
Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este artigo de
Maria Elvira Cipagauta publicado no
blogue Jakim&Boaz.
O Rito Francês, um Rito Laico
O que define o Rito Francês é o seu sistema simbólico e ritual, mas também a sua identificação histórica com o G∴O∴D∴F∴. A história do Rito Francês sobrepõe-se à historia maçónica francesa e belga, cheia de ruído e fúria, fortemente marcada pela história política, social e religiosa destes dois países.
A evolução dos seus rituais deveu-se a uma mudança gradual, abandonando progressivamente as suas bases simbólicas, para acompanhar a imersão cada vez mais profunda dos Grandes Orientes de França e da Bélgica na luta política.
Antes de la Segunda Guerra Mundial, dentro do G∴O∴D∴F∴ foi decidido regressar gradualmente às preocupações com os ritos e símbolos, permitindo o desenvolvimento do movimento iniciado por
Arthur Groussier, Grão-Mestre do G∴O∴D∴F∴ em 1938, quem decidiu regressar às raízes do Rito Francês, sem se separar do secularismo que se havia afirmado fortemente. O adogmatismo e a liberdade absoluta de consciência são ponta de lança de uns Orientes modernos e activos, comprometidos na luta de ideias e de valores, no coração do campo social.
O caminho até ao secularismo foi lento, mas progressivo. Entre os anos 1730-1740, la Grande Loja de França, precursora do G∴O∴D∴F∴, decidiu a inversão das colunas com o desaparecimento do simbolismo e das suas referências ao Novo e Antigo Testamento.

Em 1871, o Grande Oriente de Bélgica decidiu abolir a referência obrigatória a Deus e à imortalidade da alma. Em 1877 o mesmo efectuou o Grande Oriente de França, retirando o livro da lei sagrada do altar de juramento. Em 1877 foi corrigida a seguinte redacção do Art. 1° da Constituição de 1865, do G∴O∴D∴F∴: "Os seus princípios são a existência de Deus, a imortalidade da alma e a solidariedade humana. Ele considera a liberdade de consciência como um direito que pertence a cada homem e não exclui nada nem ninguém pelas suas crenças”. Esta afirmação foi modificada pela seguinte forma: "Os seus princípios são a liberdade absoluta de consciência e a solidariedade humana."
A decisão tomada pelo G∴O∴D∴F∴ e pelo G∴O∴D∴B∴ ao eliminar qualquer referência obrigatória a um princípio superior, declarando-se "adogmáticos", provocou a ruptura definitiva com a maçonaria anglo-saxónica.
A referência obrigatória a estes símbolos foi eliminada porque violava la liberdade de consciência e impedia que o maçom fosse efectivamente um Homem Livre numa Loja Livre.
Em consequência, os Rituais foram postos de harmonia com as alterações que se acabavam de fazer à Constituição.