Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

30 de março de 2026

Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à Sociedade - o caminho da Incerteza ? (II)

 


Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à  Sociedade - o caminho da Incerteza ? (II)


                   (Continuação)




IV – E a Maçonaria?

Do atrás exposto afigura-se-nos essencial que a  «velha» Maçonaria adogmática e liberal se una cada vez mais e sobretudo se reforce, em vez de se dispersar, pois tem aqui um campo primordial de intervenção, para que a Liberdade,  Igualdade e a Fraternidade subsistam e a Humanidade progrida, tirando partido eficiente e livre dos novos meios e desenvolvimentos tecnológicos de que poderá dispor. 

No nosso país, sendo a nova vaga de cidadania cada vez mais académicamente qualificada, poderá representar também, se não continuar a ser obrigada a emigar,  uma oportunidade essencial para a Maçonaria estar mais activa na Sociedade, já que compete aos maçons defenderem consequentemente os seus princípios,  desmascarando, combatendo e anulando prioritáriamente as ameaças totalitárias, resultantes da falta de solidariedade e apoio aos mais pobres e fracos (crianças, desempregados, idosos), à planeada regressão social e porque não, ao meio ambiente, que  a todos afecta, modelo corrente para os ideólogos do  ultra-liberalismo. 

20 de março de 2026

Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à Sociedade - o caminho da Incerteza ? (I)



Séc. XXI - Actualização da Maçonaria face à  Sociedade - o caminho da Incerteza ? (I)


                   


I - Introdução

A Maçonaria,  credenciada como uma das mais antigas e discretas instituições fraternais do mundo, carrega consigo séculos de tradição, conjuntamente com uma forte ligação a valores como a Liberdade, Igualdade, Fraternidade e aperfeiçoamento individual   da pessoa humana. Tem procurado,  ao longo da sua história, adaptar-se às sucessivas mudanças sociais e culturais, ao mesmo tempo que tenta preservar os princípios e valores que a definem. No século XXI, a modernidade dos novos costumes, hábitos e ideias sociais, aliada ao impacto das novas tecnologias, representam um novo e enorme desafio  para a instituição. Importa pois analisar e perspectivar, face ao papel que a Maçonaria desempenhou até hoje, qual o que poderá vir a desempenhar  na sociedade e no país e até globalmente, no novo mundo «digital» que entrelaça o planeta em que nos inserimos. 

18 de março de 2026

"Templo" no simbolismo e prática maçónicas - das Origens, ao(s) Significado(s) e à Concretização.

 



"Templo" no simbolismo e prática maçónicas - d
as Origens, ao(s) Significado(s) e à concretização.

Este trabalho, agora parcialmente revisto, resulta de uma  nova versão que englobava parte de dois, publicados também neste Blog,  respectivamente  em Abril e Julho de 2020. 
Nestes dois últimos, procurámos focar diferentes aspectos referentes ao tema «Templo», essencial na simbólica e literatura maçónicas. Por achar que a unidade, no sentido da «procura do que está disperso» seria mais útil, tentámos  agora alinhar, de uma forma mais coerente, a maior parte das perspectivas separadas, anteriormente traçadas. Assim concentrámos tudo num só texto, acrescentando outras partes que não tinham sido tratadas. Esperamos que o trabalho, agora disponibilizado, traduza algum valor acrescentado, face aos anteriores (avaliação essa que caberá exclusivamente aos estimados leitores). 


I – Quando a Lenda se mistura com a História 

A tradição da Maçonaria operativa escocesa, é uma das componentes da  história da Maçonaria que tem vindo a ser mais profundamente analisada pela escola da «história autêntica», defendida inicialmente por Knoop e Jones [6], mas só «redescoberta» a partir da década de 70 e 80 do século passado, por R. Dachez,  A. Bernheim e novos autores [5,11], entre os quais o escocês David Stevenson [7]. Algo contestada nos últimos anos (2ª década do Sec.XXI), por novos investigadores com acesso revisitado a antigas e novas fontes [10], continuamos contudo a considerá-la preponderante para uma compreensão mais correcta da «ante-câmara» da maçonaria especulativa, deixando de lado  as  lendas,

1 de março de 2026

GOTEIRA

 

Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este poema de Adilson Zotovici:


         GOTEIRA 

Qual chuva ácida cresce 

E tem provocado aflição 

Goteira tácita aparece 

No telhado da Instituição 


Tal fumaça que intumesce 

Que segrega feliz visão 

Feito desgraça aborrece 

E cega o aprendiz artesão 

27 de fevereiro de 2026

R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)

 



R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)        

A pedido de vários IIr:. e por considerarmos  pertinente a republicação deste trabalho, dividimos  em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz» a versão inicial.

                        (CONTINUAÇÃO)

                  


A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões  e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina,  a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” [6].
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica,  segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».

Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França,  comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” [6].

Para além do discurso do cavaleiro Ramsay,  existem adicionalmente  duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»: