O lado problemático do processo iniciático
Autor: Iván Herrera Michel
Digamos sem rodeios: nem toda a gente está emocionalmente preparada para se submeter a processos iniciáticos.
Há pessoas que chegam com feridas invisíveis, com necessidade de reconhecimento ou com fissuras psicológicas e que, ao encontrarem uma estrutura que lhes oferece degraus, títulos, graus e validações sucessivas, vêem algo ser desencadeado na sua saúde mental. Nem todas as personalidades reagem da mesma forma, mas, em temperamentos mais dependentes, mais carentes de aprovação ou com inseguranças por resolver, os ritos de passagem podem tornar-se algo mais delicado do que parece.
À medida que o progresso se organiza em degraus visíveis, quase sem nos apercebermos, a identidade começa a girar em torno deles, e a pessoa aprende a ver-se de acordo com o lugar que ocupa. Em indivíduos com uma autoestima estável, este não passa de um estímulo circunstancial. No entanto, naqueles que já possuem uma autoestima frágil, aquilo que à partida deveria ser um indicador administrativo ou de avanço acaba por se tornar um dado emocional determinante. Se o avanço chega, há entusiasmo. Se sofre um atraso ou é simplesmente negado, se é adiado sem explicação clara ou deixado em suspenso através de promessas vagas, instala-se uma inquietação que, em certas personalidades, se pode tornar insistente, bem como uma frustração persistente capaz de corroer ainda mais, lentamente, a autoestima daqueles que são mais vulneráveis à aprovação externa.






