O Cansaço Silencioso da Loja Maçónica
Uma leitura psicológica e iniciática sobre a vitalidade, o pertencimento e a produção de sentido na vida colectiva
Autor: Paulo Cesar T. Ribeiro
Imagem ilustrativa fornecida pelo autor
As Lojas maçônicas parecem-se com as pessoas: nascem, crescem, atravessam suas maturidades e, um dia, também morrem. Têm infância hesitante, juventude entusiasmada, meia-idade de responsabilidades e velhice. O consolo dessa comparação está na longevidade. Ao contrário dos homens que a compõem, uma loja pode viver por muito tempo, atravessar gerações inteiras, ver netos ocuparem as colunas que os avós um dia ocuparam. Há Oficinas que contam a própria história em séculos, e isso é motivo de justo orgulho.
Mas há uma armadilha escondida nessa longevidade. Uma pessoa, quando adoece por dentro, sente. O corpo avisa, a fadiga impõe-se, algo dentro dela pede socorro. Uma loja, não. Ela pode continuar de pé, funcionando, cumprindo seu calendário, aparentando saúde plena, enquanto por dentro já perdeu boa parte daquilo que a mantinha viva. E é dessa condição estranha, de uma instituição que segue existindo formalmente muito depois de ter deixado de existir em espírito, que eu gostaria de falar aqui.






