Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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10 de abril de 2019
INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA -Um desafio BioÉtico
INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA
-Um desafio BioÉtico
A vontade do Ser Humano em melhorar as suas condições de Vida tem sido constante; no entanto nos últimos séculos e, em particular desde àcerca de trezentos anos, essa preocupação tem adquirido uma maior celeridade.
No tempo distante da “…Antiguidade Grega…assistimos à emergência do Conhecimento àcerca da natureza e do homem…<e, nessa altura>...Ciência e Ética não <eram> verdadeiramente discerníveis…” (1).
Se analisarmos o séc. IV a. C. encontramos SÓCRATES para quem “…não seria possível conhecer o Bem e não o praticar, na assunção de uma perfeita coincidência entre Conhecimento e Moralidade…” enquanto que, para PLATÃO “…esta coincidência se mantém ainda que, ao ser projectada para um plano metafísico, se torne num ideal inalcançável (excepto por participação)…” (2).
Só no séc. III a. C., com ARISTÓTELES, “…opera-se uma clara distinção entre a Ciência como conhecimento teórico e a Ética como conhecimento práctico…” (3).
Muito mais tarde – no séc. XVIII – KANT “…rompeu com o intelectualismo moral ao estabelecer uma irredutibilidade entre a razão teórica e a razão práctica…<sendo que>…a razão teórica procura o Conhecimento, isto é, a relação de necessidade na natureza entre causas e efeitos e a razão práctica orienta o Homem no âmbito da indeterminação da liberdade em que esta se desenrola…” (4).
Mª CÉU PATRÃO NEVES afirma, concluindo, que “…tal correspondeu a uma democratização da Moralidade cujo dever se passa a impor igualmente a todas as pessoas e sem que o nível de Moralidade dependa do nível de Conhecimento…” (5).
Não devemos esquecer, no entanto, a importância do “…Renascimento na formulação de um novo paradigma científico pautado pela exigência de demonstração racional de todo o Conhecimento, fundada na experiência…” o que, no séc. XVII – com FRANCIS BACON e RENÉ DESCARTES – “…se consolida…como método de comprovação de conhecimentos teóricos…” (6).
É no séc. XIX, e após AUGUSTO COMTE “…que,…devido à estruturação do método experimental, vários saberes se vão…constituindo como Ciências…assim se autonomizando da Filosofia, como interpretação racional do real…” (7).
Chegados ao séc. XX assistimos a um enorme desenvolvimento das ciências “…e…<às> suas promessas de um mundo melhor…” (8) até à Segunda Guerra Mundial no contexto da qual, coincidente com o grande conhecimento no âmbito da Física, sucede “…a deflagração das bombas atómicas de HIROSHIMA e de NAGASAKI…” (9), no Japão, como utilização política dos resultados científicos do “ Projecto MANHATTAN que visaria o desenvolvimento da produção de energia…<mas deu origem à>…produção de uma arma de destruição maciça, ímpar até hoje…” (10).
25 de março de 2019
“AMADEU – nome simbólico“
“AMADEU – nome simbólico“
Introdução
Julgo pertinente um breve preâmbulo, que enquadre e justifique o tipo de abordagem que irei desenvolver.
O título da prancha identifica o objectivo da mesma, nomeadamente esclarecer as razões da escolha daquele nome e, implicitamente, assim expor perante os irmãos as linhas de força do meu pensamento e conduta, naturalmente esperando que essa partilha contribua positivamente para o nosso trabalho maçónico.
Correspondendo aos meus traços de personalidade, saliento que embora a actual maçonaria seja dita de carácter especulativo, considero fundamental a existência de uma componente operativa, que no meu caso se consubstancia através das geometrias da arquitectura e, paralelamente, pelo reconhecimento e prática da reflexão, da acção, da intervenção, do exemplo no contexto da vida real, dando a estas facetas uma importância acrescida relativamente a exaustivos trabalhos de investigação de carácter teórico – sem menosprezo destes, antes lhes reconhecendo um imprescindível valor, optimizado por aqueles que para eles têm mais vocação.
Evidentemente que a acção pressupõe conhecimento, eventualmente também especulação, mas não sendo possível a conquista pessoal de todo o conhecimento universal relativo a determinado tema, implica também capacidade de síntese e de decisão com base nos conhecimentos essenciais, potenciados por bom senso e valores espirituais ou, por outras palavras, por quem for livre e de bons costumes – é a acção num quadro de convicção aberta, não obsessiva mas flexível ao mesmo tempo que estruturante, tolerante e sempre disponível para inovação.
Por outro lado a minha escolha do nome simbólico aconteceu há cerca de quinze anos, numa altura em que o meu conhecimento relativamente aos mistérios da maçonaria era muito inferior, ou pelo menos diferentes dos actuais e questionei-me se a escolha seria a mesma se fosse feita nos dias de hoje – a percepção do mundo depende do ponto de vista, física e metafisicamente falando, em ambos os casos influenciada pela personalidade, idade, conhecimento, cultura, sociedade e alguns outros factores.
Perspectivas
Há meses atrás dei boleia, de Aveiro para Lisboa, a três jovens que viajavam de mochila às costas. Eram oriundas da Turquia, país que nos últimos anos visitei em quatro ocasiões e estavam em Portugal há algum tempo, integradas em programas de cooperação Erasmus, em locais distintos.
Rapidamente a conversa fluiu e pude constatar o encanto que tinham por Portugal, nisto incluindo as pessoas e a cultura, a paisagem e o clima, o ambiente social, nomeadamente a paz que contrasta com o ambiente que actualmente se sente na Turquia, em que o regime de Erdogan persegue os opositores, constituindo um claro retrocesso relativamente a um passado recente da nação turca e, por outro lado, atendendo á posição geográfica e geopolítica, impondo um sistemático clima de ambição e conflito face aos países vizinhos. Portugal era o paraíso na terra e a elas apetecia-lhes cá ficar.
24 de março de 2019
Ao Microscópio
Esta peça foi escrita em 2014 e publicada aqui, neste Blogue, em 2015. A comissão Editorial do Blogue decidiu reavivá-la por continuar actualíssima.
Esta é a minha opinião (que espero ampliada e melhorada com a ajuda dos MM∴ QQ∴ IIr∴) sobre o estado actual da sociedade e para se não tornar aborrecida imaginei um cenário (o Aparelho de Golgi) intracelular só visível ao microscópio electrónico.
Pão, Paz, Saúde, Habitação! O estribilho da canção de um Abril pleno de Esperança era cantado, de pé e com um vigor paradoxal, por um grupo de velhinhos e gastos ácidos aminados. Mais à esquerda, e sentados apesar de mais jovens, outros aminoácidos trauteavam: Qual é, a tua, ó meu? Para esse peditório já dei, de outra velha canção já não de um Abril esperançoso (e com uma raiva a crescer-nos nos dentes) mas de um Abril meio contaminado a prenunciar a ditadura do pensamento amorfo e da sua sequela major – não pensar pura e simplesmente.
Esta, estabeleceu-se sem darmos conta e baseado numa atrofia metódica, estudada e premeditada que as novas moléculas orgânicas sentadas à direita daquele anfiteatro labiríntico que na célula foi descoberto no fim do Séc. XIX pelo cientista Camilo Golgi e que tem como missão armazenar, transformar e eliminar a trampa produzida pelo fascinante trabalho celular.
Todo este trabalho celular, inconsciente e homeostático, isto é, autocontrolado, possui uma característica ímpar: é completamente livre, e mais, adapta-se a qualquer circunstância ou ambiente num jogo de probabilidades em que a única pressão é a da Selecção Natural, quer dizer, vive, amadurece e morre sem se aborrecer, sem pensar mal ou bem e sem saber se é bonito ou feio ou, como diriam os críticos mais subtis, sem dialéctica. Mas enganam-se aqueles pois todo este complexo processo é feito por oposição em que à esquerda e à direita os sinais contrários são mediados por um centro que não é neutro nem amorfo.
O maior fascínio é que este trabalho, hercúleo e épico, selecciona e solidifica o que de mais nobre pode haver – a vida! Escalonada, diversa, antagónica, dividida em Reinos, Famílias, Ordens e Espécies, cada uma com a sua missão (desde a completa inconsciência à quase perfeita consciência) para que o Todo funcione num caos harmónico e cada vez mais ordenado.
Modernamente, na célula, antes da adaptação descobriu-se a exaptação que é uma característica que não exibe vantagens adaptativas mas, embora adormecida, e por causa da sua liberdade pura e imune a influências de qualquer género, quando invectivada (mudanças de ambientes ou comportamentos sociais) acorda e evolui de acordo com os novos cenários. É uma das mais extraordinárias características da Evolução, o ser capaz de utilizar um poço de inutilidades mas cheio de potencialidades. Uma espécie de pensamento inconsciente mas nunca amorfo, sossegado ou inútil acontecendo à frente dos nossos olhos humanos desesperados por tanta grandeza.
19 de março de 2019
IMPRESSÕES SOBRE O AUMENTO DE SALÁRIO
Quando finalmente, depois de esperar com expectativa para entrar em loja, me abriram as portas do templo, revivi, de algum modo, impressões muito semelhantes às que vivenciei no meu processo iniciático.
Com efeito, as questões que me foram colocadas e o ritual que contextualiza esta cerimónia de passagem, produziram em mim sentimentos ambivalentes. Por um lado, a expectativa e o receio de não conseguir corresponder às provas a que fui sujeito e, por outro lado, um sentimento antecipado de inclusão e, até, de uma certa euforia.
No que respeita ao ritual de passagem propriamente dito, importa referir que a primeira das perguntas a que tive de responder ao (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), embora com a ajuda de um auxiliar de memória que me foi generosamente fornecido pelo (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), implicou uma resposta que jamais esquecerei e que, de certa forma, já havia assimilado ao longo das sessões em que estive presente.
De facto, parece-me indiscutível reconhecer a Maçonaria como uma sociedade de Homens esclarecidos para trabalhar em comum com vista ao aperfeiçoamento intelectual e moral da humanidade.
A segunda questão com que fui confrontado, dizia respeito à relação conceptual que se pode estabelecer entre Maçonaria e a religião. Foi com especial satisfação e até com algum orgulho que demonstrei sentir-me integrado numa sociedade que, embora não se reconheça, em sentido estrito, como uma religião, tem como um dos seus principais objectivos “ligar os Homens entre si”, ou seja, um dos principais Objectivos dos irmãos maçons é, ou deve ser, a religação da humanidade, e nesse sentido poder-se-á reconhecer uma dimensão espiritual à Maçonaria, ou seja é uma religião no sentido mais lato do termo.
Um dos actos mais simbólicos que representa e formaliza essa espiritualidade é a constituição da «cadeia de União» habitualmente efectuada antes do final de cada Sessão.
20 de fevereiro de 2019
A Minha Experiência Iniciática e a Simbologia Maçónica em Grau de Aprendiz
A Minha Experiência Iniciática e a Simbologia Maçónica em Grau de Aprendiz
O que mais me marcou durante a minha experiência maçónica em grau de aprendiz, para além da cerimónia de iniciação, foi o silêncio imposto pelo processo iniciático, no contexto da ordem em loja, que é reflexo da estrutura da organização e, ainda, os símbolos maçónicos que estão dispostos de forma organizada na nossa oficina ou loja.Segundo Platão "O começo é a parte mais importante do trabalho", e assim o silêncio começou no processo iniciático, logo no momento da passagem da vida profana à (Editado pela Comissão Editorial do Blogue). Na (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), em silêncio, questionei-me acerca de mim, procurei resposta acerca de quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?
A disciplina do silêncio foi, no princípio, um processo difícil, sendo eu um recém (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) habituado ao ruído da sociedade profana, da Sociedade Liquida (Zygmunt Bauman) e sobretudo de uma Sociedade do Espectáculo (Guy Debord) em que vivemos actualmente em sociedade. Com efeito, tal como afirmou Sófocles “Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado.” No entanto, acabei por incorporar essa disciplina, tendo tido oportunidade de observar os trabalhos em loja e substituindo, progressivamente, a necessidade de intervir pela necessidade de ouvir e compreender.
O método utilizado no processo iniciático consiste na observação pelo aprendiz de todo o ritual em loja desenvolvido pelos mestres e companheiros. Neste ritual o que mais me fascinou foram as leituras (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) e debates subsequentes, porque estimulam o livre pensamento e o aprofundamento do conhecimento. Eu, enquanto (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), sinto-me verdadeiramente privilegiado por poder integrar e assistir, em silêncio, a este contexto privado de qualidade superior, ocorrendo-me, frequentemente, o pensamento de William Shakespeare segundo o qual “É melhor ser rei do teu silêncio do que escravo das tuas palavras.”5 de fevereiro de 2019
Os Desafios da Tecnologia - Sociedade, Emprego e o Futuro
Os Desafios da Tecnologia - Sociedade, Emprego e o Futuro.
I – Breve Introdução Histórica
Ao longo dos últimos 3 séculos a Humanidade registou três «Revoluções Industriais». A primeira ocorreu aproximadamente entre 1760 e 1840, desencadeada pela invenção da máquina a vapor, levando à construção generalizada do caminho de ferro e iniciando a produção mecânica nas grandes fábricas, antes estritamente manuais, actualizadas agora com novas máquinas alimentadas pela combustão a carvão.
Com esta mudança começou a estruturar-se a primeira descontinuidade da tradicional organização social, com a ascensão ao poder da burguesia capitalista, a par do desemprego em larga escala dos antigos operários manuais, agora substituídos (com muito maior produtividade) pelas novas máquinas a vapor, em muitas das antigas funções. A fome e o desemprego alastraram nos países europeus mais desenvolvidos. Demorou algumas dezenas de anos a progressiva readaptação social, com a criação de novos empregos, decorrentes da colocação ao serviço de novas fábricas, o que desencadeou a migração maciça das pessoas do campo para a periferia das grandes cidades industriais.
A Segunda revolução Industrial começou em finais do Século XIX, impulsionada pelo advento da electricidade e mais tarde do motor eléctrico, dando início à chamada massificação da produção, caracterizando-se pelas famosas linhas de montagem em série, teorizadas e introduzidas por Taylor e de que Ford foi um dos expoentes organizacionais mais conhecidos. Atingiu-se o auge do «fordismo» e o operário «especializado» não era mais do que uma «máquina» pretensamente «síncrona» com as restantes, ao longo da cadeia de produção, realizando tarefas iguais, repetidas e monótonas, durante todo o dia de trabalho, mês e ano, até à exaustão precoce e / ou doença.28 de janeiro de 2019
O Maçom deve ter um Perfil?
“Neste mundo nu e indiferente, é somente
dos homens que os homens podem esperar
dedicação, calor de sentimentos e ajuda nas
dificuldades da vida”.
Norbert Elias in A Condição Humana
O Maçom deve ter um Perfil?
Em primeiro lugar devemos dizer que ao reflectir sobre este assunto fomos gradualmente confrontados com um conjunto de temas e conceitos, interligados em rede como que formando um mapa de conceitos, como os que fazemos por vezes em investigação. Dispersámo-nos! E todo o presente traçado vai no sentido de clarificar o problema e a ideia de que se há ou poderá haver o “maçom ideal” vs “ideal de maçom” (com um seu respectivo perfil). O tema merece, naturalmente, uma tese. Ficamo-nos por um esboço de imperfeito traçado. Assim, paralelamente às qualidades que um maçom deve possuir, deparámo-nos com a necessidade de confrontação com outras entidades que, ao se aproximarem contagiando os valores da maçonaria, a podem desfocar, distorcer, desvirtuar ou mesmo perverter (ou seja, inverter o papel ou fazer uso para outros fins). Tal como para outras áreas do humano, a tentativa de compreensão de uma designada “normalidade” recorre à caracterização daquilo que dela se afasta (evidenciando o contraste), também aqui tentaremos enunciar qualidades desviantes indesejáveis, ou mesmo incompatíveis, com um perfil de maçom.
Abordaremos assim breves considerações sobre as noções de Identidade, Carácter, Perversão, Cinismo e Falso Self (ou falso Eu).
Como nos diz Ortega y Gasset, a vida que nos é dada tem os seus minutos contados e, além disso, é-nos dada vazia. Quer queiramos quer não, temos de preenchê-la por nossa conta, isto é, temos de ocupá-la de um ou outro modo. Logo, a substancia de cada vida reside nas suas ocupações. Se ao animal, além da vida lhe é dado o reportório da sua conduta instintiva, não podemos dizer que se ocupa disto ou daquilo. A sua vida nunca esteve vazia ou indeterminada. Já o Homem, ao encontrar-se existindo, encontra-se perante um pavoroso vazio; tem ele mesmo de inventar os seus afazeres e ocupações e, não sendo o tempo infinito, não tem outro remédio senão escolher um programa de existência, em detrimento de outros. Acontece que para a maioria dos homens a vida está cheia de ocupações forçosas, que não executaria se pudesse apenas seguir o seu gosto.
Os humanos encontram-se assim confrontados com dois reportórios de ocupações opostas: as trabalhosas e as que proporcionam felicidade; e é comovedor ver como, em cada individuo, as duas se combatem (11).
Diríamos que é na tentativa de harmonizar estas duas ocupações (trabalhosas e prazerosas), com todas as variáveis envolvidas (individuais, familiares e culturais) que se organiza o processo de socialização, de construção da personalidade e da identidade própria, da estrutura do carácter do individuo, ou seja, da sua forma habitual de pensar e reagir ao mundo que o rodeia.
9 de janeiro de 2019
Exoterismo, Esoterismo e o conceito do Cosmo numa visão para a Franco-Maçonaria
Foi-me proposto (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) que aceitasse falar sobre o tema exo/esoterismo e Franco-Maçonaria, tendo sido reiterado o amável convite que de imediato aceitei, embora reconhecendo a dificuldade de vos trazer algo de palpável e que possa contribuir de forma a que cada um tire as ilações necessárias para a sua evolução.Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece!
Os seguintes termos para todos nós são semanticamente perceptíveis, a sua aplicação prática, nem tanto. Assim definindo:
e·xo·té·ri·co |zò|
(grego eksoterikós, -ê, -ón, exterior, feito para o exterior, público)
adjectivo
1. Destinado a ser vulgarizado (falando principalmente das doutrinas dos antigos filósofos).
2. [Figurado] De que não se faz mistério. = COMUM, TRIVIAL, VULGAR ≠ ESOTÉRICO
e·so·té·ri·co
(grego esôterikós, -ê, -ón, que pertence ao interior, esotérico)
adjectivo
1. Relativo ao esoterismo.
2. Pouco compreensível pelo comum dos mortais. = HERMÉTICO, OBSCURO ≠ EXOTÉRICO
Vou ainda dar-vos duas importantes definições para o caminho que escolhi para vos trazer hoje para reflexão.
mis·ti·cis·mo
substantivo masculino
1. Crença na possível comunicação entre o homem e a divindade.
2. Vida contemplativa.
3. Devoção exagerada.
4. Tendência para acreditar no sobrenatural.
o·cul·tis·mo
(oculto + -ismo)
substantivo masculino
Doutrina que pretende conhecer e utilizar os segredos da natureza e dos poderes sobrenaturais.
Quanto a esta última definição, acho que tudo é natural desde que tenhamos outras chaves de descodificação, não limitados unicamente às chaves da física, da física quântica e da química, que ao longo dos últimos séculos temos usado para explicarmos os fenómenos que apenas constatamos com os nossos 5 sentidos.Tudo o que vou deste momento em diante dizer-vos pode ser um enorme um conto de fadas, porém interroguem os vossos corações, ou aquilo que está vulgarizado de o 6º sentido e ele vos guiará à resposta certa, que cada um de nós necessita para o momento evolutivo que vivenciamos.
“Os místicos reconhecem sete estados distintos da ascensão da alma para O Grande Sem Nome, estes estados evolutivos foram emblematicamente chamados de – O Castelo do Homem Interno”.
13 de dezembro de 2018
António Damásio
“Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do Mundo...”, Fernando Pessoa
O que é que têm em comum o nosso Cérebro, a Educação e a Maçonaria?
A escolha do meu nome simbólico pretende integrar, entre outros aspetos, uma homenagem a António Damásio, uma referência mundial no estudo do cérebro humano.
O cérebro é uma massa cinzenta, enrolada como uma noz e com um peso de cerca de 1300 gramas.
Uma das maiores preocupações processadas pelo “cérebro” de um número crescente de pessoas (nas quais me revejo) está relacionada com a sustentabilidade do planeta e com o futuro das gerações vindouras.
Nessa perspetiva, procuro adotar nas minhas práticas, um dos princípios basilares da Sustentabilidade, segundo o qual o consumo dos recursos naturais para a satisfação das necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.
Um outro aspecto relevante na escolha do meu nome simbólico é a Educação. Com efeito, segundo o neurocientista António Damásio e de acordo com o seu novo livro A Estranha Ordem das Coisas, “se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”. É preciso educarmo-nos para contrariar os nossos instintos mais básicos, que nos impelem a pensar primeiro na nossa sobrevivência. Este autor alerta para o risco das lógicas de anti-imigração e para a ascensão de partidos neonazis de nacionalismo xenófobo. Para António Damásio, a forma de combater estes fenómenos “é educar maciçamente as pessoas para que aceitem os outros” .
11 de dezembro de 2018
Geometricamente Laico
O pensamento é dinâmico, e no momento em que cessar esta característica, ai de nós, humanidade pura e dura que acredita, e citando Daniel Béresniak…que as certezas são estéreis e a inquietude é fecunda…, melhor dizendo, que não aceita as definições definitivas por impedirem a dedução verificada e corrigida pelos factos.
Desde as mais antigas Eras que os Geómetras (pronuncia-se Maçons) associaram a razão, intuição e imaginação para explicarem as coisas e o mundo para além da dimensão técnica e, estando eu grato por tais ensinamentos, vou relacionar a Geometria com uma das mais marcantes consequências desse acontecimento do Séc. XVIII que se designou por Revolução Francesa de 1789 que deu à Luz a chamada Laicidade.
Já sinto as farpas (lê-se certezas) dos que, estaticamente, aceitam as verdades por desígnios autoritários (Roma locuta, causa finita), mas que venham elas pois esta viagem vou encetá-la preparado para, sobretudo, errar (nunca mais me esqueci de um ditado Hassídico que diz…nunca perguntes qual o caminho a quem o conhece pois assim tu nunca poderás errar…) e depois corrigir se assim for necessário.
Geometricamente Laico! Paradoxo ou verdade ainda por descobrir? Vamos, então, debruçarmo-nos sobre as partes para vermos a Luz que tudo esclarece e domina.
Sabe-se que na Laicidade:
1- É convicção aceite por muitos que é inseparável da liberdade e tolerância e uma opositora feroz das representações totalitárias afirmando-se como universal ao transmitir-nos o saber independentemente das certezas dogmáticas.
2- Afirma-se também como uma aliada dos Mistérios Antigos que foram abafados pelas ortodoxias vigentes na Antiguidade.
3- Não reduz o indizível a ídolos recusando, portanto, uma espiritualidade monopolista. Etimologicamente significa Povo, ou seja, designa os que não pertencem às classes dominantes (clero e nobreza), secularizando assim o saber.
4- Não impõe nenhuma maneira de explicar as coisas garantindo a liberdade de consciência a cada um para o fazer e empurra todos para formularem mais perguntas do que obterem respostas.
5- Excluir quem em nome de quê não cabe no pensamento que usa a razão, ciência e progresso como pilares de um processo que conduz o indivíduo à livre escolha e à tolerância.
6- A espiritualidade não é monopólio de ninguém nem de nenhuma organização e a laicidade tem uma própria em que celebra a vida que se nutre pela passagem do que é simples ao diversificado.
7- Associa a lógica (racional) à analogia (poética e metafisica) sem haver dominação de uma sobre a outra, bem pelo contrário, harmoniza e potencia ambas.
8- Promovendo a singularidade depois de integrada no conjunto social, reconhece o indivíduo, não como o átomo social igual aos outros, mas como ser único capaz de produzir uma ideia ou palavra nova, quer dizer, alivia a velha tensão da identidade em que o Ser quer ser diferente mas também quer ser igual.
27 de novembro de 2018
Sociedade Digital/Mistérios Antigos
Sociedade Digital/Mistérios Antigos
A comunidade Humana está no topo da Cadeia Alimentar no Planeta Terra porque, ao contrário das outras espécies existentes, foi a única que conseguiu criar agregados compostos por muitos milhares de indivíduos que se consolidaram, não se baseando exclusivamente no conhecimento interpessoal, mas à volta de Ideias e Conceitos aceites por todos. Naturalmente que estas Ideias eram muito influenciadas por Mitos e Lendas que atravessavam gerações sem qualquer explicação plausível. Começaram por ser contadas oralmente, muito mais tarde ficaram registadas em textos soltos, e mais tarde ainda, foram compiladas em Obras de grande fôlego e que ainda hoje são objecto de estudo atento.
Há mais de 70 000 Anos sucedeu algo estranho na evolução desta espécie que habitava o Planeta. Hoje, utiliza-se o termo Revolução Cognitiva, e não se sabe ao certo o que a provocou, mas uma coisa é certa, esta espécie passou a ser capaz de criar realidades imaginadas, criando capacidades de cooperação alargada em grandes comunidades, acreditando em Mitos partilhados que apenas existem na imaginação colectiva dessas Comunidades.
Sabemos que é assim e podemos, a título de exemplo, reflectir um pouco sobre um dos Mitos mais antigos que foram criados e amplamente discutidos pela nossa espécie, o Mito da Criação. Este Mito em particular, serviu para criar estruturas de poder e de persuasão de massas. E a questão é, como lidaremos com estes tipos de Mitos quando o impacto da Inteligência Artificial alterar radicalmente conceitos como razão, emoção, sensação, imaginação, etc.
Alguns IIr:. já me ouviram abordar aquilo que considero ser um sério revés no conhecimento, na civilização Ocidental. Este período de mais de um milénio decorre desde um pouco antes do nascimento de Jesus, consolida-se em 325 DC quando ocorre o Concílio de Niceia, e persiste até ao período de grande crescimento das cidades-estado Italianas a partir do século XII.
No 1º Concílio da Igreja, em Niceia de Bitínia, actual Iznik, no Norte da Turquia, poucos Kms a Sul do Mar Morto e na orla do Lago Iznik, resolveram-se divergências que tinham origens na Igreja de Alexandria, presumivelmente fundada por S.Marcos cerca de uma década após a morte de Jesus, sobre a natureza de Jesus e de seu Pai. Sem delongas, simplificando bastante, as ideias do muito popular presbítero Ário, que não podia estar presente neste Concílio por não ser Bispo, defendiam que Jesus, era um Ser menos Divino que o Pai Todo Poderoso, que Jesus fora criado do Nada, e embora a criatura mais perfeita na Terra, não era Eterno como Deus Pai, enquanto Alexandre e Atanásio de Alexandria defenderam que Jesus era um ser tão Divino como o Todo Poderoso Pai, porque foi criado a partir do seu próprio Ser, como ficou provado com a sua ressurreição. Perderam os Arianos, e Jesus passou a ser a incarnação de Deus junto dos homens. Estava demonstrado o princípio da criação e ficou o aviso, “ E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou antes que fosse gerado Ele não existia, ou que Ele é de uma essência ou substância diferente do Pai, ou que Ele é uma Criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatemizados pela Igreja Católica”. E quase 900 Anos após Niceia, um contemporâneo do nosso D. Afonso III, S.Tomás de Aquino, vai referir-se a Deus como sendo o Supremo Arquitecto do Universo.
13 de novembro de 2018
Viriato: razões do nome simbólico adotado
Viriato: razões do nome simbólico adotado
Editado pela Comissão Editorial do Blogue
A razão de ser dos nomes simbólicos.
Duas ideias-chave estarão na origem da adoção dos nomes simbólicos em algumas obediências aquando da iniciação na Ordem Maçónica: 1-por um lado visa marcar a transformação em Irmão do candidato profano ao iniciar-se na aprendizagem dos segredos da Maçonaria, renascendo deste modo num mundo onde se busca a luz visando “o aperfeiçoamento da Humanidade através da elevação moral e espiritual do indivíduo” ; por outro lado constitui uma forma de defesa e sobrevivência nas situações em que a Maçonaria era/é perseguida, ocultando assim a identidade civil dos seus membros .
Como se trata de abraçar um mundo novo constituído por “homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e crenças” , em regra a escolha dos nomes simbólicos recai sobre “figuras que honraram a história pátria ou universal pelos seus feitos, qualidades e virtudes” .
A escolha de “Viriato” pelo signatário como nome simbólico assenta nos pressupostos acabados de referir.
A escolha de “Viriato”.
O signatário é oriundo do distrito de Viseu, local onde se terá posicionado “Viriato” no século II antes de Cristo para combater as legiões de romanos que invadiam a península ibérica visando subjugar os respetivos povos. Por isso, conservo com orgulho desde a infância o nome deste valoroso cidadão, sobretudo desde o ensino primário, cujos livros referiam positivamente a luta travada por “Viriato” para combater a invasão da península pelos romanos.
“Viriato” nasceu no ano de 179 a.C., não sendo pacífica a designação do local do seu nascimento: para uns nasceu em Loriga (Seia), para outros nasceu em Folgosinho (Gouveia), para outros ainda nasceu em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal/Viseu) , sendo também este último lugar aquele onde nasceu outro ilustre visiense em 19/07/1885: Aristides de Sousa Mendes.
O nome de “Viriato” está associado à imposição de vírias (argolas de metal, muitas vezes de ouro) com que era agraciado nos altares propositadamente levantados em honra dos Deuses da guerra, em reconhecimento da sua bravura e dos seus atos de heroísmo na luta contra as invasões levadas a cabo por Roma. No dizer de Aquilino Ribeiro, tais vírias colocadas no braço ou nas pernas constituíam não apenas distinções de comando, mas também amparos contra a lança e a espada .
30 de outubro de 2018
ESTADO SOCIAL, CARACTERÍSTICA DA HUMANIDADE?
ESTADO SOCIAL, CARACTERÍSTICA DA HUMANIDADE?
O Estado constitucional surgiu nos séculos XVIII e XIX, como Estado liberal, assente na ideia de liberdade e, em nome dela, empenhado em conter o poder político tanto internamente, pela sua divisão, quanto, externamente, pela redução ao mínimo das suas funções perante a sociedade. “Il faut que le pouvoir arrête le pouvoir”, ensinava MONTESQUIEU.
Quando instaurado, coincidiu com o triunfo da burguesia. Daí o realce da liberdade contratual, a absolutização da propriedade, a recusa, durante muito tempo, do direito de associação (dizendo-se que ela diminuiria a liberdade individual), a restrição do direito de voto aos possuidores de certo montante de bens ou de rendimentos, únicos que, tendo responsabilidades sociais, deveriam assumir responsabilidades políticas. Contudo, a liberdade reclamada pela burguesia, no seu interesse de classe, só pelo facto de ter sido reclamada sob a veste do direito, veio a aproveitar aos trabalhadores e a redundar em prejuízo dos próprios interesses da burguesia sob a forma do direito de associação.
Seria, assim, menos em resultado das críticas doutrinais ao liberalismo, nas suas vertentes filosófica e económica do que, por efeito da progressiva organização dos trabalhadores em sindicatos e em partidos, que, no exercício da liberdade, seriam reivindicados direitos económicos para garantia da dignidade do trabalho, direitos sociais para segurança na necessidade e direitos culturais como exigência do acesso à educação e à cultura e, em último caso, de transformação da condição operária.
Estes direitos apenas lograriam ser consagrados constitucionalmente aquando das convulsões decorrentes ou subsequentes à primeira guerra mundial, em que foram mobilizados milhões de soldados e com a qual ocorreria uma larga mudança de mentalidades.

De qualquer forma, a industrialização, a urbanização e a erradicação do analfabetismo torná-los-iam inevitáveis. E, como se sabe, os primeiros textos constitucionais que os consagrariam seriam a Constituição mexicana de 1917, a Declaração de Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, da Rússia, de 1918, e a Constituição alemã de 1919 (a Constituição de Weimar). Vem a ser a partir desta altura que começa a falar-se em Estado social como Estado contraposto ao liberalismo económico, embora, em “era de ideologias e de revoluções”, sejam intransponíveis as distâncias entre as concepções e os tipos históricos que conseguem impor-se.
4 de outubro de 2018
Impressões da iniciação.
(Editado pela Comissão Editorial do Blogue) foi proposto que eu me pronunciasse sobre a
“Primeira Impressão da Iniciação” o que farei seguidamente.
Os primeiros passos
A característica dos primeiros passos foi de expectativa e de algum mistério, face aos diversos movimentos em redor de um espaço, de olhos vendados. E foi também um momento de algum sofrimento por ter que estar algum tempo de joelhos sobre um tipo de material duro e irregular, que julgo terem sido várias (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) colocadas num degrau de forma sobreposta. Depois, por não me sentir previamente preparado, no decurso das diversas sessões em que participei seguidamente fiquei avassalado com os rituais levados a efeito, designadamente pela sua especificidade, linguagem própria e abreviada, e por isso impercetível, e extensão. E senti-me perdido, deixando de ir às (Editado pela Comissão Editorial do Blogue).
A insuficiência funcional, a incompletude. No (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), após um seu contacto pessoal, tenho participado com regularidade nas sessões da Loja, sentindo enorme apreço pelo evidenciado grau de conhecimentos e pela destacada formação cívica e moral dos seus membros, o que muito me agrada e que, de resto, corresponde à minha expectativa de iniciado. De todo o modo, interrogo-me sobre o nosso papel social. Isto é, grosso modo, as nossas sessões em Loja são caraterizadas pela prática do ritual, pelo tratamento de assuntos de expediente funcional (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), pela introdução e debate de temas específicos (pranchas), e pelo encerramento dos trabalhos. E neste contexto afigurase-me existir uma insuficiência funcional, uma incompletude na nossa forma de intervenção social. Explanando melhor o que penso, socorrer-me-ei dos artºs (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) da Constituição Maçónica, cujo teor do artº (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) é o seguinte:A Maçonaria tem por fim o aperfeiçoamento da Humanidade através da elevação moral e espiritual do indivíduo. Não aceita dogmas e combate todas as formas de opressão sobre o
Homem, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção e enaltece o mérito” (Ibidem).
2 de outubro de 2018
PAINEL DE LOJA – Grau 1 – IMPLICAÇÕES
PAINEL DE LOJA – Grau 1 – IMPLICAÇÕES

Com base no traçado de Diógenes de Sinope, “Simbolismo na Franco-Maçonaria” de Outubro de 2013 e inspirado no livro de Joules Boucher cujo título original é “La Symbolique Maçonnique”, entre outras fontes que estão registadas na bibliografia deste traçado, segue-se uma interpretação resumida sobre o painel do aprendiz cuja fundamentação simbólica radica nas colunas do templo de Salomão. Com efeito, eram colunas semelhantes diferenciando-se pelo posicionamento no seio do templo e pela designação que lhes foi atribuída como veremos mais à frente. Verificaremos ainda que as duas colunas no traçado da loja do aprendiz são coroadas por três romãs entreabertas, sendo que esta formulação se distancia da descrição original registada na bíblia sobre a finalidade das colunas no templo de Salomão. Neste contexto, interessa compreender a simbologia associada aos lírios e o enquadramento simbólico das correntes no capitel das colunas. Há, também, a considerar no painel do aprendiz, o significado dos três degraus e a configuração do piso em xadrez com mosaicos pretos e brancos alternados entre si. Por fim, tencionamos, entre outros aspetos relevantes, abordar o papel simbólico das pedras, bruta, cúbica e cubica pontiaguda, assim como o das duas Luzes e, não menos importante, o significado e as implicações da Porta do Templo.
O PAINEL DO APRENDIZ
No contexto original da Maçonaria Operativa, as sessões eram realizadas em locais improvisados e os símbolos eram desenhados no piso do local escolhido, sendo apagados no final de cada sessão.
Posteriormente, passou a utilizar-se uma tela previamente desenhada e pintada com todos os símbolos do painel. Essa tela era desenrolada no início das sessões e representava o templo.
Depois, os templos passaram a ser edificados em construções estruturadas que permitem, entre outros aspetos importantes, a reserva e continuidade que se pede a todos os que integram as sessões maçónicas.
Tal como referido na introdução deste traçado, o painel integra, entre outros elementos importantes, duas colunas coroadas por três romãs entreabertas, a configuração do piso em xadrez com mosaicos pretos e brancos alternados entre si, a pedra bruta, a pedra cúbica e a pedra cubica pontiaguda, assim como as duas luzes (o sol e a lua) e, como não podia deixar de ser, a Porta do Templo.
No grau de Aprendiz, os Símbolos, Gestos e Rituais têm especial importância pois remetem para um comportamento que impõe uma disciplina de aprendizagem e que constitui um compromisso, simultaneamente, individual e coletivo.Por exemplo, a disciplina do Silêncio induz o aprendiz a encontrar o Caminho da Luz num processo consequente de escuta ativa e de aprendizagem intensiva. Por outro lado, neste contexto iniciático o Aprendiz deve começar por compreender o significado simbólico das Joias Móveis, das Joias Fixas e dos Ornamentos, entre outros símbolos.
Joias Móveis
Com efeito, as Joias Móveis mereceram essa designação por serem as insígnias dos Irmãos que exercem os Cargos da Direção da Loja, designadamente o Esquadro, o Nível e o Prumo.
O Esquadro representa a matéria e remete para os conceitos de Equidade e a Rectidão, estando a cargo do Venerável Mestre.
21 de setembro de 2018
O Ritual na Maçonaria, o que é e para que serve
O Ritual na Maçonaria, o que é e para que serve
I – O que é o Ritual
Em qualquer Obediência ou Organização iniciática, o(s) Rito(s) praticado(s) consiste(m), desde a Iniciação, num conjunto de Graus (ou «patamares»), de complexidade e conhecimento crescentes, constituindo cada um deles um conjunto coerente de instruções e procedimentos específicos, suportados num Ritual, que levam à sua aprendizagem, compreensão/conhecimento, correspondendo ao sistema e objectivos específicos do Rito, a nível desse Grau.
Portanto numa Obediência, cada um dos graus que compõem um Rito, apresenta um Ritual específico, desejavelmente uniforme.
O conhecimento global do Rito só será atingível na sua plenitude, ao conseguir-se progredir consistentemente até ao topo, e mesmo assim o estudo e a pesquisa não terão fim, já que a procura do conhecimento,, a caminho da Luz, não tem limite (“somos sempre eternos Aprendizes”), e só terminará com a passagem ao Oriente Eterno.
A primeira conclusão a tirar é pois que Rito e Ritual não são a mesma coisa, mas estão interligados, podendo considerar-se genéricamente cada Ritual como um sub-conjunto específico dos actos e cerimoniais completos do Rito, respeitante a cada Grau que o constitui, e o seu vector de transmissão iniciática, por excelência.
Utilizando uma comparação em termos de transmissão informática, em que a informação que segue ao longo de uma Rede digital é compactada em «pacotes», cada um deles com um número pré-definido de «fatias» de informação (ou time-slot»). Ao simplificarmos, fazendo equivaler o total do «pacote» de informação ao Rito, podemos facilmente equiparar um determinado Grau a uma «fatia» /«time-slots») desse Rito , ou seja da totalidade do «pacote» transmitido. Ainda comparativamente, para se ter acesso à informação /conhecimento global contido no «pacote» (Rito), é necessário ter conhecimento específico e sequencial de cada uma das respectivas fatias («time-slots») ou seja, de cada Grau e do seu Ritual específico.
Independentemente do Grau em que decorre a Sessão, e focando-nos essencialmente no Grau de Apr:..,o Ritual com seus passos, procedimentos e instruções, a chamada ritualística, contêm em si um conjunto de ensinamentos específicos e simbólicos, que unívocamente o caracterizam, orientando e dando significado às acções e descrições orais no decorrer da Sessão, essencialmente da responsabilidade das Luzes da Loja (V:.M:. e VVig:.) sincronizadas com as actuações dos outros quadros.18 de setembro de 2018
Porquê «Salvador Allende» ?
Porquê «Salvador Allende» ?Explicar porque escolhi o nome simbólico «Salvador Allende» numa Loja com o seu nome, parece tarefa redundante e desnecessária. Apesar de ter em conta os vários e excelentes textos de diversos IIr:., nomeadamente do Ir. José Marti, lidos e publicados no Blog da N:. R:. Loja (ou fora dele), aceitei de bom grado o desafio (Editado pela Comissão Editorial do Blogue), porque representa uma promessa (e um dever) ainda não cumprido. Apesar do nome simbólico que escolhi ter antecedido a Formação desta R:.L:. cada um de nós tem «razões específicas e pessoais» que fundamentam as escolhas efectuadas, pelo que gostaria de partilhar convosco, as que me dizem respeito, numa perspectiva de reforço do conhecimento mútuo e solidário, que deve orientar sempre a nossa actuação em Loja (e fora dela).
Dir-vos-ei desde já, que a vitória eleitoral e o prestígio de Salvador Allende, enquanto Presidente e líder do povo chileno, teve um enorme impacto (entre outros) na formação politica de muitos jovens da minha geração, e da minha em particular, enquanto opositores idealistas e inexperientes ao Estado Novo (que como estudantes recém chegados à Universidade, grande parte éramos). Esse impacto foi-se progressivamente consolidando, com o avanço do processo de libertação que a «Unidade Popular» preconizava e desenvolvia, a par do combate aos contragolpes sucessivos da direita e extrema-direita, culminando no golpe fascista de que foi vitima. A partir daí, Salvador Allende constituirá sempre uma referência inabalável para todos aqueles que perfilhavam (e perfilham) os ideais da liberdade, da democracia, do progresso social, do humanismo, da igualdade de oportunidades e da luta anti-monopolista, como essenciais no caminho para uma sociedade mais justa.

Como Presidente, Político, Socialista (na correcta acepção do termo), dirigente respeitado, constituiu para muitos de nós, naquela altura, um referencial de integridade e coerência, que jamais esqueceremos. Para os mais novos (o relógio do tempo não pára e os anos vão rolando … ) recordo que estávamos ainda nos tempos cinzentos e sombrios da ditadura salazarenta, que a chamada «primavera marcelista» não tinha conseguido iludir, continuando a oprimir, torturar e a expulsar da Universidade e do País (a todos os níveis sociais), os melhores que se lhe opunham.
Em 1970, o facto de ter sido possível a vitória eleitoral da «Unidade Popular» no Chile, país sob a tradicional área de influência do imperialismo americano, foi para nós uma chama que fez renascer a esperança. Fortaleceu-nos moral e politicamente a prosseguir a oposição ao decrépito regime do Estado Novo, que apesar de tudo só viria a sucumbir quatro anos depois, graças ao golpe libertador de Abril. Foram também 3 anos intensos de debate e discussão ideológica, no campo da Esquerda, ao mesmo tempo que se ampliava a oposição à ditadura a um numero crescente de sectores.
Lembro-me perfeitamente da avidez com que ouvíamos e líamos as rádios e a imprensa «não autorizadas» sobre a evolução da situação chilena. Contudo alguns de nós, já na altura, tínhamos algumas dúvidas quanto à possibilidade de implementação do socialismo, por via eleitoral, sobretudo naquela época e na América do Sul, polvilhada por ditaduras fantoches e terroristas de inspiração americana, onde Cuba era a excepção, de que os EUA tinham jurado não permitir a repetição.
4 de setembro de 2018
Disciplina entre Colunas
Venho hoje apresentar-vos, Editado pela comissão Editorial do Blogue, uma prancha sobre o tema da “Disciplina entre Colunas”.
Tomando como referencia base alguns grandes escritos maçónicos e ainda as nossas leis e regulamentos, sugiro-vos que olhemos este tema sob três ângulos diferentes mas complementares.
O primeiro, uma perspectiva filosófica, recordando as tradições da Maçonaria Operativa no tocante ao bom funcionamento das Oficinas.
Vale a pena recordar que já no Século XVIII, na 2ª parte das Constituições de Anderson, relativas às “Obrigações de um Pedreiro-Livre”, se manifesta a preocupação de garantir a disciplina na conduta dos Irmãos, com normas que assegurassem o respeito pelos trabalhos em Loja (“não vos comportareis jocosamente nem apalhaçadamente enquanto a Loja estiver ocupada em assuntos sérios e solenes”, ou “não organizareis comissões privadas nem conversações separadas sem permissão do mestre”, ou “não se tragam para dentro da loja questões nem rancores”).
Também Albert Mackey, citando os Landmarks conhecidos, realça que “É inquestionável a igualdade entre todos os maçons”, e que “Todos os Maçons estão sujeitos às leis e aos regulamentos da jurisdição maçónica em que residem”.
O segundo, numa perspectiva regulamentar, procurando traduzir nos nossos comportamentos as normas estabelecidas pela Editado pela comissão Editorial do Blogue, o qual define várias regras especificas no plano da “disciplina Maçónica”.
Assim sucede com Editado pela comissão Editorial do Blogue, que atribui aos vigilantes a competência de “direção das respetivas Colunas, sendo a eles que os Irmãos que nelas têm assento devem pedir a palavra, podendo retirar a mesma aos irmãos que dela usem sem a terem pedido. [Os Vigilantes] Transmitem nas suas Colunas os avisos do Venerável e mantêm a ordem e o silêncio”.
Ou Editado pela comissão Editorial do Blogue, com um conjunto de regras de conduta durante as sessões, em especial as relativas ao uso da palavra pelos diferentes Irmãos, definindo designadamente que nenhum pode usar da palavra mais de três vezes sobre o mesmo assunto, nem mais de dez minutos da primeira vez e cinco nas restantes.
23 de maio de 2018
O Tesoureiro e a Tesouraria
...Editado pela Comissão Editorial do Blogue.., decidi apresentar-vos uma prancha sobre o cargo com que me honrastes neste último ano. O cargo de Tesoureiro da RLSA.
O Tesouro da Loja é o conjunto dos seus recursos financeiros, considerados independentemente do Tronco da Viúva e das obras de Solidariedade.
O cargo de Tesoureiro é frequentemente encarado como tendo um cunho essencialmente profano e administrativo, longe de considerações filosóficas ou de abordagens esotéricas.
No entanto, uma leitura atenta da nossa... Editado pela Comissão Editorial do Blogue..., permitem-nos compreender que a atividade do Tesoureiro está intimamente ligada à garantia da própria existência das Oficinas e, com elas, da nossa Augusta Ordem.
De facto,... Editado pela Comissão Editorial do Blogue... é uma das obrigações da Loja “Pagar as contribuições ordinárias e extraordinárias estabelecidas por lei” e, Editado pela Comissão Editorial do Blogue, como uma das obrigações dos obreiros “Satisfazer pontualmente todos os encargos materiais a que forem obrigados por lei e aqueles que assumirem voluntariamente”.
Por seu turno,... Editado pela Comissão Editorial do Blogue... estabelece que “os obreiros são responsáveis pelo pagamento de todas as contribuições aprovadas” e que “as capitações mensais [...] são devidas no primeiro dia do mês a que disserem respeito”, e define Editado pela Comissão Editorial do Blogue que são funções do Tesoureiro:
a) o recebimento das quantias devidas a qualquer título e a guarda dos fundos, valores e títulos pertencentes à Oficina;
b) o pagamento das despesas da Oficina;
c) o registo atualizado da contabilidade da Oficina e o pagamento em dia ao Grande Tesouro das contribuições por esta devidas.
Ao Tesoureiro cabe pois garantir que a Loja de que faz parte se mantém viva e atuante, mediante o zelo pela arrecadação dos recursos devidos pelos Irmãos à Loja e pelo pagamento das contribuições a que a Loja está sujeita, de forma que sejam atendidas as obrigações maçónicas e profanas da Loja.
É por esse motivo que muitos definem o Tesoureiro como sendo ‘o guardador dos metais da Loja’, ou seja, aquele que dispõe dos recursos e dos meios necessários para o cumprimento das obrigações financeiras desta.
Assim procedendo, o Tesoureiro cumpre com suas funções para com a Loja, contribuindo para que os trabalhos decorram de modo justo e perfeito.
16 de maio de 2018
RITUAL E TRADIÇÃO

A Kabbalah não é judaísmo e não é religião, mas também não é um culto de new age. A Kabbalah emergiu na cultura judaica como um conjunto de técnicas ligadas à filosofia especulativa, à cosmogonia e à alquimia. Porém, a Kabbalah, não sendo em si uma religião, acabou por formar o esqueleto da religião judaica.
A N:.A:.O:. e o nosso Rito Escocês Antigo e Aceito é de tradição cabalística, o que significa que a tradição iniciática que seguimos e praticamos, parte do conhecimento da Kabbalah enquanto filosofia e não como religião.
A nossa tradição é cabalista porque nasceu no seio da cultura mediterrânica, partilhada por três grandes tradições com mais de dois mil anos de convívio: a tradição judaica, a cristã e a islâmica. Em todas as três podemos encontrar marcas profundas da mesma Kabbalah.
Mas o que é verdadeiramente a Kabbalah? Como ela se encontrar enraizada na Maçonaria? Como os nossos rituais se ligam à matriz cabalística? Qual o fim da Kabbalah na aprendizagem dos maçons?
Estas questões, que são verdadeiramente importantes e fundadoras do perfil da Maçonaria, e da ética do Maçon, devem ser respondidas e aprendidas por todos, desde o Aprendiz ao Mestre. A Kabbalah sempre foi um conhecimento reservado e discreto, e na antiguidade foi exclusivo do sacerdócio e auxiliar da ciência (astronomia/astrologia), da filosofia, da dialética, da lógica, da matemática e da linguística. Desde a sua formação que a Kabbalah sempre foi uma súmula de conhecimento universal, constituindo-se como instrumento hábil do saber e da investigação da vida e do universo.
Eis as razões porque a Kabbalah está na origem de várias ordens iniciáticas, de várias escolas filosóficas e científicas. Desde a antiguidade clássica até hoje podemos encontrar vários pensadores e cientistas que foram cabalistas, e que por terem aprendido o método cabalístico, poderam desenvolver e avançar nos seus estudos. Não só na tradição rabínica, como fora da comunidade judaica, grandes intelectuais e cientistas usufruíram do método cabalístico para resolver vários problemas e questões que de outra forma teriam demorado muito mais tempo ou teriam ficado insolúveis.
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