Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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18 de setembro de 2026

A Taberna em que nasceu o primeiro Conselho do REAA

 



A TABERNA EM QUE NASCEU O PRIMEiRO SUPREMO CONSELHO DO REAA


Autor: Iván Herrera Michel

            

 

No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos

Recreação da “Taberna de Shepheard” a partir da imagem do
monumento comemorativo em Charleston

Por isso, vale a pena parar para pensar naquele domingo do final de maio de 1801, quando o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite foi fundado na Taberna Shepheard, na esquina das ruas Broad e Church, em Charleston, Carolina do Norte. Esta taberna servia de ponto de encontro para comerciantes, profissionais liberais, líderes cívicos e maçons. É muito provável que a fundação tenha ocorrido no Salão Nobre, no segundo piso, virado para a Rua Church. A planta do edifício seguia o modelo das grandes tabernas de Charleston: o piso térreo albergava a própria taberna, a loja, a cozinha e as caves, enquanto o segundo piso continha um grande salão para banquetes, reuniões cívicas e atividades culturais. O terceiro e quarto andares estavam reservados para alojamento de hóspedes e alojamento para funcionários.                 

9 de setembro de 2026

Maçonaria no Espelho Digital: Projeção Pública, Redes Sociais e Juventude

 



Maçonaria no Espelho Digital: Projeção Pública, Redes Sociais e Juventude

 


Autor: Víctor Guerra


Este artigo reflecte criticamente sobre os esforços recentes da Grande Loja de Espanha (GLE) e da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) para projectar uma imagem pública da Maçonaria por meio das redes sociais, visando particularmente o público jovem entre 18 e 30 anos. Com base na análise de iniciativas como o projeto ” Ex Libris Lodge nº 3765” e conteúdos como o Craftcast, o artigo avalia a eficácia e a coerência dessas estratégias de comunicação em comparação com o uso tradicionalmente reservado e discreto da imagem maçónica. O artigo também critica a proliferação de conteúdo fotográfico nas redes sociais, muitas vezes sem controle institucional, e seu potencial uso por agentes externos para fins que nada têm a ver com a Maçonaria.

8 de setembro de 2026

Os efeitos Psicológicos da Prática do Ritual Maçónico

 


 
Os efeitos Psicológicos da Prática do Ritual Maçónico


 Autor: Rafhael Guimarães

(por cortesia do Blog «Comp&Esq» que  inicialmente publicou em 30.Ago.2016, em Portugal este artigo, ) - Selecionado do ex-“JB News – Informativo Nº 2.141”, de 12 de agosto de 2016 Pág. 25/33)


Introdução  (30.Ago.2016)

 A definição mais comum de Maçonaria é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos” (ZELDIS, 2011). Isso já diz muito sobre a instituição e seu modo de ensino e aprendizagem, que ocorre por meio de rituais repletos de alegorias e expressões simbólicas.

No entanto, entre o desdobramento do ritual e o comportamento moral de seus praticantes há um mecanismo psicológico que não pode ser ignorado e cuja compreensão pode colaborar um melhor entendimento da razão da Maçonaria atrair ao longo dos séculos o interesse de tantos distintos homens e a ira de tão perigosos inimigos, como os nazis, papas e o Comintern – Comité Comunista Internacional (ROBERTS, 1969).

1 de setembro de 2026

Chegam os primeiros Mestres Maçons formados com a IA

 



Chegam os primeiros Mestres Maçons formados com a IA 

Autor:  Iván Herrera Michel

                  

Pouco mais de três anos e meio depois da estreia pública da IA, estamos a ver os primeiros maçons a alcançar o grau de Mestre cujas carreiras foram conduzidas inteiramente com o auxílio da inteligência artificial (IA).      

Na verdade, para estes novos Mestres, as IA não representam uma ruptura com a tradição, mas antes um ambiente sociológico normal no qual podem examinar as instruções recebidas e ser menos dependentes do prestígio dos nomes e mais respeitosos com a solidez dos argumentos. Esta contingência resulta especialmente significativa na Maçonaria, sendo um fenómeno com uma rica mistura de alegoria, simbolismo, tradição e especulação.                       

Por exemplo, ao longo dos três séculos de existência da Maçonaria, circularam falsidades históricas, tentando ligá-la aos construtores das pirâmides, aos Templários, aos mistérios do Egipto, às escolas pitagóricas e a inúmeras figuras bíblicas e não bíblicas. Agora, o novo maçom, com Inteligência Artificial à disposição, pode questionar a veracidade destas narrativas, comparar versões, investigar as

28 de agosto de 2026

O Cisma como sintoma na Maçonaria: o colapso demográfico da Ordem

 



O Cisma como sintoma na Maçonaria: o colapso demográfico da Ordem 

Resumo do artigo apresentado no Colóquio Anual do CLIPSAS, realizado na Grande Loja de Sófia, Bulgária, no dia 14 de maio de 2026.


Por:  Iván Herrera Michel


                 

Minhas Irmãs, Meus Irmãos,

Quando o CLIPSAS nos convidou, na Assembleia Geral do ano passado em Bucareste, para reflectirmos sobre ideias para um mundo mais fraterno e sobre o papel dos maçons na construção da paz, entendi que aqueles que propunham este tema acreditavam que a Maçonaria ainda possui a capacidade real de promover a coexistência.               

Tenho observado a Maçonaria há várias décadas, em diversos países, estabelecida em várias culturas, e a ser vítima de todo o tipo de cismas, e, pessoalmente, não acredito que possamos ser agentes da paz externamente quando a fraternidade não pode ser sustentada internamente, numa Ordem que prega a harmonia universal enquanto vive em conflitos permanentes entre os seus membros e enquanto a cultura da negação impede a autocrítica.      

Os números não permitem interpretações místicas, esotéricas ou egocêntricas. A nossa Maçonaria está a evaporar-se diante dos nossos olhos e nas nossas mãos. Falo não do conforto da teoria académica, mas da autoridade que me foi conferida por ter presidido a organizações multilaterais e plataformas de governação com presença em diversos continentes.     

11 de agosto de 2026

História e Estrutura Simbólica dos Rituais

 




História e Estrutura Simbólica dos Rituais
Tomamos a liberdade de voltar a publicar este interessante trabalho no nosso Blog, datado inicialmente a 19.Jan.23, novamente com a devida vénia e respectiva autorização, do Blog «Compasso & Esquadro», a quem continuamos a agradecer a mútua colaboração.

Autor: Raoul Berteaux


Temos o grato prazer de apresentar aos nossos leitores alguns trechos da interessante e essencial obra de Raoul Berteaux  “La Symbolique de la Loge de Perfection du Rite Écossais Ancien et Accepté, du 4º au 14º degré” – Éditions Maçonniques de France (EDIMAF), 2012.

Embora este trabalho transcenda e ultrapasse o que é considerado ser o universo da maçonaria azul, achamos contudo interessante e até conveniente, continuar a apresentar neste Blog, sem perder o rumo prioritário, (como já o temos efectuado, esporádicamente),  alguns trabalhos mais dirigidos  aos Graus Complementares, uma vez que toda a sua Bibliografia está disponível ou na Internet ou na Bibliografia indicada, à venda nas livrarias especificas, podendo e devendo constituir, na nossa modesta opinião, um ponto de motivação para que os Mestres das Lojas Azuis não  tendam a acomodar-se no aconchego

29 de julho de 2026

STATIONER’S HALL (1721) - A Prova que Reconstroi o Nascimento da Maçonaria Moderna

 

 



STATIONER’S HALL (1721) - A Prova que Reconstroi o Nascimento da Maçonaria Moderna



Autor:  Iván Herrera Michel


              


 

Stationers´Hall de Londres

Após a recente publicação de um artigo sobre a taberna de Charleston onde foi fundado o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite, coincidindo com o 225º aniversário da sua fundação, fui convidado a recriar outro acontecimento crucial da história maçónica: o banquete realizado a 24 de junho de 1721, no "Stationers’ Hall", em Londres. A sugestão pareceu-me excelente, pois este foi o local do primeiro evento maçónico que pode ser verdadeiramente reconstruído com provas sólidas.

O primeiro ponto a recordar é que a criação de uma Grande Loja de Londres em 1717 baseia-se num relato incorporado por James Anderson na edição de 1738 das suas Constituições, o qual não pôde ser corroborado por outras fontes históricas, nem foi possível comprovar uma única reunião da loja entre 1717 e 1721. E, para complicar ainda mais o relato, a existência de uma taverna chamada "The Goose and the Grill" naquela cidade em 1717,  também não foi confirmada.

25 de junho de 2026

A Maçonaria na Revolução Francesa: que papel?

 



A Maçonaria na Revolução Francesa: que papel? 

Do baú de recordações do N/ Blog recuperámos esta interessante peça, que a seguir se divulga.



Ainda hoje é frequente ler e ouvir que a Revolução Francesa é sinónimo de uma acção vigorosa e organizada da Maçonaria francesa.

Sendo indiscutível, por múltiplos registos históricos, que uma grande parte da elite intelectual francesa integrava a Maçonaria, isso não significa que ela estivesse alinhada, como tal, com a ideologia revolucionária de então.

A importante presença dos maçons é outro facto inquestionável, muito activos individualmente, mas presentes em todos os campos político-ideológicos, incluindo a nível dos Chouans, que constituíam a corrente política e militar de defesa dos interesses da realeza.
A primeira iniciativa em torno da criação do mito dos maçons como autores da Revolução é do abade Lefranc, director do seminário de Caen que, em 1791, publicou um livro com um extenso título e cuja parte inicial era “ Le voile levé pour les curieux ou les secrets de la revolution revélés ….

14 de junho de 2026

Quem Sou? Reflexões

 



Quem Sou? Reflexões

Uma pesquisa ao Baú de recordações, permitiu-nos reaver este elemento, selecionado de: “ex-JB News – Informativo” nr. 1.954 – Flornópolis (SC)” –  7 de fevereiro de 2016, que dispomos aos nosso Leitores, entendendo que mantêm toda a actualidade.

Autor: Hercule Spoladore


“NÃO CREIA em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho de algum sábio antigo; 

NÃO CREIA em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes; 

AQUILO, POREM, que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de toda a outra coisa vivas; 

A ISSO, aceitai como verdade; 

POR ISSO, pautai vossa conduta! 

27 de maio de 2026

Mais de dois séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens ?

 



Mais de dois séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens ?



Segundo a historiografia oficial, o Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu no território dos  Estados Unidos da América (EUA) em 1801, em Charleston, Carolina do Sul.

Nos últimos anos, diversos investigadores maçónicos têm procurado esclarecer os aspectos elementares desta importante matéria, dando a conhecer novos dados documentais que vêm preencher amplas lacunas.

O Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) nasceu nos EUA? 

Foi alvo de uma reorganização nos EUA com o acréscimo de 8 graus? 

Ou as suas fontes efectivas estão em França?

Nesse sentido, torna-se útil efectuar um conjunto de referências que possam ser objecto  de uma posterior reflexão sobre as reais origens do rito mais divulgado e praticado em todo o mundo.

17 de maio de 2026

O Cavaleiro Ramsay e o Rito Escocês Antigo e Aceito: mito e realidade !

 



O Cavaleiro Ramsay e o Rito Escocês Antigo e Aceito: mito e realidade !




Andrew Michel de Ramsay nasceu na Escócia, em Ayr, em 1686, segundo Ligou, ou em 1680/81, segundo Mackey.

O pai era padeiro na Escócia e foi referido por alguns autores como um eclesiástico anglicano, partidário dos Stuarts e arruinado pela revolução de 1688/1689.

A mãe seria descendente da família do Barão de Dun.

Fez os estudos de teologia, mas viveu toda a sua vida da hospitalidade e dos serviços prestados a destacados nobres e fidalgos, seja como preceptor junto, nomeadamente, do Duque de Wemyss, do Conde de Sassenage, dos Chateau-Thierry, do Duque de Bouillon e do próprio James III (do seu filho mais velho), seja como simples hóspede do arcebispo Fénelon, de Madame de Guyon ou do Duque de Sully.

Mesmo quando se deslocou a Inglaterra de 1728 a 1730 foi na casa de um familiar do Duque de Argyl que esteve.

28 de abril de 2026

Quando o Som se Torna Luz: Rituais, Símbolos e Música


                   



No âmbito do 15º Aniversário da N:.R:.L:.  Salvador Allende,  realizámos em 27.Abr. um encontro e jantar de confraternização. 
Estiveram presentes o Gr:. Sec:.  (representado o G:.M:.), e o Gr:. Intend:. Património do GOL, bem como diversos Amigos e Irmãos, além de Irmãs da  Loj:. Maat da GLFP , em que a Resp:. V:.M:., no âmbito do encontro (Conferência "GOL,  Arte e Maçonaria no Feminino"), se nos dignou presentear com a comunicação que abaixo se transcreve: 



Quando o Som se Torna Luz: Rituais, Símbolos e Música


([MÚSICA – Passacaglia | 0:00–0:35])

A relação entre rituais, símbolos e música atravessa a experiência humana como uma estrutura persistente, ainda que muitas vezes invisível. Mais do que expressões culturais isoladas, estas formas constituem modos de organização do sentido, dispositivos através dos quais o indivíduo interpreta, habita e transforma a sua relação com o mundo.

O ritual não se reduz a uma sequência codificada de gestos. Ele configura-se como uma prática estruturante que organiza o tempo, regula a ação e institui uma diferença face ao quotidiano. Ao delimitar um espaço e um tempo próprios, cria condições para uma experiência marcada pela intensidade e pela possibilidade de transformação.

A repetição, neste contexto, não é redundância, mas condição de eficácia. Ao reiterar-se, o gesto ritual não se esgota; acumula densidade, estabiliza a experiência e produz continuidade.

30 de março de 2026

Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à Sociedade - o caminho da Incerteza ? (II)

 


Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à  Sociedade - o caminho da Incerteza ? (II)


                   (Continuação)




IV – E a Maçonaria?

Do atrás exposto afigura-se-nos essencial que a  «velha» Maçonaria adogmática e liberal se una cada vez mais e sobretudo se reforce, em vez de se dispersar, pois tem aqui um campo primordial de intervenção, para que a Liberdade,  Igualdade e a Fraternidade subsistam e a Humanidade progrida, tirando partido eficiente e livre dos novos meios e desenvolvimentos tecnológicos de que poderá dispor. 

No nosso país, sendo a nova vaga de cidadania cada vez mais académicamente qualificada, poderá representar também, se não continuar a ser obrigada a emigar,  uma oportunidade essencial para a Maçonaria estar mais activa na Sociedade, já que compete aos maçons defenderem consequentemente os seus princípios,  desmascarando, combatendo e anulando prioritáriamente as ameaças totalitárias, resultantes da falta de solidariedade e apoio aos mais pobres e fracos (crianças, desempregados, idosos), à planeada regressão social e porque não, ao meio ambiente, que  a todos afecta, modelo corrente para os ideólogos do  ultra-liberalismo. 

20 de março de 2026

Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à Sociedade - o caminho da Incerteza ? (I)



Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à  Sociedade - o caminho da Incerteza ? (I)


                   


I - Introdução

A Maçonaria,  credenciada como uma das mais antigas e discretas instituições fraternais do mundo, carrega consigo séculos de tradição, conjuntamente com uma forte ligação a valores como a Liberdade, Igualdade, Fraternidade e aperfeiçoamento individual   da pessoa humana. Tem procurado,  ao longo da sua história, adaptar-se às sucessivas mudanças sociais e culturais, ao mesmo tempo que tenta preservar os princípios e valores que a definem. No século XXI, a modernidade dos novos costumes, hábitos e ideias sociais, aliada ao impacto das novas tecnologias, representam um novo e enorme desafio  para a instituição. Importa pois analisar e perspectivar, face ao papel que a Maçonaria desempenhou até hoje, qual o que poderá vir a desempenhar  na sociedade e no país e até globalmente, no novo mundo «digital» que entrelaça o planeta em que nos inserimos. 

7 de janeiro de 2026

Entre o Mito Templário e a Clareza da História

 





ENTRE o MITO TEMPLARIO e a  CLAREZA da HISTORIA

           

 Autor: Iván Herrera Michel



Nas nossas Lojas e durante os nossos encontros entre Irmãos e Irmãs, continua a surgir a mesma questão: seremos nós, Maçons, os herdeiros secretos dos Templários? Por vezes, fazem-no eles próprios com um certo orgulho, como se esta falsa linhagem monástica-cavalheiresca fosse o que conferiu prestígio à Ordem. 

E devo confessar francamente que, cada vez que ouço esta história, sinto que ela nos desvia do que realmente importa: as raízes históricas, os aspetos verdadeiramente iniciáticos da Maçonaria e o verdadeiro dever do Maçom, que é sustentado por nomes e documentos verificáveis que ninguém pode fabricar.

Por isso, fico muito feliz por saber do novo livro "O Mito Templário e as Origens da Maçonaria", de Raúl Renowitzky Comas, publicado pela Editorial Kier, que mais uma vez demonstra o seu apurado talento para oferecer títulos que marcam a agenda no debate maçónico e cultural. Conheço pessoalmente as conferências e os escritos do autor e sei que ele tem a virtude de esclarecer sem pontificar, desmantelar sem ferir e restaurar a serenidade onde outros preferem o ruído. Assim sendo, espero do livro apenas um mapa claro, livre de fantasias e ilusões, do nosso percurso, desde as guildas medievais e a pragmática de Schaw, passando por Anderson, até ao Big Bang que deu início à globalização e a glocalização da Maçonaria especulativa.

28 de dezembro de 2025

Pontes de Fraternidade - a experiência Latino-Americana rumo à Universalidade Maçónica do Terceiro Milénio

 




Pontes de Fraternidade - a experiência Latino-Americana rumo à Universalidade Maçónica do Terceiro Milénio


Trabalho apresentado em 22/11/2025 no Simpósio Maçónico Internacional, patrocinado pela Revista Cultural Maçónica Internacional “Cadena Fraternal”, pela Serenissima Gran Loggia Nazionale Italiana e pelo Instituto Universitário Claustro Iberoamericano da Cidade do México.

 (Saudações formais)


Antes de começarmos, gostaria de dizer que estas reflexões sinceras que partilho se baseiam na minha experiência directa a liderar organizações maçónicas latino-americanas e estruturas multilaterais com presença em quatro continentes, uma viagem que me permitiu observar a nossa diversidade, as nossas tensões e as nossas forças a partir de dentro.

Este percurso levou-me à convicção de que a Maçonaria só pode ser sustentada se as Obediências que hoje actuam nos principais circuitos internacionais aprofundarem, com genuíno empenho, o seu enfoque nas Obediências menores, as da periferia e as que trabalham longe dos grandes centros urbanos.

17 de novembro de 2025

150 Anos do Convento de Lausanne que redefiniu o R:.E:.A:.A:.

 



Com a devida vénia e respectiva autorização do Blog «Comp&Esq» se transcreve  a seguinte e interessante reflexão:

150 ANOS DO CONVENTO DE LAUSANNE QUE REDEFINIU O R:.E:.A:.A:.


Autor:  Iván Herrera Michel

                   

 

(ao lado: Águia Bicéfala desenhada em Lausana em 1875


Neste ano de comemorações, enquanto o mundo maçónico recorda o 150º aniversário do Convento de Lausanne, é importante compreender que este não é simplesmente um aniversário, mas uma redescoberta do momento em que o Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA) se examinou honestamente ao seu próprio espelho e decidiu questionar a sua identidade e o seu rumo. Pois, naquelas duas semanas de Setembro de 1875, as questões que ainda hoje debatemos foram discutidas com serenidade: se a fé e a razão podem coexistir sob o mesmo tecto, se a tradição pode ser renovada sem perder a sua essência e se a unidade pode existir sem uniformidade. Os eventos comemorativos de que ouço falar na Europa, na América e em África evocam uma semente viva que continua a dar frutos em cada jurisdição do REAA -  sejam elas femininas, mistas ou masculinas — onde o pensamento livre procura ser sustentado pela fraternidade e pelo respeito.

10 de novembro de 2025

O Mestre Maçom - prisioneiro ou libertado pela lenda de Hiram

 



O Mestre Maçom -  prisioneiro ou libertado pela lenda de Hiram



Foi-me sugerida a aprentação de uma Pr:. sobre o significado da lenda de Hiram para o Mestre Maçon. Prisioneiro ou libertado por ela? 

Para discorrer sobre o assunto, irei socorrer-me de três fontes: a minha própria reflexão, constante de várias das PPr:. elaboradas nos últimos anos; o excelente acervo bibliográfico construído pelos NN:.QQ:.IIr:. Diógenes de Sínope e Salvador Allende; e a sabedoria de muitos estudiosos da história maçónica, como Oswald Wirth, Hercule Spoladore e vários outros que aqui citarei.

Como é o caso de Marc Halévy, para quem “o grande tripé mítico e místico sobre o qual repousa o edifício simbólico e espiritual da Franco-maçonaria, resume-se em três ideias que têm entre si relações extraordinariamente ricas: o arquitecto perfeito e o Iniciado completo que é Hiram, o Templo de pedras de Jerusalém, sobre o monte Moriah, e o rei Salomão que incarna a Sabedoria mais profunda e representa o Divino entre os homens” .

Cada um destes pilares encontra as suas raízes no Livro dos Reis e nas Crónicas da Bíblia hebraica e a sua ligação perfeita é-nos dada a conhecer pela Lenda de Hiram, elemento central do ritual maçónico de elevação a Mestre.

20 de outubro de 2025

As origens da Maçonaria especulativa: situação das teorias actuais

 




As origens da Maçonaria especulativa: situação das teorias actuais


Autor: Roger Dachez


De todos os debates sobre a história da Maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. No entanto, este tema surgiu na França mais ou menos recentemente, e eu contribuí modestamente para divulgá-lo em 1989, publicando na Revista Renaissance Traditionnelle dois longos artigos, nos quais manifestei que se podia manter um debate sério sobre esta questão, expondo pela primeira vez em francês a essência dos estudos realizados até agora na Inglaterra e, desde o princípio dos anos setenta, na Escócia.

O simples facto de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de mencionar a ausência de filiação directa com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reacções abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade.

21 de setembro de 2025

Podemos estabelecer um paralelo entre o Socialismo e a Fraternidade Maçónica?

 




Podemos estabelecer um paralelo entre o Socialismo e a Fraternidade Maçónica?


Autor: Charles-Albert Delatour

 

A questão do paralelismo entre o socialismo e a fraternidade maçónica é complexa, pois toca conceitos distintos – um sistema político-económico, por um lado, e um valor espiritual e organizacional, por outro – mas merece uma análise aprofundada devido a certos pontos de convergência e de divergência. Trata-se de uma exploração pormenorizada, estruturada para examinar as semelhanças, as diferenças e as nuances, com base nos princípios da Maçonaria e nos fundamentos do socialismo, tendo em conta o contexto histórico e filosófico.

Definições e princípios fundamentais
Para estabelecer um paralelo, é essencial clarificar os termos:

Socialismo: Movimento político e económico que defende uma organização social e económica destinada a reduzir as desigualdades, frequentemente através da redistribuição da riqueza, da