natureza diferentes: um de natureza iniciática e o outro de natureza profana; ainda assim, ambos com um impacto tão grande capazes de transformarem as estruturas sociais a ponto de ficarem irreconhecíveis.

Primeiro que tudo sinto-me compelido a esclarecer sobre o simbolismo da Construção do Templo de Salomão, pois é exactamente disso que se trata, quando e sempre que nos encontramos em Sessão de L:.

A Construção do Templo de Salomão é uma metáfora iniciática, psíquica e espiritual que significa a construção diária das virtudes e qualidades do Homem. E claro que aqui significamos o Homem antropológico, quero dizer, homem e mulher. Mas esta reconhecida dualidade zigótica nem sempre foi tomada como tal. Desde a antiguidade Pré-clássica até à segunda metade do séc. XVIII, a Construção do Templo de Salomão significava a construção do homem macho, e é por isso que as plantas destes templos representavam nas suas plantas o homem perfeito (levantado), com os pés para ocidente e a cabeça para oriente, os braços para norte e sul respectivamente.

É este mesmo homem que se vê desenhado nos resquícios medievais, renascentistas e barrocos. Foi assim que Vitrúvio e Da Vinci o desenharam, foi assim que os grandes arquitectos dos templos hindus e budistas o desenharam igualmente, como os arménios e os bizantinos. Porque era o homem macho que esses templos representavam, porque eram as virtudes masculinas e a virilidade que se quis enaltecer, como força pujante da construção social, política e religiosa.

Nunca se escreveu ou pensou na “Construção do Templo de Salomona”, e nunca os Ritos foram construídos para desenvolver e ampliar à perfeição a psique feminina, mas antes a masculina, porque a sociedade era inteiramente patriarcal.

17 de outubro de 2022

J U S T O S

 


Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve mais um poema de Adilson Zotovici:

J U S T O S

Importantes nossos feitos

Todos labores venustos

Os amores insuspeitos

E os pretextos robustos


Ainda que imperfeitos

Não pensemos que injustos

Alguns caminhos estreitos

Que atravessamos aos sustos


Sigamos a fio os preceitos

Sem paga, sem preconceitos

Dos são arcanos augustos


Iniciados, aceitos...

Inda que jamais perfeitos

Que sejamos os mais justos !

Adilson Zotovici

ARLS Chequer Nassif-169

12 de outubro de 2022

O V Centenário do Nascimento de Gaspar Frutuoso

 

O V centenário do nascimento de Gaspar Frutuoso (1522- 1591) cronista da descoberta e povoamento da Madeira e dos Açores foi, pela primeira vez, incluído na agenda cultural da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa. Decorrerá uma sessão comemorativa, que se realiza amanhã, ( quinta feira dia 13) sob a presidência do Prof Dr. José Luís Cardoso, com a apresentação de comunicações dos académicos António Valdemar, «Memória das ilhas, na solidão do Atlântico»; e José Damião Rodrigues «Gaspar Frutuoso, historiador natural».

A sessão terá inicio ás 15 horas, mas o acesso ao publico, no salão nobre, tem inicio a partir das 14 e 30 horas.

7 Eixos Programáticos

 


No âmbito dos sete eixos estratégicos definidos, o Conselho da Ordem organiza o primeiro de sete jantares temáticos, no Hotel Termas da Curia.  

19h30 - Três peças de música clássica pelo pianista Jorge Fontes, Intervenções de Jorge Conde e Vasco Pereira da Costa. 

As inscrições são feitas para o seguinte email: grandesecretariageral@gol.pt


5 de outubro de 2022

ÉTICA DE PRINCÍPIOS

 


Transcrito, com a devida vénia, do Informativo Chico da Botica, ano 18 Edição 170 de 30.09.2022:

ÉTICA DE PRINCÍPIOS

Autor – Rubem Alves, Folha de S. Paulo, 04/03/2008

As duas éticas: a que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e imutáveis, mas vivos – a que os filósofos dão o nome de ética contextual.

Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre as estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns, não vêem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe... Os jardineiros só acreditam nos que seus olhos vêem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram.

Vou aplicar a metáfora a uma situação concreta. A mulher está com câncer em estado avançado. E certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem razão. O médico vai visitá-la. Olhando do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico, ela pergunta: “Doutor, será que eu escapo desta?”.

Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer? Se o médico for adepto da ética estelar dos princípios, a resposta será simples: “Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer”. Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações. A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade. 

Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum principio. Ele só pensará nos olhos  suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: “Que palavra eu posso dizer que. Que não sendo um engano (a senhora breve estará curada...) cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?”. E ele dirá: “Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer...” Aí, então, os dois conversarão longamente – como se estivessem de mãos dadas – sobre a morte que os dois haverão de enfrentar. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade.

Pela ética dos princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais o proíbem. Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem e o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da Aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas efetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará?

Duas éticas: A única pergunta a se fazer é: “Qual delas está mais a serviço do amor?”.

(Autor – Rubem Alves, Folha de S. Paulo, 04/03/2008).

4 de outubro de 2022

"A integração nas Obediências «Liberais» e a questão da «inclusão Feminina»"

 


"A  integração nas Obediências  «Liberais» e a questão da «inclusão Feminina»"


I – Introdução e Alguns Antecedentes Históricos 

O tema da presença da mulher na Maçonaria é uma «pedra mal trabalhada» ou melhor «não acabada», muito menos «polida», com que se arrastam os Maçons desde que a Maçonaria se considera como tal. Passou muito tempo desde 1717 e naturalmente a Maçonaria sofreu enormes fases de maturação, com novos Ritos, restruturações, cisões, seguidas de uniões e fusões, e por vezes novas separações ou surgimento de novas Obediências, face às já existentes, influenciadas mais ou menos directamente pelos contextos socioeconómicos, políticos e culturais da época, pela evolução das ideias, a partir do prosseguimento do Iluminismo, da Revolução Francesa e outras. O seu caminho até hoje não é independente do reflexo das convulsões político-sociais e de ideias, que se têm passado até aqui, deixando-lhe obviamente várias marcas.  

Fica também claro que para as Obediências ou correntes maçónicas da auto-intitulada «maçonaria regular», a partir da «fatwa» (normal à época) declarada ao elemento feminino desde Anderson (1723 e 1738), nunca mais existiu qualquer controvérsia, bloqueando desde sempre as portas dos templos à presença da mulher, decisão reforçada  posteriormente pelos inamovíveis  e anacrónicos «landmarks». 

Contudo o imobilismo da maçonaria «dogmática» não impediu o surgimento de novas concepções, em cuja linha central se encontra o GOdF, que a determinada altura facilitou à mulher algum espaço vital, com o desenvolvimento da Maçonaria de Adopção ainda em 1774. No entanto e a partir daí, registaram-se mais de duzentos e tal anos e muitos e intensos debates. Ultrapassar o patriarcado e a misoginia existente, só se conseguiu com a decisão do Convénio de 2010, que aprovou uma fórmula de compromisso: «dar liberdade às suas Lojas para iniciar, sem ter em conta a condição sexual», ou seja permitir a entrada de mulheres nas Lojas que tal o considerassem desejável e oportuno. Há quem justifique que este atraso se deve à prioridade que sempre foi dada às questões de carácter social ou político, enfim interpretações…. (mas o resultado foi também ao encontro duma decisão judicial positiva relativa à mudança para o sexo feminino da actual arquitecta Olivia Cheaumont, ex-M.M:. masculino duma Loja do GOdF)….

Não iremos entrar pelos detalhes históricos da iniciação feminina, das suas personalidades emblemáticas e das respectivas classes sociais, a par da sua preparação técnico-filosófica, nomeadamente a partir de meados / finais do Séc. XIX, dado não ser directamente o objectivo deste traçado, e existir abundante bibliografia facilmente disponível. Recordamos somente que “Desde a Maçonaria operativa, já existe um registo, embora tímido, da presença de mulheres nas Confrarias e Guildas” [2].  

É, contudo, importante não esquecer que a submissão da mulher, se verificou na antiguidade, a partir das chamadas religiões do Livro, ou sejam, Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, contrariamente ao que acontecia nos Antigos Mistérios, das civilizações mais antigas do Médio-Oriente e mais relevado nas egípcia e grega. Em contrapartida salientemos também que nem as liberdades civis conquistadas com a Revolução Francesa de 1789, foram suficientes para contrariar aquela submissão.

29 de setembro de 2022

A MULHER NA ORDEM


Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve mais um Poema de Adilson Zotovici:

A MULHER NA ORDEM

Façamos uma reflexão

Com seriedade e cuidado

Sobre a séria indagação

Que faz um irmão respeitado


Seria uma evolução

Sobre antigo postulado

Ou mesmo uma revolução

Dando voltas, de lado a lado ?


Hoje há grande preocupação

Com quem se tem iniciado

Na Sublime Instituição


Quiçá se tenha pensado

No denodo, na obstinação

Que em tudo a mulher tem mostrado (???)


Adilson Zotovici

ARLS Chequer Nassif-169

14 de setembro de 2022

Viajando com Livros de António Valdemar

 


Com a devida vénia se transcreve este Artigo de António Valdemar publicado na Revista Tempo Livre de Setembro/Outubro 2022

Camilo Pessanha, Tão Longe e Tão Perto 

Referência obrigatória da literatura portuguesa e um dos grandes nomes do simbolismo europeu. Resistiu e resiste a todas as inovações que lhe sucederam. Ao contrário de Wenceslau de Morais que se orientalizou no Japão, Pessanha, durante trinta anos em Macau, nunca deixou de ser um europeu no Oriente. 

Predomina na poesia de Camilo Pessanha uma linguagem direta quase sempre próxima do quotidiano e procura conter a emoção imediata. Não se prende a contingências efémeras, a compromissos políticos e ideológicos, por mais nobres que sejam. Sem obra ainda publicada em livro, sem frequentar os centros intelectuais e artísticos, Camilo Pessanha, na transição do século XIX para o século XX, tornou--se uma das referências obrigatórias da literatura portuguesa. A sua obra caracteriza-se, essencialmente, pelo diálogo entre o amor e a morte. Introduziu novos ritmos, novas imagens. Dentro do simbolismo e para além dele. Resistiu e resiste a todas as inovações que lhe sucederam. Lembro, entre tantas revelações de Almada Negreiros, em digressões peripatéticas desde o Largo do Rato até ao Terreiro do Paço (quando o entrevistava sobre os Painéis) me ter dito e estou a citar de memória: «O Orpheu teve dois grupos distintos, os visuais e os auditivos. Nos primeiros estou eu com o Fernando Pessoa. O nosso mestre é Cesário Verde. Os outros, os que buscam nas palavras, a música, a voz e os silêncios Mário Sá Carneiro, Alfredo Guisado, Luís de Montalvor, e uma pequena parte do Pessoa ortónimo derivam do Camilo Pessanha. Ainda não existia a Clepsidra. 

Os poemas circulavam em cópias que passavam de mão em mão.» Camilo Pessanha radicara-se em Macau (1894-1926) e repartiu a sua atividade como professor do liceu e no exercício da advocacia. Estudou a civilização chinesa. Reuniu peças de arte, marfins e cerâmicas que legou ao Museu de Arte Antiga e, lamentavelmente, têm passado de museu para museu. Apesar de viver durante cerca de 30 anos em Macau, nunca se integrou na sociedade daquela última fronteira do Império. Ou, então, como disse Fernão Mendes Pinto, «a mais rica e leal cidade de Liampó, o mais rico porto que se sabia em todas aquelas partes da China». 

Por ocasião do centenário do nascimento de Camilo Pessanha, a 7 de Setembro de 1967, ocupei-me da sua vida e da sua obra num extenso artigo no Diário de Notícias iniciado com todo o destaque na primeira página, pois revelava um testemunho totalmente inédito. Chamei a atenção para o facto de a Clepsidra incluir cerca de 40 composições e só uma ou duas (caso da Chinesa) se referirem ao Oriente. Também nesse conjunto só 10 textos tem a indicação precisa de haverem sido escritos em Macau. As próprias Elegias Chinesas, que traduziu, abordam a problemática do exílio e as motivações do regresso, na sua expressão portuguesa. 

Inveterado fumador de ópio que o destruiu até ao extremo da ruína física, Camilo Pessanha não recorria ao ópio a fim de atingir «um Oriente ao Oriente do Oriente» para citar o poema de Fernando Pessoa subscrito por Álvaro de Campos. Numa carta até então, completamente, desconhecida e enviada a Henrique Trindade Coelho, que tive o privilégio de publicar, na íntegra, Camilo Pessanha afirmou: De regresso a casa deitei-me, segundo o costume, ao comprido. Enquanto Águia de Prata (nome dado à companheira com quem vivia) ia preparando o inefável tóxico consolador (...) produzia-se, a pouco e pouco, em mim esse delírio lúcido característico da intoxicação pelos hipnóticos, em que, sem perder a consciência da situação em que se está, se evoca no espírito, com absoluta fidelidade e perfeita nitidez, uma ou outra situação, em outro lugar ou em outro tempo, como se vivesse simultaneamente duas vidas muito distantes uma da outra. A imaginação, já se vê, transportou-me para aí, para a agitação estéril desse meio lisboeta, para esse tumulto agressivo e vão por entre o qual andei. Refere, entretanto, o nome das pessoas e os locais de encontro em Lisboa, nos cafés e restaurantes do Cais do Sodré e do Rossio. Anos depois desta divulgação, no Diário de Notícias, que veio clarificar uma questão fundamental, Barbara Spaggiari, da Faculdade de Letras da Universidade Florença, editava na Biblioteca Breve do ICALP, um estudo sobre Camilo Pessanha. Sem mencionar o documento inédito que publiquei, observava que o suposto exotismo não é só um lugar-comum, mas até um falso problema que envolve o risco de colocar numa perspetiva errónea todo o estudo da sua obra. Como homem, Pessanha é um português orgulhoso de ser português. E conclui: é um europeu ligado de modo indissolúvel à civilização e à cultura do Ocidente. Exatamente o que demonstrei, salientando ainda que, ao contrário de Wenceslau de Morais que se orientalizou no Japão, Pessanha nunca deixou de ser um europeu do Oriente.

A primeira edição das poesias dispersas de Camilo Pessanha com o título genérico de Clepsydra decorreu, em Lisboa, em 1920. Consolidou o prestígio literário que alcançara há mais de 20 anos. Foi acolhida com o maior apreço pela geração do Orpheu e do Portugal Futurista; por alguns dos poetas que viriam a constituir o grupo e a geração da Presença; por colaboradores dos Cadernos de Poesia, e alguns surrealistas como Mário Cesariny e Alexandre O´Neil. Já havia merecido a maior consideração das gerações anteriores. Logo que saiu a Clepsydra, Camilo Pessanha passou a ser integrado e com o maior relevo n’Os Cem Sonetos, antologia organizada por Mayer Garção e publicada pela Imprensa Nacional. Ao falecer em Macau, em 1926, mereceu honras literárias nacionais que abrangeram grande parte de uma sessão do Parlamento. Nos anos 40 Luís de Montalvor, nas edições da Ática da qual foi diretor e fundador e na sequência das obras ortónimas e heterónimas de Fernando Pessoa, reeditou a Clepsidra que se tornara um livro disputado a preços muito elevados em leilões e nos alfarrabistas. Nos anos 50, Camilo Pessanha seria objeto da primeira tese universitária da autoria de Ester de Lemos, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 

Ler a Clepsidra constitui uma aproximação sempre diferente da criação poética de Camilo Pessanha. Em Macau, a memória de Portugal depara-se no património construído. Revive não só nos monumentos. Permanece nas bibliotecas e arquivos, nos nomes das ruas e das praças. Mas Camilo Pessanha não hesitou em chamar a Macau «o chão antipático do exílio». Encontrava-se, longe de tudo e de todos. Através do visível e do invisível, procurava ver e sentir «a luz em um país perdido». A Clepsidra celebra a essência da própria poesia e o que perdura em cada tempo e em cada lugar.

António Valdemar

11 de setembro de 2022

Homenagear e Recordar Salvador Allende

 


Com a devida vénia e repectiva autorização se transcreve esta homenagem a Salvador Allende por  Lila Aguilar Soto-Lorenzo

(Mestra Maçon do Rito Francês – O:. da Cidade do México – R:. L:.. "La Fayette" n º 10 - Membro do Círculo de Estudos do Rito Francês "Roëttiers de Montaleau")

Homenagear e Recordar Salvador Allende

Durante mais um aniversário do fatídico golpe de Estado fascista urdido, planeado e executado pela EUA, CIA e oligarquias dominantes, a 11.Setembro de 1973,  recordamos (como sempre) a memória do Presidente íntegro, Maçom, Progressista, Socialista e homem de palavra, que preferiu morrer no cumprimento do mandato para que tinha sido eleito pelo povo chileno, a render-se aos golpistas chefiados pelo torcionário Pinochet e seus sequazes, às ordens dos Americanos e dos oligarcas.

Muito se tem escrito sobre este acto abjecto e de terror, de que Salvador Allende e o heróico povo chileno foram as grandes vítimas, mas, no dia de hoje, (11.Set.2021), não resistimos a publicar de novo esta prancha, como sincera homenagem (já publicada no N/ Blog, em 08.Mai.2012), quer porque o texto se mantem plenamente actual, quer porque Allende e o sacrifício imposto ao povo chileno, (que no início tanta esperança e alegria nos tinha trazido, neste país ainda amordaçado pela ditadura) viverão sempre no coração e na memória de todos nós, em especial os que seguimos à época, com tristeza e ansiedade, aquele trágico acontecimento, bem como a todos os democratas, progressistas e antifascistas do mundo inteiro, que tornaram o «nossso Presidente» como uma das nossas referencias  colectivas indeléveis.

Texto da conferência  da  V.. M. •. • R. da. L. •. Lafayette n º 10, Lila Lorenzo Soto-Aguilar , realizada em 26 de Junho de 2010 na biblioteca "O Menestrel" , na Cidade do México (conferência foi realizada em comemoração ao 102 º aniversário de seu nascimento - organizado pela Associação Salvador Allende Gossens (ASAG))

Queridos Companheiros e Companheiras :

Nesta ocasião em que homenageamos Salvador Allende, no aniversário do seu passamento, eu gostaria - como um membro  que fui da sua guarda-costas (GAP) - uma faceta pouco conhecida por todos; a do Maçom Presidente. Como sua irmã que agora sou, queria mostar  como a coerência entre o político e o Maçon se uniram para fazer dele um grande homem, respeitado e amado por todos nós, seu povo. É meu desejo participar hoje aqui convosco,  compartilhando a  minha experiência com ele, seus ensinamentos, sua sabedoria, que me fizeram crescer interiormente como um maçona  e politicamente como militante.

Expressar em palavras os nossos sentimentos a mais de trinta anos do golpe militar de Augusto Pinochet, é - apesar da dor pelos sonhos perdidos, os companheiros e irmãos  mortos e desaparecidos - um acto de profunda melancolia, porque como disse um  poeta, a melancolia não é senão a alegria da tristeza. Assim, a vivência  com o presidente do Chile, Salvador Allende, tornou-se para mim uma lição cheia de alegria, de como a liberdade é exercida com responsabilidade e de como essa responsabilidade deve levar-se sempre até às últimas consequências. Hoje, como maçona, entendo de onde provinha a força dos valores que mantinha dia  a dia Salvador Allende e, que  na vida quotidiana, compartilhava connosco.

Em 04 Setembro de 1970 Salvador Allende vence as eleições presidenciais com o apoio de grande parte dos partidos políticos de esquerda, agrupados na Unidade Popular. Em 25 de Outubro do mesmo ano, antes de Allende assumir a presidência, foi assassinado o comandante-em-chefe das forças armadas René Schneider. É um aviso sinistro a Allende para não cumprir a sua agenda política e económica, que trará ao Chile reformas sociais fundamentais.

Para o novo e pequeno aparelho de segurança do todavia presidente eleito do Chile, é também a afirmação de que não se pode confiar numas forças armadas historicamente ligadas à aristocracia e à oligarquia económica e social, afastada dos interesses dos mais necessitados.

A União dos Desiguais

 


Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este trabalho do Irmão Norberto P. de Barcellos  seleccionado pelo blogue Jakim&Boaz do Informativo “CHICO DA BOTICA” - Edição 132 - 31 Maio 2019:

A União dos Desiguais

Podemos ter nítidas semelhanças com alguém. Seja na forma física. Seja na personalidade. Seja no jeito de ser. Fulano é assim. Sicrano é assado . De quando em vez, parecidos, mas iguais não. Todos nós somos diferentes. E é aí que emana do nosso íntimo uma luz de aprendizagem. 

Por maior que seja a nossa semelhança com alguém, jamais será absolutamente igual. Mesmo assim, esse pêndulo torna-nos  idênticos, porque representa a unidade das nossas diferenças e que por se completarem nas comparações, alcançam uma harmonia de igualdade. Todos nós temos qualidades ou defeitos que o outro não tem. Mas o outro possui muitas coisas que nós não possuímos. Isso completa-nos. Assim alcançamos o equilíbrio necessário, uma vez que, juntos acabamos formatando um caminho que, ao percorrermos pela lógica da dualidade, acaba conduzindo-nos  para uma forma única. Por outras palavras: as nossas diferenças completam-nos. Fulano gosta disso. Sicrano daquilo. Beltrano nem disso nem daquilo, porém absolutamente útil na sua forma de ser. Ao nos reconhecermos assim, evidenciamos a soma de nós mesmos.

Do conciso ao prolixo; do extrovertido ao tímido. 

A bem da verdade, para que um exista é fundamental a presença do outro. A dualidade é a permanência de ambos, como extremos, já que se um desaparecer, o outro perderá o sentido da sua existência, pois necessita do contrário como de si mesmo para poder existir. 

Desnecessários tantos exemplos, quando ao olharmos para o chão na nossa frente, vemos no Pavimento Mosaico a presença emblemática do Universo e de tudo o que nele existe, inclusive do ser humano, seu jeito de ser, sua vida, porque a dualidade está presente em tudo.

Na sua obra, “Simbologia Maçónica dos Painéis”, Almir Sant’Anna Cruz, assim escreve: “O Pavimento Mosaico além de representar a União entre todos, independente das suas diferenças étnicas, religiosas, políticas, etc., simboliza a harmonia dos contrários, a convivência harmoniosa de várias dualidades aparentemente antagónicas, tais como o bem e o mal, o espírito e a matéria, a polaridade positiva e a polaridade negativa da natureza, etc.” E finaliza: “Os maçons, unidos pelo mesmo cimento de tolerância e benevolência, conseguem não só superar a moral comum, mas, sobretudo elevar-se acima dela”. 

8 de setembro de 2022

INDEPENDÊNCIA E MAÇONARIA-200 ANOS

 

Celebram-se 200 anos da Independência do Brasil. Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve o Soneto de Adilson Zotovici:


INDEPENDÊNCIA E MAÇONARIA-200 ANOS

Confunde-se, entre elas, a história

Do reluzente raiar da liberdade

Da Nação contra procelas e vanglória

E a pungente ação da Fraternidade


Cabal, sem regressso...peremptória

Devotas por justiça e igualdade

D'Arte Real o processo da oratória

Aos patriotas uma nova realidade


A par e passo, que vigia, a trajetótia

Decisórias Pátria livre e Irmandade

Em compasso, dia a dia, na memória


Consistência nos eventos com equidade

Duzentos anos de competência e glória

De Independência e vitória em verdade!


Adilson Zotovici

ARLS Chequer Nassif 169


15 de agosto de 2022

A LIÇÃO DO VÍRUS


Com a devida Vénia e repectiva autorização se transcreve mais um poema de Adilson Zotovici:

A LIÇÃO DO VÍRUS

Aos irmãos, livres pedreiros,

Formadores de opinião

Os sinais são verdadeiros

Quais  merecem reflexão


Nesses tempos sorrateiros

Sobre a grande poluição

Esses vírus traiçoeiros

Trazem importante lição


Como que em cativeiros

O homem  em isolação

Não devasta seus canteiros


Cursos d’água,  em aflição

Parecem tornar viveiros

Da vida que em extinção !


Adilson Zotovici

ARLS Chequer Nassif-169

1 de agosto de 2022

Mar, sempre o Mar

Com a devida vénia se transcreve este Artigo, escrito por António Valdemar, na Revista  Tempo Livre (Viajar com Livros)

Mar, sempre o Mar 

Poetas, escritores e dramaturgos portugueses aprofundaram todas as motivações da vida 

no mar. Encontram-se na poesia dos Cancioneiros medievais, na obra épica e lírica 

de Camões, nos sonetos de Antero, na Ode Marítima de Pessoa, nos roteiros do litoral 

e das ilhas dos Açores de Raul Brandão. 

O mar permanece desde sempre vinculado a Portugal. É um dos elementos que definiram parte significativa do território, estabeleceram uma das fronteiras com a Galiza, consolidaram a administração pública e privada, determinaram relações comerciais com o exterior e, alguns séculos depois, contribuíram para a expansão de Portugal através do Mundo. A presença do mar refletiu-se logo nos primórdios da literatura portuguesa. Encontra-se nos Cancioneiros que recolheram a poesia medieval e um dos exemplos mais relevantes é Martin Codax ao confessar a sua insatisfação afetiva marcada por interrogações sucessivas: «Ondas do mar de Vigo, / se vistes meu amigo? (…) Ondas do mar levado, / se vistes meu amado? E ai Deus, se verrá cedo?»

Camões é, quase sempre, nestas circunstâncias, citação obrigatória. Localizou n’Os Lusíadas os contornos de Portugal, seguindo a disposição do cartógrafo Álvaro Seco, no primeiro mapa impresso (1561) que representou a nossa extensão geográfica e que se mantém até hoje: «eis aqui, quase cume da cabeça / da Europa toda, o Reino Lusitano, / onde a terra se acaba e o mar começa.» É com orgulho que Camões se identifica: «Esta é a ditosa Pátria minha amada». Também relata com orgulho a memória das origens de Portugal e dos portugueses: «mandas-me, ó Rei, que conte declarando / de minha gente a grã genealogia; / não me mandas contar estranha história, / mas mandas-me louvar dos meus a glória». Através d’Os Lusíadas menciona as qualidades e não oculta os defeitos do povo português. Sentimentos nobres como a generosidade, a coragem e a honra. Defeitos lamentáveis como a corrupção, o suborno e a inveja. Incentiva D. Sebastião a defender Portugal entre os povos europeus: «fazei, Senhor, que nunca os admirados / alemães, galos, ítalos e ingleses, / possam dizer que são pera mandados, / mais que para mandar, os Portugueses». O génio de Camões descreveu com a garra e a energia de um grande repórter a fúria das tempestades ou a serenidade do mar no acordar das manhãs; a luz envolvente das tardes repousadas e a agonia do sol a extinguir-se e a transformar-se na escuridão cerrada da noite. Retratou n’Os Lusíadas o dia a dia de bordo, as horas de confusão e de angústia e as horas de fascínio vividas em todos os oceanos e continentes. Um dos seus biógrafos e críticos, Aquilino Ribeiro destaca «a agudeza de retina insuperável» de Camões quando procede à «anotação do real». Isto só foi possível – observou – por ter sido «soldado raso, sujeito a todos os trabalhos da mareação, calejando os dedos a puxar as adriças, tressuando a dar à bomba, e ouvindo, com torva, mas obediente cara, as ordens, descomposturas e impropérios» dos mestres das naus em que viajou. Daí a obra de Camões ser um testemunho «da sua vida incerta, precária, cheia de baldões e rica de polpa, tanto para o bem como para o mal». Por tudo isto, tanto a sua poesia épica, como a sua poesia lírica e elegíaca (sonetos, éclogas, canções) – conclui Aquilino – «deita sangue, o rubro e generoso sangue dos corpos animados».

O mesmo não entendeu Eduardo Lourenço. Ao ocupar-se da importância que o mar exerceu na vida e na obra de Antero, é da opinião que, enquanto «o mar em Camões é um elemento exterior, uma estrada para chegar a um porto já sabido», o mar tem outra ressonância em Antero. Na literatura portuguesa – salienta ainda – o mar «só irrompeu em Antero» com a força da sua evidência oceânica e da sua profundidade cósmica. O mar que acompanha Antero e que envolve a ilha de São Miguel – insiste Eduardo Lourenço – «identifica-se com a sua luta espiritual, fluxo e refluxo eterno, entre ser ou não ser como a vida».

5 de julho de 2022

Versos em Bom Compasso

 O Poeta Adilson Zotovici, colaborador habitual deste blogue vai lançar um novo livro:



2 de julho de 2022

Todo Maçom é Rico ou só Busca Riquezas?

Com a devida vénia, e respectiva autorização, se transcreve este artigo, publicado no Jornal Mensal do Grande Oriente de Alagoas (GOAL)-Cavaleiros da Virtude:

Todo Maçom é Rico ou só Busca Riquezas?

Carlyle Rosemond (M|I| CIM 307.07 - A|R|L|S| Terceiro Milênio nº7 - GOAL

Membro da Academia Maçônica de Ciências, Letras e Artes - AMCLA)

O correto seria, em relação a bens materiais, nem um dos dois, mas sabemos que nem sempre é assim. Irei contar alguns trechos de ou história, sejam elas vividas, ouvidas , infelizmente, presenciadas, tudo para tentar explicar a resposta dada acima às duas perguntas do título.

É apenas uma reflexão como as pessoas associam a palavra de “Maçom” a  “Rico”, como se elas fossem sinônimos ou, ainda, como a se uma fosse uma ponte para a outra. É fato que os primeiros maçons especulativos eram homens de posses ou lordes e, talvez, seja por isso que tenha surgido o mito. Em relação à “ponte”, não é correto, mas acontece, em algumas Lojas, de pessoas serem iniciadas por seu poder financeiro e/ou político, do outro lado dessa mesma “ponte”, pessoas desejando entrar com a ilusão de se tornar um milionário. Nesse ponto temos dois caminhos: os aproveitadores e os que se aproveitam.

Sabemos que o mundo virtual não perdoa e se aproveita de nossas fraquezas, daí o crescimento de golpes de “maçonarias virtuais” com a promessa de riquezas, onde você é convidado a ser iniciado virtualmente para fazer parte de uma “elite” poderosa e “Boom!!!”, pela ganância, você perde o dinheiro e fica menos rico. O outro ponto está relacionados a “irmãos” que se aproveitam do fato de outros Irmãos terem condições para buscarem favores e gratuidades. Um Irmão não é obrigado a dar tudo de graça ao outro, deve ser feito de coração. Não estou dizendo que é errado ajudar, pois isso faz parte de nós; apenas que os Irmãos para ajudar outros Irmãos (seja com descontos, empregos, favores, gratuidades, entre outras coisas), precisam saber se o outro realmente precisa ou se está querendo se aproveitar do momento, digo isso pois a fila de pedidos é enorme. Brincadeiras à parte, todos nós, ricos ou pobres, precisamos de algum tipo de ajuda e, será que tudo está ligado ao dinheiro?

Falando por mim; não nasci em berço de ouro, mas poderia dizer de prata, pois nunca me faltou coisa alguma e, talvez fosse isso que as pessoas enxergavam na minha juventude, de quem eu era filho ou qual era a minha origem; não nego que consegui apreciar os prazeres culturais de alguns países europeus e sulamericanos, nada pela Maçonaria , mas precisei da ajuda de alguns Maçons para conclusão do meu mestrado internacional. O que poucos sabem é que não me peso pelo dinheiro, pois abri mão de qualquer herança familiar, pois acredito que você deve merecer receber algo e só quem está em vida é quem pode avaliar isso.

Até meus alunos da escola publica, por saberem que sou Maçom, vivem querendo indicação para ser maçom, ou melhor, para ficar rico, e sempre acabo tendo que explicar que a maior riqueza é o conhecimento, aí desistem da ideia. Puxando esse assunto, em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, assim como em diversos filmes e séries, as pessoas vivem em busca de tesouros e riquezas, ou, como no filme, o poder do conhecimento do universo.

Não sei vocês, mas acredito que conhecimento é poder e a maior riqueza que alguém pode conquistar, mas se usado para o bem, o que não acontece em “Transformers”, onde uma guerra tecnológica destrói o planeta deles, Cybertron.

Bem, depois desta salada de enrolação, respondo a pergunta da seguinte forma: A maior riqueza que um Maçom pode alcançar é construir uma família com base sólida e o próprio engrandecimento interior, tudo através do conhecimento e, é nisso em que os Irmãos precisam focar.

Carlyle Rosemond

24 de junho de 2022

Exposição

 

MATTIA DENISSE

Hápax

SAVE THE DATE

Hápax é a mais extensa apresentação do trabalho de Mattia Denisse em Portugal, até à data. Comissariada por Bruno Marchand, esta exposição reúne uma seleção alargada de desenhos, serigrafias e monotipias produzidas nos últimos quinze anos e será inaugurada na Culturgest Lisboa, no próximo dia 24 de Junho, entre as 22:00 e as 00:00.

21 de junho de 2022

Solstício Verão 2022

 

O primeiro dia do Verão de 2022 em Portugal começou esta segunda-feira, 21 de Junho, às 4.23 horas. Geralmente, é chamado "o dia mais longo do ano" porque é o dia com mais luz solar.

Mais um fim e início dos diferentes Ciclos com que a Natureza nos brinda.