Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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11 de agosto de 2026

História e Estrutura Simbólica dos Rituais

 




História e Estrutura Simbólica dos Rituais
Tomamos a liberdade de voltar a publicar este interessante trabalho no nosso Blog, datado inicialmente a 19.Jan.23, novamente com a devida vénia e respectiva autorização, do Blog «Compasso & Esquadro», a quem continuamos a agradecer a mútua colaboração.

Autor: Raoul Berteaux


Temos o grato prazer de apresentar aos nossos leitores alguns trechos da interessante e essencial obra de Raoul Berteaux  “La Symbolique de la Loge de Perfection du Rite Écossais Ancien et Accepté, du 4º au 14º degré” – Éditions Maçonniques de France (EDIMAF), 2012.

Embora este trabalho transcenda e ultrapasse o que é considerado ser o universo da maçonaria azul, achamos contudo interessante e até conveniente, continuar a apresentar neste Blog, sem perder o rumo prioritário, (como já o temos efectuado, esporádicamente),  alguns trabalhos mais dirigidos  aos Graus Complementares, uma vez que toda a sua Bibliografia está disponível ou na Internet ou na Bibliografia indicada, à venda nas livrarias especificas, podendo e devendo constituir, na nossa modesta opinião, um ponto de motivação para que os Mestres das Lojas Azuis não  tendam a acomodar-se no aconchego

27 de maio de 2026

Mais de dois séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens ?

 



Mais de dois séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens ?



Segundo a historiografia oficial, o Rito Escocês Antigo e Aceito nasceu no território dos  Estados Unidos da América (EUA) em 1801, em Charleston, Carolina do Sul.

Nos últimos anos, diversos investigadores maçónicos têm procurado esclarecer os aspectos elementares desta importante matéria, dando a conhecer novos dados documentais que vêm preencher amplas lacunas.

O Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) nasceu nos EUA? 

Foi alvo de uma reorganização nos EUA com o acréscimo de 8 graus? 

Ou as suas fontes efectivas estão em França?

Nesse sentido, torna-se útil efectuar um conjunto de referências que possam ser objecto  de uma posterior reflexão sobre as reais origens do rito mais divulgado e praticado em todo o mundo.

27 de fevereiro de 2026

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)

 



R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)        

A pedido de vários IIr:. e por considerarmos  pertinente a republicação deste trabalho, dividimos  em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz» a versão inicial.

                        (CONTINUAÇÃO)

                  


A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões  e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina,  a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” [6].
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica,  segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».

Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França,  comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” [6].

Para além do discurso do cavaleiro Ramsay,  existem adicionalmente  duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»:

19 de fevereiro de 2026

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (I)

 





R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (I)

A pedido de vários IIr:. e por considerarmos  pertinente a republicação deste trabalho, dividimos  em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz" a versão inicial.

                    


I – Introdução 

Distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvens de várias lendas até então assumidas, contribuindo para  esclarecer progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) e às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes. Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que se seguem.

Por outro lado a importância do grau de Mestre na consolidação da Maçonaria especulativa é um facto inquestionável (já alvo de trabalho anterior),  onde socorrendo-nos de alguns dos trabalhos recentes mais credenciados referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora continue a não ser possível determinar com precisão as suas origens. É nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva lenda hirâmica, criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus», que com maior propriedade se deveriam designar simplesmente por «graus complementares».

Não existem dúvidas de que na Maçonaria Operativa existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro, não apresentando  quaisquer influências astrológicas, alquímicas,

10 de novembro de 2025

O Mestre Maçom - prisioneiro ou libertado pela lenda de Hiram

 



O Mestre Maçom -  prisioneiro ou libertado pela lenda de Hiram



Foi-me sugerida a aprentação de uma Pr:. sobre o significado da lenda de Hiram para o Mestre Maçon. Prisioneiro ou libertado por ela? 

Para discorrer sobre o assunto, irei socorrer-me de três fontes: a minha própria reflexão, constante de várias das PPr:. elaboradas nos últimos anos; o excelente acervo bibliográfico construído pelos NN:.QQ:.IIr:. Diógenes de Sínope e Salvador Allende; e a sabedoria de muitos estudiosos da história maçónica, como Oswald Wirth, Hercule Spoladore e vários outros que aqui citarei.

Como é o caso de Marc Halévy, para quem “o grande tripé mítico e místico sobre o qual repousa o edifício simbólico e espiritual da Franco-maçonaria, resume-se em três ideias que têm entre si relações extraordinariamente ricas: o arquitecto perfeito e o Iniciado completo que é Hiram, o Templo de pedras de Jerusalém, sobre o monte Moriah, e o rei Salomão que incarna a Sabedoria mais profunda e representa o Divino entre os homens” .

Cada um destes pilares encontra as suas raízes no Livro dos Reis e nas Crónicas da Bíblia hebraica e a sua ligação perfeita é-nos dada a conhecer pela Lenda de Hiram, elemento central do ritual maçónico de elevação a Mestre.

25 de junho de 2024

O R.E. A. A. - PROGRESSÃO INICIÁTICA, PENSAMENTO LIVRE E SOCIABILIDADE FRATERNAL

 

O  R.E. A. A. - PROGRESSÃO INICIÁTICA, PENSAMENTO LIVRE E SOCIABILIDADE FRATERNAL

Autor:  Ma Àngels Prats

A OFERTA MAÇÓNICA, DIZ-NOS A AUTORA DO ARTIGO, ESGOTA-SE  AO RECONHECER A MATURIDADE DO MESTRE; PORTANTO NÃO HÁ MAIS ALÉM NO QUE RESPEITA A  OFERTA: O MAÇOM É INTEGRALMENTE  MAÇOM AO ACEDER À MESTRIA. PELO CONTRÁRIO, SE HÁ UM MAIS ALÉM NA PESQUISA MAÇÓNICA, NO QUE AO MESTRE MAÇOM SE EXIGE A SI MESMO, NA SUA LUTA PELA VIRTUDE, NA TAREFA DE POLIR A PEDRA BRUTA, INACABÁVEL COMO CORRESPONDE À NOSSA IMPERFEIÇÃO E AO NOSSO IMPULSO ÉTICO DE SER MELHOR. O RITO ESCOCÊS CONFRONTA O  INICIANDO  DE CADA GRAU COM OS ENSINAMENTOS DA TRADIÇÃO, ENTREVISTOS A PARTIR DAS LUZES E DO LIVRE PENSAMENTO, E É UM FORMIDÁVEL ESPAÇO DE LIBERDADE E PLURALISMO, AFIRMA-SE NESTA REFLEXÃO SOBRE OS ENSINAMENTOS CONTIDOS NO 15º GRAU DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO – “CAVALEIRO DO ORIENTE OU DA ESPADA”.


(selecionado e traduzido livremente do espanhol, a partir do original com o mesmo nome, incluído da Revista «Cultura Masónica» Nº 9, de Outubro.2011, por Salvador Allen:. / «Comp&Esq»)


I. PROGRESSÃO INICIÁTICA

Jean-Pierre Lassalle definiu o Rito Escocês Antigo e Aceito como um grande conservatório de Iniciações. Portanto, não como museu, nem como armazém, muito menos como lixeira de traste velhos, mas como espaço vivo, à maneira dos conservatórios de música, onde se pratica a arte, onde se “faz” ou "dá vida” à arte.

1 de setembro de 2018

Do «Escocismo» ao Grau 33 do R.E.A.A – percursos de um Rito


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue Jakim&Boaz.

 I – Introdução
 Diversos e distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvensdas   várias lendas assumidas até então, esclarecendo progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) , bem como às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes.
Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que humildemente procurámos coligir, aprofundando algum estudo adicional já previamente efectuado.
 Cada vez se nos afigura como um facto intransponível  a importância do grau de «Mestre» na consolidação da Maçonaria especulativa (já alvo de trabalho anterior).  Aí socorremo-nos  de alguns dos trabalhos recentes e credenciados, referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora concluíssemos que continua a não ser possível determinar com precisão as suas origens.
 É contudo nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva «lenda hirâmica», criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus» (mais correctamente «Graus Complementares»,  com maior propriedade).
Na Maçonaria Operativa não existem dúvidas de que existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro. Aqui não existiam quaisquer influências astrológicas, alquímicas, rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos  esotéricos.  Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que coordenava.

No início  da Maçonaria Especulativa  ou,  como preferimos,   da  moderna Maçonaria, a situação era análoga quanto aos graus (ver constituições de Anderson de 1723, da Grande Loja de Londres e Westminster), existindo igualmente os de Aprendiz e Companheiro, sendo o de Mestre, honorifico, representando o responsável pela Loja. Não existiam templos, as reuniões eram realizadas em tabernas e durante uma reunião de maçons não se procedia à abertura de qualquer livro da Lei.  Os símbolos (correspondentes ao actual Quadro da Loja) eram desenhados no chão com giz ou carvão, sendo apagados  no final de cada Sessão.
Enquanto a Maçonaria Inglesa em virtude do seu relacionamento directo com a Igreja Anglicana e com o   aparelho de Estado, permaneceu tradicionalmente ligada à Bíblia, a Maçonaria Francesa, sem aquelas ligações e com muitos mais graus de liberdade, apesar da grande influência da religião católica romana, tornou-se, em plena altura do Iluminismo, mais permeável a uma amálgama de influências de doutrinas e de concepções heterogéneas, com muitas contribuições do iluminismo alemão (principalmente, rosacrucianas, cabalísticas, bíblico-judaicas, templárias ou astrológicas), que constituiram o fermento da germinação de variados graus que foram chamados de «Escocismo». Estes ditos «Graus superiores» aproximadamente meio século mais tarde, vieram a constituir a coluna dorsal do Rito Escocês Antigo e Aceito (e também doutros ritos escoceses que entretanto deixaram de se praticar, à excepção do Rito Escocês Rectificado - R.E.R.).