Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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18 de setembro de 2026

A Taberna em que nasceu o primeiro Conselho do REAA

 



A TABERNA EM QUE NASCEU O PRIMEiRO SUPREMO CONSELHO DO REAA


Autor: Iván Herrera Michel

            

 

No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos

Recreação da “Taberna de Shepheard” a partir da imagem do
monumento comemorativo em Charleston

Por isso, vale a pena parar para pensar naquele domingo do final de maio de 1801, quando o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite foi fundado na Taberna Shepheard, na esquina das ruas Broad e Church, em Charleston, Carolina do Norte. Esta taberna servia de ponto de encontro para comerciantes, profissionais liberais, líderes cívicos e maçons. É muito provável que a fundação tenha ocorrido no Salão Nobre, no segundo piso, virado para a Rua Church. A planta do edifício seguia o modelo das grandes tabernas de Charleston: o piso térreo albergava a própria taberna, a loja, a cozinha e as caves, enquanto o segundo piso continha um grande salão para banquetes, reuniões cívicas e atividades culturais. O terceiro e quarto andares estavam reservados para alojamento de hóspedes e alojamento para funcionários.                 

29 de julho de 2026

STATIONER’S HALL (1721) - A Prova que Reconstroi o Nascimento da Maçonaria Moderna

 

 



STATIONER’S HALL (1721) - A Prova que Reconstroi o Nascimento da Maçonaria Moderna



Autor:  Iván Herrera Michel


              


 

Stationers´Hall de Londres

Após a recente publicação de um artigo sobre a taberna de Charleston onde foi fundado o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite, coincidindo com o 225º aniversário da sua fundação, fui convidado a recriar outro acontecimento crucial da história maçónica: o banquete realizado a 24 de junho de 1721, no "Stationers’ Hall", em Londres. A sugestão pareceu-me excelente, pois este foi o local do primeiro evento maçónico que pode ser verdadeiramente reconstruído com provas sólidas.

O primeiro ponto a recordar é que a criação de uma Grande Loja de Londres em 1717 baseia-se num relato incorporado por James Anderson na edição de 1738 das suas Constituições, o qual não pôde ser corroborado por outras fontes históricas, nem foi possível comprovar uma única reunião da loja entre 1717 e 1721. E, para complicar ainda mais o relato, a existência de uma taverna chamada "The Goose and the Grill" naquela cidade em 1717,  também não foi confirmada.

27 de fevereiro de 2026

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)

 



R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)        

A pedido de vários IIr:. e por considerarmos  pertinente a republicação deste trabalho, dividimos  em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz» a versão inicial.

                        (CONTINUAÇÃO)

                  


A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões  e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina,  a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” [6].
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica,  segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».

Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França,  comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” [6].

Para além do discurso do cavaleiro Ramsay,  existem adicionalmente  duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»:

19 de fevereiro de 2026

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (I)

 





R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (I)

A pedido de vários IIr:. e por considerarmos  pertinente a republicação deste trabalho, dividimos  em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz" a versão inicial.

                    


I – Introdução 

Distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvens de várias lendas até então assumidas, contribuindo para  esclarecer progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) e às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes. Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que se seguem.

Por outro lado a importância do grau de Mestre na consolidação da Maçonaria especulativa é um facto inquestionável (já alvo de trabalho anterior),  onde socorrendo-nos de alguns dos trabalhos recentes mais credenciados referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora continue a não ser possível determinar com precisão as suas origens. É nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva lenda hirâmica, criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus», que com maior propriedade se deveriam designar simplesmente por «graus complementares».

Não existem dúvidas de que na Maçonaria Operativa existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro, não apresentando  quaisquer influências astrológicas, alquímicas,

21 de fevereiro de 2023

Um Simbolismo Medieval da Pedra


Com a devida vénia, e respectiva autorização, se transcreve, do Blogue Jakim&Boaz, esta reflexão de Roger Dachez:

Um Simbolismo Medieval da Pedra

Sendo este um tema práticamente recorrente nas análises ou publicações maçónicas, tivemos algumas dúvidas em publicar esta «nova interpretação» do conhecido investidador e maçonólogo francês Roger Dachez.  Pesem embora  quase dez anos após a sua existência, cremos que esta  pesquisa apresenta enorme interesse, pela forma como aborda o tema, da qual o nosso primeiro e estimado Mestre Oswald Wirth, autor e investigador de tantos temas relativos à maçonaria e ao Simbolismo,  e cuja trilogia («La Franc-Maçonnerie Rendue Intelligible à ses Adeptes - I- L'Apprenti, II - Le Compagnon e III- Le Maître) foi a base (e de certo modo, mais actualizado, ainda é) de suporte à formação de tantos milhares de Maçons, desde o último quartil do Séc.XIX, até final do Séc. XX, A partir daqui em boa hora foram completamente actualizados e aperfeiçoados por Irène Mainguy, segundo os novos conhecimentos, perspectivas e teorias entretanto surgidos,  que mantendo o título original,  deu-lhes  uma expressão (mais concretamnte «seguimento», segundo o título original) mais conducente com o Século de avanço com que foram surgindo, face à versão inicial de Wirth («L'Apprenti»).

É pois em homenagem aquele que foi o meu primeiro mestre (aconselhado para leitura atenta de um Iniciado) que tomamos a liberdade de  publicar esta interessante análise de Roger Dachez, que embora aponte novas perspectivas  bastante inovadoras  e motivadoras, mas eventualmente questionáveis,  para a continuação de novas pesquisas, até aqui não geralmente divulgadas pela generalidade dos meios maçónicos (que tenhamos conhecimento), não anula de molde algum o trabalho pioneiro de Oswald Wirth, por quem  devemos manter a gratidão, por uma vida dedicada à causa da Maçonaria e em particlar à Simbologia (e outras), e cujas múltiplas obras ainda hoje são consideradas padrões de divulgação maçónica, embora com a relatividade respeitante à já provecta idade (cerca de 150 anos, face à versão inicial do «Aprendiz»). 

1 de abril de 2021

A Geometria e o Templo, A Mente e a Consciência

 


Com a devida vénia se transcreve este Artigo do Ir.'. Roman publicado na  Revista do Grémio Lusitano

A Geometria e o Templo

A Mente e a Consciência

A ordem de um nome é também a ordem das coisas, porque elas são transcendentes no plano da consciência, mesmo que diminutas no lugar da mente. A coexistência do Maçon com a sua realidade profana, existe em simultaneidade com a vivência no Templo da Fraternidade, que é ao mesmo tempo o da sua Interioridade. Este é um percurso longo que o Maçon percorre, e que representa uma linha espaço temporal na história dos homens, e ela perde-se na noite dos tempos, desde as longas noites da última glaciação de Würm, à volta dos fogos do grande inverno, quando as primeiras histórias e as primeiras iniciações, começaram a ganhar uma geometria.

A construção levantou-se com as primeiras pedras, feitas pináculos e menhires, imitando o ciclo do sol e da lua ao longo do ano, mimetizados pelo ritmo da vida, do nascimento e da morte, imprimindo na mente dos primeiros homens que pensaram uma ordem possível, uma eternidade desdobrada pela complexidade da sua mente.

O sonho, o espaço, as estrelas, os ciclos, em fim, a intuição e a descoberta da Razão, são o corolário da precepção última e primeira de uma Consciência abrangente, tão complexa como a rede neurónica do cérebro. Esta complexidade neuronal, semelhante em desenho ao micélio dos cogumelos, e em geometria irregular aos filamentos intergalácticos, o homem viu nos sonhos. E viu que era possível à sua semelhança, entender e desenhar o que via acordado e a dormir.

Foi, a partir desta constatação, de uma interrogação genuinamente simples, solitária e confrontada com a sobrevivência, que o homem saiu da sua Caverna, e deixou de ver as sombras do mundo. Ver-se a si mesmo, descobrir que pensa e que desenha, que levanta templos aos deuses sonhados, próximos e longínquos, foi o ponto de partida para uma geometrização da vida social, mas simultaneamente onírica, iniciática e espiritual.

O Segredo nunca foi mais do que o silêncio dos sonhos profundos, onde essa geometria sagrada, dada à partida como guia e mapa dos labirintos desenhados nos primeiros templos, passou a ser repetida por todas as gerações; melhorada, redesenhada até à exaustão, ampliada numa rede intuitiva, mais tarde redescoberta na sucessão dos números primos e nas sequências algorítmicas. Em fim, no dia chegado, a humanidade, principalmente os primeiros construtores, levantaram as majestosas pirâmides, e depois deles, outros reinventaram com planos de filigrana de pedra em toda a bacia do Mediterrâneo.

O famoso Segredo contagiava como uma virose a cultura Europeia, e num fenómeno epigenético, cruzado com a cultura céltica, lançou a primeira pedra de um Templo à Virtude. Um Templo que nunca foi acabado, sempre interrompido pelo mundo profano das guerras, das pestes e das pandemias virais e ideológicas. Apesar de tudo, o Segredo de uma Geometria Perfeita (a do Pensamento e a da Construção da Ética e da Sociedade), mantiveram-se através de bolsas de sobrevivência, aqui e ali. Em redutos de Sabedoria Tradicional, em Alexandria, em Bizâncio, no Lácio, em Marselha, em Paris, na Irlanda, na Escócia… em qualquer lugar onde resistiram homens livres e de bons costumes.

1 de setembro de 2018

Do «Escocismo» ao Grau 33 do R.E.A.A – percursos de um Rito


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue Jakim&Boaz.

 I – Introdução
 Diversos e distintos estudiosos e historiadores maçónicos  têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvensdas   várias lendas assumidas até então, esclarecendo progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) , bem como às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes.
Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e  daí as notas que humildemente procurámos coligir, aprofundando algum estudo adicional já previamente efectuado.
 Cada vez se nos afigura como um facto intransponível  a importância do grau de «Mestre» na consolidação da Maçonaria especulativa (já alvo de trabalho anterior).  Aí socorremo-nos  de alguns dos trabalhos recentes e credenciados, referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora concluíssemos que continua a não ser possível determinar com precisão as suas origens.
 É contudo nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva «lenda hirâmica», criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus» (mais correctamente «Graus Complementares»,  com maior propriedade).
Na Maçonaria Operativa não existem dúvidas de que existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro. Aqui não existiam quaisquer influências astrológicas, alquímicas, rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos  esotéricos.  Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que coordenava.

No início  da Maçonaria Especulativa  ou,  como preferimos,   da  moderna Maçonaria, a situação era análoga quanto aos graus (ver constituições de Anderson de 1723, da Grande Loja de Londres e Westminster), existindo igualmente os de Aprendiz e Companheiro, sendo o de Mestre, honorifico, representando o responsável pela Loja. Não existiam templos, as reuniões eram realizadas em tabernas e durante uma reunião de maçons não se procedia à abertura de qualquer livro da Lei.  Os símbolos (correspondentes ao actual Quadro da Loja) eram desenhados no chão com giz ou carvão, sendo apagados  no final de cada Sessão.
Enquanto a Maçonaria Inglesa em virtude do seu relacionamento directo com a Igreja Anglicana e com o   aparelho de Estado, permaneceu tradicionalmente ligada à Bíblia, a Maçonaria Francesa, sem aquelas ligações e com muitos mais graus de liberdade, apesar da grande influência da religião católica romana, tornou-se, em plena altura do Iluminismo, mais permeável a uma amálgama de influências de doutrinas e de concepções heterogéneas, com muitas contribuições do iluminismo alemão (principalmente, rosacrucianas, cabalísticas, bíblico-judaicas, templárias ou astrológicas), que constituiram o fermento da germinação de variados graus que foram chamados de «Escocismo». Estes ditos «Graus superiores» aproximadamente meio século mais tarde, vieram a constituir a coluna dorsal do Rito Escocês Antigo e Aceito (e também doutros ritos escoceses que entretanto deixaram de se praticar, à excepção do Rito Escocês Rectificado - R.E.R.).