R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito (II)
A pedido de vários IIr:. e por considerarmos pertinente a republicação deste trabalho, dividimos em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz» a versão inicial.
(CONTINUAÇÃO)
A alusão a «Mestres Escoceses» é referida nos Regulamentos Gerais, de 11 de Setembro de 1743, aprovados pela Grande Loja de França, então essencialmente formada por Mestres de Lojas parisienses, no seu Art. 20: “Como aprendemos que recentemente alguns Irmãos se anunciam sob o nome de «Mestres Escoceses» e constituem lojas particulares com pretensões e exigem prerrogativas relativamente aos quais não se encontra nenhum registo nos antigos arquivos e costumes das Lojas espalhadas pela superfície da terra, a Grande Loja determina, a fim de conservar a boa harmonia que deve reinar entre os Maçons, que a menos que estes «Mestres escoceses» sejam oficiais da Grande Loja, ou de qualquer Loja particular, serão considerados pelos Irmãos como os outros Aprendizes e Companheiros, não devendo utilizar nenhuma outra marca ou distinção particular” [6].
Nesta altura é já explícita a diferença entre a prática da maçonaria simbólica, segundo a tradição, face aos portadores dos novos graus «escoceses».
Dois anos mais tarde, os Estatutos de 1745 da Respeitável Loja de S. João de Jerusalém, «governada pelo Conde de Clermont», que não deve ser confundida com a «Grande Loja de Paris», dita de França, comportam, entre outros, um artigo muito interessante:
- Art. 44: “Os Escoceses serão os superintendentes dos trabalhos, terão a liberdade da palavra, e serão os primeiros a dar o seu sufrágio, colocar-se-ão onde desejarem, e quando estejam em falta não poderão ser repreendidos ou recuperados a não ser por Escoceses” [6].
Para além do discurso do cavaleiro Ramsay, existem adicionalmente duas outras importantes fontes, que a maioria dos historiadores e investigadores maçónicos consideram como estando na génese dos «Altos Graus»:
2) O Capítulo de Clermont
3) O Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente
.1 – O desenvolvimento do «Escocismo»
J. A. Faucher em «Histoire de la Grande Loge de France» [1], coloca a questão da necessidade de saber em que momento surgem em França as Lojas que, no seu título distintivo, fazem referência à tradição escocesa e neste pressuposto, aponta a seguinte cronologia (independentemente de algumas lojas terem alterado ou surgirem noutros documentos posteriores, com nomes diferentes):
1740 - Em Bordéus é criada em 3 de Julho, a Loja “A Francesa Eleita Escocesa e Amizade”.
1745 - Em Toulouse a 5 de Julho fundou-se a Loja “A Antiga Escócia” e no mesmo ano e na mesma cidade é também fundada a “Loja S. João da Escócia”.
1745 - Por sua vez em Tours foi fundada em 29 de Setembro, a Loja “A Concórdia Escocesa”.
1747 - Foi fundada em Toulouse a Loja “Os Escoceses Fiéis” por um stuartista católico, mais conhecido pelo nome francês de Conde de Barneval. É a partir desta loja que sairá o Capítulo escocês «Vieille Bru», com nove graus.

A partir de 1745 a Maçonaria «Escocesa» está sólidamente implantada em França, com lojas espalhadas em várias das cidades mais importantes, nomeadamente em Bordéus, Toulouse, Paris, Lyon e Marselha
Em 1751, George de Walmon, escocês, fundou em Marselha a 27 de Agosto uma Loja, sob o título de “S. João da Escócia”, que em 1762 passou a designar-se por “Loja Mãe Escocesa de Marselha”.
Os «graus escoceses» foram-se desenvolvendo e amadurecendo em França, de forma mais ou menos criativa mas desordenada, durante quase toda a segunda metade do século XVIII, sem que nenhuma entidade federadora tenha existido ou actuado.
Sendo impossível atribuir uma origem específica a cada um dos graus surgidos, é contudo possível avançar com algumas indicações retiradas dos (muito) raros documentos da época, cruzando fontes e trabalhos citadas por J. Émile Daruty, Paul Naudon, Daniel Ligou, C. Guérillot, Irène Mainguy [1]:
-1733: Mestre Escocês;
-1740: Mestre Eleito, Escocês Inglês ou Perfeito Mestre Inglês;
-1743: Pequeno Eleito, Cavaleiro do Real Arco;
-1744: Mestre Perfeito, Eleito Perfeito ou Escocês, Reitor e Juiz;
-1745: Príncipe de Rosa-Cruz, Cavaleiro da espada;
-1746: Mestre Aspirante Escocês, Mestre Arquitecto;
-1747: Escocês da Prússia ou Cavaleiro de Santo André;
-1748: Cavaleiro do Oriente
-1749: Pequeno Escocês, Grande Escocês, Cavaleiro do Oriente ou da Espada;
-1750: Mestre Secreto, Mestre Irlandês, Cavaleiro Eleito, Cavaleiro do Sol, Secretário Íntimo, Mestre por Curiosidade, Intendente dos Edifícios, Mestre Inglês
-1751: Mestre Eleito dos Nove, Ilustre Eleito do Quinze, Perfeito Escocês verdadeiro da Escócia, Escocês Trinitário, Príncipe de Mercy;
-1754: Principe de Jerusalém;
-1755: Perfeição
-1758: Grande Arquitecto, Noaquita, Cavaleiro Prussiano, Venerável Mestre das Lojas:
-1760: Cavaleiro da Águia e do Pelicano
-1761: Mestre Perfeito Ilustre, Mestre Favorito, Mestre Escocês de três «J», Escocês das cinco Letras, Maçom de Héredon, Cavaleiro e Príncipe Maçom, Grande Inspector e Grande Eleito, último da Maçonaria, Grande Eleito Cavaleiro Kadosch, Eleito Supremo, Perfeito e Sublime Antigo Mestre, Soberano Príncipe da Maçonaria
.2 – Os «Eleitos Perfeitos de Bordéus»
Um documento datado aproximadamente de 1750, encontrado nos arquivos da Universidade de Toulouse, permite-nos ter uma ideia da maçonaria praticada pelos «Eleitos Perfeitos» (de Bordéus ou também de Toulouse) à época. A Loja dos «Eleitos Perfeitos de Bordéus», futura «Loja-mãe Escocesa de Bordéus» (vários documentos o comprovam), era revestida de vermelho e o Mestre da Loja era designado por «Muito Respeitável Grande Mestre». O Rito era composto de 10 Graus, sendo os três primeiros designados por «Graus Simbólicos» e os restantes (de 4 a 10) por «Graus Escoceses»:
Graus Simbólicos - Grau1: Aprendiz; Grau2: Companheiro; Grau 3: Mestre;
Graus Escoceses - Grau 4: Mestre Secreto; Grau 5: Mestre Perfeito; Grau 6: Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade; Grau 7: Preboste e Juiz ou Mestre Irlandês; Grau 8: Intendente dos Edifícios ou Mestre Inglês; Grau 9: Mestre Eleito; Grau 10: Mestre Eleito Perfeito ou Grande Escocês.
Por esta altura (meados do século XVIII), está assim criado o que muitos autores apontam como o primeiro dos «Ritos Escoceses», que se irão desenvolver até aos actuais. Comparativamente ao actual R.E.A.A. , podemos verificar que seis dos graus superiores dos «Eleitos Perfeitos» já ocupam os primeiros escalões, tendo o décimo passado para décimo quarto, com uma designação não muito diferente.
Esta «Loja-Mãe Escocesa» de Bordéus foi responsável pela implementação de diversas lojas-filhas, denominadas «Perfeitas Lojas da Escócia», pelos diversos cantos do mundo maçónico, como sejam [1]: Paris (1746), Cap-Français (1749), Saint-Pierre de la Martinique (1750), Cayes (1757), Nova Orleans (1757), sem esquecer Marselha (1749) e Toulouse (1750). Apesar do registo da maior parte delas ter desaparecido há bastante tempo conseguiu-se, através de diversa correspondência na posse do Supremo Conselho dos Estados Unidos – Jurisdição Norte, obter registos de algumas actividades desenvolvidas.
As várias lojas escocesas, com os seus altos graus, foram-se reagrupando sob a égide de diversas Lojas Mães Escocesas sendo que a “Grande e Soberana Loja de S. João de Jerusalém”, a Oriente de Paris, em 1758 deu origem a um «Soberano Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente», que irá desempenhar mais tarde um papel decisivo na criação e estruturação do R.E.A.A..
.3 – O Capitulo de Clermont
Albert Mackey, no livro “A História da Franco-Maçonaria”, refere que o Cavaleiro de Bonneville estabeleceu um capítulo de 25 graus no Colégio dos Jesuítas de Clermont, em Paris, no ano de 1754. Os seus membros, partidários da Casa dos Stuarts, na maior parte escoceses, fizeram do colégio de Clermont o seu asilo. Um destes 25 graus era o de “Mestre Escocês”. No entanto autores e estudos mais recentes não validam aquelas afirmações, que entretanto fizeram mais de um século de escola nos manuais maçónicos e ainda continuam bastante difundidos.
O «Capítulo de Clermont» , que efectivamente existiu mas que pode não ter a origem referida por A. Mackay, teve curta duração. Foi contudo mais importante pelas suas consequências, já que uma das suas ramificações foi responsável em 1754, pela fundação da «Grande e Soberana Loja de Jerusalém». Esta Loja-Mãe Escocesa daria origem em 1758, ao nascimento do «Soberano Conselho dos Imperadores do Oriente do Ocidente», obediência de cariz aristocrático, que teve o duplo mérito de organizar um Rito com vinte e cinco graus, precisamente o «Rito de Perfeição», também designado de «Heredon», bem como de entregar a Morin em 1761, a célebre patente.
Os seus membros possuíam conhecimento de várias tradições gnósticas, antigas e místicas, transportando para este Corpo Maçónico as influências templárias, rosacrucianas e egípcias, além de se considerarem herdeiros do «Rito de Clermont» e das correntes escocesas de «Kilwinning e Heredon». Foi ao longo e através de todo este processo que se consumou a influência esotérica na Ordem.
Em 1762 sob os auspícios deste Conselho, foram publicados os Regulamentos e Constituição da «Maçonaria de Perfeição», elaborados por nove comissários, sendo concluída e designada em 21 de Setembro de 1762 como «Constituição de Bordeaux», talvez um dos poucos documentos fundacionais do «Escocismo» comprovadamente verdadeiro.
Paul Naudon [10] também considera que o facto mais importante após o polémico discurso de Ramsay, foi a criação do «Capítulo de Clermont» em 1754, pelo Cavaleiro de Bonneville. O objectivo dos IIr:. que criaram este Corpo terá sido o de continuarem os mesmos princípios da Loja de Saint-Germain-en-Laye, fundada em França pelos refugiados stuartistas bastante tempo antes (cerca de 1688). Para tal criaram adicionalmente mais sete graus, opondo-se à política e directivas da Grande Loja da França, que posteriormente seria dissolvida em 24 de dezembro de 1772, por fortes divergências internas, dando lugar em 1773 ao Grande Oriente de França.
Émile Daruty [6] considera que «Capítulo de Clermont» teria sido criado em Paris em Novembro de 1754, em nome e sob os auspícios do Grão Mestre da Maçonaria francesa, Conde de Clermont, pelo Cavaleiro de Bonneville, partidário dos Stuarts. As origens do «Capítulo de Clermont» representam um ponto de forte discordância entre diferentes autores e historiadores da nobre Arte Real, consoante as fontes que referem e da leitura que fazem da sua criação.
Paul Naudon [6] resume e sintetiza as diferentes divergências, ao afirmar: “muitos historiadores admitem que ele simplesmente tomou o nome do conde de Clermont, Grão Mestre da Maçonaria Francesa. Outros pretendem que ele deve o seu nome ao Colégio dos Jesuitas, dito de Clermont, outros ainda ao pretendente ao trono inglês (Carlos III) que lá habitou durante bastante tempo e onde o capítulo terá sido criado». Independentemente da motivação original da sua criação, um dos (poucos) factos comprovados do «escocismo» foi a existência real deste Capítulo.
IV - Dos graus «Escoceses» ao Rito de Perfeição
.1 – O nascimento do «Rito de Perfeição»
A esmagadora maioria dos autores, e entre eles C. Guérillot [6] salienta que na base da criação dos altos graus escoceses do R.E.A.A., está o «Rito da Perfeição» ou de «Heredom», que após passar por diversas fases de desenvolvimento, com sucessivamente 7, 10 e 14 graus, se fixou finalmente nos 25 graus.

A designação de «Heredon» deriva, para alguns autores, duma lenda de Kilwinning (Escócia Ocidental), datada de 1150 e daí ser também conhecido por Rito de «Heredon de Kilwinning». A mesma lenda afirma que terá trabalhado com dois graus até 1286. Posteriormemte e já após a dissolução do Capítulo de Clermont em 1758, terá trabalhado com nove graus (Aprendiz, Companheiro, Mestre, Mestre Perfeito ou Arquitecto Irlandês, Mestre Eleito, Aprendiz Escocês, Companheiro Escocês, Mestre Escocês e Cavaleiro do Oriente), aumentando gradualmente o número de graus, até atingir os 25 graus em 1762.
Segundo Trébuchet [2], Dachez, Mollier [4] e Bernheim [5], historicamente este “Rito de Perfeição” é praticado em França na segunda metade do século XVIII. Os regulamentos e “Constituições de Bordéus” de 1762 fornecem a primeira classificação oficial do «Rito de Perfeição», sendo o grau de “Mestre Secreto” o que se segue ao Grau de Mestre das Loja simbólicas, portanto o primeiro dos vinte e dois que constituem os «graus superiores», sendo o último o de “Sublime Príncipe do Real Segredo ou Comendador do Real Segredo”. O Rito é apresentado com uma estruturação em sete classes, como se indica:
Primeira Classe (Lojas Simbólicas) - Grau1: Aprendiz; Grau2: Companheiro; Grau 3: Mestre;
Segunda Classe (Lojas Escocesas) - Grau 4: Mestre Secreto; Grau 5: Mestre Perfeito; Grau 6: Secretário Íntimo; Grau 7: Intendente dos Edifícios; Grau 8: Preboste e Juiz
Terceira Classe - Grau 9: Eleito dos Nove ou Mestre Eleito dos Nove; Grau 10: Eleito dos Quinze ou Ilustre Eleito dos Quinze; Grau 11: Chefe das Doze Tribos, ou Sublime Cavaleiro Eleito, Chefe das Doze Tribos;
Quarta Classe - Grau 12: Grande Mestre Arquitecto; Grau 13: Real Arco ou Cavaleiro do Real Arco; Grau 14: Grande Eleito Antigo ou Grande Eleito, antigo Mestre Perfeito dito da Perfeição;
Quinta Classe - Grau 15: Cavaleiro do Oriente ou Cavaleiro da Espada; Grau 16: Príncipe de Jerusalém; Grau 17: Cavaleiro do Oriente e do Ocidente; Grau 18: Rosa-Cruz ou Soberano Príncipe Rosa-Cruz; Grau 19: Grande Pontífice, Ilustre Mestre ad Vitam;
Sexta Classe - Grau 20: Grande Patriarca; Grau 21: Grande Mestre da Chave ou Grande Mestre da Chave da Maçonaria; Grau 22: Príncipe do Líbano ou Cavaleiro do Real Machado;
Sétima Classe - Grau 23: Príncipe Adepto, Cavaleiro do Sol; Grau 24: Ilustre Cavaleiro, Comendador da Águia Branca e Negra; Grau 25: Sublime Príncipe do Real Segredo ou Comendador do Real Segredo.
Segundo alguns autores era necessário trabalhar de forma progressiva, oitenta e um meses, para se poderem atingir estes vinte e cinco graus, sendo que raramente eram concedidas dispensas de graus.
As séries correspondentes às quatro primeiras classes são de um modo geral equivalentes às que se vieram a denominar no R.E.A.A. como os «Graus de Perfeição» (ou «Inefáveis»). Constituem o complemento e aprofundamento essencial à melhor compreensão dos três primeiros graus da Maçonaria Simbólica. Os temas e as Lendas desenvolvidas neste conjunto de onze graus (do 4 ao 14) são inspirados ou extraídos, na maior parte, a partir do Antigo Testamento. I. Mainguy refere que “… eles resumem o percurso iniciático dos primeiros graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, acrescidos dum novo ciclo…”.
Os Altos Graus também não são indiferentes à crise que levou à cisão da Grande Loja de França em 1772 e à criação do Grande Oriente no ano seguinte, reflexos duma crise que trespassava a sociedade francesa.
Duas facções principais disputavam o poder maçónico, encabeçadas por J. A. Lacorne e por A. J. Chaillon de Jonville. A disputa teve como ponto de partida a oposição radicalizada entre os maçons de origem pequeno-burguesa e os da aristocracia, devido aos privilégios do veneralato em vida. As lojas escocesas realizavam eleições anuais para o cargo de Venerável, enquanto as restantes, nomeadamente as da região de Paris, os Veneráveis tinham estatuto vitalício.
.2 – As Constituições de 1762
O manuscrito original dos «Estatutos e Regulamentos de 1762» desapareceu, não se sabendo nem quando nem onde. Só existem cópias em francês, para uns e em inglês, para outros, sendo que as diferenças entre eles provam de facto o seu carácter apócrifo. A ideia segundo as quais as «Constituições de Bordéus» eram autênticas prevaleceu por largo tempo, figurando Albert Pike (Soberano Grande Comendador americano) e Albert G. Mackay (Secretário Geral, no tempo daquele), entre as suas muitas vítimas involuntárias.
Mackay [1] escreveu na sua «História da Franco-Maçonaria” (1989) que “em 1762 Federico o Grande, que tinha tomado sob a sua protecção toda a Maçonaria da Alemanha, estabeleceu e promulgou o que depois foi conhecido sob o título de «Grandes Constituições de 1762», …. …. e acrescentou: «As Grandes Constituições redigidas em 1762, foram ratificadas em Bordéus, a 25 de Outubro do mesmo ano e proclamadas como as leis estatutárias de todos os Corpos do «Rito de Perfeição», nos dois hemisférios”.
O mito das Constituições perdurou até à nossa época. De notar que, desde então que as «Constituições» e os «Estatutos e Regulamentos de 1762» têm vindo a ser, depois de muito tempo, negligenciadas pelas diferentes jurisdições do R.E.A.A. existentes, em proveito das «Constituições de 1786», também elas apócrifas, mas já portadoras dos trinta e três graus, oficialmente «revistas» em 1875, no Convénio Universal do Supremos Conselhos.
Na origem do «Rito de Perfeição» e sobretudo na sua expansão, está inicialmente um homem: Étienne Morin. Por via da sua actividade comercial, desloca-se para as Antilhas. As suas origens são desconhecidas, não existindo nenhum documento que comprove a data e o local do seu nascimento. Diversos autores conhecidos fazem-no nascer pelos quatro cantos do mundo, desde Nova Iorque, a nascido no Haiti, este judeu que os negócios trouxeram à América, a descendente duma família hugenote francesa estabelecida no Novo Mundo, a crioulo francês de sangue misto, até a nascido de pais franceses na Martinica.
Há contudo de referir uma carta endereçada em 1751, de Saint-Pierre de la Martinique aos «Eleitos Perfeitos de Bordéus» na qual é indicado [1]: “Disseram-nos correctamente que foi o Irmão Morin, crioulo desta ilha, que criou a Vossa Muito Respeitável loja», tendo C. Guérillot [6] apontado a sua preferência por esta origem.
Morin era comerciante de vinhos e porcelanas e foi um dos fundadores dos «Eleitos Perfeitos» de Bordéus, criada nos primeiros meses de 1745 e considerada por diversos autores, como a primeira potência escocesa.
Mais tarde, junta-se a Henry Andrew Francken, tendo os dois dedicado as suas vidas quase totalmente à Maçonaria, permanecendo contudo praticamente ignorados ao longo dos séculos XIX e XX.
Morin participou, antes de 1750, na criação da «Loja Escocesa de S. João de Jerusalém», a oriente de Cap-Français (S. Domingos), e também na constituição da Loja «Perfeita Harmonia», a Oriente de Abbeville, assinando como “Grão Mestre Escocês”.
A partir de 1750, Morin iniciou um processo de afastamento dos «Eleitos Perfeitos» para se aproximar em Paris à Loja de S. João de Jerusalém, loja do Conde de Clermont. A ruptura com os Eleitos Perfeitos concretizou-se no final de 1752.
.3 – A Patente de Morin
Devido aos seus negócios Morin voltou a França em 1760, para obter também da Loja de S. João de Jerusalém e do Grande Conselho dos Graus Iminentes, dirigido por Chaillon de Jonville, a legitimidade maçónica que Bordéus lhe tinha recusado.
Segundo alguns autores a 27 de Agosto de 1761 estas duas entidades entregaram a Morin a Patente solicitada. A entrega terá sido efectuada em Paris pelo Conde de Clermont num acto que decorreu no Grande Conselho dos Grandes Cavaleiros Kadosch, que era o círculo dirigente da Grande Loja dos Mestres de Paris.
A análise de novos documentos suporta a tendência preponderante actual que aponta para que terá sido a própria Grande Loja, em 1761, reunida no seu «Grande Conselho dos Sublimes Príncipes da Maçonaria» e não o «Conselho de Imperadores», que teria fornecido, através de Chaillon de Joinville, substituto Geral da Ordem, uma patente constitucional de «Grande Inspector do Rito de Perfeição» a Étienne (ou Stephen) Morin (“Stephen” é o nome que consta da patente, como se pode confirmar), autorizando-o a «estabelecer e perpetuar a Sublime Maçonaria em todas as partes do mundo» e investindo-o dos poderes para sagrar novos Inspectores. Chaillon de Joinville teria também assinado o documento, com mais oito Irmãos da alta hierarquia do «Soberano Grande Conselho dos Sublimes Cavaleiros do Real Segredo e Príncipes da Maçonaria» (possuidores do último grau e que constituíam a elite dirigente do «Rito de Perfeição», também designada por «Ordem do Real Segredo»)
Antes de ter recebido a sua célebre Patente, Morin estava na posse de outros graus, como o dos Antigos Mestrados de Bordéus e Paris (10), e ainda de um conjunto de graus exteriores, como por exemplo, «Cavaleiro do Sol» e «Cavaleiro do Oriente» (segundo carta que enviou a 24 de Junho de 1757 aos «Eleitos Perfeitos de Bordéus»).
No mesmo ano Morin desembarcou na colónia francesa de São Domingos (hoje Haiti), onde se fixou, dedicando-se desde logo com afinco ao trabalho de difusão e implementação do «Rito de Perfeição» ou «Ordem do Real Segredo», em particular. Segundo outros autores, Etienne (ou Stephen) Morin teria enveredado em S. Domingos e nas Antilhas, por uma certo grau de «comercialização» destes altos graus. Contudo o certo é que morreu na miséria.
Na realidade o «Rito de Perfeição» foi bastante desprezado durante cerca de trinta anos. O seu conteúdo esotérico foi atenuado ou mesmo esquecido e a sua ritualística deficientemente utilizada. Apesar de tudo os americanos aceitaram muito bem o Rito, e ainda acharam que os vinte e cinco graus eram insuficientes para abranger toda a iniciática maçónica (talvez seja conveniente recordar a influência dos franceses Grasse-Tilly e de Delahogue, ambos directamente ligados ao comité redactor e normalizador do desenvolvimento final… e também possuidores de patentes do altos graus franceses…).
Morin refugiou-se em Kingston, em 1765, quando eclodiram revoltas locais e juntamente com a decisiva ajuda de Francken e de outros maçons, criaram o que designou como Maçonaria Renovada, constituindo em 1770 um Grande Capítulo. Já depois da morte de Morin, Francken forneceu aos deputados-inspectores uma recolha de textos escritos por si. Estes textos / manuscritos representam o que actualmente é conhecido por “Manuscritos de Francken”, baseando-se em indiscutíveis fontes francesas.
Henry Francken terá nascido por volta de 1720 na Holanda, emigrando para as Antilhas em 1757 e naturalizado britânico no ano seguinte. Era advogado e desempenhou alguns cargos de judiciais de pequena relevância, tendo morrido na miséria, tal como Morin. Não se sabe quando e onde terá sido iniciado.
Após a difusão e o estabelecimento na Europa do «Rito Escocês Antigo e Aceito», a sua verdadeira e efectiva carta fundadora a «Patente» de Morin, não deixou de chamar a atenção e intrigar todos os historiadores e investigadores maçonólogos. Foi publicada pela primeira vez em França em 1812 e reeditada em obras surgidas em 1865 e 1880 [1]. Foi posteriormente objecto de numerosos estudos que possibilitaram, não só confirmar a sua autenticidade, mas também compreender as circunstâncias e as motivações da atribuição.
Resultou das variadas análises efectuadas que um «Très Cher Frère Étienne Morin», recebeu efectivamente, sob o Grão Mestrado de Louis de Bourbon, Conde de Clermont e Princípe de sangue, as «cartas-patentes», para que pudesse estabelecer em todas as partes do mundo a «Perfeita Sublime Maçonaria». São muitas vezes referidas «quatro» versões existentes da dita Patente… . No entanto uma pesquisa pessoal de G. Chassagnard [1] permitiu recencear... 10 diferentes !!! Mas como a original desde há muito que desapareceu sem deixar rasto, nas cópias manuscritas consultadas, em francês e em inglês, descobrem-se diferenças no texto mais ou menos importantes, sobretudo títulos indefinidos, frases sem princípio nem fim, incoerências e abreviações com significação incerta.
Como resultado da revolução, existiu de 1795 a 1800, uma situação social extremamente difícil em todo o país, e o Grande Oriente de França foi chamado a desenvolver inúmeros esforços para juntar o que sobreviveu ao choque revolucionário, para reconstruir as estruturas da ordem maçónica.
V - E finalmente o R.E.A.A. !!!
Segundo a historiografia oficial, o «Rito Escocês Antigo e Aceito» nasceu nos Estados Unidos da América (EUA) em 1801, em Charleston, Carolina do Sul. Mas será que o Rito é efectivamente de base americana ou terá resultado essencialmente de uma «exportação» francesa, estruturada na América?
Segundo Guy Chassagnard [1], duas datas, dois homens e dois acontecimentos permitem encontrar as origens e traçar a história deste rito maçónico, que se tornou, desde as origens e até aos nossos dias, o mais utilizado a nível mundial, pelo menos no que aos graus superiores diz respeito.
27 de Março de 1762 - Étienne Morin deixa a França com destino às Ilhas francesas americanas, levando com ele uma «Patente» que lhe conferiam uma quantidade de graus para estabelecer uma «Sociedade de Maçons Livres e Aceitos» bem como uma «Ordem de Soberanos Príncipes do Real Segredo», ou como vulgarmente se designa, um Rito dito de «Perfeição».
4 de Julho de 1804 - o conde Auguste de Grasse, também conhecido por marquês de Tilly, desembarca em Bordéus, com uma patente obtida em Charleston (EUA) que o autorizava a implantar nas ilhas francesas da América e em outros locais, os graus superiores de um novo rito, inicialmente «Antigo», depois «Antigo Aceito» e finalmente «Escocês, Antigo e Aceito»...
Como é que este rito passou de Morin para Grasse-Tilly e como é que o «Rito de Perfeição» se transformou em «Rito Escocês Antigo e Aceito» ?
Morin entregou certificados ou carta patente a outros Irmãos, um deles Henry A. Francken, também de origem judaica, que teria estabelecido o Rito em Nova York. Em 1766 Francken deslocou-se a Nova Iorque e em 20 de Dezembro de 1767 constituiu a «Loja Inefável de Albany», criando de seguida o Conselho dos Princípes de Jerusalém que, por sua vez procedeu ao levantamento de colunas da Loja de Perfeição de Saratoga. Outro grupo introduziu o Rito em Charleston em 1783.
Não existem dúvidas de que estas acções constituíram etapas decisivas para a expansão do rito no território norte-americano. Contudo em finais do século XVIII permaneciam práticamente adormecidas, quatro das cinco «Lojas da Perfeição» fundadas nos EUA. A de Charleston era a única que permanecia activa àquela época.
Na mesma colónia francesa São Domingos (Haiti) alguns anos mais tarde apareceram dois maçons, o Conde Alexandre François Auguste de Grasse-Tilly e o seu sogro Jean Baptiste Delahogue, que posteriormente em 1793 se mudaram para Charleston.

Grasse-Tilly já tinha pensado em fundar um Supremo Conselho nesta cidade. Encontraram nos Estados Unidos uma maçonaria bastante organizada, o rito de York dos americanos, parecido com rito inglês dos Antigos, concluindo que não existia nenhuma loja que praticasse o Rito Francês.
Entraram em contacto com vários maçons, nomeadamente Frederik Dalcho e John Mitchel e dos contactos e reuniões havidas concluíram pela necessidade de melhor estruturar o rito que praticavam, por forma a torná-lo mais coerente, constituindo com outros maçons, um grupo para levar a cabo a tarefa.
O trabalho deste grupo de onze maçons, práticamente desconhecido nos Estados Unidos e em particular, no mundo maçónico europeu, culminou com a criação de um Rito, baseado no «Rito de Perfeição» ou de «Heredon». Existem autores que afirmam que foi Dalcho quem teve a ideia de criar mais oito graus, e autores que sustentam que o último grau terá sido criado por Grasse Tilly .
O grupo que redigiu os oitos graus adicionais e normalizou o Rito foi formado pelos seguintes maçons:
Alexandre François de Grasse Tilly (francês), Jean Baptiste Delahogue (francês) Frederich Dalcho (inglês), John Mitchel (irlandês), James Moultrie (americano), Isaac Auld (americano), Abrahan Alexander (inglês), Thomaz Bartolomew Bowen (irlandês), Moses Clava Levy (polaco), Emmanuel de La Mota (Indias Ocidentais) e Israel Delieben (checoslovaco). Portanto, dos onze Irmãos apenas dois eram americanos.
O mesmo grupo fundou na cidade de Charleston (EUA), em 31 de Maio de 1801, o primeiro Supremo Conselho do Mundo, o «Supremo Conselho do Grau 33 para os Estados Unidos da América».
Estava assim criado naquele dia de Maio de 1801 nos Estados Unidos, o «Rito Escocês Antigo e Aceito», ainda sem este nome, e também primeiro Supremo Conselho mundial. Um dos méritos que lhe é reconhecido foi o dos seus autores terem ordenado um conjunto de graus e de, a partir daí, constituírem um rito, ou seja, uma sequência coerente de rituais colocados em prática no seio de um conjunto hierarquizado de oficinas, dotados de regulamentos, permitindo o seu funcionamento harmonioso, dirigido por deputados- inspectores.
Uma patente redigida em inglês e assinada por John Mitchell em 24 de Maio de 1801, nomeou o médico Frédéric Dalcho, Kadosch, Princípe do Real Segredo e Deputado Inspector-Geral. Esta patente era igualmente assinada por, entre outros, Delahogue, Grasse-Tilly, Abraham Alexander, Isaac Auld e Israel Delieben.
Aqui chegados efectuaram uma das maiores mistificações que se conhecem, a respeito da criação dum Rito nascente, com o único objectivo de tentar credibilizar e sustentar a sua criação.
Esta «subtileza» só se tornaria conhecida a partir de 04 de Dezembro de 1802, quando foi expedida uma circular comunicando o facto e divulgando o sistema de 33 graus, explicando que a sua organização teria sido efectuada em 1786 por Frederico II da Prússia.
Para ajudar a dourar a pílula da mentira original, a versão posterior fornecida pelo Supremo Conselho da França, refere que Carlos Stuart, filho de Jaime III (pretendente ao trono inglês), que sendo considerado chefe de toda a Maçonaria, conferiu o título de Grão-Mestre a Frederico II, o Grande, rei da Prússia (1712-1786), nomeando-o seu sucessor e como tal também chefe dos «Altos Graus». Em 1782 teria confirmado as «Constituições e Regulamentos de Bordeaux». Daí a quatro anos transferiria seus poderes para um Conselho de Inspectores Gerais e, ao mesmo tempo, acrescentava mais oito graus, e em 1786 publicava sua famosa Constituição. Trata-se de uma descarada invenção!!!.
Esta versão não tem obviamente o menor reconhecimento por parte dos autores maçónicos credenciados de finais do século XIX e início do século passado, como sejam Findel, Ragon, Lindsay, Rebold, Thory, Clavel e tantos outros. Rebold afirma que Frederico foi iniciado em 15 de Agosto de 1738 em Brunswich e que em 1744, a Loja “Três Globos” de Berlim, fundada por artistas franceses, foi por ele elevada à categoria de Grande Loja, da qual foi aclamado como Grão-Mestre, exercendo mandato até 1747. A partir dessa época afastou-se da Ordem, e quando apareceram os Altos Graus, não só não os aprovou como os combateu, afirmando nomeadamente que “eram estúpidos e destinados a espiritos vaidosos, que nada tinham a ver com a Maçonaria “. Estes acabaram por ser introduzidos na Alemanha pelo Marquês de Bernez.
Então porquê e a que se deve esta enorme mentira? Simplesmente, porque o grupo de onze maçons que fundou o novo Rito não tinha passado histórico e credibilidade para se impor perante o mundo maçónico da época.
Consideraram então os autores do R.E.A.A., cómodo e estratégico atribuir a Frederico da Prússia, a fundação do «Rito Escocês Antigo e Aceito», em 1786, que ainda não levava este nome mas o de «Rito dos Maçons Antigos e Aceitos», imputando ainda uma origem anterior ao Rito. Frederico gozava de boa reputação política, tinha colaborado com a revolta americana e com a causa da separação dos Estados Unidos da Inglaterra, enviando inclusivé soldados para ajudar os revoltosos americanos a combater as forças inglesas. Só que em 1801, Frederico já tinha falecido.
O primeiro Soberano Comendador foi John Mitchel, suportado numa mentira histórica, aceite ainda hoje em dia como verdade intocável, já que como consequência de toda esta «história de patrocínio» inventada, muitos rituais dos Graus Superiores ainda citam o nome do Imperador, como criador. Frederico da Prússia nunca foi o criador do «Rito Escocês Antigo e Aceito».!!!
Em Paris e em 1802, realizou-se uma assembleia-geral de maçons “escoceses”, que encarregou o maçon Firmin Abraham de dirigir uma circular a todas as lojas escocesas, convidando-as a juntarem-se e a defenderem o “Rito Escocês”.
Em 1804, Alexandre Grasse-Tilly regressou a França, o mesmo acontecendo alguns meses antes com outro importante maçon implicado no desenvolvimento do «Rito da Perfeição» no continente americano, Germain Hacquet.
O sistema de 33 graus foi naturalmente defendido por Grasse-Tilly, enquanto Hacquet continuava fiel ao antigo sistema de 25 graus, baseado no «Rito de Perfeição». Apesar de tudo, o R.E.A.A. iniciou a sua implantação em França ainda em 1804, sobretudo na região de Paris, após a chegada de Grasse-Tilly.
O Rito após o processo de estabilização é apresentado com uma estruturação em sete classes (análogamente ao «Rito de Perfeição»), mas agora com 8 graus adicionais, com a distribuição que se indica:
Primeira Classe (Lojas Simbólicas ou Azuis) - Grau1: Aprendiz; Grau2: Companheiro; Grau 3: Mestre;
Segunda Classe (Lojas de Perfeição, graus inefáveis) - Grau 4: Mestre Secreto; Grau 5: Mestre Perfeito; Grau 6: Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade; Grau 7: Preboste e Juiz ou Mestre Irlandês; Grau 8: Intendente dos Edifícios ou Mestre em Israel
Terceira Classe (Lojas de Perfeição, graus inefáveis) - Grau 9: Mestre Eleito dos Nove; Grau 10: Mestre Eleito dos Quinze ou Ilustre Eleito dos Quinze; Grau 11: Sublime Cavaleiro Eleito dos Doze, ou Cavaleiro Eleito dosDoze;
Quarta Classe (Lojas de Perfeição, graus inefáveis) - Grau 12: Grande Mestre Arquitecto ou Grão-Mestre Arquitecto; Grau 13: Real Arco ou Cavaleiro do Real Arco; Grau 14: Grande Escocês da Abóboda Sagrada ou Grande Escocês da Perfeição, antigo Mestre Perfeito e Sublime Maçom ou Grande Eleito ou Perfeito e Sublime Maçom ou Cavaleiro Grande Eleito da Abóboda Sagrada de James VI da Escócia;
Quinta Classe (Lojas Capitulares) - Grau 15: Cavaleiro do Oriente e da Espada ou Cavaleiro do Oriente; Grau 16: Príncipe de Jerusalém; Grau 17: Cavaleiro do Oriente e do Ocidente; Grau 18: Soberano Príncipe Rosa-Cruz ou Cavaleiro Rosa-Cruz;
Sexta Classe (Areópagos, graus filosóficos) - Grau 19: Grande Pontífice ou Sublime Escocês de Jerusalém Celeste; Grau 20: Venerável Grão-Mestre de todas as Lojas ou Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre ad Vitam; Grau 21: Noaquita ou Cavaleiro Prussiano; Grau 22: Príncipe do Líbano ou Cavaleiro do Real Machado; Grau 23: Chefe do Tabernáculo; Grau 24: Príncipe do Tabernáculo; Grau 25: Cavaleiro da Serpente de Bronze; Grau 26: Escocês Trinitário ou Príncipe da Mercê; Grau 27: Soberano Comendador do Templo de Salomão, ou Grande Comendador do Templo;
Sétima Classe (Areópagos, graus filosóficos) - Grau 28: Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto; Grau 29: Grande Escocês de Santo André da Escócia ou Patriarca das Cruzadas ou Cavaleiro do Sol; Grau 30: Cavaleiro Kadosch ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra ou Grande Eleito Cavaleiro Kadosch.
Sétima Classe (Tribunal, grau administrativo) - Grau 31: Grande Inspector Inquisidor Comendador ou Grande Inquisidor, Soberano Comendador ou Grande Juiz Comendador;
Sétima Classe (Consistório, grau administrativo) - Grau 32: Sublime Príncipe do Real Segredo ou Soberano Príncipe do Real Segredo;
Sétima Classe (Supremo Conselho, grau administrativo) - Grau 33: Soberano Grande Inspector-Geral;
Alguns autores, de acordo com Hercule Spoladore (14), considerando as origens do Rito, distribuem os graus por sete categorias, que designam por:
Lª) Simbólicos primitivos e universais.
2ª) De desenvolvimento dos graus simbólicos e universais
3ª) Baseados no Iluminismo do Tribunal da Santa Vingança
4ª) Judaicos e Bíblicos
5ª) Templários
6ª) Alquímicos e Rosacrucianos
7ª) Administrativos e Superiores
Dos ritos escoceses e que fizeram parte do «Escocismo» actualmente são praticados no mundo apenas dois, o «Rito Escocês Antigo e Aceito» e o «Rito Escocês Rectificado».
VI - Concluindo:
A estrutura que se pode considerar como a primeira potência escocesa, os «Eleitos Perfeitos» são de Bordéus, desmentindo a tese de que os graus «Escoceses» teriam surgido em França a partir duma base inicial exclusivamente parisiense, já que existem provas e factos documentais indicando o desenvolvimento dos graus escoceses segundo o eixo Bordéus/Paris.
Os «Eleitos Perfeitos» desapareceram em 1760, por razões ainda desconhecidas não existindo até ao momento, provas documentais sobre os factos ocorridos. A partir desta data a dinâmica dos graus escoceses passa para a Maçonaria de Paris. A situação conflituosa e conturbada vivida durante um largo período de anos em França, resultado da Revolução, em particular na região de Paris, mas também na sociedade em geral, reflectiu-se em particular também na Maçonaria, não possibilitando condições para um amadurecimento e uma estruturação hierarquizada dos graus escoceses, em tempo adequado e sob coordenação duma entidade reguladora (em 1796 não existiam em toda a França mais de 18 lojas em actividade…)
Continuam obviamente a existir alguns pontos e processos por clarificar à volta dos meandros originais do «Rito Escocês Antigo e Aceito» (R:.E:.A:.A:.), mas o trabalho de vários e credenciados estudiosos tem vindo a contribuir para que se consolidem e evidenciem os factos comprovadamente históricos, políticos e sociais que o originaram. A Luz irá progressivamente substituindo as várias confabulações desenvolvidas desde as origens, nomeadamente a da paternidade de Frederico II da Prússia relativamente às constituições de 1786.
O R.E.A.A. é o Rito maioritário em grande parte do mundo, pelo menos nos países europeus e nos de origem latina, sendo-o também em Portugal. O Rito é hoje sério e robusto, praticado de um modo geral correctamente pelos seus adeptos, que na aderência ao Rito se guiam pelos seus princípios, abstraindo-se felizmente das várias confabulações e lendas originais, indevidamente propagadas ao longo de cerca dos dois séculos da sua existência.
Afigura-se-nos claro que ao R.E.A.A. com os seus 33 graus não poderá ser dada, sem perda de legitimidade, a paternidade original aos Estados Unidos, concretamente a Charleston. Esta só terá servido de «notariado» para a sistematização efectuada em 1801 por um grupo de dez maçons, adicionando 8 ao número dos anteriores 25 graus do «Rito de Perfeição», cuja base e matriz original são essencialmente francesas, como histórica e documentalmente se comprova. É conveniente recordar que do comité de redacção, só 2 elementos eram americanos e que os franceses Grasse Tilly e Delahogue tiveram papeis essenciais, dado terem estado simultâneamente no processo de difusão do «Rito de Perfeição» (ainda em França e mais tarde na América) e da sua posterior versão final – o «R.E.A.A.»
Foi efectivamente em França que se encontravam os autores dos rituais da generalidade dos graus escoceses que vieram a formatar o REAA , pelo menos até ao 25º, designando-os diversas referências documentais, como por exemplo C. Guérillot [6], como os “Jardineiros da Rosa”. Recentemente vieram a público provas documentais (“Colecção Sharp”), reunindo as correspondências entre os «Eleitos Perfeitos de Bordéus» e as «Perfeitas Lojas da Escócia» (suas “filhas”), onde se confirma a afirmação anterior.
Contráriamente ao que foi imediatamente efectuado em Charleston, com o objectivo de assegurar a solidez e a harmonização do rito, os graus escoceses foram criados e desenvolvidos em França de modo pouco ordenado e muitas vezes conflituoso, quer entre diversos irmãos, quer entre potências, não existindo aqui uma entidade reguladora que os estruturasse globalmente.
Esperamos que as notas coligidas possam contribuir ainda que muito limitadatamente, apesar de eventuais erros ou inconsistências, para que os novos maçons tenham uma melhor compreensão das origens do Rito e aperfeiçoem o seu conhecimento, continuando a linha de pesquisa com base em factos históricamente comprovados, concretizando a divisa «Ordo ab Caos» que sempre nos norteará, já que quanto mais conhecermos as nossas origens, melhor estaremos preparados para as respeitar, prosseguir, aprofundar e partilhar.
Finalizo citando H. Spoladore [14]: “A fundação das potências mencionadas, não fornecem uma ideia do processo político-maçónico de bastidores, das histórias e «estórias» relatadas, das desavenças internas, das perseguições entre os Irmãos, chegando até a agressões físicas, dos interesses pessoais, enfim das Vaidades. Quando se analisam os factos, chegamos à conclusão que muita coisa que acontece no presente já aconteceu no passado. Os homens continuam os mesmos. A Maçonaria mudou, mas os homens não mudaram...”
Salvador Allen:. M∴ M∴
R:.L:. Salvador Allende, a oriente de Lisboa
Bibliografia:
1) – “Aux Sources du Rite Écossais Ancien et Accepté” – Guy Chassagnard – Éditions Alphée, 2008
2) - “El Nacimiento del Escocismo” - Louis Trébuchet (www.masoniclib.com)
3) – “Rito Escocês Antigo e Aceito - História, Doutrina e Prática” - -José Castellani - Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. Londrina, 1988
4) – “-Origine-du-ou-des-grades-ecossais” – R. Dachez, P. Mollier & A. Bernheim - revista “Renaissance”
5) – “Le Rite en 33 Grades” - Alain Bernheim - Éditions Dervy, Paris, 2011
6) - “La Rose Maçonnique” – Vol. I - Claude Guérillot – Éditions Vega( Paris 2010)
7) – “La Structuraction du Grade de Maître” – Louis Trebuchet - revista “Renaissance” - Agosto.2010
8) – “Las Origines do Grado de Mestre” - Goblet d’Alviella
9) – “Les Origines de la Maçonnerie Spéculative” – Roger Dachez, revista “Renaissance”
10) – “Mais de dois séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens?” – José Marti M:. M:.
11) – “O Grau de Mestre e a Consolidação da Maçonaria especulativa – Algumas notas” – Salvador Allende M:. M:.
12) – “Did Écossais (early “High”)Degrees originate in France?” – Pietre-Stones review of FreeMasonry
(http://www.freemasons-freemasonry.com/bernheim17.html)
13) – «The-Origins-of-Freemasonry-Scotland-s-Century-1590-1710» - David Stevenson – Cambridge University Press, 1988
14) – “A História do Grau 33” – Hercule Spoladore - «J B News», nº 1045
15) - Blog + Sites “Jakim & Boaz” ( http://jakimeboaz.blogspot.pt)
16) – “La Légende d’Hiram” – Claude Guérillot – Guy Trédaniel Éditeur, Paris 2003











Sem comentários:
Enviar um comentário