Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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28 de março de 2023

MÚSICA E MAÇONARIA

 


MÚSICA E MAÇONARIA

A música, com linguagem própria e estrutura genuína, acompanhou homens e mulheres desde os tempos da proto-história, e refiro-me ao espírito musical xamânico do Neolítico em que as peles dos animais mortos eram esticadas e depois percutidas para se iniciar a comunicação com o espírito dos animais, ou seja, a música falava a língua da natureza economizando o verbo e as palavras (significante sem significado). Mais tarde, sob a forma de cânticos (a voz é considerada o primeiro instrumento musical que se conhece), logo, acrescentado o verbo, passou a ter um significado em que se reforçavam os laços fraternos e se emitiam mensagens de prazer, reconhecimento, regozijo, alegria e reflexão. Mais recentemente tornou-se a expressão das inquietações pessoais relativas aos paradoxos da vida procurando vencer o sofrimento, ou seja, uma projecção dos estados emocionais puramente humanos.

À medida que foi evoluindo desenvolveu uma técnica e uma linguagem à margem do pensamento conceptual tornando-se numa das formas da criação artística. Podemos, então, compará-la à chamada Arte Real por esta também gerar uma construção ordenada saindo do Caos fazendo emergir o melhor das qualidades humanas a partir da Pedra Bruta polindo-a e aperfeiçoando-a num enquadramento cosmogónico universal. Tornou-se assim um elo condutor entre a Beleza, patente no Universo e na mole humana.

Ambas tarefas têm muito de espiritual mas também trabalho duro e puro (artesanal), aliás, como qualquer tarefa humana que sem trabalho nada se faz ou constrói, isto é, procuram a virtude melhorando-a com destreza, rigor, disciplina e sensibilidade que não se querem exclusivos mas compartilhada com os Outros.

Reflectir e expor as posições espirituais sobre os aspectos existenciais enigmáticos parece-me, pois, um papel claro que a música e a maçonaria desempenham.

Aquilo que chamamos a Coluna da Harmonia apareceu nos finais do Reinado de Louis XV e a competição entre Lojas, para que exibissem as melhores peças musicais e os mais virtuosos músicos, originou que se admitissem obreiros isentos de quotização mas sem poderem progredir acima do Grau de Mestre, logo, a música esteve sempre presente desde o início da chamada era especulativa propagando-se até ao Séc. XX e caindo em desuso a presença humana à medida que os novos meios de reprodução musical (fonógrafos, gira-discos, cassetes e os actuais leitores de CDs) se foram impondo, porém, para autores com D. Béresniak, e cito…a música é absolutamente indispensável no Ritual, não somente na ocasião de cerimónias especiais mas também na abertura e duração dos trabalhos por cobrir a agitação da alma e arrastar as emoções para as alturas, ou seja, a música favorece um recondicionamento para o estado do Ser não sendo por acaso que qualquer ópera ou sinfonia dispense uma Abertura

8 de março de 2023

A Ecologia, o Urbanismo e as Cidades Sustentáveis _ perspectivas actuais


A Ecologia, o Urbanismo e as Cidades Sustentáveis _ perspectivas actuais

Introdução

No âmbito dos trabalhos a que nós, homens livres e de bons costumes, nos comprometemos para cumprir o caminho que conduz à pedra cúbica, foi-me proposto como temática de uma prancha uma reflexão relativa à actualidade das sinergias ecologia/urbanismo/cidades sustentáveis.

Certamente que as razões para tal proposta tiveram em conta a minha formação base, arquitectura, os subsequentes exercício profissional e experiência como professor universitário/investigador e ainda a vivência resultante de muitas viagens pelos cinco continentes – não é no entanto suficiente para me considerar um especialista naquela temática.

Não é pois objectivo deste breve ensaio construir uma teoria, muito menos uma teoria científica, mas apenas contribuir para o enriquecimento do debate, com a consciência de que uma reflexão sobre qualquer tema é sempre um jogo circunscrito pelo saber pessoal específico acumulado, pela cultura, pelos princípios e pelos fins, no caso presente delimitados pelo contexto atrás referido e que ainda restrinjo um pouco mais – a incidência da reflexão, com enquadramento universal, será sobretudo focada no que se passa em Portugal

A sustentabilidade e as cidades inteligentes (Smart Cities)

A sustentabilidade é um conceito abrangente assente em três pilares, dos quais o primeiro é prioritário, nomeadamente a protecção ambiental, a equidade social e a viabilidade económica, que conjuntamente fornecem uma matriz de soluções para um mundo melhor – “Podemos representar o conceito através de um diagrama de Venn, com cada pilar representado por um círculo, sendo que o que os sistemas devem ambicionar é o centro desses círculos, o ponto onde os três se cruzam e se sobrepõem” (1)

24 de janeiro de 2023

CUIDADOS PALIATIVOS em contexto de Fim de Vida

 

CUIDADOS PALIATIVOS

em contexto de Fim de Vida

Começo por Vos apresentar identificar os TÓPICOS  sobre um assunto  - os CUIDADOS PALIATIVOS em contexto de Fim de Vida - que nos toca profunda e generalizadamente

TÓPICOS

- Direito ao acesso

-ESTADO PORTUGUÊS / Ministério da SAÚDE

-Criação, de facto,  de uma REDE NACIONAL de CUIDADOS PALIATIVOS (RNCP)

          > Legislação

          > Instalações/Logística (inicial e definitiva)

-FORMAÇÃO Específica em CUIDADOS PALIATIVOS

- CARREIRA de CUIDADOS PALIATIVOS

A Lei de Bases dos CUIDADOS PALIATIVOS (Capítulo I – Disposições gerais/Base I - Âmbito) – Lei nº 52/2012, de 5 de Setembro – “…consagra o direito e regula o acesso dos cidadãos aos Cuidados Paliativos e cria a Rede Nacional de Cuidados Paliativos(RNCP) a funcionar sob tutela do Ministério da Saúde…” (1).

Temos, portanto, um desafio de enorme responsabilidade colectiva  a que devemos responder duma forma elevada, isto é, conjugando os esforços disponíveis no Estado Português com outros oriundos de outrem, como o sector social e o sector privado, embora a Coordenação desta RNCP deva sempre ser do Estado Português, através do Ministério da Saúde, como reza a legislação atrás referida.

Nesta Lei há que realçar “…três dimensões diferentes da matéria relativa aos Cuidados Paliativos: a consagração do direito a Cuidados Paliativos, a responsabilidade do Estado <Português> neste domínio e a criação de uma rede assistencial específica…” (2).

Chegamos, assim, a um patamar legal que “…configura os Cuidados Paliativos como uma parte do todo que constitui o direito à protecção da saúde que o Artº 64 da Constituição <da República Portuguesa> consagra…” (3). Mais ainda se devem “…encarar os Cuidados Paliativos como uma categoria científica dos cuidados de saúde (sublinhado meu) e que gozam da mesma natureza pluridisciplinar e multiprofissional…” (4).

21 de dezembro de 2022

Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

 


Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

Poderíamos trazer outras definições às epidemias, no entanto, apesar de diferentes, encontraríamos várias características comuns: o seu caráter temporário, a circunscrição territorial, a morbilidade e a mortalidade acima do usual. Há doenças endémicas, epidémicas e pandémicas. 

A designação “pandemia” só começou a ser utilizada no século XX. O uso da palavra “epidemia” não está isenta de uma certa ambiguidade, pois há doenças que marcaram o passado e são difíceis de classificar. Tratam-se de doenças endémicas que acompanham a humanidade desde há séculos, mas que, por razões ambientais ou outras, têm uma maior incidência, atingindo picos que lhes dão uma proporção epidémica. A este propósito, são de mencionar os exemplos do tifo e da tuberculose. A tuberculose é conhecida desde há milhares de anos, tendo sido identificada em múmias egípcias. Ao longo do tempo, a sua denominação foi-se alterando: escrófulas, tísica. Mas foi no século XIX que alcançou uma dimensão pestífera, que justificou a designação que então lhe foi atribuída: “peste branca”. Com a industrialização a incentivar homens e mulheres a partirem para as cidades, estas transformam-se em verdadeiros antros de doenças. Amontados em bairros periféricos e insalubres, junto a fábricas e lixeiras, condenados a sobreviver com magros salários, incapazes de satisfazer necessidades básicas, os operários serão as principais vítimas da enfermidade.