Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

15 de agosto de 2021

2020 E A MAÇONARIA

 

Com a devida vénia, e respectiva autorização, se transcreve mais um poema de Adilson Zotovici:

2020 E  A  MAÇONARIA

Segue a vida doravante,

A Sublime Confraria,

Grande obra  relevante,

Prescindir  é utopia


Tem o lado edificante

Em que pese a agonia

Ano em tese marcante

Pela amarga pandemia


O retiro lancinante

E a constante vigia

Asas deram ao ser pensante

Libertando da apatia


Alcei voo, cada quadrante,

Dessa terra então sombria

Em todo oriente, flagrante,

O esquadrejar da cantaria


Descobri  parte intrigante

Que da obra não sabia

Conheci gente importante

Revi quem há muito não via


Em cada oficina reinante

A Arte real como guia,

Aproximando o distante

Em cada igual, tal alegria


Pela tela, obra pujante,

Seguiu em franca sintonia

Sem perjurar-se um instante

Sobre arcanos e liturgia


Se faltou dum abraço vibrante

Calor corporal que inebria

Sobrou no espaço, radiante,

Amor fraternal que extasia !


Adilson Zotovici


5 de agosto de 2021

OPORTUNIDADES, AMEAÇAS, PONTOS FORTES E PONTOS FRACOS DO PRR PARA A SAÚDE

 


OPORTUNIDADES, AMEAÇAS, PONTOS FORTES 

E PONTOS FRACOS DO PRR PARA A SAÚDE

Cipriano Justo

No documento Recuperar Portugal 2021-2026, Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), de 15 de Outubro de 2020 (Plano preliminar), da autoria do governo português , quando se refere ao SNS no capítulo OS ROTEIROS PARA A RECUPERAÇÃO E RESILIÊNCIA , a descrição da componente começa da seguinte maneira: “A promoção da saúde é um elemento decisivo para a criação de condições de desenvolvimento sustentado, no médio e longo prazo, e um fator determinante na coesão social e no crescimento económico inclusivo e inteligente. Portugal, à semelhança de outros países da Europa, tem enfrentado transformações demográficas, caracterizadas pelo aumento da longevidade e da população idosa, que, em conjunto com outros fatores, têm vindo a colocar desafios ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) (pág.19) . A prioridade que é dada à promoção da saúde no âmbito do contexto das vulnerabilidades sociais e das reformas e investimentos que têm de ser realizados para lhes dar resposta, é o reconhecimento de que aquela dimensão da política de saúde representa a importância que ela tem para que qualquer política de saúde consiga obter os melhores resultados, ou seja, pessoas e comunidades mais saudáveis, que o mesmo é dizer mais ganhos em saúde traduzidos em maior esperança de vida saudável.

O custo do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), para ser executado entre 2021-2026, tem um custo total de 16 664 milhões de euros, dos quais 13 944 milhões de euros representam subvenções da UE. Para o sector da saúde foram atribuídos 7% daquele montante (1 180 milhões de €) destinados a recuperar estruturas e tornar o SNS mais resiliente, querendo dizer mais habilitado a responder às situações de maior risco.. O programa insere-se no capítulo das respostas às vulnerabilidades sociais, procurando-se que os serviços públicos de saúde contribuam para dar respostas mais céleres, mais organizadas, mais efectivas e de melhor qualidade.

3 de agosto de 2021

Judeus, judiarias e sinagogas (1)

 


Com a devida vénia se transcreve este Artigo de António Valdemar publicado no Jornal  «O Açoriano Oriental»:

Judeus, judiarias e sinagogas (1)

A presença nos Açores de famílias sefarditas que vieram de Marrocos e se radicaram nas ilhas de S. Miguel, da Terceira e do Faial perduram, com cemitérios judaicos em cada uma destas ilhas. Assim como a sinagoga de Ponta Delgada, a mais antiga de todas as sinagogas portuguesas.

Os judeus, a rota das judiarias e as sinagogas já começaram a estar em foco, enquanto decorrem, de 2021 a 2027, os processos para habilitação às Capitais Europeias da Cultura distribuídas através do território português. Já se encontram em curso iniciativas destinadas a promover as cidades concorrentes e as suas extensões geográficas. Em face da crise que a todos atinge e não se sabe até quando, as candidaturas às Capitais Europeias da Cultura vieram assegurar ordenados, subsídios e avenças a profissionais de comunicação que dominam os temas da área do Património. Muitos deles voltam a aproveitar a oportunidade para repetir textos e esquemas de trabalho já utilizados noutras circunstâncias. Uns estavam na prateleira e insistem em sobreviver, outros procuram afirmar–se ganhando o protagonismo que tanto desejavam.

A recente publicação da obra Portugal e os Judeus, da autoria de Jorge Martins, apresenta um manancial de informações da maior importância, em torno dos judeus, a rota das judiarias e as sinagogas. Integra–se num projeto editorial da Âncora. António Batista Lopes, acerca deste tema, já havia divulgado outras obras de reconhecido interesse. Uma das grandes autoridades na história do judaísmo, Anita Novinsky

– que acaba de falecer no dia 20, quase centenária, em São Paulo, no Brasil

–, escreveu sobre deste livro de Jorge Martins: «Passado um século e meio sobre a aparição da mais completa obra sobre a história dos judeus em Portugal, da autoria de Meyer Kaiserling, nos presenteia Jorge Martins com uma nova história sobre os judeus portugueses e que amplia largamente o livro pioneiro do rabino húngaro».