Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

28 de abril de 2023

— O E s p a ç o L u s ó f o n o — Do Esquecimento ao Devir


Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este artigo de opinião do Prof. Doutor JCR Calazans Duarte (Professor Associado em Ciências Sociais e Humanas)1 

Universidade Lusófona de Lisboa

— O E s p a ç o L u s ó f o n o —

Do Esquecimento ao Devir

Resumo: A segurança do Atlântico Sul é um aspecto geopolítico sério e fundamental para o  desenvolvimento económico do Espaço Lusófono. A área marítima de acção geoeconómica confunde-se com a história da dispersão da própria língua portuguesa, e ela é a expressão de uma vontade colectiva comercial alargada. Mas as áreas de influência geoestratégica das superpotências sobrepõem-se à do próprio Espaço Lusófono, podendo condicionar a dinâmica dos recursos, dos transportes e do comércio em determinados contextos internacionais. A actual guerra entre a Ucrânia e a Rússia, pode ter desenvolvimentos nas costas Lusófonas. As acções contidas e circunscritas da CPPLP não têm sido  suficientes para desenvolver e afirmar o Espaço Lusófono, como as idiossincrasias das políticas nacionais de cada país não tem igualmente. O comércio e a indústria no Espaço Lusófono estão reféns do esquecimento provocado pela falta de moral política e do relativismo ético. Entre a inevitável criação de uma arquitectura robusta de segurança no Atlântico Sul, e uma afirmação de uma Comunidade do Espaço Lusófono, está não apenas a vontade e a oportunidade de afirmação, mas o devir de novas gerações de empreendedores em todos os campos do comércio e da indústria. O devir da acção do Espaço Lusófono depende mais e essencialmente da dinâmica coordenada de um empreendedorismo jovem e ético, do que o corporativismo estritamente diplomático e político, embora necessário, da CPLP.

Abstract: The South Atlantic security is a serious and fundamental geopolitical aspect for the economic development of the Lusophone Area. The geo-economic maritime area of action is intertwined with the history of the Portuguese language spread, and it is the expression of a collective and widespread commercial will. Nevertheless, the geostrategic areas of superpowers' influence overlap with that of the Lusophone space itself, and may condition the dynamics of resources, transport and trade in certain international contexts. The recent war involving Ukraine and Russia may have developments on the Lusophone coasts. The contained and circumscribed actions of the CPPLP have not been sufficient to develop and strengthen the Lusophone space, as the idiosyncrasies of national policies of each country have not either. Trade and industry in the Lusophone Area are held hostage to oblivion caused by the lack of political morality and ethical relativism. Between the inevitable creation of a robust security architecture in the South Atlantic, and an affirmation of a Portuguese-speaking Community, lies not only the will and the opportunity for affirmation, but the becoming of new generations of entrepreneurs in all fields of trade and industry. The Lusophone Area maturity's action depends more and essentially on the coordinated dynamics of a young and ethical entrepreneurship, than the strictly diplomatic and political CPLP corporatism, although necessary.

25 de abril de 2023

As Trevas Andam a Esvoaçar por aí


As Trevas Andam a Esvoaçar por aí

Existem vários graus no Areópago em que nos seus atributos nucleares está claramente assumido o combate à perfídia, ao fanatismo, à violência, a toda a injustiça, a toda a opressão e a toda a tirania, uma conduta guiada pelas causas justas, a procura da luz da verdade, consagrar a espada à causa da Liberdade, bem como reservar a sua inteligência à construção da humanidade.

Ora, os ventos que hoje sopram em muitos locais do Planeta estão carregados de ameaças à liberdade, às democracias e aos direitos sociais.

A extrema direita na Europa vem crescendo progressivamente, aumentando o seu peso eleitoral na generalidade dos países e tomando pela via democrática governos na Hungria, Polónia, Itália, Áustria, Lituânia e Suécia.

Para bloquear o caminho às forças totalitárias e agressivas, torna-se inadiável iniciar processos de resolução de muitos problemas sociais, como, por exemplo, a fome, o desemprego, a exclusão social, bem como um enérgico combate à corrupção e à falta de transparência das democracias.

São muitos destes problemas que alimentam essas forças extremistas e antidemocráticas que visam instaurar novas ditaduras.

Por outro lado, no plano concreto da maçonaria, temos de ser intransigentes com comportamentos de alguns indivíduos que estando formalmente no seio de algumas obediências, são activos propagandistas e militantes dessas forças totalitárias.

Se no caso do Grande Oriente Lusitano a sua história está intimamente entrelaçada com as lutas pela liberdade, pela democracia e pela emancipação social e humana, é indispensável termos bem presente que noutros países e noutras obediências a situação é dramaticamente muito diferente.

23 de abril de 2023

DIA DO LIVRO

 

Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este poema de Adilson Zotovici:

DIA DO LIVRO

É o teu dia livro amigo!..

Com teus sinais ora faço

Simples poesia que digo

Dos teus anis, teu espaço


Feliz eu vivo contigo

Há entre nós forte laço

És o motivo que bendigo

Bom norte a cada passo


És o universo na palma

Qual verso que induz a bom traço

A fonte de luz que acalma


Um dossel ao bom compasso

Ao livre pedreiro a alma

Do obreiro, cinzel e maço!

Adilson Zotovici

AMVBL


17 de abril de 2023

GRATIDÃO


Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve mais um poema de Adilson Zotovici:

GRATIDÃO


Há o tempo da ansiedade

Também da inebriação

Tempo de curiosidade

Como o de transformação


Tempo de ambiguidade

E também o da criação

Por  vezes o da saudade

Da grande realização


Mas há algo na irmandade

Que não suplanta a razão

Do Ser Interior unidade


Que vem desde a iniciação

Ao  Grande Arquiteto em verdade

Perene e eterna Gratidão !


Adilson Zotovici

8 de abril de 2023

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ (simbologia)


Com a devida vénia e respectiva autorização transcreve-se esta Peça de Newton Agrella

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ   (simbologia)

Na qualidade de "livres pensadores"  temos a oportunidade de enxergar e interpretar conceitos filosóficos sob prismas diferenciados.

 Alguma vez você ousou pensar a Câmara de Reflexão não como um cubículo escuro, desconfortável, com cheiro de enxofre e ornamentado com inúmeros símbolos e inscrições, mas sim como um estágio de sua Existência,  ou como se fosse o fim de um ciclo e o sinal de passagem para um recomeço ???

Experimente imaginar essa Câmara de Reflexão sem considerar seus valores estéticos.

Ouse elaborar um conceito de um hiato de vida.  Ou seja, uma parada em que você se defronta com a sua própria existência.

Você inicia uma conversa consigo mesmo, avalia tudo o que você já viveu até aquele instante e faz um brevíssimo flashback dos momentos mais marcantes de sua história.

A encruzilhada está na sua mente. 

Encontra-se recôndita no seu coração... 

O momento é só seu....

Cabe a você persistir ou não no seu intento.  

Corpo, Alma e Espírito confabulam freneticamente dentro de sí.

Você é o agente de sua conduta e a Câmara de Reflexão reside unicamente em você.

O que você vê no cubículo em que se acha encarcerado é uma mera e circunstancial projeção estética e formal.

Porém o que você enxerga é o seu comprometimento para com uma vida diferente.

É o adeus ao profano e o renascimento para a Arte Real....

A Reflexão contudo, pede um compromisso com o seu interior e com os valores mais intrínsecos que a alma humana requer.  

Diante disso, fica renovado o convite para que de agora em diante você considere a Câmara de Reflexão, não apenas como um lugar simbólico, porém como um intervalo especial e incomparável entre o que você viveu e o que a sua consciência passou a viver.

Entre ver e enxergar reside o discernimento.

NEWTON  AGRELLA


5 de abril de 2023

Viajar com Livros-Lourenço 23



Com a devida vénia se transcreve este artigo de António Valdemar, publicado  na Revista Tempo Livre-Março/Abril 2023

 Viajar com Livros-Lourenço 23

O centenário do nascimento de Eduardo Lourenço, cujas comemorações terão início a 23 de Maio, vão celebrar em congressos, seminários e em colóquios, a obra e a intervenção cívica de uma das mais notáveis personalidades da cultura portuguesa. A Biblioteca Nacional de Lisboa tem em preparação uma exposição bio-bibliográfica, que pretende ser o mais exaustiva possível.

 Por António Valdemar

Os anos 20 do século passado, são uma época de ouro, o tempo em que nasceram, viveram, atuaram e faleceram poetas, escritores, dramaturgos, ensaístas, investigadores científicos e protagonistas políticos que intervieram, decisivamente, nas grandes questões contemporâneas, que se encontram vinculados à projeção da cultura e da sociedade portuguesa à escala nacional e, em algumas circunstâncias a uma dimensão internacional. Eduardo Lourenço é uma dessas grandes personalidades.

 Eduardo Lourenço, nasceu a 23 de Maio de 1923, em São Pedro do Rio Seco, o princípio ou o fim da linha ferroviária da Beira Alta, o espaço de chegada ou de partida do comboio que trazia ou levava notícias e pessoas para a Europa. Fez Eduardo Lourenço, os primeiros estudos secundários no liceu da Guarda, na cidade que é ponto mais alto de Portugal. Ele próprio assim a caracteriza, num texto que passou a ser referência obrigatória: «o nosso mar de terra e de pedra é a meseta contígua, matriz de onde nos separamos, espécie de deserto, de onde durante séculos inquietos (…) esperávamos (…) os nossos próximos castelhanos». Também Eduardo Lourenço a classifica «a mais portuguesa das fronteiras», mas «lugar de um diálogo com aqueles que foram os nossos adversários durante séculos». As comemorações do centenário de Eduardo Lourenço terão início a 23 de Maio em São Pedro do Rio Seco, em Almeida e na Guarda. Vão prosseguir, com congressos, seminários e colóquios em Coimbra, em Salamanca, em Bolonha, em Lisboa, em Évora e algumas cidades do Brasil.

 Além de uma exposição em itinerância nacional e internacional em cátedras e redes de leitorados. A Biblioteca Nacional de Lisboa tem em preparação uma exposição bio-bibliográfica, que pretende ser o mais exaustiva possível. Numa carta a Jorge de Sena escreveu perentoriamente José Rodrigues Miguéis: «sofro de uma doença ingénita, hereditária, crônica, incurável que se chama Portugal». Há coincidências entre José Rodrigues Miguéis e Eduardo Lourenço, mas também há diferenças complementaridades entre estes dois exilados políticos. Lourenço e citamos, por exemplo, duas obras: O Labirinto da Saudade (1978) questionou problemas muito mais complexos e muito mais profundos. Ao deter-se em Portugal Como Destino Seguido de Mitologia da Saudade (1999) sobre o modo como esse destino é miticamente determinado, recorre ao seu saber (histórico, filosófico, literário), apresenta-nos uma imagem imparcial do ser português, na sua singularidade e universalidade, espelho, onde, observando-se, pode conhecer-se e aceitar-se «tal como foi e é, apenas um povo entre os povos. Que deu a volta ao mundo para tomar a medida da sua maravilhosa imperfeição».