Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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12 de dezembro de 2023

Praticar a Tolerância – princípio fundamental da Ordem Maçónica

 

Praticar a Tolerância – princípio fundamental da Ordem Maçónica

Apresento-vos hoje uma peça de arquitectura sobre a “Tolerância” que é, como sabeis, um dos princípios fundamentais da nossa Augusta Ordem. 

A reflexão e estudo sobre o tema foram-me suscitados como uma urgência, pela ocorrência de três eventos quase simultâneos: o recrudescimento da propaganda de ódio da extrema-direita internacional (e a sua perigosa tradução nacional, com episódios de grande violência como a que vimos acontecer em Dublin no passado dia 24NOV e que, felizmente, em Portugal ainda não tem tão grave expressão, excepto por vezes nos campos de futebol), a tragédia da nova guerra Israel-Palestina, e a leitura de um excelente estudo sobre “A perseguição aos judeus e muçulmanos de Portugal” e de um livro do escritor árabe, Amin Maalouf, grande conhecedor dos conflitos internos do mundo árabe, para quem as nossas civilizações se encontram perante o risco de um “naufrágio iminente”. 

Como diz Maalouf, esta é uma “era desconcertante” porque, quando se verificam avanços tecnológicos espectaculares que nos facilitam, como nunca antes, o acesso ao conhecimento; quando se vive mais e melhor em muitas mais zonas do Planeta; e quando se poderia conduzir a humanidade a uma era de liberdade e progresso ... o mundo parece seguir inconscientemente na direcção oposta, rumo à destruição de tudo o que foi alcançado! 

Escrevia o nosso Ir.’. Salvador Allende, numa sua prancha de Julho de 2019, já lá vão quatro anos e meio(!), sábia e profeticamente (se pensarmos no que está a acontecer no Médio Oriente): “A luta pelas esferas de influência das grandes potências, em busca de fontes de matérias primas essenciais às novas tecnologias, a par do sempre presente petróleo, aliadas ao papel hegemónico da financeirização global da economia, criaram as condições propícias aos conflitos regionais, que têm descambado em guerras terríveis, impondo às populações enormes sacrifícios e perdas irreparáveis que acabam por ser potenciadas pelo extremismo religioso [e o] reforço da fuga para a prática de religiões ou crenças totalitárias.” 

8 de abril de 2023

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ (simbologia)


Com a devida vénia e respectiva autorização transcreve-se esta Peça de Newton Agrella

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ   (simbologia)

Na qualidade de "livres pensadores"  temos a oportunidade de enxergar e interpretar conceitos filosóficos sob prismas diferenciados.

 Alguma vez você ousou pensar a Câmara de Reflexão não como um cubículo escuro, desconfortável, com cheiro de enxofre e ornamentado com inúmeros símbolos e inscrições, mas sim como um estágio de sua Existência,  ou como se fosse o fim de um ciclo e o sinal de passagem para um recomeço ???

Experimente imaginar essa Câmara de Reflexão sem considerar seus valores estéticos.

Ouse elaborar um conceito de um hiato de vida.  Ou seja, uma parada em que você se defronta com a sua própria existência.

Você inicia uma conversa consigo mesmo, avalia tudo o que você já viveu até aquele instante e faz um brevíssimo flashback dos momentos mais marcantes de sua história.

A encruzilhada está na sua mente. 

Encontra-se recôndita no seu coração... 

O momento é só seu....

Cabe a você persistir ou não no seu intento.  

Corpo, Alma e Espírito confabulam freneticamente dentro de sí.

Você é o agente de sua conduta e a Câmara de Reflexão reside unicamente em você.

O que você vê no cubículo em que se acha encarcerado é uma mera e circunstancial projeção estética e formal.

Porém o que você enxerga é o seu comprometimento para com uma vida diferente.

É o adeus ao profano e o renascimento para a Arte Real....

A Reflexão contudo, pede um compromisso com o seu interior e com os valores mais intrínsecos que a alma humana requer.  

Diante disso, fica renovado o convite para que de agora em diante você considere a Câmara de Reflexão, não apenas como um lugar simbólico, porém como um intervalo especial e incomparável entre o que você viveu e o que a sua consciência passou a viver.

Entre ver e enxergar reside o discernimento.

NEWTON  AGRELLA


21 de dezembro de 2022

Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

 


Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

Poderíamos trazer outras definições às epidemias, no entanto, apesar de diferentes, encontraríamos várias características comuns: o seu caráter temporário, a circunscrição territorial, a morbilidade e a mortalidade acima do usual. Há doenças endémicas, epidémicas e pandémicas. 

A designação “pandemia” só começou a ser utilizada no século XX. O uso da palavra “epidemia” não está isenta de uma certa ambiguidade, pois há doenças que marcaram o passado e são difíceis de classificar. Tratam-se de doenças endémicas que acompanham a humanidade desde há séculos, mas que, por razões ambientais ou outras, têm uma maior incidência, atingindo picos que lhes dão uma proporção epidémica. A este propósito, são de mencionar os exemplos do tifo e da tuberculose. A tuberculose é conhecida desde há milhares de anos, tendo sido identificada em múmias egípcias. Ao longo do tempo, a sua denominação foi-se alterando: escrófulas, tísica. Mas foi no século XIX que alcançou uma dimensão pestífera, que justificou a designação que então lhe foi atribuída: “peste branca”. Com a industrialização a incentivar homens e mulheres a partirem para as cidades, estas transformam-se em verdadeiros antros de doenças. Amontados em bairros periféricos e insalubres, junto a fábricas e lixeiras, condenados a sobreviver com magros salários, incapazes de satisfazer necessidades básicas, os operários serão as principais vítimas da enfermidade.