Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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9 de fevereiro de 2019

Esperanças e Expectativas


Transcrito com a devida vénia e respectiva autorização do autor:
Esperanças e Expectativas
(Numa abordagem pouco ortodoxa, ou fora da caixa)

Tudo é simbólico. Na alegoria da caverna, de Platão, apenas vemos as sombras.
Com elas convivemos, porque a realidade chega velada até nós: velada pela
educação que tivemos, pela cultura que temos, enfim, velada por aquilo que
somos. Afinal para cada um de nós a realidade é a interpretação que fazemos dos objetos e dos facto. Vemos a realidade como se estivéssemos frente a um
espelho e, querendo ver algo de diferente, teremos de mudar, ou continuaremos a ver o mesmo.
Tudo é simbólico e para além dos símbolos está a realidade. Os MM∴QQ∴IIr∴
entendem o que digo porque sabem o que cada palavra que emito simboliza. É
para além das palavras que a realidade está. Ela é o que é, e nós precisamos das
palavras e do que elas simbolizam para a descrever. É por isso que tão facilmente
os homens se desentendem, porque nem sempre o significante (a imagem
acústica da palavra) e o significado (o conceito que está por detrás dela, o signo)
tem a mesma leitura para cada um de nós.
Significa isto que há leituras diferentes para a mesma realidade. As leituras
fazem-se a partir do que se exterioriza, nomeadamente da palavra, mas a
verdade está escondida para além disso. É a diferença entre o exotérico e o
esotérico, entre a maneira como tudo se apresenta e aquilo que tudo
verdadeiramente é.
Talvez por isso seja tão importante a tolerância e o diálogo. Porque Afinal sempre
será preciso perceber o que cada um quer dizer com o que diz.
E Vem isto a propósito das duas palavras que dão nome a este balaústre:
Esperanças e Expectativas.
Mas lá irei...
(Harmonia: José Manuel Neto, Luís Guerreiro e Pedro Castro – Tocam António
Chainho ) https://youtu.be/5rBm9lZ7-­‐ko
Chegou o Frio
O homem levantou-se lesto e nu
como fora posto no mundo,
chegou-se à janela escancarada
e ladrou para a Rua do Capelão
que é a rua de todas as virtudes e virgindades
que em todas as idades se perderam na Mouraria:

15 de setembro de 2018

Quem somos, o que somos, para onde vamos


Para Reflexão, transcreve-se este pensamento de H. Spoladore:
Grande parte dos Maçons não percebem ou não querem perceber que estão tendo a grande opção enquanto estão passando pelos graus simbólicos, aliás, graus estes que constituem a verdadeira Maçonaria. Infelizmente, estes Maçons são a grande maioria, e acham que a Ordem é festa, banquetes, auxilio mútuo, graus, política de lojas, fachada para outras actividades, belos aventais, distintivos na lapela, e outras tantas dicotomias, que são na verdade, verdadeiros subprodutos que a Ordem coloca a disposição de todos.

28 de agosto de 2018

La "Tradition des Anciens" : un mythe historiographique français


Devido à importância do texto decidiu a Comissão Editorial deste Blogue não traduzir este magnífico trabalho retirado, com a devida vénia, do Blog Pierres Vivantes de Roger Dachez.

La "Tradition des Anciens" : un mythe historiographique français

Un essai de déconstruction des légendes urbaines qui trainent encore dans certains milieux maçonniques français...
Pour vous donner envie de le lire - et de commander le numéro voire de vous abonner à R.T. ! - en voici la conclusion :

A la lumière de ce que l'on vient de voir, une réalité toute simple apparaît : ce qui séparait les Anciens et les Modernes, en Angleterre, sur le plan strictement maçonnique et rituel, tenait à très peu de chose, et cette différence est allée en s'amenuisant très vite, au point qu'il fut très facile d'aplanir définitivement les obstacles qui les séparaient encore à la fin du XVIIIe siècle.
Il est probable que l'affaire de la loi sur les sociétés illégales (Unlawful Societies Act), en 1799, qui conduisit les deux Grands Maîtres des deux Grandes Loges « rivales » à effectuer une démarche commune auprès des autorités pour exempter toute la franc-maçonnerie des rigueurs de la loi, marqua une étape importante dans le rapprochement – quoique n'ayant pas procédé de l'initiative des Grandes Loges elles-mêmes ! Il faut aussi, sans doute, tenir compte de l'effacement de la génération des fondateurs, lourdement impliquée dans la période la plus violente du conflit, dont Lawrence Dermott lui-même, qui mourut en 1791.
Toujours est-il que la voie vers l'union était pavée depuis longtemps par de multiples croisements des pratiques des uns et des autres, comme nous l'avons vu. Lorsque la Grande Loge des Modernes, en 1809, convoqua une Loge de Promulgation, pour rétablir les « vrais Landmarks », elle se contenta d'adopter « l'ordre ancien des mots » – c'est-à-dire, pour le dire plus justement, l'ordre des mots tel que pratiqué par les Anciens à cette époque –, d'affirmer la nécessité des Diacres et de reconnaître que l'Installation secrète du Maître de Loge était une cérémonie essentielle.
Deux ans après la fin des travaux de la Loge de Promulgation, qui durèrent jusqu'en 1811, soit en 1813, la Loge de Réconciliation n'avait plus qu'à consacrer une Union déjà largement réalisée sur le terrain depuis longtemps.

7 de abril de 2018

ESTÓRIA DE UM TIRANO - Ficção


Com a devida vénia se transcreve o conto:
O Rei está nu de
Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil” –
Londrina –PR.

Era uma vez, assim começam todas as estórias, todas as fábulas, existiam três reinos que faziam divisa entre si. Nem se sabe por que havia esta divisa, pois os três povos falavam a mesma
linguagem, tinham os mesmos costumes os mesmos princípios morais, a mesma religião, a mesma etnia,a mesma moeda chamada fraternidade, usavam os mesmos princípios naturais de tolerância entre si tinham o mesmo respeito em relação ao Universo e seu Criador.
Não havia a mínima contradição. Eram todos felizes.Possivelmente há centenas de anos houve alguma razão histórica para esta divisão porque atualmente dadas às semelhanças e princípios
poderia ser apenas um reino só. Havia um parentesco muito grande entre eles. Era em realidade todos um povo só. Não havia razão para esta divisão territorial a qual por tradição permaneceu, mas sem necessidade. As divisas eram mais simbólicas que reais. Havia uma grande solidariedade e amizade
entre os três povos. Pode-se dizer que se gostavam e se amavam muito entre si e se visitavam com frequência. Normalmente os Amigos de um reino visitavam seus vizinhos, os quais eram muito bem recebidos, com muita hospitalidade. Eram parceiros em realizações sociais, onde havia algum envolvimento financeiro em dinheiro arrecadado para a realização de obras sociais que viessem a servir os três povos. Eram corteses e gentis entre si. Viviam na mais perfeita harmonia. Cada reino tinha o seu rei, é lógico, o qual mantinha as melhores relações com os demais reis vizinhos. Mas estes reinados por um princípio democrático tradicional tinham um sistema político em que num período de quatro anos, através de eleições era escolhido um novo rei. Aliás, sábio este costume, porque havia sempre a possibilidade de mudança através do voto do povo para trocar os maus governantes por um novo rei mais jovem, com maior sapiência.
Como costuma acontecer nestas estórias sempre aparece de vez em quando um vilão, uma figura estranha, que o poder lhe sobe à cabeça. Trata-se de um psicopata social. Nem todo psicopata mata pessoas. O psicopata social é um individuo que vive no meio dos seres humanos, geralmente se
comporta como se fosse normal quase ninguém percebe, só apenas algumas pessoas mais coerentes e sensíveis entendem este tipo de personalidade. O psicopata chega a imaginar um poder existencial jactando-se na sua paranoia. Ele não tem sentimento de tolerância, fraternidade e compreensão que são valores vitais que os povos destes reinos mais cultuavam. O psicopata social derruba princípios já há muito tempo aceitos e usados. Passa por cima até da própria mãe, para exercer o poder que ele imagina ter.
O rei de um destes três reinos citados, baixinho, caricato, quasímodo, mal encarado, mal preparado intelectualmente, mal intencionado, muito vaidoso, sem conhecimentos profundos sobre seu povo, e sobre a filosofia da fraternidade e da tolerância que existia nos três reinos querendo apenas aparecer e achando-se que era o rei absoluto e eterno, não percebia que apenas“estava” rei momentaneamente, e mesmo sabendo, ignorava que de tempos em tempos elegia-se democraticamente um novo rei nestes três reinos isto porque nunca imaginou, nunca soube dimensionar e sentir a felicidade que existia entre os três povos e que o povo de seu próprio reino também fazia parte desta verdadeira confraria fraterna. Ele, cego pelo poder e pela exibição e vaidade não tinha capacidade de ter estes sentimentos.

16 de janeiro de 2018

Reflectir e Construir


Em Janeiro de 2017, no Algarve, houve lugar a um debate sobre questões que tocam o Universo Maçónico e não só. Com a devida autorização do Redactor do Documento (Ir.'. José João a representar os restantes Autores do mesmo) que serviu de base ao diálogo que se segiu, aqui se transcreve o «Reflectir e Reconstruir».
Breve Introdução
 A. A iniciativa que hoje aqui nos trás foi amadurecido ao longo de meses de reflexão, intenso debate e procura de consensos relativos à eleição de quais os grandes temas, independentemente das vias que venham a ser seguidas, que influenciarão os destinos da nossa Aug:. Ord:. no futuro, a médio e longo prazo, entendendo-se aqui como consensos aqueles cuja natureza e método de construção são virtuosos e resultantes da incessante demanda,  em ambiente fraterno, sereno,  de Paz, Harmonia e Concórdia entre Maçons Livres, trabalhando a Pedra Bruta em Lojas Livres e soberanas, sem prejuízo, obviamente, da liberdade de consciência, de pensamento e de expressão de cada um de nós. Liberdade essa que, para um Maçon, é um direito e um dever inalienáveis da sua condição de Homem Livre e de Bons Costumes.
B. Como consequência, em 25 de Novembro do ano transacto, reuniram-se informalmente em Lisboa, no Palácio Braamcamp, pela primeira vez, cerca de meia centena de IIr:., provenientes de QQuadr:. de OObr:. de várias Lojas da nossa Obediências, sobretudo das sediadas ao Or:. de Lisboa, com o objectivo de se centrarem no debate franco e sem constrangimentos, embora a coberto, das grandes questões que, na opinião dos organizadores do encontro e dos IIr:. presentes, independentemente das respostas que forem sendo, entretanto, encontradas, irão condicionar no futuro poderes, convicções, modos de estar e equilíbrios no seio da nossa Aug:. Ord:.  

        Assim, antes que nos confrontássemos com a erupção abrupta dos problemas, iniciámos o caminho lúcido e corajoso da sua identificação atempada com vista à busca de soluções tempestivas, suficientemente amadurecidas e metodicamente planeadas na sua aplicação prática. Todavia, a iniciativa levada a cabo no encontro de dia 25 de Novembro p:. p:., ao Or:. de Lisboa, e que hoje se replica aqui na região do Algarve, não deve ser entendida como um qualquer movimento ou acção rebelde à revelia das estruturas orgânicas do G:.O:.L :. e das suas Lojas. Pelo contrário, trata-se simplesmente de uma manifestação, fraternalmente endereçada às estruturas institucionais da nossa Aug:. Ord :., da sua base ao topo, sem excepção, que tem por propósito transmitir a toda a nossa Família Maçónica o nosso envolvimento e empenho na resolução dos delicados e difíceis desafios que os impactes profundos do processo de globalização e das alterações em curso, nalguns casos dramáticos, de natureza política, social, cultural, e por aí adiante, estão e irão continuar a ter no futuro da Maçonaria Portuguesa.  Nós não somos nem seremos uma ilha paradisíaca no meio da tormenta.

6 de janeiro de 2018

A Arte da Memória e a Maçonaria


Transcrito, com a devida vénia, do Blogue «O Ponto Dentro do Círculo»

Quando um candidato entra no caminho iniciático da Maçonaria, uma das primeiras coisas que ele descobre é que há uma grande quantidade de memorização envolvida. Os oficiais executam o ritual de memória, e longas palestras memorizadas lhe são apresentadas. Finalmente, talvez para sua consternação, ele descobre que deve memorizar um diálogo antes que possa avançar para o próximo grau.
Por que a memorização é tão importante em Maçonaria? Como a prática de decorar o ritual entra na Maçonaria? A memorização ainda tem valor nos tempos modernos? Considerando a importância tradicionalmente dada à memória na Maçonaria, surpreendentemente pouco foi escrito sobre isso. Uma busca em enciclopédias maçônicas e livros de referência revela praticamente nada.
Um dos poucos livros a lidar com as origens da memorização na Maçonaria é As Origens da Maçonaria, o século da Escócia 1590-1710, de David Stevenson[1]. Stevenson ressalta que as primeiras referências à memória na Maçonaria ocorrem nos Estatutos Schaw.
William Schaw foi nomeado Mestre de Obras do Rei para James VI da Escócia (mais tarde James I da Inglaterra) em 1583. Como Mestre das Obras, Schaw era membro da corte real e era responsável pela manutenção de todos os edifícios reais. Em 1598 e 1599, Schaw emitiu regulamentos para os serviços de construção na Escócia. Eles continham basicamente os regulamentos de saúde e segurança, mas também tratavam de regras para a organização dos pedreiros trabalhadores[2].
Os Primeiros Estatutos Schaw, de 1598, exigiam a seleção de Aintenders (instrutores) para cada novo companheiro em sua admissão. As atas iniciais das lojas de Edimburgo e Haven de Atchison mostram que geralmente eram os companheiros mais recentemente admitidos que eram selecionados como instrutores. Como os candidatos teriam que provar sua proficiência técnica antes de serem admitidos, parece razoável supor que a função de intendente era instruir o novo companheiro em trabalho secreto. Isto é confirmado pelo Manuscrito Dumfries no. 3 do século XVII, que diz:
“Então, deixe a pessoa que, então, é feita um maçom, escolher da loja um maçom que deve instruí-lo naqueles segredos que nunca devem ser escritos, e ele o deve chamará Tutor. Então seu tutor o levará para o lado e lhe mostrará todo o mistério, e, em seu retorno, ele pode exercitar com o restantes de seus colegas pedreiros.”[3]

A primeira referência explícita ao uso da memória na Maçonaria está nos Segundos Estatutos Schaw de 1599:
“[O] Vigilante da Loja…testará a arte da memória e ciência dela de cada companheiro e cada aprendiz de acordo com a sua vocação e, caso tenham perdido algum ponto dela…pagará a penalidade como segue por sua preguiça…”
Aqui, Schaw está criando uma regra especial em que todos os membros da Loja devem ser testados anualmente quanto à capacidade de memorizar algo. Infelizmente, não está claro o que é, mas parece ter algo a ver com o ritual e as cerimônias da loja[4].
Nós sabemos pouco sobre o ritual na Escócia no período em torno de 1600. Os primeiros materiais escritos datam de cerca de um século depois. Quaisquer que sejam os detalhes do ritual, isso era visto de alguma forma ligado ao esotérico. Este pode ter sido um dos fatores que atraíam homens que não eram pedreiros para se juntarem à organização. Uma prova que mostra como a Maçonaria era considerada no início do século XVII é um poema de George Adamson, The Muses Threnodie, publicado em 1638, após a morte de Adamson, mas provavelmente escrito por volta de 1630. Contém as seguintes linhas:
Porque o que pressagiamos não está em bruto,
 Porque nós irmãos da Rosa Cruz;
 Temos a Palavra do Maçom e segunda vista,
 Coisas por vir podemos contar certo.[5]

5 de dezembro de 2017

Maçonaria, Gestão e a Loja – reflexões


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue Jakim&Boaz
I – Introdução
 Após alguns trabalhos apresentados neste Blog envolvendo temas relativos aos conceitos básicos de gestão duma loja maçónica e à sua eventual correlação com alguns pressupostos e práticas de  Liderança e Gestão das organizações profanas,  achámos oportuno  elaborar uma síntese que integrasse as áreas que considerámos importantes daqueles trabalhos,  complementadas com outros pontos que julgámos não terem sido equacionados ou tratados insuficientemente ou sem a relevância necessária.
 Sendo a Loja a célula base de todo o corpo maçónico, actua a nível local sob a jurisdição do Grande Oriente, enquanto garante superior da coordenação obediencial. O seu funcionamento e a sua dinâmica dependem do cumprimentos dos deveres e obrigações acordados pelos Maçons que a constituem, quando da Iniciação,  mas também da capacidade do Quadro da loja em gerir eficazmente os recursos à disposição, em especial o primordial recurso humano,  óbviamente dependente do filtro do processo de selecção. Esta capacidade (ou não)  constitui o determinante principal para a sua afirmação e perspectiva de desenvolvimento, contributo decisivo para a  evolução da Obediência,  sobretudo no espaço geográfico em que se insere.

A Loja Maçónica representa um modelo único no seu género, sendo considerada como uma micro-organização peculiar, já que  possui  apenas IIr∴ iguais em direitos, mas não em deveres.  Todos os  IIr∴,  unidos  pelo  juramento e vinculados pelo segredo maçónico são  solidários entre si.  Estes  princípios   traduzem desde logo uma diferença  inequívoca  face ao  mundo profano,  diferença essa que é superiormente enquadrada pelo facto do comportamento em sessão ser  guiado e codificado pelo ritual.
 Nesta micro-organização peculiar,  os oficiais assumem uma hierarquização  no plano das responsabilidades e o sistema organizativo e de gestão distingue-se pela particularidade de ninguém deter nem o poder temporal  absoluto, nem  o poder espiritual.  Esta “sociedade” só  obtem a soberania e o poder a partir de si mesma. Traduz um modelo único no seu género, comparativamente à generalidade das organizações do mundo profano, nas suas diferentes áreas de actuação.
 Estipula o Regulamento Geral da N:.A:.O:., que para a  eleição a qualquer cargo em loja, é  necessário que o Maçom tenha o grau de Mestre (exceptuando o previsto para o cargo de Secretário). Em especial o Venerável (ponto c) do Artº respectivo)  deverá ter pelo menos 2  anos de experiência neste grau, e estar entre os mais assíduos e conhecedores dos assuntos maçónicos,  sendo omisso quanto ao prévio desempenho de outros cargos em Loja.

 Este é um ponto a que se deverá sempre dar particular relevo. Não é, à partida, aconselhável escolher para V:.M:. alguém que não tenha tido experiência prévia no desempenho de alguns cargos em Loja, nomeadamente os de:  Mestre de Cerimónias, Experto, Secretário,  Vigilantes ou Orador, o que na generalidade é respeitado.  Sendo certo que todos os cargos são igualmente importantes, as Luzes da Loja (VVigs e V:.M:.), por serem os que mais exigem conhecimento e preparação, deverão ser preenchidos, salvo em casos excepcionais (formação recente da Loja, fracturas ou  dissenções internas), por Mestres com reconhecida experiência  e conhecimento para tal.
 Em termos de suporte a um melhor desempenho das Luzes da Loja poder-se-á questionar a necessidade destes possuírem alguns conhecimentos e sobretudo experiência anterior, na área da gestão de organizações profanas. Não cremos que seja absolutamente necessário, mas será provavelmente conveniente,  se aliado a sustentado conhecimento do funcionamento da Obediência e dos princípios maçónicos, aliados à prática ritualística em Loja, tão necessários ao eficaz desempenho daqueles cargos. Procuraremos nos pontos seguintes, clarificar esta afirmação.

3 de dezembro de 2017

Coluna Norte-Tributo a Daniel Béresniak


MM.’.QQ.’.IIr.’. sentados na Coluna Norte, quando olho para vós, a minha memória afectiva denuncia-me com singelas gotas de água e cloreto de sódio que escorrem sublimadas pelo muito que aí, sentado como vós, aprendi e reaprendi modificando o meu comportamento, materialmente montado e espiritualmente incompleto.
Aí, foram muitas as vezes que perguntei a mim próprio, porque me sentia ignorante e desfasado, para e porquê a sucessão dos trabalhos com símbolos, gestos e toques a desfilarem sem sentido aparente e num corrupio ambíguo que provocava, à vez, uma alegria intensa e uma tristeza estranha?
Quis o acaso e a necessidade que nesses instantes e pedaços estivessem presentes, solidários e fraternos, um conjunto de IIr.’. que fizeram a diferença: uns confiando nas minhas capacidades, outros cedendo-me grande parte da sua bibliografia pessoal e ainda outros, com a sua maneira de estar e agir, a demonstrarem que é possível um segundo nascimento com a finalidade de reunir o que está esparso.
Das mil leituras que fiz, das mil experiências que assimilei e das mil coisas que me escaparam, vou falar-vos de uma Obra Literária, da qual farei um resumo pessoal (embora os conceitos e as ideias pertençam ao Autor) com o intuito de poder contribuir, se assim o desejarem, para a vossa caminhada na via da Luz, que uma vez Iniciada vai ser calcorreada infinitamente até ao fim dos vossos dias. Chama-se L’Apprentissage Maçonnique, une école de l’éveil? O Autor é Daniel Béresniak-um digníssimo representante dos que sentem e agem a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. É óbvio que a leitura completa da obra é, não só essencial como obrigatória. É claro também que todas as incorrecções que encontrarem, sou o responsável e nunca o Autor.
Em termos de estrutura do traçado vou enumerar (aqui sim, a escolha é minha) o que de mais importante apurei transcrevendo os extraordinários pensamentos de D. Béresniak e seguindo os capítulos da Obra mencionada. Assim:

A-INTRODUÇÃO
1-O estudo dos símbolos e dos mitos é a via para a introspecção e do conhecimento de Si-mesmo.
2-Para se dominarem as paixões é preciso conhecê-las primeiro.
3-Homem Livre: nada sabe; é indiferente às honrarias e considerações sociais; segue um caminho à volta de si próprio para não ser manipulado por ideologias que aprenderá a desmontar; reduz e isola os mitos dos arquétipos que os compõem ficando ao abrigo do ódio e das simplificações mortais.
4-Fraternidade não é cumplicidade pois esta prefere falar do Eu com palavras caras evitando a todo o custo dissecar o Si-mesmo. A Beneficência não é uma delicadeza que a vaidade deu à virtude (esta chama-se caridade).
5-O interesse no estudo dos símbolos é causado pelas chaves que eles contêm, chaves estas, que são correntes de pensamento associadas ao património cultural do universo.
6-Resolver os problemas dos outros sem primeiro resolvermos os nossos colocam a ambição, não como um valor mas como a expressão mais conveniente à fuga de Si-mesmo.
7-A Franco-Maçonaria tem sido entrelaçada por ortodoxias exotéricas que juntam ao seu tesouro bibelots de pacotilha para que se esqueçam os conhecimentos que permitem distinguir as pedras preciosas da quinquilharia.
8-O Homem vulgar reage, mas necessita de aprender a agir. Para tal, é essencial conhecer-se a si próprio nem que tenha que contestar o carácter racional das suas escolhas e procurar as origens irracionais.
9-A Mestria deve revelar-se por um estado de espírito entre a crítica sistemática e a confiança pueril.

19 de julho de 2017

A Pocura Iniciática e o Ritual como Método de Transmissão

Transcrito do Blogue Jakim&Boaz com a devida vénia.

I – Introdução
 Será a procura iniciática estritamente reduzida ao Ritual, na versão que procura reduzir e limitar aquela ao estrito cumprimento das normas ritualísticas ou, pelo contrário, tem alguns graus de liberdade e utiliza-os para alcançar também outros objectivos e vectores, que extravasam aqueles limites?. Entre estes dois polos que balizam as opiniões e práticas de muitos maçons, cremos que a segunda opção, ou seja a de uma via intermédia e múltipla, será a mais adequada à pesquisa e procura iniciáticas, potenciando a via de transmissão. É esta aproximação que iremos tentar desenvolver nos pontos seguintes.
Acreditamos que o Ritual desempenha um papel primordial no desenvolvimento da procura iniciática,  mas apesar da sua reconhecida importância, não será o único vector a ter em conta, já que em nosso entender,  representa um guia, como que que o fio condutor do trabalho maçónico em Loja, mas ao qual não se deve limitar ou restringir o objectivo essencial da procura iniciática, contrariamente ao que alguns IIr:. preconizam.
 Para tentar desenvolver este raciocínio,  socorremo-nos sobretudo de dois trabalhos de conhecidos autores, I. Mainguy e Victor Guerra (indicados na bibliografia), já anteriormente publicados neste Blog. Acrescentámos alguns parágrafos, comentários ou pontos adicionais, suprimindo outros, devido a eventuais graus de redundância, por forma a interligar os dois textos (originalmente independentes), tentando construir a continuidade desejável que perspectivámos. Deste modo os erros ou inconsistências que possam existir, serão por certo da nossa inteira responsabilidade.

Enquanto  Maçons descendemos de uma longa linhagem de pensadores que trabalharam para criar e expandir a nossa Ordem Iniciática;   a noção de Ordem e Tradição incorpora aqui o seu necessário  e essencial valor.   É através do  Rito que a nossa Tradição nos leva a alcançar as  imagens simbólicas da Verdade,  que se  esforça por nos Transmitir.  É através dele que a nossa Tradição  baliza o  nosso caminho.  A Tradição é característica duma Ordem que dá primazia ao Conhecimento  e  que se propõe alcançar a realização do ser humano, fazendo-o  escalar  graus sucessivos de iniciação.
 O caminho  que nos é proposto no dia da nossa Iniciação tem por fim  fazer-nos passar  dum estado considerado "inferior" a um estado "superior “ de consciência.   Isto é verdade em todo o Rito, tendente  a  admitir os seus adeptos a um grau de conhecimento de certos  mistérios, pela entrega das chaves que dão acesso aos  dados fundamentais,  traçando o caminho a seguir para penetrar as  etapas  progressivas  desse mesmo  conhecimento.
 Sobre este  percurso,  no limite do pavimento  Branco e Negro, as provas  são múltiplas e a conversão não é das menores,  já que envolve um "retorno" (no sentido grego: uma  apóstrofe);  exige um caminho  que desce  até o fundo de nós mesmos,   via de Conhecimento,  indo de "nós mesmos para nós mesmos”.  Daí a importância dos Ritos  de iniciação e dos Mitos, que representam  os perigos,  as armadilhas  a evitar para alcançar a visão salvadora do Ser, mas não a do Ter.   Daí os perigos dum caminho iniciático, que será necessariamente marcadamente pessoal , pelo acesso único e individual  à  "compreensão do símbolo",  fora  de todo o método, de toda  a "escola" ...
 O Simbolismo macónico é o elemento  fundamental do pensamento  iniciático,   de que não se pode fazer  uma intelectualização redutora.  Deve ser acima de tudo um processo de conhecimento e o instrumento da transformação interior do homem.   Enquanto que a linguagem da razão é necessáriamente limitada, "o Simbolismo,  enquanto suporte da  intuição transcendente, abre possibilidades verdadeiramente ilimitadas" (René Guénon, «Perspectivas sobre a Iniciação») (2).

16 de julho de 2017

A Maçonaria na Revolução Francesa: Que papel?


Artigo de José Martí transcrito do nº 867 do JB News de 13.01.2013

Ainda hoje é frequente ler e ouvir que a Revolução Francesa é sinónimo de uma acção vigorosa e organizada da Maçonaria francesa.
Sendo indiscutível, por múltiplos registros históricos, que uma grande parte da elite intelectual francesa integrava a Maçonaria, isso não significa que ela estivesse alinhada, como tal, com a ideologia revolucionária de então.
A importante presença dos maçons é outro facto inquestionável, muito activos individualmente, mas presentes em todos os campos político-ideológicos, incluindo a nível dos Chouans, que constituíam a corrente política e militar de defesa dos interesses da realeza.
A primeira iniciativa em torno da criação do mito dos maçons como autores da Revolução é do abade Lefranc, director do seminário de Caen que, em 1791, publicou um livro com um extenso título e cuja parte inicial era “ Le voile levé pour les curieux ou les secrets de la revolution revélé”.
Uns anos mais tarde surgiu um ex-jesuíta, o abade Barruel, que publicou um livro que teve várias edições, de que a primeira é de 1797/1798, com o título “ Les mémoires pour servir à l’histoire du jacobinisme”.Toda a campanha antimaçónica, visando fazer crer que a Revolução Francesa foi obra da Maçonaria, acabou por partir dele. Este tipo de especulações levou, ao longo de muitas décadas, à divulgação de informações falsas sobre a suposta filiação maçónica de personalidades como Robespierre, Saint Etienne, Danton, Saint Just, Desmoulins e mesmo Condorcet. Foi simultaneamente desenvolvida a tese de que o objectivo fundamental da Maçonaria seria a destruição integral da monarquia francesa, dadas as suas estreitas ligações ao movimento
republicano.

A análise rigorosa dos factos e dos registos históricos conduz à conclusão de que a Maçonaria, como tal, teve um papel muito discreto durante a Revolução, senão mesmo nulo, ao contrário da legenda que foi sendo criada.
Se a nível dos protagonistas revolucionários o número de maçons é reduzido, eles abundam a nível de príncipes, duques e membros da “Câmara dos Pares”, de que Montemorency-Luxembourg era um dos nomes mais destacados da maçonaria, dado o cargo que então ocupava de administrador-geral do Grande Oriente.
A título de curiosidade histórica, em 1789, Montemorency-Luxembourg emigrou para o nosso país, onde morreu em 1803.
Logo na primeira assembleia dos notáveis, Março/Abril de 1787, os maçons que dela fazem
parte aparecem divididos.

20 de maio de 2017

A Liberdade


Artigo de Opinião transcrito do nº1239 do extinto JBNews da autoria de Anatoli Oliynik


Liberdade é um termo que usamos todos os dias, pensando conhecer o seu significado; mas a um
exame mais cuidadoso vemos que é difícil dar-lhe uma definição precisa e unívoca, tão variados e
diversos são os casos em que nós o usamos. Todavia, existe um núcleo fundamentalmente igual
que ocorre constantemente: é a ausência de constrangimento.
Em maçonaria, segundo Castellani:
"Liberdade - Substantivo feminino (do latim: libertas, atis), designa a faculdade de fazer ou deixar
de fazer uma coisa por vontade própria, sem se submeter a imposições alheias; o gozo dos direitos
de homem livre; a licença, a permissão."
Definição:
Geralmente, nós entendemos liberdade como a ausência de constrangimento. A coação pode
depender de diversas causas e, por isso, podem ser distinguidos vários tipos de liberdade, dos quais
os principais são:
a. Liberdade física: é a isenção de constrangimento físico;
b. Liberdade moral: é a isenção da pressão de forças relativas à ordem moral, como prêmios,
punições, leis, ameaças.
c. Liberdade psicológica: é a isenção de impulsos de outras faculdades humanas sobre a
vontade para fazê-la agir de uma determinada forma.
d. Liberdade política: é a isenção de determinismos políticos.
e. Liberdade social: é a ausência de determinismos sociais.
Embora Liberdade seja um dos lemas da trilogia maçônica - "Liberdade, Igualdade e Fraternidade",
cujo conceito na Instituição é muito amplo e abrangente, neste artigo, trataremos mais
especificamente da liberdade psicológica. Portanto, vamos a sua definição:
Liberdade psicológica define-se como capacidade que o homem possui de fazer ou não uma
determinada coisa, de cumprir ou não determinada ação, quando já subsistem todas as condições
requeridas para agir. É o controle soberano sobre a situação, de forma que a vontade tenha em suas
mãos o poder de fazer pender a agulha da balança de um ou do outro lado. É a senhoria absoluta, o
domínio completo de si mesmo, das próprias ações, de tudo o que nos diz respeito. Nessa
possibilidade radical de decidir por si mesmo é que consiste a essência da liberdade psicológica.
Historia do problema:
O estudo do problema da liberdade efetuado pela filosofia grega, não forneceu contribuição
significativa. As principais razões pelas quais o pensamento grego não conseguiu realizar uma
investigação satisfatória do problema da liberdade são três:
a. porque considera todas as coisas sujeitas ao destino, uma vontade absoluta, superior aos
homens e aos deuses, que determina consciente ou inconscientemente a ação; por isso,
definitivamente os homens estão isentos de qualquer responsabilidade das ações.
b. porque conforme o pensamento grego, o homem faz parte da natureza e é sujeito às leis
gerais que a governam, pelo que ele não pode comportar-se diversamente.
c. porque o homem é escravo da férrea engrenagem da história, que é concebida pelo
pensamento grego como um movimento cíclico, no qual tudo se repete regularmente em um
certo período de tempo.

O problema da liberdade adquiriu uma nova dimensão e atraiu enorme interesse no pensamento
contemporâneo.
Mas, nos dois milênios da reflexão filosófica cristã, o problema não foi encarado sempre do mesmo
modo e nem recebeu uma única solução.
Durante o período patrístico e medieval o problema foi visto da perspectiva teocêntrica; a liberdade
é, sobretudo, uma relação entre o homem e Deus e a esse propósito Santo Agostinho coloca a
seguinte pergunta: "por que Deus criou o homem livre, sabendo que ele abusaria desse dom?" São
Tomás de Aquino, também nos coloca a seguinte questão: "Como é possível, pois, que o homem
seja livre se Deus é a causa principal e última de cada coisa?".

4 de abril de 2017

Lojas de S. João

MM.’.QQ.’.IIr.’. Este não vai ser um traçado de instrução por isso implicar um estudo profundo dos factos históricos, simbólicos e ritualísticos relacionados com o tema que vos vou propor. Vai ser, apenas, uma lasca da pedra bruta a ser burilada com a finalidade de enriquecer a mim próprio e a todos os MM.’.QQ.’.IIr.’. se assim o desejarem.
Tradicionalmente, as Lojas Azuis são chamadas de Lojas de S. João, bem expressas nos trabalhos do Grau de Apr.’. que todos sabem de cor e salteado.
E logo várias perguntas se impõem: por que razão são assim designadas numa época em que a F-M se exibe laica e não enfeudada à religião? Porquê a razão de os F-M celebrarem os dias festivos de 24 de Junho e 27 de Dezembro? Porquê, seguindo a tradição operativa do reconhecimento entre IIr.’. com perguntas e respostas, eles respondem que …vêm de uma Loja de S. João…?
Por questões de metodologia abordarei este assunto, primeiro sob a perspectiva dos factos históricos e de seguida as possíveis interpretações simbólicas e ritualísticas.
 
1-FACTOS HISTÓRICOS
 
Começo por vos dizer que, segundo alguns estudiosos da tradição maçónica, a 1ªLoja, ou Loja Mãe, foi convocada em Jerusalém dedicando-se a S. João, primeiro o Baptista, depois o Evangelista e, posteriormente, a ambos (não há documentos históricos que o comprovem, apenas lendas).
 Sendo esta a convicção dos que afirmam a grande influência da tradição judaico-cristã na tradição maçónica, quero crer que devemos ir mais além (neste caso mais atrás recuando aos factos percursores da referida tradição judaico-cristã) por haver poucas dúvidas que as celebrações de 24 de Junho (o Baptista) e 27 de Dezembro (o Evangelista) têm como base as festas pagãs dos solstícios onde eram celebradas, quer a regeneração (ou um 2ª nascimento) quer o caminho entre os ciclos, sendo mesmo considerados como o Conhecimento em todas as civilizações pré-abraâmicas.
 Zénite e Nadir, afirmavam os que conheciam as Leis dos Astros mas a dinâmica espácio-temporal não se ateve à materialidade prosseguindo o seu correlato (a espiritualidade) numa senda que nos obriga a recordar a história de cada S. João que a F-M adoptou.Primeiro S. João Baptista, filho de Zacarias e Isabel (prima de Maria), ambos estéreis, logo considerado o seu nascimento como um milagre pois não era esperado, atribuíram-lhe o papel de percursor dos caminhos de jesus, o Cristo, baptizava no Rio Jordão, pregava a renúncia, o arrependimento, a fraternidade, justiça e o combate à tirania tornando-se mártir.

9 de março de 2017

Inteligência Artificial




Propus-me tratar aqui uma pequena reflexão sobre qual o papel e eficácia da N:.A:.O:. num Mundo muito diferente daquele em que os nossos antepassados criaram esta  congregação de esforços com o objectivo de lutar pelo bem comum.
Muitos dos saltos civilizacionais dos últimos 300 Anos tiveram na sua origem IIr:. Maçons. O contexto em que se moviam era o de um Mundo Novo, em que o equilíbrio de poderes fora totalmente alterado graças à evolução da Tecnologia e ao estabelecimento do livre pensamento, após muitos Séculos de imposição de todo o tipo de dogmas castrantes.
Não valerá a pena detalhar demasiado, mas se tomarmos como exemplo a Bíblia, um livro que bem conhecemos e cujas histórias que revela, em muitos casos, nos enquadram ritos e alegorias, era proibida a sua leitura até ao início do Século XVII, em Portugal, se não se tratasse da Vulgata Católica, tradução da Bíblia Grega para Latim, feita por S. Gerónimo no século IV.  Inclusive, a partir do Século XV, quem cometesse essa heresia, estaria entregue aos poderes do Santo Ofício.
Este exemplo, e muitos outros que poderiam ser aqui descritos, são o contexto em que tudo terá começado por acção de homens livres e pensadores influentes. A História da Humanidade mudou radicalmente com este grito de revolta construtiva, que assentou a sua acção em princípios e valores que ainda hoje nos são caros e sustentam o nosso comportamento. Mas retomemos o exemplo da Bíblia e a obrigatoriedade de a consultar apenas na tradução censurada de S.Gerónimo. Esta imposição, tinha como objectivo não deixar ao livre arbítrio, interpretações perturbadoras dos textos Bíblicos, que afectassem toda uma lógica de poder alicerçada em verdades que não o eram. A riqueza interpretativa, possível, de textos tão belos, feita numa perspectiva de rigor e livre apreciação, pode levar-nos a conclusões, ou estabelecer dúvidas, que muito poderiam lesar a consistência da verdade estabelecida.Ou seja, opiniões que não se coadunassem com a Ordem estabelecida, pura e simplesmente, eram banidas.E tudo isto era dirigido por Homens que acreditavam ter o direito de decidir o que é bom, e o que é mau, para a maioria dos outros Homens.

Percebemos o contexto, e entendemos toda a mecânica desta decisão, porque somos humanos, e julgamos conseguir perceber o que está por trás destes comportamentos tão lesivos para a liberdade e felicidade de muitos.
Felizmente que hoje tudo é diferente, dizemos o que pensamos, embora por vezes não pensemos suficientemente o que dizemos, e até escrevemos e publicamos de forma compulsiva todos os passos que damos, no trabalho, em família, com os amigos. Hoje temos a felicidade de ficar tudo registado, já ninguém nos limita e podemos partilhar com os nossos amigos, milhões de amigos, tudo aquilo que fazemos, como vivemos, onde estamos em cada momento, no fundo, como agimos e pensamos, no contexto do dia a dia das nossas vidas. E como já não há Santo Ofício já não temos que temer dizer tudo aquilo que nos vai na alma. Fazemos comentários sarcásticos, falamos do melhor que há em nós, do pior que há em nós, falamos de banalidades, falamos de coisas importantes e outras nada importantes.
Fantástico, nunca a Humanidade teve tantas condições de Liberdade e de esperança de felicidade como hoje e, sendo assim, talvez a nossa intervenção em prol das Liberdades de acção e pensamento não faça tanto sentido como nos fins do Sec. XVII e inícios do Sec. XVIII. Só que há um pequeno problema que nos poderá estar a escapar nesta voragem da comunicação Global e da interligação permanente. E não é a nossa sonhada comunidade de homens livres em todos os Continentes, como foi pensada por aqueles com quem partilhamos a nossa Cad:. de Un:. que nos une com o passado e nos leva para o futuro.

É que, infelizmente, pode acontecer que o futuro, e o contexto em que nos moveremos, seja muito diferente daquele que congregava os perigos do dogma e a sua obrigatória aceitação. A luta que se avizinha vai ser mais difícil, porque aqueles com os quais nos confrontamos poderão vir a ser mais capazes e inteligentes do que nós.
Vencer pela convicção, pela imposição da verdade e pela inteligência é muito mais fácil quando combatemos a ignorância, a arrogância e a estupidez. Será que os próximos alvos das nossas preocupações serão tão estúpidos assim?! Infelizmente não, poderão ser mais inteligentes e não sofrerem enfermidades humanas.

7 de fevereiro de 2017

Romã-Simbologia Maçónica




Ao decidir-me por este traçado, pretendo falar-vos da simbologia que a romã tem para a maçonaria, o que farei, após uma breve alusão histórica à árvore e ao respetivo fruto, sempre com o cuidado de salvaguardar, dentro do possível, o grau de quem o apresenta, pois, não sendo assim, muito mais haveria para dizer filosóficamente.
A romãzeira, em hebraico Rimmôn, é uma pequena árvore, ou até um arbusto pertencente à família “Punica Granatum” – nome latino – também conhecida como romanzeira, provém essencialmente da Grécia, Síria e Chipre, Turquia, Arménia, Geórgia, Azerbaijão, Irão e Turquemenistão, juntamente com outras árvores frutíferas como a figueira, macieira, pereira, marmeleiro, cerejeira, amendoeira, avelaneira e castanheira.
Para os Assírios, a romã simbolizava a vida e os primeiros frutos da colheita eram entregues ao sacerdote que extraía o seu sumo para que o Rei o oferecesse ao ídolo. Os frutos mais formosos que simbolizavam o prolongamento da vida eram preservados para o templo; a romãzeira era considerada como o pai da vida; com a madeira da árvore, eram confecionados amuletos.
Os fenícios tinham a romã, também, como fruto sagrado, bem como os Cartagineses e os Romanos, que os reproduziam no cimo das suas colunas, e os colocavam nas tumbas dos sacerdotes e dos reis.
Para os Romanos, a romã era considerada nas cerimónias e nos cultos, como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade.
Já os gregos, consideravam-na como símbolo do amor e da fecundidade, e a romãzeira foi consagrada à deusa Afrodite, pois acreditava-se nos seus poderes afrodisíacos.
Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo, quando acreditam que o ano que chega, será melhor do que aquele que vai embora. Em Israel sempre foi cultivada a romãzeira, utilizada para produzir vinho com propriedades afrodisíacas. Nos cânticos dos cânticos, a mulher esperava o amado com vinho de romã.
 
Segundo a Bíblia, quando os judeus chegaram à terra prometida, após abandonarem o Egito, os doze espias que foram enviados para aquele lugar voltaram carregando romãs e outros frutos como amostras da fertilidade da terra que Jeová (Deus) prometera. Ela estaria presente nos jardins do Rei Salomão. Sobre as colunas do Átrio do Templo de Salomão, estavam colocadas fileiras de Lírios e romãs; os Lírios simbolizando a virgindade e a pureza, a beleza feminina; as romãs, a virilidade masculina. Salomão, que chegou a possuir novecentas concubinas, tomava o vinho de romãs para fortificar-se.
A romãzeira foi cultivada na antiguidade, por fenícios, gregos e egípcios.
Na Idade Média, a romã era, frequentemente, considerada como um fruto cortês e sanguíneo, aparecendo também nos contos e fábulas de muitos países.

24 de janeiro de 2017

A Regularidade e a Irregularidade Maçónicas: que fundamentos?




Nas várias áreas da “história oficial” estão consagradas abordagens e mistificações profundamente limitativas dos factos ocorridos e com intuitos de manipulação e de condicionamento das consciências dos povos.
Está suficientemente demonstrado que a “história oficial”, em todos os períodos em que existem registos, foi sempre escrita pelos vencedores e pelas forças hegemónicas que em cada momento desempenharam o papel de grandes potências político-económicas.
É partindo destes factos que podemos analisar melhor a “história oficial” da Maçonaria chamada especulativa que foi, numa apreciável parte, habilmente construída em clara subordinação a poderosos interesses políticos, religiosos e imperiais.
Por outro lado, importa sublinhar que essa história oficial está cheia de contradições e com diversos aspectos que colidem com a mais elementar sensatez.
Não existem registos anteriores a 1717, ao contrário do que acontece com diversas lojas inglesas e escocesas, de 3 das 4 lojas que nesse ano terão constituído a “ Grande Loja de Londres” e que mais tarde esteve na origem da Grande Loja de Inglaterra.
A excepção é a Loja “Ganso e a Grelha” que algumas escassas referências sugerem ter sido constituída em 1691.
A própria acção do reverendo James Anderson surge envolta em aspectos pouco claros, dado que é sistematicamente escamoteado que o início da sua actividade de compilação de vasta documentação maçónica se deveu a um trabalho pago pelo Duque de Montagu, tendo vindo a culminar poucos anos mais tarde, em 1723, na elaboração das Constituições apelidadas de Anderson, mas de que ele foi quase um mero redactor, dado que os verdadeiros inspiradores terão sido, segundo a ampla fundamentação do escritor Jean Barles, George Payne e Jean-Théophile Désagulier.
James Anderson era escocês e pastor presbiteriano, desempenhando as funções de capelão de uma loja em Aberdeen.

De acordo com as tradições maçónicas da época, os capelães e os médicos faziam parte dos quadros das lojas, mas não eram iniciados nem participavam, naturalmente, nas sessões.
Os capelães tinham como tarefa desempenhar funções religiosas como nos casos de falecimentos de obreiros da loja ou mesmo familiares directos e os médicos exerciam a sua função de apoio à actividade maçónica efectuando exames físicos a todos os candidatos à iniciação para detectarem qualquer deficiência física que impossibilitaria a realização dessa iniciação.
Ora, não existem quaisquer registos da iniciação de Anderson, o mesmo acontecendo com Désagulier.
Então, podemos estar perante a criação de lojas maçónicas por elementos que não eram iniciados, ou seja, que não eram maçons.

6 de dezembro de 2016

Princípio Inabalável, Inexpressável e Infindável




Desde sempre que o sagrado ligado às religiões teve como companheiro de cabeceira (ou como a outra face da mesma moeda) o chamado sagrado laico. Este, devido ao escasso conhecimento científico foi ficando o irmão pobre, em contraponto ao outro que, devido às circunstâncias históricas, se tornou opulento e demasiado rico, aliás e mal comparado, como qualquer relação económica em que as assimetrias se evidenciam por múltiplas máscaras, sempre com os intervenientes de costas voltadas, agredindo-se mutuamente e sem a comunicação desejada.
Paulatinamente, com o conhecimento a medrar, vários pensadores de todas as áreas (filosofia, ciências humanas, teologia) foram separando o trigo do joio para que estes dois sagrados se unissem ficando a questão reduzida à semântica, isto é, o sagrado tem o mesmo significado em ambos por se tratar de um extraordinário fenómeno em que a saída do nosso pequeno Eu vai de encontro aos Outros e ao Universo. E, se nas religiões, os Outros se designam por Igrejas e o Universo por Deus, no laico, os Outros são aqueles que se religam em objectivos comuns (vide a N.’.A.’,O.’. com liberdade, fraternidade, justiça e tolerância) e o Universo poder-se-á designar por Cosmos, GADU ou simplesmente Luz ou mesmo Verdade Primordial.

O que é certo, é que desde os primeiros passos da humanidade, o sagrado se identifica com a luz (essencialmente Solar que tudo ilumina e dá brilho) e com o seu correlato (não menos adorado) a que se deu o nome genérico de trevas. Luz e escuridão numa oposição idêntica à dos sagrados (religioso e laico), vale dizer, de costas voltadas e incomunicáveis.
Serve esta introdução para me dedicar a uma das muitas vias para chegar a esse Sagrado ou Luz e que tem o nome de Iniciação.
Vou começar por posicionar o que é fenoménico, ou seja, dependente de uma existência corporal e psíquica e o que é verdadeiramente espiritual, quer dizer, o que harmoniza, liga e supervisiona o que é material e mental.

22 de novembro de 2016

Acerca da Tolerância na Maçonaria




Recordando  Saint-Exupéry (Citadelle, 1948):     «Se diferes de mim, meu Irmão, longe de me prejudicares, enriqueces-me».(f.c.)

I - Introdução
A Tolerância é um dos princípios  mais nobres que nos impõe a Maçonaria proclamando a Constituição da A:. O:. -  Titulo I, Artigo 1º) que    «A Maçonaria....obedece aos princípios da Fraternidade e da Tolerância, constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e Crenças” (6).

A palavra Tolerância deriva do latim “tolerare”, que significa tolerar, suportar, mas também suster, manter.  Segundo Mainguy (3) esta palavra só tomou o sentido positivo que actualmente lhe damos a partir do século XVI, aparecendo como noção filosófica evolutiva e começando verdadeiramente a definir-se nos decénios que precedem a eclosão da Maç:. sob a forma especulativa moderna.

Ao consultar o   Dicionário a primeira definição de TOLERÂNCIA é a seguinte:
<1. (Substantivo…).Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos>, (f.c.).
M. Pinto dos Santos salienta ( “Dicionário da Antiga e Moderna Maçonaria”) (8) que «Tolerância –  Virtude através da qual  o Maç:. aceita nos outros IIr:. a diferença ao nível do pensamento, da sua expressão e dos actos. A prática desta virtude é condição do progresso maçónico, uma vez que a aceitação da diferença e do contrário é fonte da dialéctica que se coloca ao Aprendiz desde a sua iniciação» (f.c.).

Para  Guy  Chassagnard (“Petit Dicitionnaire de la Franc-Maçonnerie”) (1), a Tolerância é «Princípio primeiro da Maçonaria, para quem todas as ideias são respeitáveis desde que emanem de espíritos sinceros; porque eles exprimem a verdade sob diferentes aspectos. Nenhum homem livre e de bons costumes pode permanecer no erro absoluto nem vangloriar-se  de deter  a verdade perfeita.» (f.c.)
A. Oliveira Marques  ( “Dicionário da Maçonaria Portuguesa – vol.II) (7) refere que «...é através dela que podem ser iniciados e permanecer dentro das Loj:. IIr:. de todas as tendências políticas e religiosas, convertendo aquelas no «centro de união» proclamado por Anderson.  Nas várias Constituições Maçónicas Portuguesas, a Tolerância surge como princípio e divisa fundamentais da Ordem» (f.c.).

Por último, Daniel Ligou (“Dicitionnaire de la Franc-Maçonnerie”) (9) salienta: “…O espírito de tolerância consiste precisamente em admitir  outra opinião mesmo se essa opinião é contrária à nossa ou à opinião dominante ou oficial, que se tende a considerar geralmente como uma verdade” … e mais à frente: “ É preciso contudo não confundir uma instituição que tolera com a que afirma a liberdade absoluta de consciência, já que neste caso todas as opiniões podem ser expressas e ensinadas, não se estabelecendo entre elas qualquer hierarquia de valor ou relativamente a elas qualquer julgamento” (f.c).

25 de outubro de 2016

A propósito do(s) conceito(s) de “Regularidade” na Maçonaria



 I – Introdução

Segundo Daniel Ligou (11), Regularidade é uma das noções mais complexas da Maçonaria já que os Maçons que se afirmam «regulares» não estão, mesmo entre eles, de acordo sobre os critérios de regularidade.
 
R.Dachez (4) refere que: “uma vez que na utilização maçónica, as palavras “regular” e “regularidade”, fizeram a sua aparição em Inglaterra, desde o início da maçonaria especulativa organizada, será à semântica inglesa que é preciso recorrer”. Por consulta do Oxford English Dictionary, temos, entre outros significados:

-”O carácter do que é uniforme» e “O que está conforme uma norma estabelecida e reconhecida, numa palavra «normal» ”. A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente e em vigor, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» que não fazem parte desse estatuto.

É na segunda metade do século XVIII, no contexto da grande disputa pelo controlo da Maçonaria Inglesa, entre as duas Gr. Lojas rivais (G.L.L. – Grande Loja de Londres ou «Modernos» – 1717, e a G.L.A. ou «Antigos» - 1751/3»), que se deve compreender a primeira noção de “regularidade”.
Neste século, em Inglaterra é regular uma Loja que se submete à autoridade duma Grande loja e…. lhe paga as capitações. Em contrapartida os seus membros terão direito à Solidariedade dessa Gr. Loja, preocupação essencial aos maçons da época e que, nomeadamente nos «Modernos», deu origem à constituição dum comité de Solidariedade.

Neste quadro, os Regulamentos Gerais («General Regulations») da G.L.L., publicados nas Constituições de 1723, definem claramente aquele conceito, no ponto VIII: “se um número qualquer de Maçons resolvem entre eles formar uma Loja sem patente do Grão-Mestre, as Lojas Regulares não poderão considerá-los ou reconhecê-los como Irmãos conveniente e correctamente constituídos, nem aprovar as respectivas actividades ou decisões».

27 de setembro de 2016

O que se Pode e Deve Ler no Poema Régio e Manuscrito de Cooke



Reestudar a história é coisa que me agrada e faço-o tantas vezes quantas as vezes que a vicissitude dos factos históricos o induz. Confesso o particular fascínio que a obscuridade da Idade Média me desafia a iluminá-la e, porque estes manuscritos estão relacionados com uma das prováveis origens do ofício de pedreiro-livre, vou dedicar algum estudo aos mesmos.
Por e para quê esta fixação, por vezes teimosa e outras hilariante, de relacionar as maçonarias ditas operativa e especulativa? Responda quem melhor estiver apetrechado para tal pois, eu, há muito que deliguei os fios e as conexões entre ambas, aqueles sim, muitíssimo especulativos, e assim poder sentir-me livre e, com bons costumes, dedicar-me ao conhecimento de ambos os períodos com os seus factos, ideias, práticas e respectivas lições.

É um grande chamariz à minha vontade aprofundar o período em que decorreu a franco-maçonaria profissional (a tal dita operativa) e, se há documentos históricos (não confundir com textos literários marcadamente especulativos) em que posso mergulhar, são eles, sem dúvida alguma, os chamados Poema Régio e o Manuscrito de Cooke. Estes, foram tão exaustivamente estudados, confundidos e trabalhados que conseguiu a comunidade intelectual um aproveitamento (pode pronunciar-se descontextualização) tal que fizeram de puros textos medievais, reveladores de regras e costumes dos pedreiros-livres da Idade Média, uma das bíblias justificadoras de quase toda a história da franco-maçonaria.
Passemos, então, ao que se pode e deve ler neles numa tentativa de os situar no seu verdadeiro contexto:

1- POSICIONAMENTO HISTÓRICO
2- CONTEÚDO
3- ILAÇÕES
4- CONCLUSÕES

23 de junho de 2016

A Loja e o Templo- Dicotomias


Ao decidir-me por este traçado, tive como principal preocupação esclarecer a dicotomia que é repetidamente feita entre Loja e TemploMaçónicos, e que, como é referido por René Désaguliers, na sua obra “Les Trois Grands Peliers de la Franc-Maçonerie”, é de tal forma que, atravessa graus e ritos.

Por isso, meus queridos irmãos, apesar deste tema já ter sido tratado por partes de alguns dos principais autores maçónicos de referência, como Jules Boucher, Irene Mainguy, Patrick Négrier e René Désaguliers, entre outros, pretendo com este meu trabalho, contribuir para o esclarecimento desta matéria, esclarecendo que este meu contributo, é resultado da conjugação da doutrina defendida por várias autoridades nesta matéria, em especial pelos que citei.

É da natureza humana encontrar um lugar ao qual possamos pertencer e sentir-nos úteis, mas é de vital importância que, também nos agrupemos espiritualmente, e nos ajudemos uns aos outros.

A principal distinção que deve desde logo fazer-se entre Templo e Loja, é a de que, o “Templo” é o local de reunião, a “Loja”, a corporação maçónica. Por isso, no final de uma sessão, a Loja é considerada fechada, mas o Templo, continua aberto, inclusivamente para outras Lojas.

Quando os irmãos se reúnem, agrupam-se como Loja, sendo por isso errado, dizer que se estão a reunir numa Loja. Embora os seus membros possam de facto estar reunidos numa estrutura a que chamam de “Loja”, são os membros que são considerados a Loja, e não o edifício onde se encontram. Aliás, as primeiras lojas reuniam-se em tabernas e em lugares públicos.