Autor: Iván Herrera Michel
No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos
Autor: Iván Herrera Michel
No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos
Autor: Iván Herrera Michel
Stationers´Hall de Londres
Após a recente publicação de um artigo sobre a taberna de Charleston onde foi fundado o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite, coincidindo com o 225º aniversário da sua fundação, fui convidado a recriar outro acontecimento crucial da história maçónica: o banquete realizado a 24 de junho de 1721, no "Stationers’ Hall", em Londres. A sugestão pareceu-me excelente, pois este foi o local do primeiro evento maçónico que pode ser verdadeiramente reconstruído com provas sólidas.
O primeiro ponto a recordar é que a criação de uma Grande Loja de Londres em 1717 baseia-se num relato incorporado por James Anderson na edição de 1738 das suas Constituições, o qual não pôde ser corroborado por outras fontes históricas, nem foi possível comprovar uma única reunião da loja entre 1717 e 1721. E, para complicar ainda mais o relato, a existência de uma taverna chamada "The Goose and the Grill" naquela cidade em 1717, também não foi confirmada.

Com a devida vénia, e respectiva autorização, se transcreve, do Blogue Jakim&Boaz, esta reflexão de Roger Dachez:
Um Simbolismo Medieval da Pedra
Sendo este um tema práticamente recorrente nas análises ou publicações maçónicas, tivemos algumas dúvidas em publicar esta «nova interpretação» do conhecido investidador e maçonólogo francês Roger Dachez. Pesem embora quase dez anos após a sua existência, cremos que esta pesquisa apresenta enorme interesse, pela forma como aborda o tema, da qual o nosso primeiro e estimado Mestre Oswald Wirth, autor e investigador de tantos temas relativos à maçonaria e ao Simbolismo, e cuja trilogia («La Franc-Maçonnerie Rendue Intelligible à ses Adeptes - I- L'Apprenti, II - Le Compagnon e III- Le Maître) foi a base (e de certo modo, mais actualizado, ainda é) de suporte à formação de tantos milhares de Maçons, desde o último quartil do Séc.XIX, até final do Séc. XX, A partir daqui em boa hora foram completamente actualizados e aperfeiçoados por Irène Mainguy, segundo os novos conhecimentos, perspectivas e teorias entretanto surgidos, que mantendo o título original, deu-lhes uma expressão (mais concretamnte «seguimento», segundo o título original) mais conducente com o Século de avanço com que foram surgindo, face à versão inicial de Wirth («L'Apprenti»).
É pois em homenagem aquele que foi o meu primeiro mestre (aconselhado para leitura atenta de um Iniciado) que tomamos a liberdade de publicar esta interessante análise de Roger Dachez, que embora aponte novas perspectivas bastante inovadoras e motivadoras, mas eventualmente questionáveis, para a continuação de novas pesquisas, até aqui não geralmente divulgadas pela generalidade dos meios maçónicos (que tenhamos conhecimento), não anula de molde algum o trabalho pioneiro de Oswald Wirth, por quem devemos manter a gratidão, por uma vida dedicada à causa da Maçonaria e em particlar à Simbologia (e outras), e cujas múltiplas obras ainda hoje são consideradas padrões de divulgação maçónica, embora com a relatividade respeitante à já provecta idade (cerca de 150 anos, face à versão inicial do «Aprendiz»).
Com a devida vénia se transcreve este Artigo do Ir.'. Roman publicado na Revista do Grémio Lusitano
A Geometria e o Templo
A Mente e a Consciência
A ordem de um nome é também a ordem das coisas, porque elas são transcendentes no plano da consciência, mesmo que diminutas no lugar da mente. A coexistência do Maçon com a sua realidade profana, existe em simultaneidade com a vivência no Templo da Fraternidade, que é ao mesmo tempo o da sua Interioridade. Este é um percurso longo que o Maçon percorre, e que representa uma linha espaço temporal na história dos homens, e ela perde-se na noite dos tempos, desde as longas noites da última glaciação de Würm, à volta dos fogos do grande inverno, quando as primeiras histórias e as primeiras iniciações, começaram a ganhar uma geometria.
A construção levantou-se com as primeiras pedras, feitas pináculos e menhires, imitando o ciclo do sol e da lua ao longo do ano, mimetizados pelo ritmo da vida, do nascimento e da morte, imprimindo na mente dos primeiros homens que pensaram uma ordem possível, uma eternidade desdobrada pela complexidade da sua mente.
O sonho, o espaço, as estrelas, os ciclos, em fim, a intuição e a descoberta da Razão, são o corolário da precepção última e primeira de uma Consciência abrangente, tão complexa como a rede neurónica do cérebro. Esta complexidade neuronal, semelhante em desenho ao micélio dos cogumelos, e em geometria irregular aos filamentos intergalácticos, o homem viu nos sonhos. E viu que era possível à sua semelhança, entender e desenhar o que via acordado e a dormir.
Foi, a partir desta constatação, de uma interrogação genuinamente simples, solitária e confrontada com a sobrevivência, que o homem saiu da sua Caverna, e deixou de ver as sombras do mundo. Ver-se a si mesmo, descobrir que pensa e que desenha, que levanta templos aos deuses sonhados, próximos e longínquos, foi o ponto de partida para uma geometrização da vida social, mas simultaneamente onírica, iniciática e espiritual.
O Segredo nunca foi mais do que o silêncio dos sonhos profundos, onde essa geometria sagrada, dada à partida como guia e mapa dos labirintos desenhados nos primeiros templos, passou a ser repetida por todas as gerações; melhorada, redesenhada até à exaustão, ampliada numa rede intuitiva, mais tarde redescoberta na sucessão dos números primos e nas sequências algorítmicas. Em fim, no dia chegado, a humanidade, principalmente os primeiros construtores, levantaram as majestosas pirâmides, e depois deles, outros reinventaram com planos de filigrana de pedra em toda a bacia do Mediterrâneo.
O famoso Segredo contagiava como uma virose a cultura Europeia, e num fenómeno epigenético, cruzado com a cultura céltica, lançou a primeira pedra de um Templo à Virtude. Um Templo que nunca foi acabado, sempre interrompido pelo mundo profano das guerras, das pestes e das pandemias virais e ideológicas. Apesar de tudo, o Segredo de uma Geometria Perfeita (a do Pensamento e a da Construção da Ética e da Sociedade), mantiveram-se através de bolsas de sobrevivência, aqui e ali. Em redutos de Sabedoria Tradicional, em Alexandria, em Bizâncio, no Lácio, em Marselha, em Paris, na Irlanda, na Escócia… em qualquer lugar onde resistiram homens livres e de bons costumes.
No início da Maçonaria Especulativa ou, como preferimos, da moderna Maçonaria, a situação era análoga quanto aos graus (ver constituições de Anderson de 1723, da Grande Loja de Londres e Westminster), existindo igualmente os de Aprendiz e Companheiro, sendo o de Mestre, honorifico, representando o responsável pela Loja. Não existiam templos, as reuniões eram realizadas em tabernas e durante uma reunião de maçons não se procedia à abertura de qualquer livro da Lei. Os símbolos (correspondentes ao actual Quadro da Loja) eram desenhados no chão com giz ou carvão, sendo apagados no final de cada Sessão.