Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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26 de outubro de 2026

De novo à Volta do Tempo, da Idade e da Maçonaria

 



De novo à Volta do Tempo, da Idade e da Maçonaria 
 

Com o devido agradecimento ao Blog «Compasso & Esquadro» se transcreve:

Considerámos útil recordar novamente alguns conceitos relacionados com os 3 temas acima, publicados inicialmente neste Blog em 12.Jul.2022,  já que poucas vezes são recordados e discutidos nas Sessões em Loja.  O facto da sua análise periódica ser importante, muito em especial para os Quadros das LLoj:., analisarem os candidatos à Iniciação,  e AApr:. leva-nos a acreditar que será útil voltar a recordá-los (p' Comissão Editorial do Blog - Salvador Allen:.M:.M:.)


I - Introdução

Algumas das interrogações que mais frequentemente se nos ocorrem e/ou nos são colocadas, respeitam justamente às que surgem acima. Existirá  por norma, prática, ou até eventual indicação específica, alguma idade ajustada para se ser Iniciado?? Ou deverá existir,   essencialmente e pelo contrário, uma maturidade certa para se ser Iniciado??

As principais características das actuais sociedades globalizadas de consumo,  apresentam frequentemente como consequências – um alto factor de competividade assimétrica, o individualismo, o egoísmo, alguma falta de ética  e de respeito das sociedades quer para com os mais novos, mas ainda mais com os mais velhos e todos, em geral. Prevalecem o espírito e práticas consumistas, afastam-se os cidadãos da maturidade mínima para resistir aos valores distorcidos impostos («mercado dixit»). Assim se alienam quaisquer tentativas de progressão cultural e/ou intelectual, consideradas «à priori» não interessantes ou desnecessárias, ou até incompatíveis com o frenético estilo de vida «digital». 

5 de outubro de 2026

O Silêncio dos Sábios - Etarismo e Reverência na Maçonaria

 



O SILÊNCIO DOS SÁBIOS – ETARISMO E REVERÊNCIA NA MAÇONARIA


Autor: Paulo Cesar T. Ribeiro (*)


 


Imagem ilustrativa gerada por IA

Tempora mutantur et nos in illis. Os tempos mudam, e nós mudamos com eles. É deste axioma antigo que parto, porque há reflexões que só amadurecem quando o homem já viveu o bastante para reconhecer, no espelho da Ordem, aquilo que a sociedade insiste em recusar aos seus mais velhos.

Há, no cerne da Maçonaria, um convite ao autoconhecimento e ao aprimoramento moral — um trabalho interior que deveria, por sua própria natureza, dissolver as barreiras que o preconceito ergue entre os homens. E, no entanto, é preciso coragem para admitir que nem sempre é isto o que se vê. A casa que se proclama Templo da Igualdade não está imune às sombras que se projetam sobre o mundo profano. Ela é, como escrevi em outra parte, um microcosmos da sociedade humana: repercute, em suas paredes, os mesmos fenómenos que atravessam o tecido social mais amplo. E entre esses fenómenos há um que se instalou entre nós de maneira particularmente silenciosa — o etarismo, a discriminação por idade, a velhofobia que exclui, sem alarde, justamente aqueles que mais deram à Ordem.

27 de setembro de 2026

A MAÇONARIA - Escola de Moral e Ética ou de Arrogância e Vaidade?

 




A MAÇONARIA -  Escola de Moral e Ética ou de Arrogância e Vaidade? 

Este traçado, inicialmente inserido no Blog «Compasso e Esquadro» em 14.Out.24 (a quem agradecemos a autorização da republicação). Pela  actualidade e pertinência dos temas tratados, foi considerada importante a sua revisitação e leitura em Loj:. (a Comissão Coordenadora do Blog )




I – Introdução 

Durante o ritual de Iniciação, questionado por diversas vezes sobre se realmente deseja ingressar na Ordem, o profano ao responder afirmativamente a todas as questões que lhe são colocadas,  firma um pacto com a Fraternidade, a partir da qual recai sobre os seus ombros o peso da responsabilidade de fazer com que os princípios maçónicos sejam, efectivamente, colocados quotidianamente em prática. Em resumo,  Iniciado, o maçom tem como incumbência permanente cuidar da prática da ética, da moral e dos bons costumes. Todavia quotidianamente, os maçons deparam-se com algumas situações que colidem com os princípios e objectivos a que se comprometeram, quando da  iniciação... 

Ao começar a frequentar a Loja (azul ou simbólica) o Aprendiz (Apr:.) vai comprovar a existência de três graus: os dois primeiros em que se usa o mesmo avental branco e o terceiro já com indumentária e adornos diferentes, mais requintados e vistosos, que é o de Mestre Maçom, grau maior da Maçonaria simbólica.  São Mestres, o  V:.M:. e os quadros da Loja e naturalmente mais alguns IIr:. , alguns dos

12 de dezembro de 2023

Praticar a Tolerância – princípio fundamental da Ordem Maçónica

 

Praticar a Tolerância – princípio fundamental da Ordem Maçónica

Apresento-vos hoje uma peça de arquitectura sobre a “Tolerância” que é, como sabeis, um dos princípios fundamentais da nossa Augusta Ordem. 

A reflexão e estudo sobre o tema foram-me suscitados como uma urgência, pela ocorrência de três eventos quase simultâneos: o recrudescimento da propaganda de ódio da extrema-direita internacional (e a sua perigosa tradução nacional, com episódios de grande violência como a que vimos acontecer em Dublin no passado dia 24NOV e que, felizmente, em Portugal ainda não tem tão grave expressão, excepto por vezes nos campos de futebol), a tragédia da nova guerra Israel-Palestina, e a leitura de um excelente estudo sobre “A perseguição aos judeus e muçulmanos de Portugal” e de um livro do escritor árabe, Amin Maalouf, grande conhecedor dos conflitos internos do mundo árabe, para quem as nossas civilizações se encontram perante o risco de um “naufrágio iminente”. 

Como diz Maalouf, esta é uma “era desconcertante” porque, quando se verificam avanços tecnológicos espectaculares que nos facilitam, como nunca antes, o acesso ao conhecimento; quando se vive mais e melhor em muitas mais zonas do Planeta; e quando se poderia conduzir a humanidade a uma era de liberdade e progresso ... o mundo parece seguir inconscientemente na direcção oposta, rumo à destruição de tudo o que foi alcançado! 

Escrevia o nosso Ir.’. Salvador Allende, numa sua prancha de Julho de 2019, já lá vão quatro anos e meio(!), sábia e profeticamente (se pensarmos no que está a acontecer no Médio Oriente): “A luta pelas esferas de influência das grandes potências, em busca de fontes de matérias primas essenciais às novas tecnologias, a par do sempre presente petróleo, aliadas ao papel hegemónico da financeirização global da economia, criaram as condições propícias aos conflitos regionais, que têm descambado em guerras terríveis, impondo às populações enormes sacrifícios e perdas irreparáveis que acabam por ser potenciadas pelo extremismo religioso [e o] reforço da fuga para a prática de religiões ou crenças totalitárias.” 

8 de abril de 2023

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ (simbologia)


Com a devida vénia e respectiva autorização transcreve-se esta Peça de Newton Agrella

CÂMARA DE REFLEXÃO NÃO É UM LUGAR. É VOCÊ   (simbologia)

Na qualidade de "livres pensadores"  temos a oportunidade de enxergar e interpretar conceitos filosóficos sob prismas diferenciados.

 Alguma vez você ousou pensar a Câmara de Reflexão não como um cubículo escuro, desconfortável, com cheiro de enxofre e ornamentado com inúmeros símbolos e inscrições, mas sim como um estágio de sua Existência,  ou como se fosse o fim de um ciclo e o sinal de passagem para um recomeço ???

Experimente imaginar essa Câmara de Reflexão sem considerar seus valores estéticos.

Ouse elaborar um conceito de um hiato de vida.  Ou seja, uma parada em que você se defronta com a sua própria existência.

Você inicia uma conversa consigo mesmo, avalia tudo o que você já viveu até aquele instante e faz um brevíssimo flashback dos momentos mais marcantes de sua história.

A encruzilhada está na sua mente. 

Encontra-se recôndita no seu coração... 

O momento é só seu....

Cabe a você persistir ou não no seu intento.  

Corpo, Alma e Espírito confabulam freneticamente dentro de sí.

Você é o agente de sua conduta e a Câmara de Reflexão reside unicamente em você.

O que você vê no cubículo em que se acha encarcerado é uma mera e circunstancial projeção estética e formal.

Porém o que você enxerga é o seu comprometimento para com uma vida diferente.

É o adeus ao profano e o renascimento para a Arte Real....

A Reflexão contudo, pede um compromisso com o seu interior e com os valores mais intrínsecos que a alma humana requer.  

Diante disso, fica renovado o convite para que de agora em diante você considere a Câmara de Reflexão, não apenas como um lugar simbólico, porém como um intervalo especial e incomparável entre o que você viveu e o que a sua consciência passou a viver.

Entre ver e enxergar reside o discernimento.

NEWTON  AGRELLA


21 de dezembro de 2022

Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais

 


“ Humanismo Maçónico, as crises pandémicas e as consequências sociais”

Poderíamos trazer outras definições às epidemias, no entanto, apesar de diferentes, encontraríamos várias características comuns: o seu caráter temporário, a circunscrição territorial, a morbilidade e a mortalidade acima do usual. Há doenças endémicas, epidémicas e pandémicas. 

A designação “pandemia” só começou a ser utilizada no século XX. O uso da palavra “epidemia” não está isenta de uma certa ambiguidade, pois há doenças que marcaram o passado e são difíceis de classificar. Tratam-se de doenças endémicas que acompanham a humanidade desde há séculos, mas que, por razões ambientais ou outras, têm uma maior incidência, atingindo picos que lhes dão uma proporção epidémica. A este propósito, são de mencionar os exemplos do tifo e da tuberculose. A tuberculose é conhecida desde há milhares de anos, tendo sido identificada em múmias egípcias. Ao longo do tempo, a sua denominação foi-se alterando: escrófulas, tísica. Mas foi no século XIX que alcançou uma dimensão pestífera, que justificou a designação que então lhe foi atribuída: “peste branca”. Com a industrialização a incentivar homens e mulheres a partirem para as cidades, estas transformam-se em verdadeiros antros de doenças. Amontados em bairros periféricos e insalubres, junto a fábricas e lixeiras, condenados a sobreviver com magros salários, incapazes de satisfazer necessidades básicas, os operários serão as principais vítimas da enfermidade. 

11 de setembro de 2022

A União dos Desiguais

 


Com a devida vénia e respectiva autorização se transcreve este trabalho do Irmão Norberto P. de Barcellos  seleccionado pelo blogue Jakim&Boaz do Informativo “CHICO DA BOTICA” - Edição 132 - 31 Maio 2019:

A União dos Desiguais

Podemos ter nítidas semelhanças com alguém. Seja na forma física. Seja na personalidade. Seja no jeito de ser. Fulano é assim. Sicrano é assado . De quando em vez, parecidos, mas iguais não. Todos nós somos diferentes. E é aí que emana do nosso íntimo uma luz de aprendizagem. 

Por maior que seja a nossa semelhança com alguém, jamais será absolutamente igual. Mesmo assim, esse pêndulo torna-nos  idênticos, porque representa a unidade das nossas diferenças e que por se completarem nas comparações, alcançam uma harmonia de igualdade. Todos nós temos qualidades ou defeitos que o outro não tem. Mas o outro possui muitas coisas que nós não possuímos. Isso completa-nos. Assim alcançamos o equilíbrio necessário, uma vez que, juntos acabamos formatando um caminho que, ao percorrermos pela lógica da dualidade, acaba conduzindo-nos  para uma forma única. Por outras palavras: as nossas diferenças completam-nos. Fulano gosta disso. Sicrano daquilo. Beltrano nem disso nem daquilo, porém absolutamente útil na sua forma de ser. Ao nos reconhecermos assim, evidenciamos a soma de nós mesmos.

Do conciso ao prolixo; do extrovertido ao tímido. 

A bem da verdade, para que um exista é fundamental a presença do outro. A dualidade é a permanência de ambos, como extremos, já que se um desaparecer, o outro perderá o sentido da sua existência, pois necessita do contrário como de si mesmo para poder existir. 

Desnecessários tantos exemplos, quando ao olharmos para o chão na nossa frente, vemos no Pavimento Mosaico a presença emblemática do Universo e de tudo o que nele existe, inclusive do ser humano, seu jeito de ser, sua vida, porque a dualidade está presente em tudo.

Na sua obra, “Simbologia Maçónica dos Painéis”, Almir Sant’Anna Cruz, assim escreve: “O Pavimento Mosaico além de representar a União entre todos, independente das suas diferenças étnicas, religiosas, políticas, etc., simboliza a harmonia dos contrários, a convivência harmoniosa de várias dualidades aparentemente antagónicas, tais como o bem e o mal, o espírito e a matéria, a polaridade positiva e a polaridade negativa da natureza, etc.” E finaliza: “Os maçons, unidos pelo mesmo cimento de tolerância e benevolência, conseguem não só superar a moral comum, mas, sobretudo elevar-se acima dela”. 

29 de agosto de 2022

Para uma Nova Ética Maçónica em Pleno Século XXI

 

               

 Para uma Nova Ética Maçónica em Pleno Século XXI                            

Com a devida vénia autorização do Blog «Comp&Esq», publicamos o seguinte trabalho


I - Introdução  à Situação Actual.

As guerras que têm vindo a assolar o mundo nos últimos anos, grande parte resultado das disputas inter-imperialistas ou inter-regionais (fomentadas por aquelas), além das restantes que vinham sistematicamente ocorrendo, com as trágicas consequências económico-sociais e humanas, têm contribuido para uma progressiva diminuição das democracias e a das liberdades em crescentes países no Mundo.

Como se já não bastassem as terríveis consequências sanitário-económicas da pandemia, que  assolou e paralisou parcialmente o mundo inteiro nos últimos três anos, associando os desastres naturais (consequência ou agravados pela poluição e/ou desiquilíbrios ecológicos), teremos a dimensão dos desastres globais que atingiam, até há 6 meses,  este nosso mundo. A este cenário já deveras preocupante, juntemos-lhe agora a guerra na Europa (agressão e invasão da Rússia à Ucrânia) da qual  o nosso país, à beira-mar plantando, também «participa indirectamente»,  via económica e militar, através da «solidariedade europeia». 

2 de julho de 2022

Todo Maçom é Rico ou só Busca Riquezas?


Com a devida vénia, e respectiva autorização, se transcreve este artigo, publicado no Jornal Mensal do Grande Oriente de Alagoas (GOAL)-Cavaleiros da Virtude:

Todo Maçom é Rico ou só Busca Riquezas?

Carlyle Rosemond (M|I| CIM 307.07 - A|R|L|S| Terceiro Milênio nº7 - GOAL

Membro da Academia Maçônica de Ciências, Letras e Artes - AMCLA)

O correto seria, em relação a bens materiais, nem um dos dois, mas sabemos que nem sempre é assim. Irei contar alguns trechos de ou história, sejam elas vividas, ouvidas , infelizmente, presenciadas, tudo para tentar explicar a resposta dada acima às duas perguntas do título.

É apenas uma reflexão como as pessoas associam a palavra de “Maçom” a  “Rico”, como se elas fossem sinônimos ou, ainda, como a se uma fosse uma ponte para a outra. É fato que os primeiros maçons especulativos eram homens de posses ou lordes e, talvez, seja por isso que tenha surgido o mito. Em relação à “ponte”, não é correto, mas acontece, em algumas Lojas, de pessoas serem iniciadas por seu poder financeiro e/ou político, do outro lado dessa mesma “ponte”, pessoas desejando entrar com a ilusão de se tornar um milionário. Nesse ponto temos dois caminhos: os aproveitadores e os que se aproveitam.

Sabemos que o mundo virtual não perdoa e se aproveita de nossas fraquezas, daí o crescimento de golpes de “maçonarias virtuais” com a promessa de riquezas, onde você é convidado a ser iniciado virtualmente para fazer parte de uma “elite” poderosa e “Boom!!!”, pela ganância, você perde o dinheiro e fica menos rico. O outro ponto está relacionados a “irmãos” que se aproveitam do fato de outros Irmãos terem condições para buscarem favores e gratuidades. Um Irmão não é obrigado a dar tudo de graça ao outro, deve ser feito de coração. Não estou dizendo que é errado ajudar, pois isso faz parte de nós; apenas que os Irmãos para ajudar outros Irmãos (seja com descontos, empregos, favores, gratuidades, entre outras coisas), precisam saber se o outro realmente precisa ou se está querendo se aproveitar do momento, digo isso pois a fila de pedidos é enorme. Brincadeiras à parte, todos nós, ricos ou pobres, precisamos de algum tipo de ajuda e, será que tudo está ligado ao dinheiro?

7 de junho de 2022

AFINIDADE – É essa a principal causa de evasão?


Com a devida vénia se transcreve esta reflexão do  Irmão Fábio R. F. Pacheco (seleccionada do «Informativo CHICO DA BOTICA - Edição 136 - 30 Set 2019 – por «Jakim & Boaz»)

AFINIDADE – É essa a principal causa de evasão?

“Nunca temos tempo. No entanto, o tempo é tudo que temos.” (autor desconhecido)

Há muito tempo, quando recém exaltado ou talvez antes ainda, ouvi uma peça de arquitectura que muito me agradou; porém na época não compreendi adequadamente seu conteúdo. Infelizmente não consegui até hoje localizar o texto, pois não lembro do seu título nem do nome do autor e o Irmão que eu pensava ter trazido a peça também não se recorda dela. Assim sendo vou utilizar minhas palavras para a descrever. 

Naquele texto o autor apontou algumas características relacionadas com as personalidades dos indivíduos, que se destacam das demais, o que possibilita facilmente identificar a afinidade dele com alguma e/ou algumas atividades da nossa instituição. Por óbvio e generalizando, é apenas uma forma de identificarmos uma predileção da pessoa por alguma área específica o que não significa necessariamente que ela não actue ou relegue as demais atividades.

Exemplificando: Quem não se lembra de um Irmão que é “fascinado” por ritualística; aqui vou chamá-lo de “ritualístico”,  já que claramente é a actividade que mais o atrai. Outro identifica-se muito com a área administrativa, gostam de deixar os documentos e as finanças em perfeita ordem, aos quais vou chamá-los aqui de “gestores”. Temos ainda aqueles que mostram clara preferência pelos temas místicos, esotéricos, misteriosos em geral; chamo-os aqui de “místicos”. Há também quem tem nítida inclinação para atividades de filantropia e benemerência, estão sempre auxiliando de alguma forma, esses vou chamar aqui de “solidários”. Cito também os irmãos que tem ampla preferência aos estudos, gostam de ler e aprender, estão sempre buscando a verdade e vou nominá-los aqui de “estudiosos”. Na ordem, ainda temos aquele que quase só aparece em ágapes e festividades e adora as confraternizações, aqui vou identificá-lo como “ágape”.

6 de outubro de 2021

A Maçonaria - Doutrina, Pensamento ou Método ?

 


A Maçonaria  -  Doutrina, Pensamento ou Método ?

I – Maçonaria – resumo das duas principais correntes

A Maçonaria que a N:.A:.O:. [10] nos propõe,  independentemente dos Ritos praticados ( Rito Francês ou Moderno – R.F. e Rito Escocês Antigo e Aceito – R.E.A.A.), enquadra-se na corrente designada por  “liberal” ou “adogmática”, por vezes também por “continental”, por oposição à britânica ou “anglo-saxónica”, de cariz “dogmático”,  já que impõe a crença em Deus (sob qualquer uma das formas das religiões monoteístas) e na imortalidade da alma.

Para começar, nada melhor do que ir ao encontro das definições essenciais, distinguindo os conceitos de Dogma, Doutrina e Pensamento. Segundo os dicionários consultados ([1],[2],[8] e [9]), temos:

Dogma: “Doutrina estabelecida e aceite como verdade absoluta e não sujeita a qualquer tipo de discussão, por regra, imutável, que permite a preservação de um «status quo» ao nível do conhecimento, sem qualquer tipo de progresso, dado que a sua crítica não é admissível” [2].  

Doutrina: “1- Conjunto de dogmas, religiosos ou filosóficos, que direcionam um Homem na interpretação dos factos e na direção da sua conduta. 2- Conjunto de princípios em que se baseia uma religião, um sistema político ou filosófico. 3- Ensino dos dogmas, mistérios e preceitos duma religião”.

Pensamento: “1 – Actividade humana mediante o qual o homem raciocina de forma lógica, reflecte sobre aquilo que os seus sentidos apreendem e medita; 2 – o pensamento humano está simbolizado no mundo maçónico através do compasso, instrumento de medição que pode alargar o seu raio de acção, conforme o grau de abertura” [2].

A Maçonaria, pela directriz essencial da linha “adogmática” e dada a sua natureza universalista, recusa à priori  a imposição de quaisquer doutrinas, verdades ou crenças aos seus membros, baseando neste princípio essencial, o seu pensamento e metodologia, que abarcando toda a Humanidade,  é simbolizado por exemplo  através do compasso, como atrás descrito. 

A Maçonaria Conservadora, de cariz mais tradicionalista (entenda-se no sentido conservador e francamente rígido), é representada fundamentalmente pela Grande Loja Unida da Inglaterra (G.L.U.I.), constituída em 1813, que reclama para si (e para as Grandes Lojas que a ela se subordinam) os princípios da dita «Regularidade», alguns de essência dogmática, como a crença na imortalidade da alma e no «Grande Arquitecto do Universo», equiparado e limitado ao conceito estrito de  Deus, para além da aceitação obrigatória de  um conjunto de «princípios imutáveis» («landmarks»).

11 de abril de 2021

Ensaio sobre a Cegueira Maçónica

 

Com a devida vénia e respectiva autorização, transcreve-se do Blogue Jakim&Boaz

Ensaio sobre a Cegueira Maçónica

Meus Irmãos Todos, 

Precisamos na Maçonaria, de relacionarmos o que fizemos nos nossos Templos, com o que a sociedade precisa para ser feliz. Caso contrário, sem margem de dúvida, não terá finalidade o que lá realizamos. 

Inicialmente com uma profunda reflexão sobre nossos valores e saberes relevantes, para que não fiquemos sómente no sonho ou na retórica estéril. E nisso, podemos utilizar o que a cultura nos proporciona, como por exemplo o filme "ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA", baseado na conhecida e muito divulgada obra de José Saramago,  e que muito bem foi transposta para a tela do cinema pelo cineasta Fernando Meireles. 

Há necessidade de nos analisarmos e verificarmos o que temos e precisamos aperfeiçoar para agir, no âmbito pessoal, como no âmbito institucional. O autoconhecimento. Existe um modelo chamado Janela de JOHARI, desenvolvido em 1963 por Joseph e Harry Ingham, em que os autores explicam as quatro áreas da personalidade humana baseada numa matriz originada por dois processos, a auto exposição e a busca de feedback. Uma destas áreas, a chamada área CEGA é aquela em que o próprio indivíduo não conhece aspectos a respeito de si mesmo, mas que os outros vêem. Esta “cegueira” impacta o nosso autoconhecimento e consequentemente a forma como nos relacionamos com os outros.

O mesmo facto ocorre com as organizações (na Maçonaria), que muitas vezes não conseguem perceber o que se passa dentro delas próprias e se não forem os clientes (os maçons), o mercado (as lojas), os consultores (os expertos) e outros instrumentos como os estudos, os debates, tais como as pesquisas, acabam por não se darem conta do que precisam melhorar. 

E nós MAÇONS, em todos os aspectos, precisamos melhorar. Melhorar nas administrações das lojas, com possíveis cursos para às LUZES, melhorar o ensinamento maçónico, com saberes relevantes e úteis para o concomitante  agir maçónico. 

Melhorar na relação de Fraternidade, com uma boa administração de recursos humanos. Melhorar com uma orientação de liderança maçónica que saiba agir nos múltiplos aspectos da gestão. Entre outras tantas e necessárias melhorias.

28 de setembro de 2020

Revolução ou Evolução no Grande Oriente da Bélgica?

 


Revolução ou Evolução no Grande Oriente da Bélgica?

O Grande Oriente da Bélgica (GOB), principal obediência maçónica do país e que conta com cerca de 10.000 membros divididos por 118 lojas, acaba de dar um passo fundamental na sua história de quase dois séculos – foi instalado em 1833, três anos após a independência da Bélgica. De facto, a Assembleia Geral do Grande Oriente adotou, neste domingo, 16 de Fevereiro de 2020, e por grande maioria, uma reforma dos seus estatutos e regulamentos que, entre outras modificações, agora permitirá que as lojas filiadas nesta obediência liberal e adogmática integrem mulheres no seu seio. Porquê esta mudança? Há vários anos que o Grande Oriente da Bélgica tem sido confrontado com pedidos de Lojas nele inscritas, principalmente de Bruxelas e sobretudo flamengos, com o objetivo de filiar “Irmãs”, ou de ir ainda mais longe, iniciando mulheres numa obediência que até agora permaneceu estritamente masculina no seu recrutamento. Esta transformação profunda, da qual não podemos dizer de momento qual será o seu real impacto – para além do aspeto simbólico da coisa -, permite ao Grande Oriente da Bélgica alinhar-se com o seu equivalente francês, que está implicitamente aberto à diversidade e à não discriminação há uma década. O Grande Oriente de França (GOdF), desde 2010, que concede às suas lojas a liberdade de iniciar mulheres, uma liberdade reivindicada há décadas, mas para a qual nunca houve uma maioria, antes de 2010, apesar do facto de que as lojas têm feito filiações selvagens desde 1990 – atraindo em troca, a ira da Obediência. No entanto, convém assinalar, isto não é suficiente, pois no caso do Grande Oriente da Bélgica, como no caso do Grande Oriente de França, pode-se estritamente falar de obediências mistas.

11 de janeiro de 2020

CONSCIÊNCIA MAÇÓNICA


Com a devida vénia se transcreve este texto de Newton Agrella:

CONSCIÊNCIA MAÇÓNICA

Ao nos referirmos à chamada Maçonaria Especulativa, cabe registrar que a mesma enquanto filosofia e instituição progressista e evolucionista  exulta prioritariamente a consciência e o trabalho interior e pessoal.
Ainda como filosofia, ela demanda discernimento e cultura.
O trabalho interior impõe um movimento subjetivo.
O "reconhecido maçônico" não é status a ser apreciado pelo que os outros dizem ou comentam.
A rigor esse reconhecimento é  refletir  aquilo que somos em nossa própria consciência.
Nossa lavra intelectual, espiritual e filantrópica perante o Grande Arquiteto do Universo, bem como nossa própria liberdade de pensamento é que sedimentam  essa relação que podemos denominar "Consciência Maçônica".
Os Dicionários Etimológicos apontam que a origem da palavra Consciência  advém do termo latino "conscientia" de "consciens" - presente do verbo
"conscire" = estar ciente (cum = com, partícula de intensidade e scire = sei).
Encontra-se ainda uma possível raiz formada de junção de duas palavras do Latim: conscius+sciens: conscius (que sabe bem o que deve fazer) e sciens (conhecimento que se obtém através de leituras; de estudos; instrução e erudição)
Resumidamente Consciência significa:
a capacidade e a disposição humana de vivenciar, experimentar ou compreender fragmentos ou a totalidade de seu mundo interior.
É o sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais.
É sob essa égide que a "Consciência Maçônica" se estabelece, como uma legítima ferramenta de ligação e de caráter evolutivo entre o Homem e o Universo.
Ler mais, Pensar Mais e Achar menos.

NEWTON AGRELLA

16 de novembro de 2019

A Maçonaria e a Solidariedade – Conceito ou Concretização


A Maçonaria e a Solidariedade – Conceito ou Concretização


Conforme é consagrado no Regulamento Geral do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, no que respeita ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue...que haverá em cada Loja ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue..., sendo uma delas a Comissão de Solidariedade, e que, para além dos membros inerentes, podem ainda integrar outros membros eleitos pelas oficinas. Igualmente é estipulado ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue... que a Comissão de Solidariedade é composta, por inerência, pelo ex-Venerável, que preside, pelo Orador e pelo Irmão Hospitaleiro, competindo a esta comissão, como é definido no ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue...: dar parecer sobre os pedidos de auxílio, que forem apresentados; Apresentar propostas, em Loja, sobre a gestão e desenvolvimento do Fundo de Solidariedade; Visitar os Irmãos e familiares destes, doentes ou carenciados; Apresentar propostas de solidariedade sobre outras que sejam apresentadas.
Refere ainda o ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue... Cabe às oficinas auxiliar os seus irmãos necessitados, bem como os familiares destes; Que as Oficinas determinarão livremente a forma de constituir, desenvolver e aplicar um Fundo de Solidariedade, assim como compete, ainda, às Oficinas, apoiar, na medida das disponibilidades do Fundo de Solidariedade, instituições de solidariedade social de cariz para-maçónico ou outro.
Ao Irmão Hospitaleiro compete visitar os Irmãos doentes e familiares destes; Sindicar a situação financeira dos Irmãos que solicitem auxílio à Loja, comunicando à Comissão de Solidariedade o resultado; entregar quaisquer apoios concedidos pela Loja, depois de autorizados pelo Venerável, e, ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue...

Em termos da N:. A:. O:. é ainda estipulado no ...Editado pela Comissão Editorial do Blogue.. (Da Solidariedade Maçónica) do Regulamento Geral do GOL que a Solidariedade Maçónica compreende tudo quanto diga respeito à beneficência, no tríplice ponto de vista moral, intelectual e físico, nomeadamente: O auxílio fraternal aos Maçons em dificuldade, bem como aos descendentes menores e outros familiares; A assistência aos desfavorecidos; O apoio e promoção de Instituições Para-Maçónicas de solidariedade social, de ensino, assistência médica, mutualidades, ou de outras áreas com fins sociais, existentes ou a criar.

30 de maio de 2019

Palavra do Orad:. - a propósito da INICIAÇÃO dum Prof:


Palavra do Orad:.
- a propósito da INICIAÇÃO dum Prof:. –

Comecemos por uma Pergunta:
- Que Profanos podem ser Maçons?
O Gr:. Or:. Lus:. – Maç:. Port:. / GOL não é uma sociedade de tertúlias; trata-se, sim, duma Instituição Iniciática que, ritualisticamente, proporciona (com a contribuição de Todos) uma melhoria individual que se vai repercutir, no mundo Profano, numa entrega cumulativa que conduzirá, também, a uma Sociedade consubstanciada na Fraternidade Universal.
Está, portanto, nas nossas mãos (isto é, na nossa capacidade de escolha no  mundo Profano) identificar quem tem qualidade para nos honrar com a sua presença mas não esquecendo que “…mais vale a qualidade do que a quantidade…” (1), que “…uma Loja não vale pelo número de cotizantes mas pelo valor intelectual das suas unidades...” (2) e que este (o valor intelectual) “…não se mede pelos estudos feitos ou pelos diplomas universitários obtidos mas é, sobretudo, necessário que procuremos espíritos abertos e inteligentes, carácteres firmes e de boa tempera...” (3).
A Maçonaria consubstancia, nos seus Princípios orientadores, :
- o dever da Beneficência;
- a partilha através da Solidariedade;
- a reflexão sobre a Igualdade no acesso;
- a tolerância como práctica de Liberdade de pensamento.
Muitas vezes se apela à Inteligência de cada um – a inata/potencial e a desenvolvida – mas poucas vezes se valoriza a Inteligência Intuitiva que, no entanto, “…é a faculdade humana, não estritamente “racional”, que nos capacita para “saltar” para um plano da Consciência <onde> a “forma” que o Cósmico adoptou em nós próprios, individualizando-se, encontra a “via de retorno” à realidade universal da qual provem. Esse seria o Conhecimento iniciático, que é incomunicável, “secreto”, enquanto experiência pessoal…” (4).
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28 de janeiro de 2019

O Maçom deve ter um Perfil?


“Neste mundo nu e indiferente, é somente
dos homens que os homens podem esperar
dedicação, calor de sentimentos e ajuda nas
dificuldades da vida”.

Norbert Elias in A Condição Humana

O Maçom deve ter um Perfil?

Em primeiro lugar devemos dizer que ao reflectir sobre este assunto fomos gradualmente confrontados com um conjunto de temas e conceitos, interligados em rede como que formando um mapa de conceitos, como os que fazemos por vezes em investigação. Dispersámo-nos! E todo o presente traçado vai no sentido de clarificar o problema e a ideia de que se há ou poderá haver o “maçom ideal” vs “ideal de maçom” (com um seu respectivo perfil). O tema merece, naturalmente, uma tese. Ficamo-nos por um esboço de imperfeito traçado. Assim, paralelamente às qualidades que um maçom deve possuir, deparámo-nos com a necessidade de confrontação com outras entidades que, ao se aproximarem contagiando os valores da maçonaria, a podem desfocar, distorcer, desvirtuar ou mesmo perverter (ou seja, inverter o papel ou fazer uso para outros fins). Tal como para outras áreas do humano, a tentativa de compreensão de uma designada “normalidade” recorre à caracterização daquilo que dela se afasta (evidenciando o contraste), também aqui tentaremos enunciar qualidades desviantes indesejáveis, ou mesmo incompatíveis, com um perfil de maçom.
Abordaremos assim breves considerações sobre as noções de Identidade, Carácter, Perversão, Cinismo e Falso Self (ou falso Eu).
Como nos diz Ortega y Gasset, a vida que nos é dada tem os seus minutos contados e, além disso, é-nos dada vazia. Quer queiramos quer não, temos de preenchê-la por nossa conta, isto é, temos de ocupá-la de um ou outro modo. Logo, a substancia de cada vida reside nas suas ocupações. Se ao animal, além da vida lhe é dado o reportório da sua conduta instintiva, não podemos dizer que se ocupa disto ou daquilo. A sua vida nunca esteve vazia ou indeterminada. Já o Homem, ao encontrar-se existindo, encontra-se perante um pavoroso vazio; tem ele mesmo de inventar os seus afazeres e ocupações e, não sendo o tempo infinito, não tem outro remédio senão escolher um programa de existência, em detrimento de outros. Acontece que para a maioria dos homens a vida está cheia de ocupações forçosas, que não executaria se pudesse apenas seguir o seu gosto.
Os humanos encontram-se assim confrontados com dois reportórios de ocupações opostas: as trabalhosas e as que proporcionam felicidade; e é comovedor ver como, em cada individuo, as duas se combatem (11).
Diríamos que é na tentativa de harmonizar estas duas ocupações (trabalhosas e prazerosas), com todas as variáveis envolvidas (individuais, familiares e culturais) que se organiza o processo de socialização, de construção da personalidade e da identidade própria, da estrutura do carácter do individuo, ou seja, da sua forma habitual de pensar e reagir ao mundo que o rodeia.

11 de dezembro de 2018

Geometricamente Laico


O pensamento é dinâmico, e no momento em que cessar esta característica, ai de nós, humanidade pura e dura que acredita, e citando Daniel Béresniak…que as certezas são estéreis e a inquietude é fecunda…, melhor dizendo, que não aceita as definições definitivas por impedirem a dedução verificada e corrigida pelos factos.
Desde as mais antigas Eras que os Geómetras (pronuncia-se Maçons) associaram a razão, intuição e imaginação para explicarem as coisas e o mundo para além da dimensão técnica e, estando eu grato por tais ensinamentos, vou relacionar a Geometria com uma das mais marcantes consequências desse acontecimento do Séc. XVIII que se designou por Revolução Francesa de 1789 que deu à Luz a chamada Laicidade.
Já sinto as farpas (lê-se certezas) dos que, estaticamente, aceitam as verdades por desígnios autoritários (Roma locuta, causa finita), mas que venham elas pois esta viagem vou encetá-la preparado para, sobretudo, errar (nunca mais me esqueci de um ditado Hassídico que diz…nunca perguntes qual o caminho a quem o conhece pois assim tu nunca poderás errar…) e depois corrigir se assim for necessário.
Geometricamente Laico! Paradoxo ou verdade ainda por descobrir? Vamos, então, debruçarmo-nos sobre as partes para vermos a Luz que tudo esclarece e domina.
Sabe-se que na Laicidade:
1- É convicção aceite por muitos que é inseparável da liberdade e tolerância e uma opositora feroz das representações totalitárias afirmando-se como universal ao transmitir-nos o saber independentemente das certezas dogmáticas.
2- Afirma-se também como uma aliada dos Mistérios Antigos que foram abafados pelas ortodoxias vigentes na Antiguidade.
3- Não reduz o indizível a ídolos recusando, portanto, uma espiritualidade monopolista. Etimologicamente significa Povo, ou seja, designa os que não pertencem às classes dominantes (clero e nobreza), secularizando assim o saber.
4- Não impõe nenhuma maneira de explicar as coisas garantindo a liberdade de consciência a cada um para o fazer e empurra todos para formularem mais perguntas do que obterem respostas.
5- Excluir quem em nome de quê não cabe no pensamento que usa a razão, ciência e progresso como pilares de um processo que conduz o indivíduo à livre escolha e à tolerância.
6- A espiritualidade não é monopólio de ninguém nem de nenhuma organização e a laicidade tem uma própria em que celebra a vida que se nutre pela passagem do que é simples ao diversificado.
7- Associa a lógica (racional) à analogia (poética e metafisica) sem haver dominação de uma sobre a outra, bem pelo contrário, harmoniza e potencia ambas.
8- Promovendo a singularidade depois de integrada no conjunto social, reconhece o indivíduo, não como o átomo social igual aos outros, mas como ser único capaz de produzir uma ideia ou palavra nova, quer dizer, alivia a velha tensão da identidade em que o Ser quer ser diferente mas também quer ser igual.

4 de setembro de 2018

Disciplina entre Colunas



Venho hoje apresentar-vos, Editado pela comissão Editorial do Blogue, uma prancha sobre o tema da “Disciplina entre Colunas”.
Tomando como referencia base alguns grandes escritos maçónicos e ainda as nossas leis e regulamentos, sugiro-vos que olhemos este tema sob três ângulos diferentes mas complementares.
O primeiro, uma perspectiva filosófica, recordando as tradições da Maçonaria Operativa no tocante ao bom funcionamento das Oficinas.
Vale a pena recordar que já no Século XVIII, na 2ª parte das Constituições de Anderson, relativas às “Obrigações de um Pedreiro-Livre”, se manifesta a preocupação de garantir a disciplina na conduta dos Irmãos, com normas que assegurassem o respeito pelos trabalhos em Loja  (“não vos comportareis jocosamente nem apalhaçadamente enquanto a Loja estiver ocupada em assuntos sérios e solenes”, ou  “não organizareis comissões privadas nem conversações separadas sem permissão do mestre”, ou “não se tragam para dentro da loja questões nem rancores”).
Também Albert Mackey,  citando os Landmarks conhecidos, realça que “É inquestionável a igualdade entre todos os maçons”, e que “Todos os Maçons estão sujeitos às leis e aos regulamentos da jurisdição maçónica em que residem”.
O segundo, numa perspectiva regulamentar, procurando traduzir nos nossos comportamentos as normas estabelecidas pela Editado pela comissão Editorial do Blogue, o qual define várias regras especificas no plano da “disciplina Maçónica”.

Assim sucede com Editado pela comissão Editorial do Blogue, que atribui aos vigilantes a competência de “direção das respetivas Colunas, sendo a eles que os Irmãos que nelas têm assento devem pedir a palavra, podendo retirar a mesma aos irmãos que dela usem sem a terem pedido. [Os Vigilantes] Transmitem nas suas Colunas os avisos do Venerável e mantêm a ordem e o silêncio”.
Ou Editado pela comissão Editorial do Blogue, com um conjunto de regras de conduta durante as sessões, em especial as relativas ao uso da palavra pelos diferentes Irmãos, definindo designadamente que nenhum pode usar da palavra mais de três vezes sobre o mesmo assunto, nem mais de dez minutos da primeira vez e cinco nas restantes.