Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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26 de abril de 2026

A Maçonaria e o Movimento Republicano

 

 



A Maçonaria e o Movimento Republicano


Autor: Liliana R. R. Fernandes



“(…) Sou Maçon, e disso não tenho qualquer dúvida; sou Republicano, e disso também não tenho qualquer dúvida. Porém, não é pelo facto de ser Maçon que sou Republicano, nem tão pouco é pelo facto de ser Republicano que sou Maçon” [1]

 A Maçonaria está intimamente ligada à História de Portugal dos últimos séculos. As suas doutrinas progressistas inspiraram os grandes movimentos liberais, republicanos e democráticos no nosso país. Essa profunda ligação à política trouxe-lhe, inclusivamente, e por diversas vezes, alguns dissabores, como cisões e perseguições, conforme refere António Arnaut, na obra intitulada "Introdução à Maçonaria" [2], e ao que acrescenta que esta “é uma lição que deve ser aprendida, pois, congregando a Maçonaria pessoas de todas as ideologias democráticas, não deve, como tal, intrometer-se na vida político-partidária, como, aliás, resulta imperativamente da Constituição em vigor” [3].

15 de dezembro de 2025

Quatrocentos anos de Maçonaria na Escócia

 



Quatrocentos anos de Maçonaria na Escócia

Com a devida vénia e autorização do Blog »Comp&Esq» se publica:


Autor: David Stevenson



Introdução

A Escócia tem as Lojas maçónicas e registros maçónicos mais antigos do mundo, antecedendo as suas correspondentes inglesas em mais de um século. A Maçonaria é geralmente negligenciada pelos historiadores sociais e culturais, em parte pode ser por ignorância e estereótipos negativos do movimento e, em parte, pelo sigilo excessivo dos maçons no passado. O objectivo deste artigo é examinar o desenvolvimento do movimento e indicar os muitos aspectos da ‘Arte’ que podem ser um assunto rico para pesquisa. As Lojas escocesas começaram como organizações de pedreiros, mas a princípio lentamente começaram a admitir homens de outros ofícios e homens de alto status social. Este processo acelerou rapidamente após a fundação de uma Grande Loja em Londres em 1717: a Maçonaria tornou-se moda. Mas, embora muitas Lojas tenham sido dominadas por homens de alto

20 de outubro de 2025

As origens da Maçonaria especulativa: situação das teorias actuais

 




As origens da Maçonaria especulativa: situação das teorias actuais


Autor: Roger Dachez


De todos os debates sobre a história da Maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. No entanto, este tema surgiu na França mais ou menos recentemente, e eu contribuí modestamente para divulgá-lo em 1989, publicando na Revista Renaissance Traditionnelle dois longos artigos, nos quais manifestei que se podia manter um debate sério sobre esta questão, expondo pela primeira vez em francês a essência dos estudos realizados até agora na Inglaterra e, desde o princípio dos anos setenta, na Escócia.

O simples facto de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de mencionar a ausência de filiação directa com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reacções abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade.

21 de setembro de 2025

Podemos estabelecer um paralelo entre o Socialismo e a Fraternidade Maçónica?

 




Podemos estabelecer um paralelo entre o Socialismo e a Fraternidade Maçónica?


Autor: Charles-Albert Delatour

 

A questão do paralelismo entre o socialismo e a fraternidade maçónica é complexa, pois toca conceitos distintos – um sistema político-económico, por um lado, e um valor espiritual e organizacional, por outro – mas merece uma análise aprofundada devido a certos pontos de convergência e de divergência. Trata-se de uma exploração pormenorizada, estruturada para examinar as semelhanças, as diferenças e as nuances, com base nos princípios da Maçonaria e nos fundamentos do socialismo, tendo em conta o contexto histórico e filosófico.

Definições e princípios fundamentais
Para estabelecer um paralelo, é essencial clarificar os termos:

• Socialismo: Movimento político e económico que defende uma organização social e económica destinada a reduzir as desigualdades, frequentemente através da redistribuição da riqueza, da

15 de maio de 2025

O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.

 


O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.


Autor: Roger Dachez




Visualizamos novamente este interessante artigo de Roger Dachez ( inicialmente publicado neste Blog em Out. 2016), pois estamos em crer que apesar de decorridos 16 anos após a sua apresentação inicial, e do muito que se escreveu no passado e desde então se terá escrito, sob este tema «fracturante» entre a Maçonaria «adogmática / liberal» e a «dogmática / anglo-saxónica», pela interpretação divergente (entre ambas), mantendo deste modo,  plena actualidade e interesse. ( pel' Comissão Editorial do Blog «Comp & Esq» - Salvador Allen:. M:.M:.)


“ recupero este antigo e interessante trabalho do Ir:. Roger Dachez, que nos apresenta de forma aberta uma reflexão clara sobre a figura do  G.A.D.U. e da sua presença no  corpus maçónico francês e dos problemas de entendimento e mal-entendidos registados” - V.G. (Victor Guerra)

Primeiro de tudo, quero agradecer o convite especial para participar nesta reunião da  Cornerstone Society, como um estudioso da Maçonaria - pois parece que é assim que sou considerado com certa indulgência por algumas pessoas - e, em seguida, sim como estudioso da Maçonaria, é conhecido o meu interesse pelos trabalhos desta Sociedade. Sinceramente sinto-me honrado por estar aqui hoje.

Vinte anos atrás, quando fui introduzido na pesquisa e investigação maçónica pelo meu professor,  o irmão René Guilly - um estudioso altamente respeitado sob o pseudónimo de "René Desaguliers" - que me disse que, sendo britânica a origem da maçonaria não se

25 de abril de 2023

As Trevas Andam a Esvoaçar por aí


As Trevas Andam a Esvoaçar por aí

Existem vários graus no Areópago em que nos seus atributos nucleares está claramente assumido o combate à perfídia, ao fanatismo, à violência, a toda a injustiça, a toda a opressão e a toda a tirania, uma conduta guiada pelas causas justas, a procura da luz da verdade, consagrar a espada à causa da Liberdade, bem como reservar a sua inteligência à construção da humanidade.

Ora, os ventos que hoje sopram em muitos locais do Planeta estão carregados de ameaças à liberdade, às democracias e aos direitos sociais.

A extrema direita na Europa vem crescendo progressivamente, aumentando o seu peso eleitoral na generalidade dos países e tomando pela via democrática governos na Hungria, Polónia, Itália, Áustria, Lituânia e Suécia.

Para bloquear o caminho às forças totalitárias e agressivas, torna-se inadiável iniciar processos de resolução de muitos problemas sociais, como, por exemplo, a fome, o desemprego, a exclusão social, bem como um enérgico combate à corrupção e à falta de transparência das democracias.

São muitos destes problemas que alimentam essas forças extremistas e antidemocráticas que visam instaurar novas ditaduras.

Por outro lado, no plano concreto da maçonaria, temos de ser intransigentes com comportamentos de alguns indivíduos que estando formalmente no seio de algumas obediências, são activos propagandistas e militantes dessas forças totalitárias.

Se no caso do Grande Oriente Lusitano a sua história está intimamente entrelaçada com as lutas pela liberdade, pela democracia e pela emancipação social e humana, é indispensável termos bem presente que noutros países e noutras obediências a situação é dramaticamente muito diferente.

21 de fevereiro de 2023

Um Simbolismo Medieval da Pedra


Com a devida vénia, e respectiva autorização, se transcreve, do Blogue Jakim&Boaz, esta reflexão de Roger Dachez:

Um Simbolismo Medieval da Pedra

Sendo este um tema práticamente recorrente nas análises ou publicações maçónicas, tivemos algumas dúvidas em publicar esta «nova interpretação» do conhecido investidador e maçonólogo francês Roger Dachez.  Pesem embora  quase dez anos após a sua existência, cremos que esta  pesquisa apresenta enorme interesse, pela forma como aborda o tema, da qual o nosso primeiro e estimado Mestre Oswald Wirth, autor e investigador de tantos temas relativos à maçonaria e ao Simbolismo,  e cuja trilogia («La Franc-Maçonnerie Rendue Intelligible à ses Adeptes - I- L'Apprenti, II - Le Compagnon e III- Le Maître) foi a base (e de certo modo, mais actualizado, ainda é) de suporte à formação de tantos milhares de Maçons, desde o último quartil do Séc.XIX, até final do Séc. XX, A partir daqui em boa hora foram completamente actualizados e aperfeiçoados por Irène Mainguy, segundo os novos conhecimentos, perspectivas e teorias entretanto surgidos,  que mantendo o título original,  deu-lhes  uma expressão (mais concretamnte «seguimento», segundo o título original) mais conducente com o Século de avanço com que foram surgindo, face à versão inicial de Wirth («L'Apprenti»).

É pois em homenagem aquele que foi o meu primeiro mestre (aconselhado para leitura atenta de um Iniciado) que tomamos a liberdade de  publicar esta interessante análise de Roger Dachez, que embora aponte novas perspectivas  bastante inovadoras  e motivadoras, mas eventualmente questionáveis,  para a continuação de novas pesquisas, até aqui não geralmente divulgadas pela generalidade dos meios maçónicos (que tenhamos conhecimento), não anula de molde algum o trabalho pioneiro de Oswald Wirth, por quem  devemos manter a gratidão, por uma vida dedicada à causa da Maçonaria e em particlar à Simbologia (e outras), e cujas múltiplas obras ainda hoje são consideradas padrões de divulgação maçónica, embora com a relatividade respeitante à já provecta idade (cerca de 150 anos, face à versão inicial do «Aprendiz»). 

4 de outubro de 2022

"A integração nas Obediências «Liberais» e a questão da «inclusão Feminina»"

 


"A  integração nas Obediências  «Liberais» e a questão da «inclusão Feminina»"


I – Introdução e Alguns Antecedentes Históricos 

O tema da presença da mulher na Maçonaria é uma «pedra mal trabalhada» ou melhor «não acabada», muito menos «polida», com que se arrastam os Maçons desde que a Maçonaria se considera como tal. Passou muito tempo desde 1717 e naturalmente a Maçonaria sofreu enormes fases de maturação, com novos Ritos, restruturações, cisões, seguidas de uniões e fusões, e por vezes novas separações ou surgimento de novas Obediências, face às já existentes, influenciadas mais ou menos directamente pelos contextos socioeconómicos, políticos e culturais da época, pela evolução das ideias, a partir do prosseguimento do Iluminismo, da Revolução Francesa e outras. O seu caminho até hoje não é independente do reflexo das convulsões político-sociais e de ideias, que se têm passado até aqui, deixando-lhe obviamente várias marcas.  

Fica também claro que para as Obediências ou correntes maçónicas da auto-intitulada «maçonaria regular», a partir da «fatwa» (normal à época) declarada ao elemento feminino desde Anderson (1723 e 1738), nunca mais existiu qualquer controvérsia, bloqueando desde sempre as portas dos templos à presença da mulher, decisão reforçada  posteriormente pelos inamovíveis  e anacrónicos «landmarks». 

Contudo o imobilismo da maçonaria «dogmática» não impediu o surgimento de novas concepções, em cuja linha central se encontra o GOdF, que a determinada altura facilitou à mulher algum espaço vital, com o desenvolvimento da Maçonaria de Adopção ainda em 1774. No entanto e a partir daí, registaram-se mais de duzentos e tal anos e muitos e intensos debates. Ultrapassar o patriarcado e a misoginia existente, só se conseguiu com a decisão do Convénio de 2010, que aprovou uma fórmula de

11 de julho de 2021

O que é Escocês não é Antigo ...



 Transcreve-se, do blogue Jakim&Boaz, este artigo de Roger Dachez:

O que é Escocês não é Antigo ...

A mais antiga Maçonaria azul é a dos Modernos: a única que é conhecida e praticada na França no século XVIII.

Não tenho por hábito, como voltei a escrever ainda ontem, de entrar nas "polémicas" que alguns criaram artificialmente, durante dois anos, para darem a si mesmo um semblante e trabalharem pela "unidade maçónica francesa" (sic). Também não sou o plumitivo de uma Obediência mais do que uma outra - nem mesmo da minha! ...

Mas quando um simpático bloguista, aliás amigo de longa data, faz o papel do historiador de serviço - alguns diriam: "um historiador nosso" - aí, perdoem-me, mas meu sangue de académico não faz mais  do que uma volta! Não me importo em defender todas as posições filosóficas ou maçónicas, e isso não me importa - "isso alimenta o debate", como hoje dizemos quando não sabemos mais o que dizer -, mas falsificar grosseiramente a história por incompetência e por se colocar desajeitadamente ao serviço de uma causa da política maçónica, é mesmo um pouco demais. 

De que se trata ?

Parece que os Ritos Escoceses antes da Revolução não seriam Ritos "modernos" - entendamos: Ritos cujas lojas azuis respeitam o padrão da mais antiga maçonaria atestada, a da Grande Loja de Londres, fundada em 1717, denominada dos "Modernos" por escárnio - e por antífrase! - pelos autoproclamados "Antigos" ... que acabaram de aparecer, em 1751. Vamos ver isso ...

Bem, tudo o que acabamos de ver respeita à Inglaterra. Primeira constatação: o Rito Antigo nunca foi conhecido, de perto ou de longe, na França, antes de 1804. Isso é bom ou não, mas é um facto.

Em seguida sim, os Ritos Escoceses das lojas azuis "escocesas" antes da Revolução, eram variantes do Rito dos Modernos. Todos os marcadores estavam lá: a posição dos Vigilantes, a ordem das palavras J e B, a existência do painel no centro da loja (desconhecida pelos Antigos). A única diferença residia no posicionamento dos "três grandes pilares" em vez dos "três grandes castiçais" do Rito Moderno, mas isso não tem nada a ver com os Antigos, por um lado e, então ... basta reler este post para verificar que o ternário «Sabedoria-Força-Beleza» sempre esteve presente em todas as lojas, inclusive e em particular nas dos Modernos, de uma forma ligeiramente diferente. (1)

1 de abril de 2021

A Geometria e o Templo, A Mente e a Consciência

 


Com a devida vénia se transcreve este Artigo do Ir.'. Roman publicado na  Revista do Grémio Lusitano

A Geometria e o Templo

A Mente e a Consciência

A ordem de um nome é também a ordem das coisas, porque elas são transcendentes no plano da consciência, mesmo que diminutas no lugar da mente. A coexistência do Maçon com a sua realidade profana, existe em simultaneidade com a vivência no Templo da Fraternidade, que é ao mesmo tempo o da sua Interioridade. Este é um percurso longo que o Maçon percorre, e que representa uma linha espaço temporal na história dos homens, e ela perde-se na noite dos tempos, desde as longas noites da última glaciação de Würm, à volta dos fogos do grande inverno, quando as primeiras histórias e as primeiras iniciações, começaram a ganhar uma geometria.

A construção levantou-se com as primeiras pedras, feitas pináculos e menhires, imitando o ciclo do sol e da lua ao longo do ano, mimetizados pelo ritmo da vida, do nascimento e da morte, imprimindo na mente dos primeiros homens que pensaram uma ordem possível, uma eternidade desdobrada pela complexidade da sua mente.

O sonho, o espaço, as estrelas, os ciclos, em fim, a intuição e a descoberta da Razão, são o corolário da precepção última e primeira de uma Consciência abrangente, tão complexa como a rede neurónica do cérebro. Esta complexidade neuronal, semelhante em desenho ao micélio dos cogumelos, e em geometria irregular aos filamentos intergalácticos, o homem viu nos sonhos. E viu que era possível à sua semelhança, entender e desenhar o que via acordado e a dormir.

Foi, a partir desta constatação, de uma interrogação genuinamente simples, solitária e confrontada com a sobrevivência, que o homem saiu da sua Caverna, e deixou de ver as sombras do mundo. Ver-se a si mesmo, descobrir que pensa e que desenha, que levanta templos aos deuses sonhados, próximos e longínquos, foi o ponto de partida para uma geometrização da vida social, mas simultaneamente onírica, iniciática e espiritual.

O Segredo nunca foi mais do que o silêncio dos sonhos profundos, onde essa geometria sagrada, dada à partida como guia e mapa dos labirintos desenhados nos primeiros templos, passou a ser repetida por todas as gerações; melhorada, redesenhada até à exaustão, ampliada numa rede intuitiva, mais tarde redescoberta na sucessão dos números primos e nas sequências algorítmicas. Em fim, no dia chegado, a humanidade, principalmente os primeiros construtores, levantaram as majestosas pirâmides, e depois deles, outros reinventaram com planos de filigrana de pedra em toda a bacia do Mediterrâneo.

O famoso Segredo contagiava como uma virose a cultura Europeia, e num fenómeno epigenético, cruzado com a cultura céltica, lançou a primeira pedra de um Templo à Virtude. Um Templo que nunca foi acabado, sempre interrompido pelo mundo profano das guerras, das pestes e das pandemias virais e ideológicas. Apesar de tudo, o Segredo de uma Geometria Perfeita (a do Pensamento e a da Construção da Ética e da Sociedade), mantiveram-se através de bolsas de sobrevivência, aqui e ali. Em redutos de Sabedoria Tradicional, em Alexandria, em Bizâncio, no Lácio, em Marselha, em Paris, na Irlanda, na Escócia… em qualquer lugar onde resistiram homens livres e de bons costumes.

16 de março de 2021

Regularidade» /Adogmatismo - A Maçonaria no Séc. XXI – que perspectivas?

 


«Regularidade» /Adogmatismo  - A Maçonaria no Séc. XXI – que perspectivas?»

 (Editado pela Comissão Editorial do Blogue) sobre o tema da «Regularidade vs Adogmatismo» e, atento esse contexto, sobre que perspectivas se colocam hoje para a evolução da Maçonaria no Séc. XXI.

Este é talvez um dos temas mais debatidos entre os investigadores que se têm debruçado sobre a história e a situação actual da Maçonaria, porque a necessidade de reconhecimento da “regularidade” entre Potências, tem sido usada pela GLUI e a maçonaria anglo-saxónica como forma de exercer e expandir o seu poder e porque o apego ao sentido dogmático ou não dogmático da prática maçónica foi, e continua a ser, um dos mais importantes elementos de diferenciação dos dois principais ramos da Maçonaria mundial.

Como diz o historiador Roger Dachez,[1] foi em Inglaterra que as palavras “regular” e “regularidade” fizeram a sua aparição na linguagem maçónica. O sentido mais comum da palavra inglesa “regular” é «banal, corrente, standard».    A palavra “regular” distingue assim os maçons «normais», conformes ao estatuto corrente, que reconhecem uma autoridade oficial, face aos «irregulares» a quem não é reconhecido um estatuto normal.

No século XVIII, é regular em Inglaterra uma Loja que se submete à autoridade duma Grande loja e…. que lhe pague as capitações. Os Regulamentos Gerais da G.L.L., publicados nas Constituições de 1723, definem claramente no seu ponto VIII, este conceito: “se um número qualquer de Maçons resolvem entre eles formar uma Loja sem patente do Grão-Mestre, as Lojas Regulares não poderão considerá-los ou reconhecê-los como Irmãos conveniente e correctamente constituídos, nem aprovar as respectivas actividades ou decisões».

31 de janeiro de 2021

Garcia de Horta

Garcia de Orta Foi ainda muito jovem, numa sala de aula que pela primeira vez que ouvi falar em Garcia de Orta. Um velho professor decidiu partilhar connosco a sua admiração por um médico e naturalista português, de origem judia, nascido provavelmente em 1500 ou 1501, em Castelo de Vide, quando Pedro Alvares Cabral descobria o caminho marítimo para o Brasil. Fez uma pequena obervação que me ficou na memória - “Sabem, Garcia de Orta, à época, seria dos homens que no mundo ocidental mais conhecimento reuniu...”. A partir desse dia a minha curiosidade sobre Garcia de Orta cresceu e resultou em admiração por um homem do renascimento que me deu a concepção do que passaria a ser o meu papel no mundo e que ainda hoje carrego comigo: a saber, que a ciência e o nosso desenvolvimento pessoal têm um elemento em comum – uma vivência que deve procurar ser holística, integrando os vários ramos da ciência; e aceitando o outro, não por curiosidade mas por convicção de que somos todos iguais. Porque Garcia de Orta foi muitas coisas (mas não de tudo um pouco). Médico de formação (Estudou Filosofia Natural, Medicina e Botânica em Espanha), que exerceu quer em Portugal quer na Índia, foi igualmente professor de Filosofia na Universidade de Coimbra, comerciante em Bombaim, tendo inclusive fundado um jardim botânico e um museu. 

Voltando à frase do meu velho professor, os seus conhecimentos de botânica, de farmacologia, foram únicos no seu tempo (escreveu Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia (1563), obra mista de medicina, farmacologia e filosofia natural, que revolucionava os conhecimentos da velha Europa, valendo como reação contra o saber dos Antigos, como afirmação dos valores da experiência e das aquisições científico-naturais), resultado do seu convívio com outras culturas (e civilizações), e de uma procura incessante pelo saber que o levaram à partilha de conhecimento com cientistas árabes e hindus. Garcia de Orta conviveu com o “outro” num tempo em que o outro era o infiel. Não apenas porque valorizava a ciência, a procura do conhecimento, mas também porque (assim gosto de acreditar) o contacto com outros povos o tornou melhor homem; porque as suas viagens o “educaram” a ver no outro um igual. Alguém com quem partilhar o pão (e a razão). 

Pela minha parte, este exemplo de Garcia de Orta levou-me a acreditar que será pelo conhecimento que aumentamos a “possibilidade” de nos tornarmos melhores homens, mais capazes de compreender o mundo e os outros homens. Se tomarmos como ponto de partida o legado do homem do renascimento que foi Garcia de Orta, capaz de pensar o mundo concreto e a capacidade do ser humano em compreendê-lo e assim transformá-lo - em oposição aos valores feudais do misticismo e da religião – podemos almejar tornar perene (pelo legado humanista que deixamos) a nossa breve estadia no mundo.

19 de janeiro de 2021

Modernos versus Antigos na conflitualidade Maçónica Inglesa no Século XVIII

 


 

Modernos versus  Antigos na conflitualidade Maçónica Inglesa no Século XVIII - o que Consta e a Realidade

 I – O Século XVIII e o desenvolvimento do conflito

O grande conflito que sacudiu a Maçonaria inglesa ao longo de cerca de 60 anos (de 1751 até 1813), é normalmente designado como o diferendo entre "Antigos" e "Modernos”. Não é por acaso que este período e este assunto têm sido estudados, até ao primeiro quartil do século XX,  como um facto histórico interno à própria Inglaterra. Contudo, as suas implicações foram profundas para o desenvolvimento da Maçonaria a nível inglês, europeu e mundial, através da expansão do imperialismo Britânico, em que a Maçonaria óbviamente assumiu um papel importante, quer na exportação de quadros (militares e outros), quer posteriormente na formação dos novos quadros coloniais. Para perceber a evolução da Maçonaria especulativa (em geral) e da inglesa em particular, é essencial conhecer as etapas  do confronto entre "Modernos" e "Antigos". Resumem-se classicamente da seguinte forma:   em  Inglaterra até 1750  a Maçonaria «oficial» era unida e uniforme, já que na primeira metade do século XVIII existia uma única organização maçónica dominante,  a Grande Loja de Londres (G:.L:.L:.), considerada vulgarmente a partir de 1717, o berço fundacional da moderna Maçonaria, dado que  Gr. Loja de York  e algumas poucas lojas autónomas foram progressivamente reduzindo a sua actividade, apesar de contestarem e não reconhecerem  oficialmente a existência daquela. No entanto a história dos primeiros tempos da  Maçonaria  inglesa  é mais complexa do que na maior parte das obras e  textos  nos foi transmitido até ao século passado, graças ao aprofundamento da pesquisa e aos avanços registados nas investigações sobre este período. É claro que a história da Maçonaria Inglesa não se limita "stricto sensu"  à Inglaterra. Na verdade é a história duma Maçonaria que está exposta a vários tipos de influências, desde as internas, de base britânica, mas também às componentes externas, sobretudo as influências escocesas e irlandesas. É no segundo terço do século XVIII, que se constitui em Inglaterra um sistema maçónico, produto de todas estas influências e que, evidentemente, também teve em seu redor influências doutras «paragens», especialmente de alguns «ventos» reenviados a partir de França. Ao renovar a abordagem sobre este período essencial, devemos aprofundá-lo como desenvolvimento Inglês, mas de recorte irlandês, contribuindo decididamente para deslocar e influenciar a Maçonaria continental,  sobretudo as Maçonaria francesa e alemã. Quase 100 anos mais tarde após a fundação «oficial» da G:.L:.L:., a  Grande Loja Unida de Inglaterra (G:.L:.U:.I:.) surge  da fusão entre «Modernos» e «Antigos», em 1813. Desde logo e a  pretexto de se auto-designar herdeira e continuadora da Grande Loja de Londres (G:.L:.L:.), obviamente não tem interesse em fazer emergir o diferendo que opunha as duas anteriores G:.L:.s  para o exterior do estrito âmbito inglês, passando posteriormente a utilizar o manto diáfano da «Regularidade», que  passou a atribuir “dogmaticamente” às Obediências (predominantemente de base anglo-saxónica, mas não só) que se vieram colocar perante a sua autoridade, por forma a  estender o seu domínio à escala mundial. Como bem evidenciou Alain Bernheim [5], tanto a Maçonaria Inglesa como a francesa foram, no que respeita aos graus azuis, substancialmente idênticas pelo menos até 1750,  altura do aparecimento dos "Antigos". Philip Crossle, talvez um dos maiores historiadores da Maçonaria irlandesa, a partir de 1928  começou a chamar a atenção para as especificidades desta Maçonaria e especialmente, para a existência de um sistema composto por 3 Graus, anterior ao sistema revelado (não oficialmente) em Londres por Samuel Prichard,  em 1730.  Este sistema era dotado dum conteúdo diferente, ao compreender um novo grau, denominado de “Arco Real”. Ao apresentar o seu trabalho de investigação,  Crossle estava implicitamente a levantar também uma questão complexa, a do aparecimento e influência dos Altos Graus na história geral da Maçonaria.

28 de junho de 2020

MAÇONARIA E LIBERALISMO


Da Revista nº 21 do Grémio Lusitano se transcreve, com a devida vénia, este artigo de António Valdemar (Jornalista e Investigador):

MAÇONARIA E LIBERALISMO
ANTÓNIO VALDEMAR*
MAÇONARIA NOS AÇORES:
TIPOGRAFIA E JORNALISMO

O século XIX nasceu com promessas de igualdade e de justiça. É todo um mundo novo que, logo nas próximas décadas, impulsionou profundas transformações políticas, sociais e económicas. Já havia sido reconhecida a independência dos Estados Unidos (1783) que permitiu a autonomia dos povos e a
libertação das colónias submetidas ao domínio da Inglaterra; e, pouco depois, a Revolução Francesa (1789) que marcou o começo da queda do absolutismo na Europa, reconheceu os direitos do homem e do cidadão e abriu caminho para a República.
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1 PEREIRA, A. X. da Silva Diccionario Jornalístico Português, manuscrito nos reservados da Academia das Ciências; Tengarrinha José
Historia da Imprensa Periódica Portuguesa.
2 SORIANO, Luz, Recordações da Minha Vida, 2ª edição 1890
3 LIMA, Gervásio, Serões Açorianos, pág 36
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Portugal, apesar de séculos de atraso, de isolamento e das inevitáveis resistências, não vai ficar à margem deste processo histórico e cultural. A revolução liberal de 1820, nas suas várias fases, determinou o incremento da imprensa que permitiu o debate de ideias, o confronto de opiniões, a expansão do jornalismo e a formação de uma consciência democrática. A tipografia chegou, em 1829, aos Açores. Foi no período da Regência que se destinou a preparar a expedição organizada por D. Pedro, que seguiria de Ponta Delgada para o Mindelo, a fim de aclamar, após a Convenção de Évora Monte, D Maria II rainha de Portugal. Palmela adquiriu em Plymouth um prelo, juntamente com tipo, caixas e cavaletes que embarcaram para Angra, a bordo da galera James Crooper, que transportava elementos do Batalhão dos Voluntários da Rainha formado por estudantes da Universidade de Coimbra. Ficou, de início, no Castelo de São João Baptista passando, depois, para uma casa na rua da Sé, fronteira à rua de São João. O investigador Gervásio Lima
(1876- 1945) admitiu a implantação da tipografia em Angra, no século XVI, «trazida, provavelmente,
pelos conquistadores espanhóis, e por aqueles talvez levada quando retiraram» convertendo a
ilha Terceira «num dos primeiros pontos do globo atingidos pela grande maravilha do progresso
– o maior luzeiro civilizador». Baseava-se Gervásio Lima numa Relacion de la tomada Y conquista
de la isla Terceira e (…) fecha en la Ciudad de Angra de la Isla Tercera a 11 de Agosto, mil quinientos y ochenta e tres. Ernesto do Canto mencionaa na Bibliotheca Açoriana4 mas sem quaisquer comentários relativos aos primórdios da tipografia em Angra. Apenas acrescenta que Ludovic Lalande a incluiu em Curiosités Bibliographiques. Era provável que, na época, houvesse
tipografia em Angra. A ilha Terceira e o próprio arquipélago dos Açores evidenciavam-se, no plano nacional e internacional. Frutuoso classificava a Terceira, entre a Europa e a América, como a «universal escala do mar poente e por todo o mundo celebrada».

4 de junho de 2020

A barriga vazia nunca foi boa conselheira!


Com a devida vénia se transcreve este artigo de Mário Jorge Neves:
A barriga vazia nunca foi boa conselheira!

Esta pandemia está a abanar as sociedades, acelerando uma crise que já existia e onde os sintomas de recessão eram claros, nomeadamente a nível do Estados Unidos e da União Europeia.
A crise financeira iniciada em 2008 foi um forte alerta que o sistema neoliberal imperante procurou dissimular porque colocava em causa a sua agressiva cruzada privatizadora e mercantilista.
Os países que estão hoje a sofrer maior impacto em números de infectados e de perda de vidas humanas são, no chamado mundo ocidental, aqueles que possuem maiores desigualdades económico-sociais, onde as políticas sociais e públicas sofreram maiores cortes de investimento e as acções predadoras do neoliberalismo mais destruição semearam.
Estas últimas décadas de hegemonia neoliberal têm servido para impor uma ditadura financeira nas nossas sociedades, para instaurar uma propaganda de “guerra” e para, de uma forma subtil, conduzir um processo de fascização progressiva de diversos espaços da vida social e política.
Um dos aspectos mais marcantes dessa propaganda é a criação de um contexto de alienação e de perda da consciência colectiva.
Tem sido feito crer aos cidadãos que não mandam nada, que nada podem fazer contra o mercado e que até o seu voto soberano não resolve nada.
Assim, quando os cidadãos se deixam submeter às leis do mercado e as reproduzem na vida do seu dia-a-dia, isso é alienação.

20 de fevereiro de 2020

As Diversas Influências Filosóficas que a Maçonaria Incorporou (Séc.- XVII-XVIII)


As Diversas Influências Filosóficas que a Maçonaria Incorporou
(Séc.- XVII-XVIII)

Com o crescimento das cidades durante o Renascimento, a Reforma e a Contra-Reforma e o declínio na demanda por grandes projectos de construção, os privilégios especiais dos pedreiros como artesãos viajantes desapareceram — em Portugal, a última Grande Obra (assinada) de arquitectura urbana foi o Aqueduto das Águas Livres.
Como resultado, os Pedreiros Livres começaram a receber não-pedreiros como clientes. Isso levou a que no século XVII, a um grande número de pedreiros especulativos ou não-trabalhadores entrassem nas “lojas” maçónicas. Mas os maçons mantiveram as antigas tradições, na simbologia e na geometria. É assim que ainda hoje os novos membros continuam a ser designados por ‘Aprendizes’, depois ‘Companheiros’ e finalmente ‘Mestres Maçons’. É por isso que ainda hoje se mantêm o segredo original de como se ensina a amizade, a ética, amor fraterno, a solidariedade e a verdade. E é também pelas mesma razões que se praticam as senhas e os sinais antigos. Pelo menos é nisto que os maçons acreditam relativamente ao seu passado histórico, desde o ‘Século das Luzes’.
A estrutura da Maçonaria especulativa moderna, como a que conhecemos hoje, não surgiu com a formação da primeira Grande Loja em Londres em 1717, como alguns insistem em defender — esta afirmação baseia-se tão-somente na necessidade de justificar o poder imperial britânico e colonial face à restante Europa franco-maçónica, num tempo em que a casa real dos Hanover usurpou a coroa original de Inglaterra da Casa dos Stuart em 1714. É por esta razão que a actual realeza britânica continua tão empenhada em manter a imagem e o poder, apelidado de Commonwealth e porque insistem em propagar a mentira de que a Maçonaria Especulativa Moderna foi fundado por eles.

12 de dezembro de 2019

Irmãos da MAÇONARIA e Bons Primos da CARBONÁRIA


Irmãos da MAÇONARIA e
Bons Primos da CARBONÁRIA
(ou a Revolução de 5 de Outubro de 1910, em PORTUGAL)

Abreviaturas
Barr’.’ – Barraca
C’.’ P’.’ – CARBONÁRIA Portuguesa
Carv’.’ – Carvoeiro
Cant.’ – Canteiro
Ch’.’ – Choça
Gr’.’ Firm’.’ – Grande Firmamento
Mes’.’ – Mestre
Mes Subl’.’ – Mestre Sublime
Rach’.’ – Rachador

Sinais utilizados
Sinal n.1
“…<  >, entre parênteses angulares <estão> palavras subentendida, mas não explícitas, no texto original…” 
Sinal n.1 FREDERICO LOURENÇO, “BÌBLIA, Vol. I - NOVO TESTAMENTO – Os Quatro Evangelhos”, QUETZAL, 1ª Edição-2016, 5ª Reimpressão-2017: p 49

Sinal n.2
“…em ITÁLICO…”
Sinal n.2 textos de outros Autores


1. Abordagem Histórica do movimento  CARBONÁRIO e seus Ascendentes

Os Historiadores ensinaram-nos que, no século XVI, “…os lenhadores se terão introduzido em ITÁLIA com os exércitos de FRANCISCO I, em 1515, organizando-se em grupos de 20 Homens, as chamadas Vendas, submetidos a uma Venda Suprema…” (1).
Esta práctica foi, muito mais tarde, reproduzida pelos “…carbonari <que se reorganizaram> como sociedade secreta em Nápoles <(ITÁLIA)> tendo como fim a luta contra a ocupação “Napoleónica”…” (2) e, como nos explica JOÃO MEDINA, dando suporte aos “…partidários de FERNANDO de BOURBON que combatiam as tropas do rei de Nápoles, cunhado de NAPOLEÃO. Viviam refugiados nos Abruzos e na Calábria estes carbonari ou “carvoeiros” italianos…” (3).

28 de agosto de 2018

La "Tradition des Anciens" : un mythe historiographique français


Devido à importância do texto decidiu a Comissão Editorial deste Blogue não traduzir este magnífico trabalho retirado, com a devida vénia, do Blog Pierres Vivantes de Roger Dachez.

La "Tradition des Anciens" : un mythe historiographique français

Un essai de déconstruction des légendes urbaines qui trainent encore dans certains milieux maçonniques français...
Pour vous donner envie de le lire - et de commander le numéro voire de vous abonner à R.T. ! - en voici la conclusion :

A la lumière de ce que l'on vient de voir, une réalité toute simple apparaît : ce qui séparait les Anciens et les Modernes, en Angleterre, sur le plan strictement maçonnique et rituel, tenait à très peu de chose, et cette différence est allée en s'amenuisant très vite, au point qu'il fut très facile d'aplanir définitivement les obstacles qui les séparaient encore à la fin du XVIIIe siècle.
Il est probable que l'affaire de la loi sur les sociétés illégales (Unlawful Societies Act), en 1799, qui conduisit les deux Grands Maîtres des deux Grandes Loges « rivales » à effectuer une démarche commune auprès des autorités pour exempter toute la franc-maçonnerie des rigueurs de la loi, marqua une étape importante dans le rapprochement – quoique n'ayant pas procédé de l'initiative des Grandes Loges elles-mêmes ! Il faut aussi, sans doute, tenir compte de l'effacement de la génération des fondateurs, lourdement impliquée dans la période la plus violente du conflit, dont Lawrence Dermott lui-même, qui mourut en 1791.
Toujours est-il que la voie vers l'union était pavée depuis longtemps par de multiples croisements des pratiques des uns et des autres, comme nous l'avons vu. Lorsque la Grande Loge des Modernes, en 1809, convoqua une Loge de Promulgation, pour rétablir les « vrais Landmarks », elle se contenta d'adopter « l'ordre ancien des mots » – c'est-à-dire, pour le dire plus justement, l'ordre des mots tel que pratiqué par les Anciens à cette époque –, d'affirmer la nécessité des Diacres et de reconnaître que l'Installation secrète du Maître de Loge était une cérémonie essentielle.
Deux ans après la fin des travaux de la Loge de Promulgation, qui durèrent jusqu'en 1811, soit en 1813, la Loge de Réconciliation n'avait plus qu'à consacrer une Union déjà largement réalisée sur le terrain depuis longtemps.

21 de abril de 2018

Regulares Ingleses contra Liberais Franceses


Com a devida vénia se transcreve, do Blogue "Revista Bibliot3ca", este interessante artigo de opinião:
Regulares Ingleses contra Liberais Franceses – Um panorama atualizado da Maçonaria Mundial em 2016
 por  Jean-Moïse Braitberg
(Tradução José Filardo)

A Maçonaria pretende ser o “Centro de União”. Mas onde se encontra esse famoso centro? Em Londres ou Paris? As duas principais tendências da maçonaria mundial, que se divide entre “regulares” e “liberais” somam verdadeiras rivalidades históricas, diferenças reais de abordagem espiritual, social, simbólica, que, seja o que for que se pense, não estão perto de desaparecer. Especialmente se os liberais parecem agora segurar a corda, é muitas vezes uma reação contra uma maçonaria “inglesa” considerada dogmática, separada do mundo, envelhecida.
 Os Maçons acreditam em Deus? A Maçonaria é mista? Os Maçons fazem política? Eles são progressistas ou conservadores? Os membros de muitas potências francesas geralmente têm pouca dificuldade em responder a estas perguntas básicas que parecem lógicas na paisagem maçônica francesa. Mas, suponhamos que você seja membro de uma loja Inglesa ou afiliada à Grande Loja Unida da Inglaterra. Estas perguntas parecerão absurdas a você, ou deslocadas na medida em que elas são estranhas à visão de Maçonaria que ainda prevalece em grande parte do mundo. Porque no seio da Maçonaria Mundial, não é um estreito Pas-de-Calais que separa ingleses e franceses, mas um oceano de incompreensão que, se raramente se tinge de hostilidade aberta, banhada da arrogância mútua de dois continentes soberbamente isolados entre si.
Golpe de cinzel no contrato fraternal
 Nessa rivalidade histórica e geopolítica, Londres sempre se prevalecerá do privilégio da anterioridade. Se o inspirador das constituições Anderson fundadoras da Maçonaria Universal foi Jean-Théophile Desaguliers, um pastor de origem francesa, mas já muito inglês, é em Londres e no Reino Unido que as antigas obrigações se espalharam entre 1700 e 1717. No entanto, foi apenas duzentos anos mais tarde, em 1929, que a Grande Loja Unida da Inglaterra, proclamou uma regra de vinte e cinco pontos dos quais o oitavo foi o golpe de cinzel , senão de punhal no contrato fraterno que, bem ou mal admitia a regularidade das lojas francesas e afiliadas desde 1728: “Grandes Lodges irregulares ou não reconhecidas: Existem algumas chamadas potências maçônicas que não respeitam essas normas, por exemplo, que não exigem de seus membros a crença em um Ser Supremo, ou que encorajam seus membros a participar como tais em assuntos políticos. Estas potências não são reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra como sendo maçonicamente regulares, e todo o contato maçônica com elas é proibido. ” As lojas filiadas à GLUI, e mais especialmente as lojas americanas e canadenses, que também já havia mantido relações amigáveis com a maçonaria “continental” foram mais lentas em adotar a mesma atitude sectária. A ruptura entre as duas maçonarias não foi definitiva até o início dos anos 1960. O fato é ainda mais incompreensível que sobre o mérito, a exclusividade proclamada por Londres aplica-se tanto às potências e lojas deístas como as da Grande Loja de França ou do Direito Humano que trabalham sob os auspícios do Grande Arquiteto do Universo, quanto a aquela que fazem da liberdade absoluta de consciência a pedra angular de sua filosofia.