Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

25 de janeiro de 2023

INICIADO E NÃO INICIADO

 

Com a devida vénia e repectiva autorização se transcreve este Poema de Adilson Zotovici:

INICIADO E NÃO INICIADO

Há um ato alvissareiro

Ufano e Consagrado

Que se entrega por inteiro

O profano convidado


Que levado ao canteiro

Por um bom irmão guiado

Livrado do seu cativeiro

De “ iniciação”chamado


Nessa sessão, que um luzeiro

Com decisão revelado

Ao novo pulcro cavaleiro

D’Arte Real fulcro velado


Inda assim há o interesseiro

Que diverge do interessado

Converge a infiel escudeiro

Que não entendeu o jurado


Desobrigado, fiteiro

Mas pelo processo passado

Qual jamais será obreiro

Vez que a Luz não alcançado


Surge então mau companheiro

Na ocasião dissimulado

Que se diz livre pedreiro

Mas um infeliz..”não iniciado” !

Adilson Zotovici

Academia Maçônica de Letras de Juiz de Fora


24 de janeiro de 2023

CUIDADOS PALIATIVOS em contexto de Fim de Vida

 

CUIDADOS PALIATIVOS

em contexto de Fim de Vida

Começo por Vos apresentar identificar os TÓPICOS  sobre um assunto  - os CUIDADOS PALIATIVOS em contexto de Fim de Vida - que nos toca profunda e generalizadamente

TÓPICOS

- Direito ao acesso

-ESTADO PORTUGUÊS / Ministério da SAÚDE

-Criação, de facto,  de uma REDE NACIONAL de CUIDADOS PALIATIVOS (RNCP)

          > Legislação

          > Instalações/Logística (inicial e definitiva)

-FORMAÇÃO Específica em CUIDADOS PALIATIVOS

- CARREIRA de CUIDADOS PALIATIVOS

A Lei de Bases dos CUIDADOS PALIATIVOS (Capítulo I – Disposições gerais/Base I - Âmbito) – Lei nº 52/2012, de 5 de Setembro – “…consagra o direito e regula o acesso dos cidadãos aos Cuidados Paliativos e cria a Rede Nacional de Cuidados Paliativos(RNCP) a funcionar sob tutela do Ministério da Saúde…” (1).

Temos, portanto, um desafio de enorme responsabilidade colectiva  a que devemos responder duma forma elevada, isto é, conjugando os esforços disponíveis no Estado Português com outros oriundos de outrem, como o sector social e o sector privado, embora a Coordenação desta RNCP deva sempre ser do Estado Português, através do Ministério da Saúde, como reza a legislação atrás referida.

Nesta Lei há que realçar “…três dimensões diferentes da matéria relativa aos Cuidados Paliativos: a consagração do direito a Cuidados Paliativos, a responsabilidade do Estado <Português> neste domínio e a criação de uma rede assistencial específica…” (2).

Chegamos, assim, a um patamar legal que “…configura os Cuidados Paliativos como uma parte do todo que constitui o direito à protecção da saúde que o Artº 64 da Constituição <da República Portuguesa> consagra…” (3). Mais ainda se devem “…encarar os Cuidados Paliativos como uma categoria científica dos cuidados de saúde (sublinhado meu) e que gozam da mesma natureza pluridisciplinar e multiprofissional…” (4).

Esta Lei de Bases dos CUIDADOS PALIATIVOS enumera e define (na sua Base II), adequada e atempadamente, os Conceitos envolvidos neste tipo de  cuidados, a saber: “…a) cuidados paliativos; b) acções paliativas; c) continuidade de cuidados; d) obstinação diagnóstica e terapêutica;  e) família;  f) integração de cuidados;  g) multidisciplinaridade;  h) interdisciplinaridade;      i) dependência;  j) domicílio;  k) cuidados continuados de saúde;  l) prestadores informais…” (5) o que “baliza”, com critérios científicos, o âmbito da sua actuação ao serviço dos Cidadãos.


Importante, também, é “…enfrentar, com muita prudência, a possibilidade dos “erros” de prognóstico que se tornam mais graves à medida que são colocadas, <e colocar>, ao serviço das equipas de “Cuidados Paliativos”, mais “ferramentas” no sentido de prolongar a Vida Humana com Qualidade, principalmente, com Dignidade…” (6).

Por outro lado não deveremos esquecer que “…apesar da Biotecnologia (cada vez mais avançada) de que podemos usufruir para efectuar um diagnóstico correto, nunca poderemos afirmar, contudo, que não venha a existir (no médio ou no longo prazo) uma tal evolução científica que nos leve a ter de corrigir esse diagnóstico e, consequentemente, o correspondente prognóstico…” (7).

19 de janeiro de 2023

História e Estrutura Simbólica dos Rituais

 


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue Jakim&Boaz

História e Estrutura Simbólica dos Rituais

Temos o grato prazer de apresentar aos nossos leitores alguns trechos da interessante e essencial obra de Raoul Berteaux  “La Symbolique de la Loge de Perfection du Rite Écossais Ancien et Accepté, du 4º au 14º degré” – Éditions Maçonniques de France (EDIMAF), 2012.

Embora este trabalho transcenda e ultrapasse o que é considerado ser o universo da maçonaria azul, achamos contudo interessante e até conveniente, continuar a apresentar neste Blog, sem perder o rumo prioritário, (como já o temos efectuado, esporádicamente),  alguns trabalhos mais dirigidos  aos Graus Complementares, uma vez que toda a sua Biblografia está disponível ou na Internet ou na Bibliografia indicada, à venda nas livrarias especificas, podendo e devendo constituir, na nossa modesta opinião, um ponto de motivação para que os Mestres das Lojas Azuis não  tendam a acomodar-se no aconchego do «sedentarismo intelectual» e procurem complementar a sua formação, elevando o seu patamar  com novos conhecimentos,  que  deverá constituir o estímulo de parte significativa dos discípulos de Mestre Hiram, na procura duma Luz interior «cada vez mais forte» --- Os capítulos e partes aqui selecionados são da inteira responsabilidade da Comissão Editorial deste Blog”

HISTÓRIA

1 – Rituais do Século XVIII

Segundo Ragon: “…o Século XVIII viu nascer pelo menos 75 sistemas… e cerca de 1 400 Rituais, um pouco por toda a Europa”. Um certo número destes «sistemas» são provenientes de «Ritos» que ordenam o escalonamento dos Graus Iniciáticos e estabilizam, pelo menos relativamente, os textos das cerimónias rituais. Os manuscritos dos Rituais são de alguma forma os ajudantes da memória, de forma que  a representação formal dependerá sempre da opção que levará o copista, segundo aquilo que deseja conservar por escrito.

Damos perfeitamente conta deste facto, se reagruparmos cópias de manuscritos dum mesmo grau; e aí encontraremos o mesmo tema iniciático, mas os textos comportam omissões, modificações e erros de

cópia. Ficamos frequentemente desamparados pela falta de  indicações relativas à gestão e regimento teatral, os gestos de acompanhamento são supostamente conhecidos.

Apesar destas restrições, podemos considerar como se segue, as linhas directrizes dos rituais do Século XVII. Um primeiro documento, excepto o cerimonial, descrevia a decoração da Loja: cores das cortinas, número de luzes, objectos utilizados, títulos e locais dos oficiantes, roupas, fitas e jóias.

O cerimonial compreendia 3 partes: a abertura dos trabalhos, a recepção do candidato (que se tornava assim o recipiendiário) e o fecho dos trabalhos. A abertura e fecho dos trabalhos são apresentados em modo verbal (por questões e respostas). Quanto ao cerimonial de recepção, é relativamente limitado; comporta, em princípio, a prestação do juramento e  comunicação das palavras, sinais e toques. Tomamos conhecimento a prática do Rito segundo as gravuras da época: os Oficiais e os participantes, pouco numerosos, estão em pé em volta do tapete da Loja. Trata-se portanto duma «recepção», no sentido próprio do termo. Contráriamente, encontramos muitas vezes, dois documentos importantes em anexos.

O primeiro diz respeito à história do Grau: é apresentado em modo recitativo, sob a forma dum «discurso histórico». O segundo  respeita à «Instrução do Grau», apresentada em modo verbal; contem os ensinamentos simbólicos e morais. O neófito é suposto dar as respostas correctas às perguntas, mas elas são dadas em vez dele. À época, o ensino moral tinha uma característica individualista; convidadva o neófito à «prática das virtudes».

Parece que à época, os Oficiais dispunham duma grande amplitude para a execução do cerimonial; este último podia, segundo as circunstâncias, ser limitado à comunicação dos arcanos do  grau e da instrução do grau, ou ser desenvolvido em função dos argumentos do discurso histórico.

10 de janeiro de 2023

MAÇONARIA ACTUAL FACE ÀS GUERRAS, TOTALITARISMOS E DESIGUALDADES SOCIAIS CESCENTES – O IMPULSO DA EXTREMA DIREITA. QUE FUTURO PARA AS DEMOCRACIAS E O PAPEL DOS MAÇONS E DAS OBEDIÊNCIAS


 MAÇONARIA ACTUAL FACE ÀS GUERRAS, TOTALITARISMOS E DESIGUALDADES SOCIAIS CESCENTES – O IMPULSO DA EXTREMA DIREITA. QUE FUTURO PARA AS DEMOCRACIAS E O PAPEL DOS MAÇONS E DAS OBEDIÊNCIAS

Desafio proposto e Aceito (embora não desconhecendo que cada uma das partes do título contenha matéria para 4 ou 5 pranchas, logo, apenas vos vou transmitir a minha opinião que, espero bem, seja bem diferente da vossa por só assim, na diversidade,…o mundo pula e avança como bola colorida nas mãos de uma criança…,como escreveu o poeta António Gedeão). E que Espaço/Tempo apropriado é este, onde nos encontramos sentados à procura da Luz (leia-se Conhecimento) que nos transforma, tornando-nos melhores e mais aptos para derrotar os vícios (Guerras, Totalitarismos, Desigualdades Sociais, Impulso da Extrema Direita e Falência da Democracia) e elevar as Virtudes (Maçonaria Actual e respectivos Maçons e Obediências).

Primeiro paradoxo: não é a Maçonaria eterna, ou melhor, acima do Tempo/Espaço? A actualidade não é tão só o produto do que fomos e somos para expressarmos a extraordinária capacidade de adaptação que caracteriza os Iniciados na N∴A∴O∴? Segundo paradoxo: como se atrevem as guerras, totalitarismos e desigualdades sociais e etc., a medrar no meio de seres humanos cada vez mais conhecedores, mais esclarecidos e, sobretudo, mais tolerantes, justos e fraternos?

Detalhemos: tem sido a Franco-Maçonaria, ao longo das Eras, uma plataforma de diálogo internacional (mesmo universal) enfrentando as complexas realidades geopolíticas, e tem-no feito com uma rigorosa reflexão (adogmática e dogmática) em que o exercício intelectual e a respectiva acção prática se equiparam pois, não é demais afirmar que, a matriz do pensamento moderno ocidental foi consubstanciada nos princípios que herdámos, absorvemos e transmitimos. Sem dúvida (há centenas de documentos escritos que poderão consultar) que, desde a revolução reformista da igreja, iluminismo, consciência laboral, republicanismo, enciclopedistas, movimentos anticolonialistas e a prática da globalização estiveram por detrás maçons agrupados, em todas as suas etapas, no que é hoje a Ordem Universal que se chama Maçonaria. É de registar que toda esta progressão foi feita com audácia e enfrentando abusivas repressões, quer da igreja, quer da monarquia e ainda de outros regimes déspotas e ferozes.


Com efeito, todo o universo maçónico, nos seus trabalhos em Loja, se comprometeu, compromete e comprometerá na luta a favor do enriquecimento intelectual, na promoção da paz, justiça, tolerância e da fraternidade, e isto, apesar de um diálogo interno em que a espiritualidade e as guerras dos ritos e obediências, por vezes, tenham tomado proporções nada condizentes com a Iniciação Maçónica.

Perguntamos então, com este arcaboiço demonstrado estaremos preparados para as actuais guerras, totalitarismos, assimetrias sociais e etc.? Temos assistido a uma tentativa de perverter (no sentido freudiano do termo) um princípio crucial, a saber: a Iniciação maçónica só pode ser vivida e nunca propalada, intelectualizada ou divulgada. A N∴A∴O∴ não pode, de maneira nenhuma, ser um sucedâneo da religião nem um galvanizador de massas.