As viagens alquímicas de Hergé
A revista “Franc- Maçonnerie Magazine” nº 57 (Julho/Agosto de 2017), publicou um artigo de Bertrand Portevin sobre Hergé.
Georges Prosper Remi ficou conhecido pelo nome artístico de Hergé, tendo sido o criador da banda desenhada do Tintin.
As várias aventuras do Tintin possuem muitas referências simbólicas, particularmente maçónicas.
Em muitas criações artísticas existem mensagens que só são compreendidas por quem tenha algum conhecimento na área da simbologia e dos seus significados.
De entre as várias referências efetuadas pelo autor do artigo no seu texto, importa destacar algumas que me pareceram mais interessantes para esta sintética nota de leitura.
No livro “ O cetro de Ottokar”, Tintin faz de Cavaleiro da Ordem do Pelicano de Ouro que é mais conhecido como Cavaleiro Rosa Cruz na procura do “Reino Invisível” que não se pode atingir nem por terra nem por mar.
A restauração do rei e a prova a que se submete o cavaleiro é encontrar o castelo fortificado e rodeado de água, transpondo três portas para penetrar na torre, escalar a rocha e tocar o cetro de ouro de três pontas.
Hergé faz o seu herói correr pela montanha em busca do cetro de ouro.
A aventura iniciática termina à meia-noite, após uma busca que dura sete dias.
Os fundamentos místicos são muito precisos, dado tratar-se de um cavaleiro aguardado, predestinado e superior a todos os outros, ou seja um dos cavaleiros da Távola Redonda.
No livro “ O caso do girassol” Tintin é referido como o meu pequeno lawton, homónimo de um filho de um maçon.
No livro “Voo 714 para Sidney” (voo em francês escreve-se VOL) o V refere-se ao compasso, o L ao esquadro e o O à bolha do nível.
O próprio slogan da publicação do Tintin refere que se destina aos jovens dos 7 aos 77 anos, números muito ligados ao grau 30 do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Estes números aparecem associados à imagem do Capitão Haddock.
Na outra coluna surge o Tintin, o eterno homem jovem.
No local onde a simbologia maçónica coloca a pedra bruta, Hergé desenha a ilha negra, no Norte, onde a luz é muito fraca.
No Sul, Hergé desenha uma ilha queimada pelo Sol, lembrando o aerólito da estrela misteriosa.
Entre as colunas, dois miúdos da rua, Quick e Flupke , e no quadro, entre os objetos abundantes, é fácil reconhecer o esquadro o compasso e o fio de prumo.
O próprio desenho do hidravião amarelo, num dos seus voos força olhar para o céu e aí ver a imagem da hidra, constelação dos alquimistas cuja estrela principal, símbolo da Pedra Filosofal, de nome Alphard, homónimo do livro póstumo de Hergé, “Tintin et L´Alph-Art”.
O próprio pavimento mosaico surge em vários desenhos.
Segundo o autor do artigo, uma das paixões de Hergé era a alquimia.
Ler ou reler as aventuras do Tintin é partir à descoberta de muitas dessas mensagens simbólicas mais ou menos dissimuladas.
Mário Jorge Neves




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