Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este trabalho do Irmão Norberto P. de Barcellos seleccionado pelo blogue Jakim&Boaz do Informativo “CHICO DA BOTICA” - Edição 132 - 31 Maio 2019:
A União dos Desiguais
Podemos ter nítidas semelhanças com alguém. Seja na forma física. Seja na personalidade. Seja no jeito de ser. Fulano é assim. Sicrano é assado . De quando em vez, parecidos, mas iguais não. Todos nós somos diferentes. E é aí que emana do nosso íntimo uma luz de aprendizagem.
Por maior que seja a nossa semelhança com alguém, jamais será absolutamente igual. Mesmo assim, esse pêndulo torna-nos idênticos, porque representa a unidade das nossas diferenças e que por se completarem nas comparações, alcançam uma harmonia de igualdade. Todos nós temos qualidades ou defeitos que o outro não tem. Mas o outro possui muitas coisas que nós não possuímos. Isso completa-nos. Assim alcançamos o equilíbrio necessário, uma vez que, juntos acabamos formatando um caminho que, ao percorrermos pela lógica da dualidade, acaba conduzindo-nos para uma forma única. Por outras palavras: as nossas diferenças completam-nos. Fulano gosta disso. Sicrano daquilo. Beltrano nem disso nem daquilo, porém absolutamente útil na sua forma de ser. Ao nos reconhecermos assim, evidenciamos a soma de nós mesmos.
Do conciso ao prolixo; do extrovertido ao tímido.
A bem da verdade, para que um exista é fundamental a presença do outro. A dualidade é a permanência de ambos, como extremos, já que se um desaparecer, o outro perderá o sentido da sua existência, pois necessita do contrário como de si mesmo para poder existir.
Desnecessários tantos exemplos, quando ao olharmos para o chão na nossa frente, vemos no Pavimento Mosaico a presença emblemática do Universo e de tudo o que nele existe, inclusive do ser humano, seu jeito de ser, sua vida, porque a dualidade está presente em tudo.
Na sua obra, “Simbologia Maçónica dos Painéis”, Almir Sant’Anna Cruz, assim escreve: “O Pavimento Mosaico além de representar a União entre todos, independente das suas diferenças étnicas, religiosas, políticas, etc., simboliza a harmonia dos contrários, a convivência harmoniosa de várias dualidades aparentemente antagónicas, tais como o bem e o mal, o espírito e a matéria, a polaridade positiva e a polaridade negativa da natureza, etc.” E finaliza: “Os maçons, unidos pelo mesmo cimento de tolerância e benevolência, conseguem não só superar a moral comum, mas, sobretudo elevar-se acima dela”.