Autor: Iván Herrera Michel
No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos
Autor: Iván Herrera Michel
No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos
Autor: Víctor Guerra
Este artigo reflecte criticamente sobre os esforços recentes da Grande Loja de Espanha (GLE) e da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) para projectar uma imagem pública da Maçonaria por meio das redes sociais, visando particularmente o público jovem entre 18 e 30 anos. Com base na análise de iniciativas como o projeto ” Ex Libris Lodge nº 3765” e conteúdos como o Craftcast, o artigo avalia a eficácia e a coerência dessas estratégias de comunicação em comparação com o uso tradicionalmente reservado e discreto da imagem maçónica. O artigo também critica a proliferação de conteúdo fotográfico nas redes sociais, muitas vezes sem controle institucional, e seu potencial uso por agentes externos para fins que nada têm a ver com a Maçonaria.
Autor: Rafhael Guimarães
(por cortesia do Blog «Comp&Esq» que inicialmente publicou em 30.Ago.2016, em Portugal este artigo, ) - Selecionado do ex-“JB News – Informativo Nº 2.141”, de 12 de agosto de 2016 Pág. 25/33)
Introdução (30.Ago.2016)
A definição mais comum de Maçonaria é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos” (ZELDIS, 2011). Isso já diz muito sobre a instituição e seu modo de ensino e aprendizagem, que ocorre por meio de rituais repletos de alegorias e expressões simbólicas.
Autor: Iván Herrera Michel
Pouco mais de três anos e meio depois da estreia pública da IA, estamos a ver os primeiros maçons a alcançar o grau de Mestre cujas carreiras foram conduzidas inteiramente com o auxílio da inteligência artificial (IA).
Na verdade, para estes novos Mestres, as IA não representam uma ruptura com a tradição, mas antes um ambiente sociológico normal no qual podem examinar as instruções recebidas e ser menos dependentes do prestígio dos nomes e mais respeitosos com a solidez dos argumentos. Esta contingência resulta especialmente significativa na Maçonaria, sendo um fenómeno com uma rica mistura de alegoria, simbolismo, tradição e especulação.
Resumo do artigo apresentado no Colóquio Anual do CLIPSAS, realizado na Grande Loja de Sófia, Bulgária, no dia 14 de maio de 2026.
Por: Iván Herrera Michel
Minhas Irmãs, Meus Irmãos,
Quando o CLIPSAS nos convidou, na Assembleia Geral do ano passado em Bucareste, para reflectirmos sobre ideias para um mundo mais fraterno e sobre o papel dos maçons na construção da paz, entendi que aqueles que propunham este tema acreditavam que a Maçonaria ainda possui a capacidade real de promover a coexistência.
Tenho observado a Maçonaria há várias décadas, em diversos países, estabelecida em várias culturas, e a ser vítima de todo o tipo de cismas, e, pessoalmente, não acredito que possamos ser agentes da paz externamente quando a fraternidade não pode ser sustentada internamente, numa Ordem que prega a harmonia universal enquanto vive em conflitos permanentes entre os seus membros e enquanto a cultura da negação impede a autocrítica.
Os números não permitem interpretações místicas, esotéricas ou egocêntricas. A nossa Maçonaria está a evaporar-se diante dos nossos olhos e nas nossas mãos. Falo não do conforto da teoria académica, mas da autoridade que me foi conferida por ter presidido a organizações multilaterais e plataformas de governação com presença em diversos continentes.
Autor: Raoul Berteaux
Temos o grato prazer de apresentar aos nossos leitores alguns trechos da interessante e essencial obra de Raoul Berteaux “La Symbolique de la Loge de Perfection du Rite Écossais Ancien et Accepté, du 4º au 14º degré” – Éditions Maçonniques de France (EDIMAF), 2012.
Autor: Iván Herrera Michel
Stationers´Hall de Londres
Após a recente publicação de um artigo sobre a taberna de Charleston onde foi fundado o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite, coincidindo com o 225º aniversário da sua fundação, fui convidado a recriar outro acontecimento crucial da história maçónica: o banquete realizado a 24 de junho de 1721, no "Stationers’ Hall", em Londres. A sugestão pareceu-me excelente, pois este foi o local do primeiro evento maçónico que pode ser verdadeiramente reconstruído com provas sólidas.
O primeiro ponto a recordar é que a criação de uma Grande Loja de Londres em 1717 baseia-se num relato incorporado por James Anderson na edição de 1738 das suas Constituições, o qual não pôde ser corroborado por outras fontes históricas, nem foi possível comprovar uma única reunião da loja entre 1717 e 1721. E, para complicar ainda mais o relato, a existência de uma taverna chamada "The Goose and the Grill" naquela cidade em 1717, também não foi confirmada.
Do baú de recordações do N/ Blog recuperámos esta interessante peça, que a seguir se divulga.
Quem Sou? Reflexões
Uma pesquisa ao Baú de recordações, permitiu-nos reaver este elemento, selecionado de: “ex-JB News – Informativo” nr. 1.954 – Flornópolis (SC)” – 7 de fevereiro de 2016, que dispomos aos nosso Leitores, entendendo que mantêm toda a actualidade.
Autor: Hercule Spoladore
“NÃO CREIA em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho de algum sábio antigo;
NÃO CREIA em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes;
AQUILO, POREM, que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de toda a outra coisa vivas;
A ISSO, aceitai como verdade;
POR ISSO, pautai vossa conduta!
Segundo a historiografia oficial, o Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu no território dos Estados Unidos da América (EUA) em 1801, em Charleston, Carolina do Sul.
Nos últimos anos, diversos investigadores maçónicos têm procurado esclarecer os aspectos elementares desta importante matéria, dando a conhecer novos dados documentais que vêm preencher amplas lacunas.
O Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) nasceu nos EUA?
Foi alvo de uma reorganização nos EUA com o acréscimo de 8 graus?
Ou as suas fontes efectivas estão em França?
Nesse sentido, torna-se útil efectuar um conjunto de referências que possam ser objecto de uma posterior reflexão sobre as reais origens do rito mais divulgado e praticado em todo o mundo.
O Cavaleiro Ramsay e o Rito Escocês Antigo e Aceito: mito e realidade !
Andrew Michel de Ramsay nasceu na Escócia, em Ayr, em 1686, segundo Ligou, ou em 1680/81, segundo Mackey.
O pai era padeiro na Escócia e foi referido por alguns autores como um eclesiástico anglicano, partidário dos Stuarts e arruinado pela revolução de 1688/1689.
A mãe seria descendente da família do Barão de Dun.
Fez os estudos de teologia, mas viveu toda a sua vida da hospitalidade e dos serviços prestados a destacados nobres e fidalgos, seja como preceptor junto, nomeadamente, do Duque de Wemyss, do Conde de Sassenage, dos Chateau-Thierry, do Duque de Bouillon e do próprio James III (do seu filho mais velho), seja como simples hóspede do arcebispo Fénelon, de Madame de Guyon ou do Duque de Sully.
Mesmo quando se deslocou a Inglaterra de 1728 a 1730 foi na casa de um familiar do Duque de Argyl que esteve.
([MÚSICA – Passacaglia | 0:00–0:35])
A relação entre rituais, símbolos e música atravessa a experiência humana como uma estrutura persistente, ainda que muitas vezes invisível. Mais do que expressões culturais isoladas, estas formas constituem modos de organização do sentido, dispositivos através dos quais o indivíduo interpreta, habita e transforma a sua relação com o mundo.
O ritual não se reduz a uma sequência codificada de gestos. Ele configura-se como uma prática estruturante que organiza o tempo, regula a ação e institui uma diferença face ao quotidiano. Ao delimitar um espaço e um tempo próprios, cria condições para uma experiência marcada pela intensidade e pela possibilidade de transformação.
A repetição, neste contexto, não é redundância, mas condição de eficácia. Ao reiterar-se, o gesto ritual não se esgota; acumula densidade, estabiliza a experiência e produz continuidade.
IV – E a Maçonaria?
Do atrás exposto afigura-se-nos essencial que a «velha» Maçonaria adogmática e liberal se una cada vez mais e sobretudo se reforce, em vez de se dispersar, pois tem aqui um campo primordial de intervenção, para que a Liberdade, Igualdade e a Fraternidade subsistam e a Humanidade progrida, tirando partido eficiente e livre dos novos meios e desenvolvimentos tecnológicos de que poderá dispor.
No nosso país, sendo a nova vaga de cidadania cada vez mais académicamente qualificada, poderá representar também, se não continuar a ser obrigada a emigar, uma oportunidade essencial para a Maçonaria estar mais activa na Sociedade, já que compete aos maçons defenderem consequentemente os seus princípios, desmascarando, combatendo e anulando prioritáriamente as ameaças totalitárias, resultantes da falta de solidariedade e apoio aos mais pobres e fracos (crianças, desempregados, idosos), à planeada regressão social e porque não, ao meio ambiente, que a todos afecta, modelo corrente para os ideólogos do ultra-liberalismo.
I - Introdução
A Maçonaria, credenciada como uma das mais antigas e discretas instituições fraternais do mundo, carrega consigo séculos de tradição, conjuntamente com uma forte ligação a valores como a Liberdade, Igualdade, Fraternidade e aperfeiçoamento individual da pessoa humana. Tem procurado, ao longo da sua história, adaptar-se às sucessivas mudanças sociais e culturais, ao mesmo tempo que tenta preservar os princípios e valores que a definem. No século XXI, a modernidade dos novos costumes, hábitos e ideias sociais, aliada ao impacto das novas tecnologias, representam um novo e enorme desafio para a instituição. Importa pois analisar e perspectivar, face ao papel que a Maçonaria desempenhou até hoje, qual o que poderá vir a desempenhar na sociedade e no país e até globalmente, no novo mundo «digital» que entrelaça o planeta em que nos inserimos.
Autor: Iván Herrera Michel
Nas nossas Lojas e durante os nossos encontros entre Irmãos e Irmãs, continua a surgir a mesma questão: seremos nós, Maçons, os herdeiros secretos dos Templários? Por vezes, fazem-no eles próprios com um certo orgulho, como se esta falsa linhagem monástica-cavalheiresca fosse o que conferiu prestígio à Ordem.
E devo confessar francamente que, cada vez que ouço esta história, sinto que ela nos desvia do que realmente importa: as raízes históricas, os aspetos verdadeiramente iniciáticos da Maçonaria e o verdadeiro dever do Maçom, que é sustentado por nomes e documentos verificáveis que ninguém pode fabricar.
Por isso, fico muito feliz por saber do novo livro "O Mito Templário e as Origens da Maçonaria", de Raúl Renowitzky Comas, publicado pela Editorial Kier, que mais uma vez demonstra o seu apurado talento para oferecer títulos que marcam a agenda no debate maçónico e cultural. Conheço pessoalmente as conferências e os escritos do autor e sei que ele tem a virtude de esclarecer sem pontificar, desmantelar sem ferir e restaurar a serenidade onde outros preferem o ruído. Assim sendo, espero do livro apenas um mapa claro, livre de fantasias e ilusões, do nosso percurso, desde as guildas medievais e a pragmática de Schaw, passando por Anderson, até ao Big Bang que deu início à globalização e a glocalização da Maçonaria especulativa.
Trabalho apresentado em 22/11/2025 no Simpósio Maçónico Internacional, patrocinado pela Revista Cultural Maçónica Internacional “Cadena Fraternal”, pela Serenissima Gran Loggia Nazionale Italiana e pelo Instituto Universitário Claustro Iberoamericano da Cidade do México.
(Saudações formais)
Antes de começarmos, gostaria de dizer que estas reflexões sinceras que partilho se baseiam na minha experiência directa a liderar organizações maçónicas latino-americanas e estruturas multilaterais com presença em quatro continentes, uma viagem que me permitiu observar a nossa diversidade, as nossas tensões e as nossas forças a partir de dentro.
Este percurso levou-me à convicção de que a Maçonaria só pode ser sustentada se as Obediências que hoje actuam nos principais circuitos internacionais aprofundarem, com genuíno empenho, o seu enfoque nas Obediências menores, as da periferia e as que trabalham longe dos grandes centros urbanos.
Autor: Iván Herrera Michel
(ao lado: Águia Bicéfala desenhada em Lausana em 1875
Neste ano de comemorações, enquanto o mundo maçónico recorda o 150º aniversário do Convento de Lausanne, é importante compreender que este não é simplesmente um aniversário, mas uma redescoberta do momento em que o Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA) se examinou honestamente ao seu próprio espelho e decidiu questionar a sua identidade e o seu rumo. Pois, naquelas duas semanas de Setembro de 1875, as questões que ainda hoje debatemos foram discutidas com serenidade: se a fé e a razão podem coexistir sob o mesmo tecto, se a tradição pode ser renovada sem perder a sua essência e se a unidade pode existir sem uniformidade. Os eventos comemorativos de que ouço falar na Europa, na América e em África evocam uma semente viva que continua a dar frutos em cada jurisdição do REAA - sejam elas femininas, mistas ou masculinas — onde o pensamento livre procura ser sustentado pela fraternidade e pelo respeito.
Foi-me sugerida a aprentação de uma Pr:. sobre o significado da lenda de Hiram para o Mestre Maçon. Prisioneiro ou libertado por ela?
Para discorrer sobre o assunto, irei socorrer-me de três fontes: a minha própria reflexão, constante de várias das PPr:. elaboradas nos últimos anos; o excelente acervo bibliográfico construído pelos NN:.QQ:.IIr:. Diógenes de Sínope e Salvador Allende; e a sabedoria de muitos estudiosos da história maçónica, como Oswald Wirth, Hercule Spoladore e vários outros que aqui citarei.
Como é o caso de Marc Halévy, para quem “o grande tripé mítico e místico sobre o qual repousa o edifício simbólico e espiritual da Franco-maçonaria, resume-se em três ideias que têm entre si relações extraordinariamente ricas: o arquitecto perfeito e o Iniciado completo que é Hiram, o Templo de pedras de Jerusalém, sobre o monte Moriah, e o rei Salomão que incarna a Sabedoria mais profunda e representa o Divino entre os homens” .
Cada um destes pilares encontra as suas raízes no Livro dos Reis e nas Crónicas da Bíblia hebraica e a sua ligação perfeita é-nos dada a conhecer pela Lenda de Hiram, elemento central do ritual maçónico de elevação a Mestre.
De todos os debates sobre a história da Maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. No entanto, este tema surgiu na França mais ou menos recentemente, e eu contribuí modestamente para divulgá-lo em 1989, publicando na Revista Renaissance Traditionnelle dois longos artigos, nos quais manifestei que se podia manter um debate sério sobre esta questão, expondo pela primeira vez em francês a essência dos estudos realizados até agora na Inglaterra e, desde o princípio dos anos setenta, na Escócia.
O simples facto de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de mencionar a ausência de filiação directa com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reacções abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade.