com a devida vénia e autorização do Blog «Compasso & Esquadro», se transcreve este artigo, que se nos afigurou importante para os dias que correm:
Autor: Filipa Cunha
Não há nada de "soft" em saber fazer uma boa pergunta, avaliar uma fonte, colaborar com quem pensa de forma diferente ou aguentar a frustração de um projecto que não resulta à primeira. São as competências que ficam quando as ferramentas mudam.
Há quatro anos, a Inteligência Artificial generativa não estava nas salas de aula. Hoje, 85% dos jovens portugueses entre os 9 e os 17 anos já a usaram, segundo o relatório EU Kids Online 2026. No PISA 2025, quase metade dos alunos de 15 anos (48%) diz usá-la para estudar. A tecnologia costumava avançar em anos. Passou a avançar em meses, e já há quem meça o intervalo entre uma ferramenta e a seguinte em semanas.
O ritmo é o ponto de partida deste texto porque muda a pergunta. Se aquilo que ensinamos hoje a usar estiver obsoleto antes de o ano lectivo acabar, ensinar uma ferramenta é uma aposta perdida. É por isso que dizer que "a IA é a competência de que os jovens precisam" me parece enganador. A IA não é uma competência. É o material com que as competências vão ser exercidas, e um material que muda de forma todos os trimestres.






