O que se Espera de cada Maçom
"Tomamos a liberdade de voltar a apresentar este trabalho, por considerarmos que mantem plena pertinência e actualidade. Passados 10 anos, aproveitámos para introduzir ligeiras correcções e actualizações (p' Comissão editorial do Blog - Salvador Allen:. M:.M:.)".
I - A Maçonaria, o Maçom e o Comportamento Maçónico
I.1– O Maçom e a Loja
O simbolismo de nos despojarmos dos metais à entrada em Templo, significa que não devemos transportar para dentro os ressentimentos e vícios da vida profana, as questiúnculas ou desagravos que nos separam, a atracção pelo vil metal, mas sim a compreensão, o respeito, a tolerância e a fraternidade que devem prevalecer no nosso convívio, apesar das naturais e salutares diferenças de opinião que nos possam fazer divergir.
Um Iniciado só será verdadeiramente Maçom quando alcançar o conhecimento de si próprio e a partir daí compreenda aqueles que o rodeiam, nas suas fraquezas, tristezas e até falhas, tendo sempre a frontalidade de lhes transmitir o quanto é fundamental que a lealdade e a sinceridade prevaleçam sempre sobre os interesses individuais .
Para sermos Maç∴ coerentes, dignos dos valores que defendemos, é preciso perseverar no árduo trilho da eterna aprendizagem maçónica, tanto mais difícil numa sociedade que nos impinge constantemente o «pensamento dominante» através dos diversos meios de «comunicação», e em que a falta de ética, o oportunismo, o servilismo sem disfarces e/ou a mentira mais ou menos descarada são diariamente evidenciados e/ou promovidos, por quem não o deveria.
Ser Maçom não pode, nem deve, ser entendido estatuto ou rampa de lançamento correlacionado com perspectivas de promoção social, profissional, de negócio ou outras. Quem assim pensa(ou) engana(ou)-se redondamente e está por certo redondamente equivocado quanto ao enquadramento na Nobre e Augusta Ordem Maçónica (N∴ A∴ O∴).
É participando activamente nos trabalhos em Loja, estudando os clássicos, a par de textos de IIr∴ mais credenciados, mais tarde elaborando ou analisando pranchas, discutindo ou comentando intervenções, apoiando os IIr:. mais necessitados, que o Maç:. constroi progressivamente o seu edifício interior, ao mesmo tempo que contribui para consolidar o exterior, ou seja a A∴ Or∴. e a sociedade em que nos inserimos.
Contudo para adquirir essa Consciência para agir, é também preciso dedicação, estudo e compreensão dos ensinamentos contidos na Simbologia e na prática Ritualística que a maçonaria nos fornece, enquanto base da aprendizagem. É sobretudo responsabilidade da Loja, para além de Iniciar o Homem ou Mulher, instruí-los e prepará-los para a nova etapa na sua vida.
Como o fazer se, em média, as nossas sessões duram à volta de 90 a 120 minutos, sendo a parte significativa ocupada com o expediente e passos ritualísticos, já que o período de instrução ou estudo se reduz quase sempre a um valor médio de quinze a vinte minutos (ou nem isso)?. Como melhorar a nossa instrução num tempo relativamente curto, face à duração global?
Este problema agrava-se a partir do grau de Mestre, o grau de topo da Maçonaria Simbólica. É significativo o número de Mestres Maçons que, ao atingirem o grau, relaxam o trabalho e o estudo, já que não existe mais progressão no nível simbólico, e sobretudo porque julgam erradamente que atingiram a plenitude maçónica, prejudicando o desenvolvimento de Aprendizes e Companheiros, razão fundamental de existência do próprio Mestre.
Este é talvez um dos problemas internos das LLoj:. (e da nossa Ordem) com consequências mais nefastas no futuro imediato – o excesso de confiança daqueles que se acham ”líderes”, mas que não o sendo, comportam-se tão somente como indivíduos carregados de presunção e vaidade (atitude ainda mais visível nos que acedem aos chamados «Altos Graus»)
Por outro lado, alguns IIr:., talvez por uma visão demasiado «inócua» ou «purista» da Maçonaria e do seus princípios, pararam no tempo e não aceitam que se discuta dentro das Lojas assuntos de interesse geral para os Maçons e para a Sociedade em geral, inclusive da Ordem, como as questões Económicas e Sociais. Há muito que defendemos que a nossa falta de posicionamento visível na Sociedade (não confundir com partidário) muito tem contribuído para o estado de coisas a que assistimos no país – onde o que vai prevalecendo é a falta de Ética, a Corrupção e a Impunidade em que até alguns «Irmãos» aparecem associados a estes episódios.… .
Sob o pretexto de sermos um pequeno número, se comparados a outras organizações, alguns podem ser tentados a defender e a promover abertamente uma iniciação pouco selectiva de profanos, propiciando o acesso aos nossos Templos, a pessoas que em nada contribuirão para o fortalecimento das nossas colunas, restringindo-se a meros agentes de apoio à promoção de determinados egos e /ou objectivos pessoais ou de grupo, dissociados da A:. O:., infelizmente tão comuns nas estruturas profanas.
Para evitar maiores desvios ou desrespeito pelas tradições comportamentais e históricas da Ordem, é imperioso evitar que candidatos possam ser propostos, e sobretudo validados, sem os menores critérios e ou cuidados, por simples amiguismo ou conivência (partidária ou outra). Assim permite-se que indivíduos sem princípios utilizem a Maçonaria, unicamente para a conquista de benefícios pessoais ou profissionais. Como bem foi apontado como principal linha geral do nosso último Congresso, aquelas ocorrências, quando vindas a público, desencadeiam e potenciam campanhas anti-maçónicas, o que nos enfraquece. o que urge desmascarar e estancar, ou não bastassem os quase 50 anos da ditadura e o tão arreigado espantalho da conspiração «judaico-maçónica-comunista», que não temos conseguido desmontar e desmistificar.
I.2 - A Assiduidade e o cumprimento dos Deveres
Da assiduidade depende fortemente a sobrevivência da loja. É o menos exigente dos deveres exigidos ao Maç∴, já que é o que mais se adequa aos seus próprios interesses, o progresso individual, suportado nos conhecimentos que a Loj∴ e a A:. Ord.´.lhe proporciona.
Como manter, prosseguir e elevar o funcionamento regular duma loj∴, se a maior parte dos membros ou não comparece regularmente aos trabalhos, ou estando presentes, comportam-se por vezes como se estivessem num liberal e profano convívio?
Alguns IIr∴ relativizam ou menosprezam a assiduidade às sessões em Loj∴. Têm sempre presentes desculpas como: “um dia muito cansativo”, “não existênca de disponibilidade temporal”, “acompanhamento familiar”, “compromissos profissionais ou de negócios” e até por vezes o facto de “de estarem pouco disponíveis para rituais ultrapassados” ..... Outros IIr∴ entram facilmente no capitulo desculpabilizador face aos faltosos, invocando o eterno argumento de que é «bom maçom», mas está sempre muito ocupado ou tem muito trabalho, apesar de ter um «profundo» espírito maçónico.
Como é possível conciliar o absentismo reincidente aos trabalhos em Loj∴ com um «profundo» espírito maçónico?? Se todos os Maç∴ de uma Loj∴ partilhassem dos mesmo “princípios”, a curto / médio prazo a Oficina estaria em estado pré-comatoso e a breve trecho abateria colunas, obviamente sempre dentro dum “profundo” espírito maçónico.
Que motivação e interesse poderão ter as principais luzes da Loj∴ e os IIr∴ que a frequentam regularmente, se nas Sessões aparecerem em média 20 a 40 % dos inscritos no quadro ?? Será que ter unicamente as quotizações em dia (e muitas vezes após forte insistência do Ir∴ Tesoureiro...) é suficiente para se proclamar maçom?
Compreendemos e aceitamos que não seja uniforme a disponibilidade de todos os IIr∴ e que muitos tenham uma vida pessoal e/ou profissional intensa, justificando plenamente ausências regulares ou até que residam a uma distancia considerável do Templo. No entanto, este motivo não deverá dissuadir a presença e o trabalho regular em Loj∴, essencial para fortificar a vivência e solidariedade com os restantes IIr:, ajudando à progressão da Loj∴ e da Obediência, em oposição ao arrastamento duma penosa e desmotivadora vida maçónica para os “resistentes”.
Os IIr∴ que assim procedem contribuem para corroer (sem por vezes se aperceberem), as fundações da Instituição, já que a grandeza da Maçonaria radica na sua base, os obreiros, todos nós sem excepção. O Ir∴ que não assiste não sente a dinâmica da vida da Loja tal como ela é. Como podemos influenciar o mundo profano, ou mesmo outros IIr∴ , se a Loj∴ não discute ou não toma posição sobre temas específicos ou relevantes da A:. Ord∴ ou da Sociedade ??
Tendo a Maçonaria por objectivo último a formação e aperfeiçoamento do homem, transforma-o não só como maçon, mas também como elemento da sociedade em que se insere. Este processo não se opera por milagre, nem se improvisa, pelo simples facto de constar no quadro da Oficina, por mais excelentes que nos julguemos.
É quanto a nós essencial que periodicamente nos interroguemos (recordando o célebre discurso do Presidente John Kennedy), «não no que a Maçonaria poderá fazer por mim, mas no que poderei eu fazer pela Maçonaria?»
Segundo
Irène Mainguy [2]: «A assiduidade é um elemento fundamental do percurso iniciático. É indispensável a toda a progressão. Os trabalhos e o ritual são o fruto duma experiência colectiva que se insere na duração. A assiduidade favorece o trabalho interior da compreensão e da integração e faz parte do comprometimento maçónico inicialmente contratado. Assegura uma continuidade no tempo. Solicita esforço e boa vontade. É um factor de realização desde que que não seja nem um passa-tempo, nem a rotina ou passividade. A assiduidade exige a regularidade, a constância e muita vigilância».
Outra obrigação, por vezes descuidada (sem situação de carência) é da quotização. O Ir∴ cumpridor dos seus deveres e obrigações não deve esperar que o Ir∴ Tes∴ o procure para saldar as suas contribuições. Atempadamente e antes de ser procurado, ajustará o nível dos metais junto ao responsável pela tesouraria.
Outro item por vezes negligenciado, é a da postura em Loja, onde por vezes assistimos a posicionamentos incorrectos e desrespeitosos de IIr:. que mais parecem estar num descontraído encontro profano, conversando assiduamente com os IIr:. do lado e aproveitando para consultar as mensagens do telemóvel. Noutro sentido, não físico, a postura significa atitude, conceito principalmente de cunho moral, de que deve estar revestido o Maç∴. A simbiose mais ou menos intencional, do discurso eloquente, da palavra fácil ou da nobre intenção, por mais arrebatador que seja, não elimina nem se substitui ao filtro da prática diária, que terá de ser a de um homem livre e de bons costumes, com todas as implicações e consequências daí decorrentes.
I.3 - Outros conflitos
Sendo certo que a Maç∴ Simbólica é considerada a infraestrutura essencial de todo o edifício maçónico, há que referir abertamente alguns “conflitos” que possam existir com alguns IIr∴ que frequentando a maç∴ filosófica (os chamados ”Altos Graus”), progressivamente descuidam a presença regular em Loj.´. com as consequências negativas inerentes. Esta situação é difícil de justificar do ponto de vista dos princípios e obrigações dum M∴ M∴, que claramente constam no Regulamento Geral.
Comprendemos que possa existir cansaço e desmotivação destes IIr∴ face às “bases” (que todavia são as da Maç.´., enquanto tal) , já que os temas e assuntos tratados lhes poderão parecer, ao fim de vários anos, monótonos, recorrentes ou cansativos. No entanto, como é salientado por todos os MM:. MM:. e autores credenciados, a frequência dos Graus Filosóficos não pode nem deve ser inibidora da presença nos simbólicos, salvo em caso de conflito de horários (que poderá e deverá tb/ ter solução), já que um dos principais deveres dum M∴ M∴ , a par do comportamento irrepreensível que lhe é exigido no mundo profano, consiste na transmissão do conhecimento aos IIr∴ mais novos. Este é um princípio fulcral do comportamento maç∴ que terá que ser respeitado.
Sendo aqueles IIr∴ a parte mais qualificada da Loj∴, deles aguardamos, na medida do possível, a sua presença, para que nos transmitam a sua experiência, nos enriqueçam com os seus conhecimentos e nos ajudem a progredir, sem desfalecimentos, no nosso caminho.
II – O Maçom e a Sociedade
Enquanto Maçons necessitamos de ter uma vivência plena segundo os princípios fundamentais da Maçonaria, de modo a aplicar plenamente a nossa filosofia e práticas humanistas e universalistas. Só desta forma faremos a diferença nas comunidades onde as Lojas se inserem. É pois determinante a capacidade e responsabilidade de cada Iniciado em compreender e exercer os seus deveres e as suas responsabilidades, perante a comunidade que o rodeia e na qual se insere.
Face à envolvente em que nos encontramos, em que na sociedade globalizada (com âncora nas mais desenvolvidas), se idolatram os metais, gerando o egoísmo, a competição desenfreada e sem princípios, onde os «chicos espertos» sem valores ou princípios sobressaem, não é fácil resistir e afirmar os nossos valores de sempre. Sem sermos exaustivos, referimos alguns dos agentes principais deste modelo anti-social: os meios de comunicação ditos «independentes» e voz corrente dos «mercados», dirigentes e responsáveis políticos a diversos níveis, jornalistas, gestores nomeados por “compadrio”, comentadores «de serviço», e pasme-se até alguns «membros» da N:.A:.O:. cuja actuação controversa tem vindo a público e que na prática, mais não se comportam do que vulgares «profanos de avental», etc..
É usual, por vezes, desculpabilizá-los pela «natureza humana», mas como bem salienta o Ir:. Leonel de Andrade [5] “….É essencial que as Lojas Maçónicas e os seus Obreiros percebam um facto inquestionável: o de que a sociedade humana vem ao longo dos anos envolvendo-se em inúmeras necessidades banais, criadas por mentes vaidosas e vazias, que perdeu de vista a sua realidade e as suas raízes, para uma assustadora e avassaladora inversão de valores éticos e morais, a ponto de afectar inclusive os valores de instituições consideradas até então “inquestionáveis”, tais como a própria família e a Maçonaria, entre outras”.
Ou a Maçonaria, , se empenha em transformar o Maçom num líder capaz de promover mudanças profundas na área Social, após a sua auto-formação, socorrendo-se para tal a sua célula base - a Loja, ou tornar-nos-emos simples espectadores duma realidade adversa, recheada de factos que contrariam os reais interesses dos cidadãos e dos trabalhadores. Aqui recordo o triste exemplo do Brasil actual (remontamos a 2016), onde dirigentes eleitos (embora se possa discordar da sua prática ou ideologia) são substituidos por via de golpe legislativo, por autoridades e políticos corruptos, não eleitos, sem princípios éticos e morais ( muitos dos quais se dizem «Irmãos»…. ) com o objectivo de perpetuarem no poder, evitando as malhas da justiça, a que deviam ser sujeitos e em que muitos já estão indiciados. Por cá infelizmente não estamos muito melhor. Basta recordar as muitas fraudes e roubos de altos responsáveis bancários, alguns políticos, etc…. e os responsáveis a gozarem os rendimentos indevidos , por via duma justiça lenta e pouco eficaz … com aquelas “classes”, enquanto aos contribuintes é dada a única opção de “alegremente” continuarem a suportar os custos dos assaltos efectuados.
É por tudo isto que a nossa participação na sociedade deve estar desejavelmente ligada a todas as situações que potenciam o desenvolvimento humano. Precisamos ter consciência do enorme potencial da Ordem Maçónica, já que nenhuma outra organização possui a estrutura humana que ela apresenta, abrigando no seu seio uma enorme diversidade de homens e mulheres (credos, raças, profissões, etc.), na busca de um objectivo comum – a evolução e progresso sustentado da humanidade!
Contudo, na medida em que possuímos uma estrutura invejável, temos vindo a adoptar enquanto Instituição, uma postura acomodada e quase isenta de acções concretas e efectivas para melhorar o ambiente social ao qual pertencemos ou frequentamos, não ousando questionar os graves atentados aos princípios humanistas e de equidade social, praticados pelos governos das «troikas» e dos lobies financeiros europeus, que lhes seguiram, cujos efeitos ainda estamos a sofrer. Que nos recordemos, durante todo esse tempo, o silêncio da N:. A:. O:. foi quase sepulcral…
Ou nos adequamos à realidade de um mundo extraordinariamente dinâmico e altamente instável, sem prescindirmos dos nossos princípios filosóficos, éticos e morais, ou estaremos irremediavelmente condenados a desaparecer em poucos anos, menos pelo encerramento antecipado das portas de nossos Templos, mas essencialmente devido a falta de credibilidade, primeiro entre nós mesmos e depois perante a sociedade.
III - Concluindo
Não basta proclamar alto e bom som que “eu sou Maçom” ou “eu pertenço à Maçonaria” se ao mesmo tempo se aligeiram ou negligenciam as obrigações que jurámos respeitar aquando da Iniciação.
O sistema moral e filosófico em que a A∴ O∴ nos envolve, "protegido pelo mistério e embelezado pelos símbolos" , segundo Jean Mourges em “La Pensée Maçonnique – Une Sagesse pour L’Occident” [1] é sem dúvida, o sistema mais perfeito que o homem criou para a convivência e aprendizagem. Não funciona com devaneios, intelectualismos sobranceiros ou inacessíveis, ou meras “inscrições” no quadro da Loja. Funciona com seres humanos de carne e osso, que são simultâneamente o seu instrumento, arma e triunfo. Mas para que um tal sistema funcione é necessário frequentar regularmente a Loja.
No final das sessões, a cadeia de união humaniza-nos e faz-nos vibrar, libertando-nos e unindo-nos simultâneamente. Liberta-nos do lastro da vida profana, das forças negativas que agem em nós e une-nos num nível mais elevado de tolerância e auto-superação, ou seja, une-nos maçónicamente. Essa emoção profunda só se pode sentir estando presente nas sessões.
Caberá sempre à loj∴ e aos seus Ofic∴ em estreita colaboração e sob a direcção do V∴M∴ analisar as situações, propor e implementar correcções, por forma a manter e reforçar a cadeia de união que nos liga, fazendo todo o esforço para ampliar o brilho que alimentará a luz que orienta N:.A:. O:. .
O Maçom deve ter consciência de que, antes de ser um homem envolvido em relações sociais de âmbito estritamente material, é um elemento que se colocou a favor do equilíbrio entre o Homem e a Sociedade e, consequentemente, da evolução da sociedade humana e de tudo que a cerca.
Esta postura é razão mais do que suficiente para o dever de discutir também os rumos de nossa Augusta Ordem ,junto de todos os IIr:. da Loja. Existem na nossa base homens e mulheres que podem e devem contribuir para o engrandecimento da Maçonaria, despertando a vontade e a necessidade do enorme trabalho (nunca finalizado) para que as nossas marcas indeléveis sejam semeadas no caminho que desejamos.
A Maç∴ tem de sair para a rua e ligar-se à sociedade, o que equivale a saltar para fora do cómodo isolamento facultado pelos espessos muros da N:.A:.O:., caso contrário definhará, ou pelo menos não evoluirá, esgotando a força e energia em questiúnculas intestinas de egos e ambições mal resolvidos, esquecendo o essencial dos seus objectivos e o papel a desempenhar na Sociedade.
Julgamos ser esta a orientação do caminho a percorrer, em contraponto à enfase em pormenores exotérico-ritualísticos, que apesar de importantes no seu contexto, tendem a impedir-nos de olhar para além do umbigo, se tornados conceptualmente dominantes.
Concluo citando Irène Mainguy (2) : “A responsabilidade do M:. M:. tem vários aspectos. Obriga-o a respeitar todos os compromissos assumidos, com sinceridade, ser assíduo e trabalhar activamente para o desenvolvimento harmonioso da sua Loja. O seu compromisso pessoal deve levá-lo a trabalhar com perseverança para o seu aperfeiçoamento constante. Mas deve também poder fazer regularmente uma avaliação do que semeou positivamente, tanto no interior do templo, como no exterior».
Salvador Allen:. M∴ M∴ (R:.L:. Salvador Allende, a oriente de Lisboa)
(Junho, 2016, e:. v:.; revisto em Mar.2026 e:.v:.)
Bibliografia:
(1) – “La Pensée Maçonnique – Une Sagesse pour L’Occident”, Jean Mourges/ Éitions P.U.F., 1989
(2) - “À la Suite de Oswald Wirth - La Franc-Maçonnerie Clarifiée pour ses Initiès -– Le Maître”, Irène Mainguy, Ed. Dervy, 2013
(3) - Revista Talleres Año III Nº 20. Montevideo – Uruguay, Hernando Sequera M∴M∴, 2003
(4) – “Comportamento Maçônico” - Edições 14, 2002;
(5) - “A Maçonaria espera que sejamos Maçons” – Ir:. Leonel R. de Andrade - “JB News – Informativo” nr. 2027, 20 de Abril de 2016)
(6) – “Comportamento Maçónico e a Loja – algumas notas” – Salvador Allen:. M:. M:.
(7) - Blog “Comp & Esq” (Compasso & Esquadro)
Sem comentários:
Enviar um comentário