Transcrito, com a devida vénia, do Blogue «O Ponto Dentro do Círculo». Autor: José Ronaldo Viega Alves, M.’.M.’.
A Herança Grega na Maçonaria – 1ª Parte
(10 de Agosto de 2015)
A Grécia e as suas influências. Qual é a herança grega para a Maçonaria? O que são os Mistérios? As religiões de Mistérios e os Mistérios de Elêusis
“A contribuição da mística, da filosofia e da mitologia dos antigos gregos é de real importância na doutrina e na ciência maçônicas; estilos arquitetônicos, atributos dos deuses, de sua mitologia e o cerne do pensamento filosófico da Grécia antiga são encontrados em toda a extensão dos catecismos maçônicos.” (Passagem extraída do verbete GRÉCIA, que consta no “Vade-Mécum Maçônico” de autoria do Irmão João Ivo Girardi)
IntroduçãoVários motivos ensejaram uma vontade minha em escrever sobre a Grécia, e talvez o principal deles resida no fato do bombardeio com o nome Grécia, que vínhamos sofrendo, via meios de comunicação, em virtude de acontecimentos recentes. Uma coisa puxa a outra, e o nome Grécia, que nos últimos tempos tem ocupado as manchetes dos jornais do mundo todo, em vista dos seus problemas de ordem econômica, que, aliás, se arrastam desde o ano de 2010, faz com que, pensemos na Grécia de uma forma solidária, afinal, como não levarmos em conta, ou não pesarmos e sopesarmos tudo o que a civilização grega legou à humanidade. Quem um dia, não estudou, ou no mínimo ouviu falar, quando da nossa passagem pelos bancos escolares e estendendo-se até a faculdade, sobre os feitos e as contribuições dos gregos? Diante dos fatos mais recentes, e dos seus desdobramentos, é até possível detectarmos o velho espírito helênico presente, em virtude da resposta dos gregos aos poderosos, que foi a de um povo que não quis ser submetido aos ditames da austeridade, traduzidas nas imposições da Comissão Europeia.
Mas, em tempos de crise mundial, a Grécia atualmente vive a sua verdadeira tragédia contemporânea.
Há tanto para dizer sobre a Grécia antiga, o “berço da civilização”, pois, a Grécia está presente em nossas vidas desde muito cedo, a mesma Grécia que inventou e viu nascer através de alguns dos seus expoentes máximos como Sófocles e Ésquilo, o gênero tragédia. Sinais dos tempos.
Este trabalho quer ser um pouco diferente somente em sua introdução, não deixar de lado, ao mesmo tempo em que o foco principal reside no passado desse país, comentar ligeiramente os momentos atuais, concomitantemente falar da Grécia e as suas importantes contribuições para a civilização, e também através de alguns “flashs” mostrar sobre a necessidade de ficarmos atentos aos problemas que atingem outros países, até pelo simples fato de que hoje, principalmente no terreno da macroeconomia, tudo acaba, mais cedo ou mais tarde, repercutindo pelo mundo afora. E até nisso, a Grécia ainda pode ensinar-nos alguma coisa.
O objetivo maior seguirá sendo, ao longo do trabalho, falarmos um pouco da civilização grega e daquilo que, sem deixar de levar em consideração os prós e os contras, realmente podemos considerar como contribuição dessa mesma civilização para a Maçonaria.
Antes, como forma de mostrar um panorama geral das contribuições da Grécia à humanidade, passo à reprodução de alguns trechos referentes ao editorial que o filósofo Lúcio Packter escreveu para um número especial da revista “Filosofia”, e que versou sobre a Grécia:
“O Islã não tinha então uma teologia desenvolvida; o aprofundamento veio da mesma fonte onde o cristianismo buscara sua inspiração: o pensamento grego. Já entre as tradições que chegam ao ocidente, o direito ao voto é um dos elementos mais notórios. (…) Também a História nos foi deixada por Heródoto como mais uma contribuição grega. (…) Os gregos inovaram nas ciências e na matemática conferindo um rigorismo pouco usual se os compararmos com a matemática babilônica, por exemplo. A herança grega afeta em diferentes graus desde o modo como hoje pensamos, nosso vestuário, nossas relações com religião e religiosidade, a ciência, a Filosofia, a cultura, as relações sociais, a educação, e avança em direção a elementos como Arquitetura, Física, Biologia. Dificilmente encontraremos uma área das atividades humanas que seja deserta das inclinações gregas.”