Com a devida vénia se transcreve este Artigo, escrito por António Valdemar, na Revista Tempo Livre (Viajar com Livros)
Mar, sempre o Mar
Poetas, escritores e dramaturgos portugueses aprofundaram todas as motivações da vida
no mar. Encontram-se na poesia dos Cancioneiros medievais, na obra épica e lírica
de Camões, nos sonetos de Antero, na Ode Marítima de Pessoa, nos roteiros do litoral
e das ilhas dos Açores de Raul Brandão.
O mar permanece desde sempre vinculado a Portugal. É um dos elementos que definiram parte significativa do território, estabeleceram uma das fronteiras com a Galiza, consolidaram a administração pública e privada, determinaram relações comerciais com o exterior e, alguns séculos depois, contribuíram para a expansão de Portugal através do Mundo. A presença do mar refletiu-se logo nos primórdios da literatura portuguesa. Encontra-se nos Cancioneiros que recolheram a poesia medieval e um dos exemplos mais relevantes é Martin Codax ao confessar a sua insatisfação afetiva marcada por interrogações sucessivas: «Ondas do mar de Vigo, / se vistes meu amigo? (…) Ondas do mar levado, / se vistes meu amado? E ai Deus, se verrá cedo?»