Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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12 de janeiro de 2019

HERÓI SEM MEDALHA


Com a devida vénia se transcreve este artigo de Anestor Porfírio da Silva publicado no extinto
JB News – Informativo nr. 2.294 – Florianópolis (SC), terça-feira, 10 de janeiro de 2017.

HERÓI SEM MEDALHA
Meu irmão, você como maçom já deve ter ouvido de outro irmão maçom a lenda do beija-flor que, sozinho, tentava apagar o incêndio de uma grande floresta transportando água em seu bico? Todos sabiam da destruição que aquele incêndio poderia causar se nada fosse feito. Mas nenhum outro animal manifestou o desejo de ajudá-lo por entender que a solução daquele problema era algo além da capacidade de todos.
A quem, desanimado, aconselhou-o a desistir, a pequenina ave respondeu: “Não me interessa saber o que os outros bichos e aves estão fazendo. O incêndio precisa ser apagado. Estou cuidando de fazer a minha parte”.
Para uma ave sozinha apagar um incêndio, ainda que de pequenas proporções, seria impossível. Mas se todos os animais e aves a ajudassem, a situação aflitiva poderia ser resolvida.
O fato, como já se disse, é apenas uma ficção, isto é, não aconteceu. Mas como lenda, o que dela podemos extrair como exemplo é o fundo moral que ela contém, isto é, numa comunidade em que se presume serem todos responsáveis, cada um deve fazer o que lhe compete sem observar o comportamento de quem deveria estar fazendo o mesmo. Do contrário, se eu decidir parar de fazer o que estou fazendo e condicionar minha volta ao trabalho somente se quem está do meu lado também trabalhar, é uma atitude maléfica à superação de qualquer dificuldade por mais insignificante que ela seja.
Quinta-feira, cinco e meia da manhã, o alvor daquele dia, um dos primeiros do mês de agosto de 2007, já reluzia no horizonte quando Lucas se pôs de pé após noite de insônia. Estava inquieto como alguém que busca ar para respirar e nada encontra. A cidade ainda dormia. Desejoso de que o dia acabasse de amanhecer logo, esfregava as mãos e andava pela casa de um lugar para outro, sempre pensativo tentando encontrar uma saída que viabilizasse a urgente solução dos problemas que o afligiam naquele momento.

10 de outubro de 2018

Confúcio e a Arte de Governar


Com a devida vénia se transcreve esta opinião de Gilmar Marcílio na Revista Arte Real, nº102 de Outubro 2018:

Confúcio, o grande pensador chinês do século cinco antes de Cristo, sonhou com um governo ideal. De todos os ensinamentos presentes nos “Analectos”, sua obra mais conhecida, destacam-se os que dão ênfase à questão política. Não como a temos hoje em dia, em que tudo se reduz ao fisiologismo e a alianças espúrias para a aprovação de medidas que interessam, somente, a quem está no poder. Uma triste e patética realidade que deformou os princípios presentes nos grandes tratados, que se debruçam sobre o tema. Direcione a conversa para este assunto e a esmagadora maioria lhe dirá da repulsa que sente diante dos incontáveis escândalos envolvendo os que deveriam nos servir de modelo. Resta-nos louvar, neste tempo espúrio, a possibilidade de se fazer críticas contundentes, transformando a palavra censura, apenas, num eco distante. Embora alguns sonhem em diminuir esse espaço de liberdade tão duramente conquistado.
Confúcio tentou implantar um governo, na província que administrou, baseado em princípios que soariam aos nossos parlamentares, como a mais ingênua das utopias. E, no entanto, a despeito da descrença que, atualmente, grassa em quase todas as pessoas, esse homem conseguiu colocar em prática muitas ideias que, ainda, reverberam hoje em dia. E que todos nós gostaríamos de ver plasmadas como a mais perfeita forma de conduzir um povo.
Ele acreditava que a coerência, a integridade e a honestidade só poderiam ser implantadas numa esfera mais ampla, se tivessem primeiro sido forjadas no âmbito doméstico. Ninguém é capaz de conduzir mil homens se não consegue fazer-se respeitar em sua própria casa. Para ele, o espaço familiar era uma espécie de laboratório, onde os dramas e as pequenas vitórias haveriam de servir como experiência para administrar uma cidade, um estado, uma nação.
 Quem não conseguisse dominar a si mesmo e ser admirado pelos que estão mais próximos, jamais, teria a capacidade ou mesmo a autoridade para determinar o caminho justo e reto a ser seguido. Estamos muito longe desse ideal. Basta ver o quanto a educação passou por um processo de terceirização, desobrigando os pais de suas responsabilidades mais elementares. Na medida em que se deixa de lado a condução moral e ética de um filho, pouco se pode esperar de uma pessoa que detenha um cargo de chefia. É tão elementar isso. Tornamo-nos pragmáticos e obsessivos, vendo no outro um empecilho para alcançar rapidamente os nossos propósitos. Que outra palavra poderia definir isso senão egoísmo? O verdadeiro governante, segundo o pensador que nos serve como orientador para essas reflexões, está preocupado, acima de tudo, com o bem comum.

13 de setembro de 2018

Especulações a Respeito das Iniciações no Futuro


Com a devida vénia se transcreve Especulações a Respeito das Iniciações no Futuro, da autoria de Hercule Spoladore, publicado em 6 de agosto de 2018 por Luiz Marcelo Viegas no Blogue O Ponto Dentro do Círculo:
 
Se projetarmos nossa mente para daqui a cem anos, e através da especulação, da imaginação, utilizando os conhecimentos que temos no presente com relação a evolução da ciência e do avanço do pensamento humano quando houver profundas alterações de valores éticos e morais, dos costumes, reavaliações de princípios, quando o homem conseguir vencer os monstros do seu subconsciente e se tornar bom, enfim, quando souber gozar todo o maravilhoso progresso alcançado nos últimos dois séculos, muitas perguntas nos vêm à cabeça.
Existirão igrejas? Sobreviverão tantas denominações religiosas quanto as que temos no presente? Haverá a necessidade de templos? Qual será a moderna concepção do GADU? A Maçonaria sobreviverá se não mudar e se não se adaptar? As mulheres farão parte da Maçonaria Tradicional? Quando? Existirão doenças incuráveis? E as guerras?Continuarão a ser um dos flagelos da humanidade? E a mente humana como se comportará? Haverá mais Amor, mais Perdão, mais Tolerância nos corações dos Homens? E o paranormal? Conseguirá transpor facilmente a barreira dos cinco sentidos?

Se a civilização nos últimos cem anos, à mercê do avanço tecnológico incrível e fantástico, das invenções que mudaram a história da humanidade, através de uma maior liberdade de expressão e do pensamento, teve um progresso chegando a atual posição, houve pelo menos uma pálida coerência, entre a ciência e a humanidade ainda aceitando os princípios cartesianos que valorizam o racionalismo e o dualismo metafísico. Não estuda um fenômeno como um todo, estuda-o simplesmente em si, em separado. Hoje já se fala na Teoria Holística, onde tudo faz parte do todo.
Entretanto, com o advento da Informática, Internet, Realidade Virtual e outras tantas invenções maravilhosas que estão aparecendo a cada dia, o futuro parece que escapou de vez das previsões dos homens, porque pelo cartesianismo eles não conseguem mais explicar os fatos. No caso, estamos usando a imaginação.

1 de setembro de 2018

Do «Escocismo» ao Grau 33 do R.E.A.A – percursos de um Rito


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue Jakim&Boaz.

 I – Introdução
 Diversos e distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvensdas   várias lendas assumidas até então, esclarecendo progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) , bem como às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes.
Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que humildemente procurámos coligir, aprofundando algum estudo adicional já previamente efectuado.
 Cada vez se nos afigura como um facto intransponível  a importância do grau de «Mestre» na consolidação da Maçonaria especulativa (já alvo de trabalho anterior).  Aí socorremo-nos  de alguns dos trabalhos recentes e credenciados, referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora concluíssemos que continua a não ser possível determinar com precisão as suas origens.
 É contudo nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva «lenda hirâmica», criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus» (mais correctamente «Graus Complementares»,  com maior propriedade).
Na Maçonaria Operativa não existem dúvidas de que existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro. Aqui não existiam quaisquer influências astrológicas, alquímicas, rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos  esotéricos.  Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que coordenava.

No início  da Maçonaria Especulativa  ou,  como preferimos,   da  moderna Maçonaria, a situação era análoga quanto aos graus (ver constituições de Anderson de 1723, da Grande Loja de Londres e Westminster), existindo igualmente os de Aprendiz e Companheiro, sendo o de Mestre, honorifico, representando o responsável pela Loja. Não existiam templos, as reuniões eram realizadas em tabernas e durante uma reunião de maçons não se procedia à abertura de qualquer livro da Lei.  Os símbolos (correspondentes ao actual Quadro da Loja) eram desenhados no chão com giz ou carvão, sendo apagados  no final de cada Sessão.
Enquanto a Maçonaria Inglesa em virtude do seu relacionamento directo com a Igreja Anglicana e com o   aparelho de Estado, permaneceu tradicionalmente ligada à Bíblia, a Maçonaria Francesa, sem aquelas ligações e com muitos mais graus de liberdade, apesar da grande influência da religião católica romana, tornou-se, em plena altura do Iluminismo, mais permeável a uma amálgama de influências de doutrinas e de concepções heterogéneas, com muitas contribuições do iluminismo alemão (principalmente, rosacrucianas, cabalísticas, bíblico-judaicas, templárias ou astrológicas), que constituiram o fermento da germinação de variados graus que foram chamados de «Escocismo». Estes ditos «Graus superiores» aproximadamente meio século mais tarde, vieram a constituir a coluna dorsal do Rito Escocês Antigo e Aceito (e também doutros ritos escoceses que entretanto deixaram de se praticar, à excepção do Rito Escocês Rectificado - R.E.R.).

23 de agosto de 2018

O que quer dizer “Em Loja”?



Transcrito, com a devida vénia do Blogue o Ponto Dentro do Círculo, este Artigo que foi publicado em 2 de novembro de 2016 por Luiz Marcelo Viegas e cuja autoria é de Antônio José da Silva: 

Meus irmãos, quando o Venerável diz “Em Loja”, no Rito Escocês Antigo e Aceito, da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, ele quer dizer que a partir desse momento os trabalhos estão abertos para se realizar a preparação e verificação de toda as condições para início dos trabalhos ritualísticos.
Ou seja, vamos fazer os trabalhos introdutórios e a partir de agora todos que se levantarem devem fazê-lo à ordem e, cruzando o eixo do templo, fazer sinal ou reverência ao Delta.
Devemos estar a partir desse instante bem atentos e deixar de fora nossas preocupações profanas, inclusive o apego ao celular.
O Venerável, a partir desse instante, comanda a verificação da inviolabilidade do templo. Verifica se a loja possui os irmãos necessários para início dos trabalhos. Esse número de irmãos deve ser, no mínimo, de sete irmãos mestres, pois só os mestres podem ocupar cargos, e o Chanceler, através do Livro de Registro de Presença, é o responsável por comunicar se há o número necessário de mestres presentes.
O Venerável também lembra e checa com cada oficial as suas obrigações.
O segundo Diácono, além de atender ao Primeiro Vigilante, deve observar se os obreiros estão com postura Maçônica, ou seja, os braços e pernas não podem estar cruzados e a coluna deve estar ereta com as mãos sobre os joelhos.
Ao Primeiro Diácono cabe cumprir as ordens do Venerável Mestre e dar atendimento no Oriente quanto a movimentação de decretos, atas a serem assinadas, entre outros.
Portanto, se temos o Primeiro e Segundo Diácono para auxiliar no Oriente e Ocidente, para que sobrecarregar o Mestre de Cerimônias?
O Venerável pede então ao Chanceler para nos lembrar os objetivos de nossa Ordem, e solicita também ao Primeiro Vigilante que nos recorde porque estamos reunidos.
Após esta introdução, o Oficiante vai abrir o Livro da Lei, invocando o auxílio de nosso criador para que o Venerável declare a loja aberta e os trabalhos em plena força e vigor.
Ao final dos trabalhos quem fecha a Loja é o Primeiro Vigilante, mas todos continuam à Ordem. Só após o Venerável declarar que a Loja está fechada e os trabalhos encerrados podemos desfazer o sinal e vamos jurar que tudo quanto se passou e não possa ser revelado será guardado em silêncio. Tudo que for bom para o mundo profano, e não afete os segredos de nossa Ordem, pode sim ser revelado.
Sei que parece óbvio, mas muitas vezes podem ocorrer dúvidas sobre esses simples, mas fundamentais procedimentos, dúvidas que acometem principalmente os Aprendizes, e foi com o objetivo de auxiliá-los a execução desta prancha.
Autor: Antônio José da Silva

p.s.Antônio José é Mestre Instalado, membro da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, vice-presidente da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, membro da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati Pedro Campos de Miranda, e também um grande incentivador do blog.

11 de julho de 2018

INSTERSTÍCIO MAÇÔNICO


Transcrito, com a devida vénia, do Informativo CHICO DA BOTICA - Ano 9 Edição 072 - 31 Jul. 2013, este artigo do Ir.·. Cleber Barros Cunha

Introdução:

Interstício significa um espaço, um intervalo entre dois pontos, dois segmentos, dois estágios. Relativo ao tempo, significa uma parada, uma pausa a ser dada. Numa escalada, significa um patamar, um tempo para o próximo estágio.

Desenvolvimento:

A Maçonaria tem nos seus interstícios um importantíssimo passo para o desenvolvimento do Maçom. Estes estágios, entre os graus, ao contrário de ser uma “parada” têm como finalidade dar-nos o tempo necessário para verdadeiramente assimilarmos os conceitos que nos são inicialmente transferidos quando das Elevações.
Quando somos Elevados a um determinado grau maçônico, logo após, antes do grau seguinte, muitos novos conhecimentos devem ser exercitados, aprendidos, interiorizados e pelo trabalho do verdadeiro Maçom, devem ser aplicados no intuito de construir um mundo melhor. Estes conhecimentos, assimilados adequadamente, passo a passo, fazem a construção interior do Maçom, fortifica a procura constante de cada um no crescimento pessoal e coletivo. Para isto, se faz necessário um tempo.
Cada Maçom deverá dedicar-se à leitura, à visitação, ao trabalho maçônico, confrontando o que foi verificado até então, aprimorando seus conceitos, revendo cada ponto de sua vida frente ao que lhe foi passado e que ainda poderá ser visto.
Nada é estático: é dinâmico, não só frente ao que aprendeu anteriormente, mas também e fundamentalmente ao que deve ser reavaliado e desenvolvido. Aprendemos sempre que a Maçonaria é a constante busca pela verdade, acreditando que a verdade atual, pode não ser a futura. Cabe a cada Maçom, revisando o que aprendeu, o que lhe foi transmitido, exercitando tudo, junto com todos, em Loja e fora, procurando o verdadeiro caminho ao GADU.

13 de junho de 2018

ANÚBIS




Qual estrela reinventado a imanência da sua luz no cosmos da imortalidade, onde a mítica constelação da vida se traduzia e renovava num fulgor eterno, Anúbis (Anupu em egípcio) iluminava a noite do panteão egípcio enquanto pilar que sustinha o templo de um mito intemporal que prometia às almas a eternidade.
Escravizados pelo alento de vogarem no regaço da imortalidade, superando os próprios limites da existência, os Egípcios conceberam a arte do embalsamamento, que, ao conservar os seus corpos, os arrebatava ao abominável espectro da deterioração, tal como sugere uma das muitas inscrições talhadas sobre os caixões: “Eu não deteriorarei. O meu corpo não será presa dos vermes, pois ele é durável e não será aniquilado no país da eternidade”. Esta arte divina, apta a enfeitiçar o tempo, tornando-o escravo daqueles que a ela recorriam, era ditada, reinventada e abençoada por Anúbis, guardião das sublimes moradas da eternidade, Soberano das mumificações e embalsamamentos, intermediário entre o defunto e o tribunal que o aguardava no Além e deidade cuja aparência é estigmatizada pelas incumbências de que é investido. Por conseguinte, e numa flagrante evocação dos cães e chacais que velavam pelas inóspitas e desérticas necrópoles, esta divindade surge como um animal da família dos Canídeos ou, então, como um homem detentor de uma cabeça de chacal. A mitologia egípcia revela-nos que Anúbis era fruto de uma ilegítima noite de amor vivida por Osíris nos braços de Néftis.
A lenda revela-nos que tão inusitada união dera-se aquando do retorno do então Soberano do Egipto ao seu magnífico país. Extenuando de uma viagem que o mantivera longe da sua pátria por uma eternidade, Osíris ardia em desejo de sentir o Sol que raiava no olhar de Ísis despir a mortalha de nuvens, tecida pela saudade, que vestia e sufocava os céus de sua alma. Ao vislumbrar Néftis, o deus enlaça-a então em seus braços, tomando-a pela sua esposa. E os seus sentidos, cegos pela paixão, revelam-se impotentes para lhe desvendar a traição que ele cometia, antes desta encontrar-se consumada. Graças a uma coroa de meliloto abandonada por Osíris no leito de Néftis, Ísis abraça a percepção de que o seu amado esposo havia-lhe sido infiel e, desesperada, confronta a sua irmã, que lhe revela que de tão ilídimas núpcias nascera um filho, Anúbis, o qual, temendo a cólera do seu esposo legítimo, Seth, ela havia ocultado algures nos pântanos. Ísis, a quem não fora concedido o apanágio de conceber um filho de Osíris, enleia então a resolução de resgatá-lo ao seu esconderijo, percorrendo assim todo o país até encontrar a criança. Acto contínuo, e numa notória demonstração da benevolência que lhe era característica, a deusa amamenta Anúbis, criando-o para tornar-se o seu protector e mais fiel companheiro.
A lenda de Osíris comprova que Ísis foi coroada de sucesso, uma vez que, após o desmembramento do corpo de seu esposo, Anúbis voluntariou-se prontamente para auxiliar a deusa a reunir os inúmeros fragmentos do defunto. Posteriormente, Anúbis participa com igual dedicação nos rituais executados com o fim de restituir a Osíris o sopro de vida e que lhe facultaram a concepção da primeira múmia, facto que legitimou a sua conversão no venerado deus do embalsamamento, eterno guia do defunto no Além. A sua crescente influência garantiu-lhe um posto relevante no tribunal composto por quarenta e dois juizes que julgava os recém- inumados. De facto, é ele quem conduz o morto até Osíris, apresentando-o ao tribunal por ele presidido, para de seguida proceder à pesagem do coração. Se porventura o morto desejar mais tarde regressar à terra, é Anúbis quem ele tem a obrigação de notificar previamente, dado que esta surtida só será exequível com o seu consentimento expresso, formalmente consignado sob a forma de um decreto.

5 de maio de 2018

Ferramente de um Iniciado!


Transcrito, com a devida vénia, da Revista Maçónica Virtual "A Arte Real", Ano XII, nº96-Abril/2018
Ferramente de um Iniciado!
 de Francisco Feitosa

Neste momento em que o mundo vive uma dualidade de opiniões, em que se você não for a favor de uma ideia imposta, já é considerado um contrário, adversário, inimigo; onde os interesses de alguns se sobrepõem ao raciocínio das massas - se é que essas fazem uso disso, percebemos uma atmosfera de rancor, de ódio, de desarmonia entre as pessoas. Uma energia pesada, tamásica que, como uma nuvem escura, anuncia uma enorme tempestade a nos envolver, desequilibrando, em muito, o nosso emocional.
A humanidade atravessa o vale das trevas de uma Kali Yuga anunciada, resgatando um Carma Coletivo acumulado por épocas. Tudo o que está acontecendo, nada mais é do que os reflexos de nossas próprias atitudes, em algum momento da história. Se vivemos em determinado país; se somos parte de determinada família, grupo de pessoas, associação ou Ordem, não é por um simples acaso. Tudo está medido, contado e pesado no que preceitua as Leis do Criador.
Este preâmbulo se justifica pelo temário desta edição – Egrégoras. Como citado no Editorial, um assunto abstrato, conhecido de muitos e entendido por poucos, sendo contestado por alguns mais céticos. Nossa ousadia em abordar tal tema, ancora-se na preocupação de seu real entendimento, devido ao desconhecimento de muitos, sobre o poder do pensamento, da força mental emanada em um propósito, que poderá ocasionar consequências terríveis.
Abrimos este texto falando do momento de incompreensão e intolerância em que vive a humanidade. Saber um pouco mais sobre do que se trata o termo “egrégoras”, na prática, poderá lhe ser muito útil para tomar uma postura mental, diante dos mais adversos acontecimentos, além de melhor dirigir as emanações de suas energias mentais, em prol de um determinado propósito, em especial, no interior de nossos templos.

21 de abril de 2018

Regulares Ingleses contra Liberais Franceses


Com a devida vénia se transcreve, do Blogue "Revista Bibliot3ca", este interessante artigo de opinião:
Regulares Ingleses contra Liberais Franceses – Um panorama atualizado da Maçonaria Mundial em 2016
 por  Jean-Moïse Braitberg
(Tradução José Filardo)

A Maçonaria pretende ser o “Centro de União”. Mas onde se encontra esse famoso centro? Em Londres ou Paris? As duas principais tendências da maçonaria mundial, que se divide entre “regulares” e “liberais” somam verdadeiras rivalidades históricas, diferenças reais de abordagem espiritual, social, simbólica, que, seja o que for que se pense, não estão perto de desaparecer. Especialmente se os liberais parecem agora segurar a corda, é muitas vezes uma reação contra uma maçonaria “inglesa” considerada dogmática, separada do mundo, envelhecida.
 Os Maçons acreditam em Deus? A Maçonaria é mista? Os Maçons fazem política? Eles são progressistas ou conservadores? Os membros de muitas potências francesas geralmente têm pouca dificuldade em responder a estas perguntas básicas que parecem lógicas na paisagem maçônica francesa. Mas, suponhamos que você seja membro de uma loja Inglesa ou afiliada à Grande Loja Unida da Inglaterra. Estas perguntas parecerão absurdas a você, ou deslocadas na medida em que elas são estranhas à visão de Maçonaria que ainda prevalece em grande parte do mundo. Porque no seio da Maçonaria Mundial, não é um estreito Pas-de-Calais que separa ingleses e franceses, mas um oceano de incompreensão que, se raramente se tinge de hostilidade aberta, banhada da arrogância mútua de dois continentes soberbamente isolados entre si.
Golpe de cinzel no contrato fraternal
 Nessa rivalidade histórica e geopolítica, Londres sempre se prevalecerá do privilégio da anterioridade. Se o inspirador das constituições Anderson fundadoras da Maçonaria Universal foi Jean-Théophile Desaguliers, um pastor de origem francesa, mas já muito inglês, é em Londres e no Reino Unido que as antigas obrigações se espalharam entre 1700 e 1717. No entanto, foi apenas duzentos anos mais tarde, em 1929, que a Grande Loja Unida da Inglaterra, proclamou uma regra de vinte e cinco pontos dos quais o oitavo foi o golpe de cinzel , senão de punhal no contrato fraterno que, bem ou mal admitia a regularidade das lojas francesas e afiliadas desde 1728: “Grandes Lodges irregulares ou não reconhecidas: Existem algumas chamadas potências maçônicas que não respeitam essas normas, por exemplo, que não exigem de seus membros a crença em um Ser Supremo, ou que encorajam seus membros a participar como tais em assuntos políticos. Estas potências não são reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra como sendo maçonicamente regulares, e todo o contato maçônica com elas é proibido. ” As lojas filiadas à GLUI, e mais especialmente as lojas americanas e canadenses, que também já havia mantido relações amigáveis com a maçonaria “continental” foram mais lentas em adotar a mesma atitude sectária. A ruptura entre as duas maçonarias não foi definitiva até o início dos anos 1960. O fato é ainda mais incompreensível que sobre o mérito, a exclusividade proclamada por Londres aplica-se tanto às potências e lojas deístas como as da Grande Loja de França ou do Direito Humano que trabalham sob os auspícios do Grande Arquiteto do Universo, quanto a aquela que fazem da liberdade absoluta de consciência a pedra angular de sua filosofia.

14 de abril de 2018

Balandrau


Com a devida vénia se transcreve (Estudos Maçónicos) este artigo de Pedro Juk:

Sem muitas delongas e nem outros exercícios de interpretação, eu entendo que o balandrau é, no caso do REAA perfeitamente permitido, exceto nas Sessões Magnas. Obviamente que ela deve ser uma veste talar (vai até os talões) e deve ser de cor negra sem estampas. No REAA o uso do balandrau negro está previsto no respectivo ritual. Segue um dos comentários que já fiz a respeito do balandrau e que foi publicado no Blog do Pedro Juk:
A questão do uso do balandrau na Maçonaria tem causado, em não raras vezes, muitas discussões, sobretudo no que diz respeito à regularidade do seu uso. O balandrau menciona, dentre outros, ser uma antiga vestimenta de capuz e mangas largas, abotoado na frente às vezes usados por membros de confrarias e geralmente por comunidades religiosas. Na Moderna Maçonaria, provavelmente por influência das antigas Associações Monásticas medievais (uma das ancestrais da Ordem), ele tem tido o seu uso permitido em alguns ritos maçônicos, geralmente nas sessões econômicas (ordinárias),
porém como veste talar (até os tornozelos) e de cor negra. Segundo Steinbrenner in História da Maçonaria, amplamente mencionado por José Castellani em algumas de suas obras, o balandrau teve origem entre construtores à época do Imperador romano Numa Pompílio (século VI a. C.) [1] e os Collegia Fabrorum, cujos componentes eram os Collegiati e formavam a primeira associação de ofício organizada que se tem notícia e que acompanhavam as legiões de soldados romanos pela Europa com a finalidade de reconstruir o que fosse destruído nos conflitos deflagrados pelas conquistas de novas regiões. No intuito de diferenciar os construtores dos legionários, os Collegiati usavam uma túnica escura, o que seria também adotado mais tarde pelas Associações Monásticas, Confrarias Leigas e por fim pelas Associações de Ofício operativas dos francos-maçons medievais, as quais tinham como característica particular a liberdade concebida pela Igreja para viajar de um lugar para o outro. Durante esses deslocamentos, os construtores tinham o hábito de se vestir com um balandrau negro, geralmente na época com capuz. Como a Moderna Maçonaria é herdeira dessas confrarias medievais, o costume do uso do balandrau é nela perfeitamente justificado, a despeito de que ele não seja permitido em determinadas ocasiões da atualidade, a exemplo das sessões denominadas “magnas” onde nelas se exige geralmente o uso do terno preto ou escuro.
De fato, alguns ritos maçônicos a exemplo do York e do Schröder têm o hábito conservacionista de não permitir o uso do balandrau, salvo em casos excepcionais e relativos a visitantes que não
pertençam a esses ritos. Comentários à parte é discutível a obrigatoriedade do uso de trajes
como o terno preto (paletó, calça e colete), ou a parelha preta (paletó e calça) acompanhados de camisa branca e gravata preta na Maçonaria, até porque isso tem mesmo é uma forte dose de influência clerical – o traje como sinal de respeito - do que um pretenso simbolismo que possa envolver uma vestimenta. Há que se levar em conta também, que o traje masculino vem sofrendo variações através dos tempos e de acordo com os costumes dos povos, assim é temerário se querer estereotipar um traje único para a Maçonaria.

4 de março de 2018

A Maçonaria dos Negros Americanos


Com a devida vénia transcreve-se, do extinto JBNews nº1061 de 13.07.2013, este Artigo do Ir.'. Mário Jorge Neves Lisboa - Portugal.

 Em 1775, um americano de raça negra com o nome de Prince Hall (1735/1807), metodista e divulgador religioso, foi iniciado em Boston na companhia de mais 14 homens livres de raça negra, numa loja de constituição irlandesa. Prince Hall criou a primeira loja de negros da América, a Loja Africana nº 1, em 1775 e foi-lhe conferida a patente nº 495 pela Grande Loja dos Modernos de Inglaterra, dada a recusa da Grande Loja de Massachusetts. Em 1791, esta loja africana constituiu-se em loja mãe com o nome de Grande Loja Africana da América do Norte, da qual Prince Hall foi o primeiro grão-mestre. Em 1808, um ano após a morte de Prince Hall, ela adoptou o nome distintivo e emblemático de Grande Loja Prince Hall, Maçons Livres e Aceitos de Massachusetts, que dará origem à designada maçonaria de Prince Hall. Outras grandes lojas de negros foram criadas em seguida noutros Estados que acabaram por se fundir, em 1847, com a Grande Loja Prince Hall. Hoje, esta Grande Loja conta com cerca de 500.000 membros de 5.000 lojas que se encontram repartidas em 40 Grandes Lojas autónomas, quase uma por Estado, às quais se juntam outras existentes nas Bahamas, Haiti, República Dominicana, Libéria e, surpreendentemente, 3 lojas na Alemanha criadas no decurso da II Guerra Mundial e na dependência da Grande Loja de Maryland. A Grande Loja Prince Hall pratica os ritos mais usuais nos Estados Unidos: York e REAA.
Mantém boas relações com outras obediências maçónicas americanas de negros como as Grandes Lojas de Sto André, do Rei David, do Rei Salomão, de Enoch, do Monte Sinai, do Monte das Oliveiras e dos Maçons do Rito Escocês de S. Jorge. A maçonaria dos negros americanos, como reflexo dos graves problemas existentes e da radicalização do movimento negro, esteve desde o início da sua criação envolvida nas causas sociais e humanas.

 Para muitos maçons negros, a situação não possibilitava somente a reflexão e o exercício da caridade diante da imensidão de desafios e do aumento da miséria dos ghetos. Simultaneamente, e apesar de alguns esforços em contrário, esta situação também era devida à atitude de segregação racial persistente das lojas de brancos. Se Prince Hall é reconhecido como o fundador da franco-maçonaria dos negros na América do Norte, ele não se limitou a esta importante intervenção. Foi um activo militante em defesa da educação, sem a qual, segundo ele, não podia concretizar-se a emancipação dos negros. Em 1777, endereçou uma petição à Corte de Justiça de Massachusetts relativa à situação criada aos negros. Em 1792 e em 1797, como venerável da sua loja, expôs em dois discursos a sua preocupação sobre as questões da educação à qual os negros não tinham acesso. Em 1800, fundou a primeira escola para negros em Boston, após quatro anos de iniciativas empenhadas junto das autoridades da cidade. Outros maçons negros tomaram parte nesta luta como Prince Saunders, Booker T. Washington e William Edward Du Bois.

11 de janeiro de 2018

A Ignorância é o Princípio da Sabedoria


Transcrito, com a devida vénia, do Blogue «O Ponto Dentro do Círculo»

Nietzsche disse que “a sabedoria é um paradoxo”, já que “o homem que mais sabe é aquele que mais reconhece a vastidão de sua ignorância”. O pensamento do filósofo alemão corrobora com a máxima socrática do “só sei que nada sei”, isto é, com a ideia de que a ignorância é o princípio do conhecimento e que, portanto, é necessário estar aberto à reflexão constante para que se possa atingir o mínimo de conhecimento e sabedoria.
Em um contexto como o nosso, em que há uma grande carga de informações, sobre os mais diversos temas, disponível, a ideia que correlaciona ignorância e sabedoria parece não fazer tanto sentido. O que se observa é a formação de um conjunto enorme de pessoas que se coloca como possuidor das verdades últimas sobre as coisas, ainda que essas verdades possam mudar constantemente e rapidamente de acordo com a melhor conveniência de quem as define.
Dessa forma, cria-se um ambiente inóspito para que o conhecimento possa se desenvolver, haja vista a sacralização feita pelos indivíduos das coisas que eles julgam como sendo verdadeiras e, por conseguinte, a impossibilidade de questionamento e de debate sobre certas coisas, dogmatizadas. Isso não significa que as pessoas não possam acreditar em algo com veemência ou que não exista uma verdade sobre as coisas, mas até mesmo quando acreditamos em algo, precisamos estar abertos ao novo, o que só é possível se estivermos abertos à reflexão e ao diálogo.
Em outras palavras, é preciso estar aberto a outras formas de pensar, para que problematizações possam surgir, a fim de ratificar aquilo que acreditamos (com mais embasamento e mais espaço discursivo) e/ou para que possamos observar, analisar e seguir novas perspectivas, até então desconhecidas. Nesse sentido, percebe-se que o outro, que pensa de forma antagônica à nossa, passa a ser considerado, o que estimula a interação entre situações contraditórias a partir de uma perspectiva dialética, ou seja, de abertura para o novo que possa surgir por meio do encontro estabelecido.
Essa relação dialética que se instaura com gênese no reconhecimento da ignorância, isto é, da compreensão da não completude sobre o conhecimento de todas as coisas, permite que o sujeito possa crescer intelectualmente, já que passa a possuir um horizonte com maior amplitude de alcance, além de evitar o enrijecimento dos conhecimentos e convicções, bem como, o desenvolvimento do individualismo, impeditivo para a compreensão, o respeito e o diálogo com cosmovisões e crenças diferentes das que possuímos.

Fechar-se em si mesmo e acreditar que não há nada a ser aprendido não denota convicção do que se acredita, mas antes, ignorância, pois – como falava Paulo Freire – “Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender”. Assim, para que consigamos atingir o mínimo de sabedoria é imprescindível que consideremos e busquemos a sabedoria que está no mundo, do qual não somos todo, mas apenas, parte.
Autor: Erick Morais

15 de outubro de 2017

Meus Irmãos e Irmãs nos vossos Graus e Qualidades, depois desta bela Prancha, Disse ...

Transcrito, com a devida vénia, do Blogue «Pierres Vivantes» de Roger Dachez
( A Tradução é da responsabilidade da Comissão Editorial do Blogue Salvador Allende, logo qualquer erro detectado não será atribuído ao Autor)

 Eis, de alguma forma forma, um compêndio de expressões maçónicas bem tipificadas! ...Pelo menos é isso que você pensa. No entanto, não é bem assim: as fórmulas "em seus Graus e Qualidades", "Prancha" e "Disse", têm, cada uma delas, uma origem externa à Maçonaria e não foram introduzidas senão - em França e não noutro lugar, vamos sublinhá-lo novamente - muito tarde e gradualmente desde o final do século XIX, e ainda ...

"Em vossos Graus e Qualidades"
Seria inútil procurar essa expressão em textos ou rituais maçónicos do século XVIII e mesmo no século XIX: não está em nenhum lugar. Mas então, de onde é que vem e o que faz no discurso maçónico ao ponto de, tão frequentemente, se pensar que foram os franco maçons que inventaram esta fórmula protocolar? A fórmula também contém variantes: "graus, dignidades e funções", etc. Sendo tudo isso realmente conhecido e bastante clássico, mas não na Maçonaria: é um lugar-comum da fraseologia administrativa e dos discursos oficiais do serviço público. Na verdade, no serviço público, distinguem-se por graus, qualidades e funções (ou títulos). O grau permite ao seu titular que mantenha um certo número de empregos. Os quadros de emprego dispõem de um ou mais escalões de acordo com o seu estatuto particular. Quando há vários graus, eles são hierárquicos. O grau inclui antiguidade, nível de recrutamento e, acessoriamente, agrupam tipos de pagamento. Também se fala, mais recentemente, de "categoria" ou "classificação". Assim, uma pessoa pode ser um funcionário público de grau A, B ou C, do primeiro ao décimo terceiro escalão, e pode também possuir o cargo de "secretário administrativo da classe normal" ou "chefe do departamento de engenheiro de 1ª categoria". Além disso, pode-se possuir o título de magistrado ou desempenhar a função de médico hospitalar - que inclui vários graus e escalões.

Basta digitar no Google as palavras "graus, qualidades, funções" para ver uma lista impressionante de discursos públicos em que essas fórmulas são usadas pelos responsáveis e directores de serviços quando se dirigem aos interlocutores: a maioria desses oradores, não nos enganemos, não são maçons, e, sem dúvida, alguns deles repreender-vos-ão amargamente por terem suposto tal! Deve-se, de acordo com o ritual protocolar, citar todos os presentes por ordem hierárquica, mas quando não possível mencionar, em detalhe, todos os presentes, diz-se "a todos vós, Senhoras e Senhores, nos vossos graus, qualidades e funções "...
Mais uma vez, a Maçonaria usou o empréstimo! Desta vez, ao protocolo administrativo, o que se compreende facilmente pois conhece-se a influência que os altos funcionários públicos, magistrados e académicos tiveram nas fileiras da Maçonaria, a partir do século XIX. Os hábitos de linguagem foram simplesmente transferidos para o discurso maçónico. De passagem, e isso também explica o marcado comportamento nas "instituições" maçónicas, foi-se mais ou menos inclinado a considerar a maçonaria como um anexo das instituições do Estado e seu organograma como grelha hierárquica: espero que siga o meu raciocínio...

6 de outubro de 2017

Iniciação – Aspectos Controversos



Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue «Jakim&Boaz»


 O Irmão Hercule Spoladore regressa com mais outro artigo inédito de sua autoria. Nele discorre sobre a Iniciação de um modo geral e a procura actual por novas verdades, por parte dos profanos. Dentro deste contexto encontram-se implícitos a ritualística da iniciação em si, bem como o preparo do candidato, especialmente o homem moderno que procura novas verdades, que tem que ser bem instruído e orientado pelo padrinho.
Iniciação termo que consta nos dicionários como sendo o acto ou efeito de iniciar-se, ou o começo de qualquer coisa. Seria o recebimento das primeiras noções, de coisas misteriosas ou desconhecidas para os esotéricos, ou iniciar-se numa profissão, num desporto ou em qualquer actividade humana.
Evidentemente esta é uma noção geral, não se referindo tão somente à Iniciação Maçónica, a qual é apenas uma das muitas formas de iniciação, pois existe um número grande de entidades iniciáticas tais como as esotéricas, seitas das mais variadas tendências, religiões, escolas filosóficas, movimentos políticos cuja admissão às vezes é feita por uma iniciação. Até mesmo nas seitas satânicas existem iniciações.
 Também não se quer abordar os Grandes Iniciados, homens iluminados que já nasceram assim,  dotados de mentes abertas, cósmica em perfeita harmonia com a
natureza e cujas combinações dos genes que já trouxeram do ventre materno, toda a genialidade, como um Leonardo da Vinci, Buda, Pitágoras, Einstein, Cristo e tantos outros que poderiam aqui ser citados.
 A abordagem deste trabalho será tão somente sobre Iniciação Maçónica e como cada maçom a recebe.
 Quando se fala de Iniciação Maçónica, acredita-se que se esteja enfocando as Iniciações verdadeiras, aquelas que logo de início se consegue, pelo menos em parte, envolver o iniciando nas profundezas dos mistérios da mente e do Universo, sendo este apenas o começo.
 Para completar esta Iniciação o adepto continuará seu trabalho, e a luta será apenas sua e de mais ninguém e ele só a conseguirá através de muito estudo, meditação, muito esforço, desprendimento dos males do consumismo e assim progredindo por toda a sua vida, aproximar-se da Iniciação total. Nunca chegará à Iniciação completa. Sempre terá algo a acrescentar para chegar à total espiritualidade.

 Actualmente, apesar do trauma mental violento e agressivo causado pela tecnologia, como consequência do avanço da ciência como um todo, da Realidade virtual, da Mecatrônica, da Robótica, da Nanociência, da Neurociência, Neuro-Psicologia, está a conhecer-se um pouco mais sobre a mente humana e sua relação com o cérebro.
O Homem Moderno desmistificou as religiões tradicionais, e também já não aceita o  incontável número de seitas e outras religiões que estão surgindo, sempre com o pretexto de enquadrar as demais como sendo a melhor, autodenominado-se abertas e ecuménicas, sem preconceitos, sem descriminações e chamando para si o verdadeiro caminho da busca divina. Batendo nesta tecla, muitas destas religiões são fundadas com o único intuito dos seus chefes em sómente arrecadar dinheiro. Pura balela.

23 de setembro de 2017

Implicações da Iniciação na Vida do Maçom



Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue «Jakim&Boaz»

I – Introdução
 Este texto pretende  elencar algumas das principais obrigações e aspectos simbólicos decorrentes do acto iniciático, com o objectivo de salientar a responsabilidade que os Maçons adquirem, após a Iniciação, no que respeita ao comportamento individual e colectivo e ao desenvolvimento da Maçonaria e da Sociedade em geral.
 A Maçonaria como tradição intelectual e moral surgida  oficialmente em 1717,  evoluiu de maneira distinta  em diferentes países e contextos sociais, divergindo para posições conflituantes e até mesmo antagónicas em alguns aspectos,  razões pelas quais em termos estritos, deveremos  falar de Maçonarias em vez de Maçonaria, o que na maior parte das vezes é negligenciado ou até esquecido.
O Maçom, inserido activamente na Sociedade, homem livre e de bons costumes, conforme exige a Augusta Ordem (A:.O:.), tem por dever combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca constante da verdade, fazendo com que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos dentro dos Templos, transcendam o limite estrito da Loja e floresçam no quotidiano profano.
 Não adianta acumular conhecimento se não for transmitido aos mais próximos e sobretudo às novas gerações, como testemunho da perenidade dos ensinamentos que fomos colectando ao longo da vida,  traduzindo o nosso contributo para  a sociedade que nos envolve,  projectando no futuro. Isto é particularmente importante no que respeita à Maçonaria. O conhecimento maçónico, se não for transmitido e aplicado, nada mais é, utilizando uma metáfora, do que uma estante cheia de livros, protegida por uma rede elétrica  que impede os leitores de os alcançar e ler.
Iniciado, o maçom tem como incumbência permanente cuidar da prática dos bons costumes, da ética e da moral. Durante o ritual de iniciação, questionado por diversas vezes sobre se realmente deseja ingressar na Ordem, o profano ao responder afirmativamente a todas as questões que lhe são colocadas,  firma um pacto com a Fraternidade, a partir da qual recai sobre os seus ombros o peso da responsabilidade de fazer com que os princípios maçónicos não passem de simples retórica de ocasião e sejam, efectivamente, colocados quotidianamente em prática.

 Em relação a este tema José Castellani (7),  afirma: “Ser Maçom especulativo significa ser observador, perceber os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los na construção de relacionamentos humanos confiáveis, sinceros e leais, e, através do estudo e da observação, tentar aprender a melhor forma de construir uma perfeita e harmoniosa fraternidade”.
Como consequência da Iniciação, o Maçom assume diversas responsabilidades, decorrentes da sua livre vontade em ingressar na Ordem Maçónica. Contudo, dada a natureza humana e as suas implicações na sociedade envolvente, à qual a Maçonaria não é estanque, quotidianamente o maçom depara-se com situações que colidem com  tudo aquilo a que se comprometeu, quando da sua iniciação.
 Em qualquer caso, se comprometido com a Ordem, deverá reflectir e evitar trilhar caminhos tortuosos ou indignos. Tal reflexão é necessária e premente, já que podemos infelizmente vislumbrar, em muitas ocasiões, através duma análise elementar,  maçons dissociados (interna e externamente) da filosofia maçónica, transmitida e professada internamente aos Templos. Se pactuar com abusos ou desvios aos princípios ético-morais, com a intolerância e a ignorância, caminhará inevitavelmente para o caminho da imperfeição, marcado pela mácula do pragmatismo quotidiano e da imoralidade profana,  sem referências ou princípios.

17 de setembro de 2017

A Herança Grega na Maçonaria – 1ª Parte



Transcrito, com a devida vénia, do Blogue «O Ponto Dentro do Círculo». Autor: José Ronaldo Viega Alves, M.’.M.’.
A Herança Grega na Maçonaria – 1ª Parte
(10 de Agosto de 2015)

A Grécia e as suas influências. Qual é a herança grega para a Maçonaria? O que são os Mistérios? As religiões de Mistérios e os Mistérios de Elêusis
“A contribuição da mística, da filosofia e da mitologia dos antigos gregos é de real importância na doutrina e na ciência maçônicas; estilos arquitetônicos, atributos dos deuses, de sua mitologia e o cerne do pensamento filosófico da Grécia antiga são encontrados em toda a extensão dos catecismos maçônicos.” (Passagem extraída do verbete GRÉCIA, que consta no “Vade-Mécum Maçônico” de autoria do Irmão João Ivo Girardi)
Introdução
Vários motivos ensejaram uma vontade minha em escrever sobre a Grécia, e talvez o principal deles resida no fato do bombardeio com o nome Grécia, que vínhamos sofrendo, via meios de comunicação, em virtude de acontecimentos recentes. Uma coisa puxa a outra, e o nome Grécia, que nos últimos tempos tem ocupado as manchetes dos jornais do mundo todo, em vista dos seus problemas de ordem econômica, que, aliás, se arrastam desde o ano de 2010, faz com que, pensemos na Grécia de uma forma solidária, afinal, como não levarmos em conta, ou não pesarmos e sopesarmos tudo o que a civilização grega legou à humanidade. Quem um dia, não estudou, ou no mínimo ouviu falar, quando da nossa passagem pelos bancos escolares e estendendo-se até a faculdade, sobre os feitos e as contribuições dos gregos? Diante dos fatos mais recentes, e dos seus desdobramentos, é até possível detectarmos o velho espírito helênico presente, em virtude da resposta dos gregos aos poderosos, que foi a de um povo que não quis ser submetido aos ditames da austeridade, traduzidas nas imposições da Comissão Europeia.
Mas, em tempos de crise mundial, a Grécia atualmente vive a sua verdadeira tragédia contemporânea.
Há tanto para dizer sobre a Grécia antiga, o “berço da civilização”, pois, a Grécia está presente em nossas vidas desde muito cedo, a mesma Grécia que inventou e viu nascer através de alguns dos seus expoentes máximos como Sófocles e Ésquilo, o gênero tragédia. Sinais dos tempos.
Este trabalho quer ser um pouco diferente somente em sua introdução, não deixar de lado, ao mesmo tempo em que o foco principal reside no passado desse país, comentar ligeiramente os momentos atuais, concomitantemente falar da Grécia e as suas importantes contribuições para a civilização, e também através de alguns “flashs” mostrar sobre a necessidade de ficarmos atentos aos problemas que atingem outros países, até pelo simples fato de que hoje, principalmente no terreno da macroeconomia, tudo acaba, mais cedo ou mais tarde, repercutindo pelo mundo afora. E até nisso, a Grécia ainda pode ensinar-nos alguma coisa.
O objetivo maior seguirá sendo, ao longo do trabalho, falarmos um pouco da civilização grega e daquilo que, sem deixar de levar em consideração os prós e os contras, realmente podemos considerar como contribuição dessa mesma civilização para a Maçonaria.

Antes, como forma de mostrar um panorama geral das contribuições da Grécia à humanidade, passo à reprodução de alguns trechos referentes ao editorial que o filósofo Lúcio Packter escreveu para um número especial da revista “Filosofia”, e que versou sobre a Grécia:
“O Islã não tinha então uma teologia desenvolvida; o aprofundamento veio da mesma fonte onde o cristianismo buscara sua inspiração: o pensamento grego. Já entre as tradições que chegam ao ocidente, o direito ao voto é um dos elementos mais notórios. (…) Também a História nos foi deixada por Heródoto como mais uma contribuição grega. (…) Os gregos inovaram nas ciências e na matemática conferindo um rigorismo pouco usual se os compararmos com a matemática babilônica, por exemplo. A herança grega afeta em diferentes graus desde o modo como hoje pensamos, nosso vestuário, nossas relações com religião e religiosidade, a ciência, a Filosofia, a cultura, as relações sociais, a educação, e avança em direção a elementos como Arquitetura, Física, Biologia. Dificilmente encontraremos uma área das atividades humanas que seja deserta das inclinações gregas.”

14 de agosto de 2017

REPENSANDO A MAÇONARIA


Transcrito do extinto JB News (nº 972 de 02.05.2013) este artigo de Hercule Spoladore

As vezes algumas dúvidas nos vêm à mente e, refletindo, perguntamos: Qual foi a força mágica que fez com que a Maçonaria sobrevivesse? Qual foi o amálgama sociológico imperecível utilizado para que acontecesse? Quais foram os fatores que permitiram a sua continuidade? Francamente, não conseguimos uma resposta satisfatória. Encontramos explicações lógicas e coerentes apenas para algumas partes, mas para o todo, não nos convence as respostas propostas. Quando pesquisamos a história das associações esotéricas e iniciáticas alternativas, são raras as que duraram e ainda duram através dos tempos. Outras, que hoje conhecemos, ressurgiram como herdeiras de honoráveis e tradicionais instituições antigas, invocando para si uma antigüidade as vezes suspeita. Já, com a Maçonaria não aconteceu esse ressurgimento, porque ela jamais adormeceu. A partir do Iluminismo ou Ilustração, viu a monarquia se esvair, viu nascer a república, e com ela pelo menos, acredita-se, o mundo respirou um pouco de democracia, viu o pensamento humano se transformar, e sabe que teve parte nisso, Ela, desde que apareceu, vem atravessando o tempo, enfrentando e solucionando suas próprias crises, ocupando seu espaço, tem a sua própria história documentada, sendo mais presente que a própria história de muitos povos nos últimos cinco ou seis séculos. Inclusive, não nega as modificações pelas quais passou, quando deixou de ser Operativa. Sua história é muito transparente e não é guardada como um segredo. Seria uma instituição bastante organizada administrativamente? Não, e seguramente podemos afirmar que não é. Algumas potências e mesmo algumas lojas têm uma excelente organização, é verdade, mas a Maçonaria de um modo geral é mal administrada. Seria então, uma instituição que funcionaria tendo como exemplo algumas religiões seculares? Acreditamos que não, pois as religiões apesar de tratarem com a espiritualidade de seus fiéis, conta com um fator envolvente, a Fé, que não é o caso da Maçonaria, pois ela não é uma religião. O maçom deve ocupar-se com a Razão e não com a Fé, mas não pode deixar de ter Fé. Inúmeras variáveis entram neste estudo se a considerarmos como um todo. Se analisarmos todas elas, não se concebe como a Maçonaria continua inabalável, não sucumbindo aos acidentes de percurso que ela tem enfrentado ao longo de sua história, e que não foram poucos. Interessante explicação dos esotéricos quando afirmam que a Ordem seria o resultado de uma força coletiva resultante da somação da energia mental de um grupo, cuja força seria dotada de personalidade e que seria uma entidade viva e não abstrata. É o que eles afirmam ser uma Egrégora.

Vale a pena ressaltar que, apesar dos desencontros, a Maçonaria realmente possui uma força-pensamento muito poderosa, completada pela Iniciação, pela disciplina ritualística e pela doutrina. Mas, mesmo assim ainda não temos base suficiente para explicar a sua perenidade. Ela tem vida própria. Ainda assim, nos arriscamos a mencionar os fatores citados, ou seja, o iniciático e o ritualístico, e perguntarmos: não seriam eles os fatores determinantes da sobrevivência da Ordem? Entretanto, se analisarmos outras instituições iniciáticas, estas também possuem seus rituais, porém a grande maioria delas desapareceu. Muito a propósito, este questionamento que estamos fazendo no momento, já era feito em pleno século XVIII pelo maçom J.G. Fichte (1762-1814), célebre pensador alemão que afirmava que a verdade maçônica só se atingirá pela busca incessante e pelo conhecimento das fontes esotéricas, as quais seriam transmitidas pela tradição oral e não pelas fontes exotéricas (no caso, os livros, que para ele seriam profanos). Ele, em seu trabalho “Filosofia na Maçonaria” menciona as perseguições sofridas pela Ordem na época, em que viveu, em alguns países da Europa, porem em outros ela encontrava proteção. Num país ela era expulsa como inimiga do trono e incitadora de revoluções. Já em outro país, tinha pleno apoio do governo.

5 de agosto de 2017

Que Mistérios Tem a Maçonaria?


Artigo de Eduardo Neves transcrito do extinto JB News (nº 1082 de 13.08.2013)
O título deste artigo encerra em si uma dualidade proposital. Por um lado, pode ser tomado como irônico, pois faz uma alusão à forma sensacionalista como a maçonaria repetidamente é tratada por grande parte dos meios de comunicação de massa – como "misteriosa", cheia de segredos e símbolos estranhos. Entretanto, a maçonaria de fato encerra em sua filosofia antigos mistérios, revelados apenas aos seus membros.
Por incrível que pareça, em pleno ano de 2010 muita gente ainda não faz idéia do que é a maçonaria, a despeito das toneladas de informação sobre essa instituição que circulam nas livrarias e, em maior volume ainda, na internet. Muitos acham que ela é uma sociedade secreta, embora funcione em prédios nas principais avenidas das cidades e tenha personalidade jurídica constituída normalmente, como qualquer outra organização. Outros acreditam em toda aquela bobagem de satanismo, gerada por uma combinação perigosa de falta de informação e intolerância. A maçonaria segue então com seu estereótipo misterioso para a maioria da população, atmosfera reforçada notadamente pelo caráter privativo de suas reuniões, que acontecem literalmente à portas fechadas.
Mas que mistérios serão esses que a maçonaria supostamente esconde das massas? Para entendermos melhor, faz-se mister uma compreensão mais profunda da palavra „mistérios‟. O dicionário Michaelis lista vários significados para este vocábulo. A maioria é relacionada com ‟segredo‟ ou „algo de difícil compreensão‟. Outras conotações surgem dentro do escopo religioso, especialmente o cristão. Mas a mera significação não é suficiente para entender a magnitude do conceito maçônico deste termo. Para isto, vamos pedir ajuda à filosofia, em particular, à filosofia do mundo antigo, que é a origem de muitos dos conceitos usados e estudados na maçonaria até hoje.
No antigo Egito e Grécia, sábios criavam centros de instrução onde candidatos que quisessem participar deveriam provar seu merecimento antes de serem admitidos. Este processo para o acesso chamava-se iniciação, e os centros chamavam-se escolas de mistérios. O faraó Akhenaton, que iniciou seu reinado no Egito por volta do ano 1.364 a.C., e Pitágoras, filósofo e matemático grego nascido em 570 a.C., foram exemplos de pensadores que fundaram tais escolas. Os ensinamentos eram repassados em um ambiente privativo, longe dos olhos e ouvidos das massas, e versavam sobre ciências (matemática, astronomia, etc), artes, música e ainda religião e espiritualidade. O próprio Cristo mantinha um círculo interno de discípulos – os doze apóstolos – a quem ensinava sua doutrina com maior profundidade. Quando falava para as massas, Jesus usava uma linguagem mais simples, em forma de parábolas, para facilitar o entendimento. Disse Ele: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas” (Mateus 7:6), em uma clara referência de que nem tudo para todos.

9 de julho de 2017

O Mito da Patente Maçónica

Transcrito do Blogue Pierres Vivantes este artigo de opinião de Roger Dachez


Um dos assuntos mais frequentes das querelas e desordens, na maçonaria francesa em particular, é o tema das patentes. Temos visto, muitas vezes, Obediências ou Jurisdições dos altos graus recém-criados - por cisão ou multiplicação - por iniciativa dos membros "regularmente" iniciados nos diversos graus que estas estruturas agora entendem controlar de forma independente, irem à procura, muitas vezes de modo penível e movimentado, da patente, que por si só, de acordo com eles – e ainda de acordo com outros! - poderia legitimar os seus trabalhos.
O assunto não é novo e tem levado a alguns dos episódios mais pitorescos – mas, às vezes, dos mais angustiantes - da história maçónica de França. Uma visão histórica rápida, no entanto, permite que a luz de um novo dia a esclareça. Vou dar, apenas, algumas indicações de que me disporei a desenvolver, de um modo mais marcante, num livro a ser publicado dentro de três ou quatro anos.
O que é uma patente?
De onde vem essa ideia de que um documento, denominado patente "- Warrant em Inglês - é essencial para que os trabalhos maçónicos sejam perfeitamente inquestionáveis, pelo menos na lei, se não de fato?
É necessário refazer a história da noção jurídica de patente porque é de onde tudo vem.
No direito antigo, uma carta patente (Letters patent em Inglês.) era um acto público (do latim patere: estar aberto) pelo qual o rei conferia, aos que dependiam da sua autoridade, um direito, estatuto ou privilégio. Este documento opunha-se- á Letter closed (em Francês lettre de cachet) que não se dirigia senão a um destinatário específico - não necessariamente só para o meter na prisão! Resumindo, a patente é um instrumento jurídico pelo qual uma autoridade civil permite que uma pessoa, grupo de pessoas ou instituição possa exercer uma determinada actividade, com o beneficiário a reconhecer, no entanto, a supremacia de quem a emite - e admitindo, se for o caso, de a poder retirar, não sendo outra coisa, em última análise, senão um processo de submissão política...

A patente na maçonaria
Quando é que a patente apareceu na maçonaria? Novamente, como em muitos outros domínios, foi em Inglaterra que tudo começou.

7 de junho de 2017

Acerca dos Conceitos de Símbolo, Simbologia e Alegoria


Transcrito do Blogue «Jakim&Boaz», com a devida vénia:



 I - Introdução
 A origem etimológica da palavra símbolo, é geralmente atribuida ao grego “sumbolon”, derivada do verbo “sumbollein”, pretendendo significar sinal, no sentido de traduzir a representação concreta duma ideia abstracta.  Segundo I. Mainguy (3), Guénon define-o como “a fixação dum gesto ritual” e indo mais longe, sugere uma pesquisa para encontrar a sua origem.
 A Maçonaria é normalmente definida como sendo: “um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado  por símbolos”
Nesta definição aparecem duas palavras,   Símbolo e Alegoria,  que na maior parte das vezes, são incorrectamente interpretadas, pelo que consideramos  oportuno tentar perceber a distinção entre as duas, pelo que tentámos recolher e reunir algumas  breves referências relativas a este tema, de que resultam as notas que se seguem, entre as quais se salienta o trabalho de Anatoli Oliynik (5).
 No que respeita à palavra latina “symbolus”, entende-se  o seu significado como sinal de reconhecimento, sendo constituído por um objecto cortado em dois, cada uma das duas partes estando entre as mãos de duas pessoas que se vão separar. Espécie de sinal de reconhecimento, que quando mais tarde se encontrarem as duas partes poderão, ao reuni-las, selar a sua reunião.

Segundo Manuel P. Santos (1)  “1 - um símbolo é fundamentalmente uma representação gráfica ou pictórica de uma ideia, som, objecto ou de um princípio, existindo uma correspondência natural entre por exemplo, um objecto (significante ou simbolizante) e o seu símbolo (significado ou simbolizado).
2 - Na Maçonaria os principais símbolos identificam-se com os instrumentos utilizados, principalmente nos três primeiros graus de qualquer rito, que permitem a compreensão do que é ser maçom e do que é a Maçonaria, enquanto sistema de aprendizagem e percurso iniciático.
3 – Constituem símbolos maçónicos universais os instrumentos ligados à arte da construção ou da geometria, como o esquadro, compasso, malho, cinzel, régua, nível, alavanca, trolha, fio-de-prumo, triângulo, quadrado, rectângulo, círculo, pentágono".
 Não se esgotam aqui os símbolos maçónicos, podendo ser apreendidos nos gestos praticados (sinais, toques e palavras), nas baterias, nas formas de vestir, etc.