R.E.A.A. - do Grau de Mestre ao Grau 33 – origens e percursos de um Rito ( I )
A pedido de vários IIr:. e por considerarmos pertinente a republicação deste trabalho, dividimos em 2 partes o texto integral datado de Mar.2017, tomando assim a iniciativa de voltar a «dar à luz" a versão inicial.
(link p/ a "Parte II»)
I – Introdução
Distintos estudiosos e historiadores maçónicos têm publicado trabalhos nos últimos decénios dissipando algumas das nuvens de várias lendas até então assumidas, contribuindo para esclarecer progressivamente diversas lacunas documentais ou inconsistências, que se têm colocado aos estudiosos, quanto às reais origens do Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.) e às motivações e objectivos que lhe foram subjacentes. Sendo o R.E.A.A. o rito mais difundido a nível mundial, este caminho de procura das fontes originais torna-se ainda mais premente, para todos os que o pretendem praticar consistentemente e daí as notas que se seguem.

Por outro lado a importância do grau de Mestre na consolidação da Maçonaria especulativa é um facto inquestionável (já alvo de trabalho anterior), onde socorrendo-nos de alguns dos trabalhos recentes mais credenciados referenciámos alguns dos principais marcos, dados históricos e conclusões, embora continue a não ser possível determinar com precisão as suas origens. É nossa convicção que a estabilização e consolidação deste grau e da respectiva lenda hirâmica, criou as condições objectivas para o desenvolvimento subsequente dos chamados «Altos Graus», que com maior propriedade se deveriam designar simplesmente por «graus complementares».
Não existem dúvidas de que na Maçonaria Operativa existiam sómente dois graus: Aprendiz e Companheiro, não apresentando quaisquer influências astrológicas, alquímicas,rosacrucianas, cabalísticas ou ocultistas, ou de quaisquer outros elementos esotéricos. Mestre não era um grau em si, mas uma função que competia ao responsável pela construção, ou pela Loja operativa que a coordenava.
No início da Maçonaria Especulativa ou, como preferimos, da moderna Maçonaria, a situação era análoga quanto aos graus (ver constituições de Anderson de 1723), existindo igualmente os de Aprendiz e Companheiro, sendo o de Mestre, honorifico, representando o responsável pela Loja. Não existiam templos, as reuniões eram realizadas em tabernas e durante uma reunião de maçons não se procedia à abertura de qualquer livro da Lei. Os símbolos eram desenhados no chão com giz ou carvão.
Enquanto a Maçonaria Inglesa em virtude do seu relacionamento directo com a Igreja Anglicana e com o Estado, permaneceu tradicionalmente ligada à Bíblia, a Maçonaria Francesa, com muitos mais graus de liberdade e sem aquelas ligações, aceitou e adoptou uma amálgama de doutrinas e de concepções heterogéneas, que constituiram o fermento da germinação dos Altos Graus do Escocismo, que mais tarde vieram a ser a coluna dorsal do Rito Escocês Antigo e Aceito (e também doutros ritos escoceses que entretanto deixaram de se praticar).
No início e do ponto de vista ritualístico os franceses acompanharam os «Modernos» da Grande Loja de Londres, no que à maçonaria simbólica diz respeito, mas progressivamente começaram a acrescentar novos Graus. Há quem atribua aos franceses a criação do Grau de Mestre, mas efectivamente este tem inequívoca patente inglesa (com raízes irlandesas e influencias escocesas), como iremos referir mais adiante.
Representando o grau de Mestre já uma importante inovação surgida após os primeiros anos da Maçonaria simbólica, seria provávelmente ingenuidade considerar que os maçons franceses ficariam satisfeitos com este limite. Tal facto é também um reflexo do ambiente, das contradições sociais e dos conflitos existentes à época na sociedade francesa, que óbviamente se reflectiam nas lojas, resultantes das diferentes origens sociais de que provinham os Maçons, do fervilhar das novas ideias do iluminismo, que agudizaram o conflito entre diversos sectores da nobreza e da burguesia emergente, sobretudo a partir do segundo terço do século XVIII.
A origem e motivações dos novos graus é ainda um tanto obscura, sendo as divergências interpretativas comuns entre os diversos autores. Poderá ter tido fundo político, ou origem em interesses pessoais, aspirações a títulos cavalheirescos ou pomposos que alimentariam a vaidade dos nobres ou satisfariam as ambições de ascenção social da burguesia endinheirada, ou até por motivações de cariz estritamente espiritual.
O «Escocismo» representa uma série de graus e ritos nascidos em França, a partir de meados do século XVIII, com um desenvolvimento peculiar resultante da fusão de elementos culturais diferentes, recebendo as mais variadas influências, quer filosóficas, herméticas, rosacrucianas, morais, bíblico-judaicas, templárias, políticas, religiosas e sociais, apresentando diversas denominações, muitas delas relacionadas com os modismos da época e também com a História da Humanidade. Não esquecer que tudo isto aconteceu num período bastante transformador das ideias e dos costumes, ou não estivéssemos em pleno Iluminismo… .
Segundo Hercule Spoladore [14] alguns autores perfilham a teses dum desenvolvimento cronológico na criação dos Altos Graus: seis graus até 1737, sete graus até 1747, nove graus até 1754, dez graus até 1758, vinte e cinco graus até 1801, quando foram adicionados mais oito graus durante a sua consolidação / homogeneização, perfazendo os trinta e três graus actuais.
Esta cronologia é contudo rejeitada por outros, mas a história aí está para comprovar o facto indesmentível de terem sido os franceses a acrescentar sucessivos graus à Maçonaria, como evidenciam os trabalhos dos investigadores, historiadores e maçonólogos creditados.
Apesar do R.E.A.A. ter sido patenteado oficialmente nos Estados Unidos, parecem não restar dúvidas que a sua génese original e as suas fontes são no essencial francesas. Segundo José Castellani [3] “… seria uma heresia histórica afirmar que o REAA não tem origem francesa, mas sim norte-americana ou inglesa. Mais do que isso, seria ficar na contramão do mundo”.
Guy Chassagnard [1] também salienta que o termo escocês veio a considerar-se sinónimo dos Altos Graus, desenvolvidos em França. Estes graus, de escoceses só têm a designação, embora se possa atribuir maioritáriamente a sua origem aos meios stuartistas, refugiados no final do século XVII, em Saint-Germain-en-Laye e na sua maioria de origem escocesa.
No entanto convém salientar que a criação dos chamados «graus superiores» (altos graus) desencadeou grandes polémicas no seio da maçonaria francesa. Registaram-se múltiplas acusações contra estes graus, nomeadamente apontando-os como manifestação de vaidades dos maçons aristocráticos ou até, como uma forma de impor a própria aristocratização da maçonaria.
No entanto para Paul Naudon [2] a situação era muito mais objectiva e fácil de analisar, ou seja, a primeira das causas da criação e do desenvolvimento dos altos graus seria o desejo de restituir à Maçonaria o que ela havia perdido da tradição.
Há quem defenda, como C. Guérillot [16], que a irrupção da lenda do 3º Grau marca uma alteração tão profunda no percurso da Maçonaria simbólica, que será legítimo ver na Mestria o verdadeiro primeiro dos “altos graus”, em que o “homem velho” morre simbólicamente para renascer fugazmente sob a máscara do respeitável Mestre Hiram. Após a difusão e estabilização do Grau, o desenvolvimento do tema da vingança e da justiça à volta da morte de Hiram, originou um grande número de versões com numerosas variantes, entra as quais podemos citar as dos sistemas de 25 Graus praticados em Metz (França), de 1760 a 1780.
Nesse sentido e concordando no essencial com o apontado por C. Guérillot no parágrafo anterior, considerámos pertinente inserir um conjunto de referências quanto às possíveis origens do grau superior da Maçonaria simbólica, que em nosso entender permite percepcionar com mais abrangência o seu papel essencial nos desenvolvimentos posteriores dos novos graus «escoceses», as reais origens do R.E.A.A., que ao longo de aproximadamente dois séculos, se veio a constituir como o Rito mais divulgado e praticado em todo o mundo.
II – Das Origens do Grau de Mestre

A estruturação do grau de M:.M∴ tal como o conhecemos, terá decorrido aproximadamente durante meio século, essencialmente nas primeiras quatro décadas do século XVIII, de acordo com grande parte dos historiadores e estudiosos maçónicos, como por exemplo G. Alviella [8] , Trébuchet [7] e R. Dachez [4].
As suas origens, lenda e ritual, têm sido alvo de diversas análises e outras tantas interpretações, não se conseguindo determinar com precisão as efectivas raízes originais, para além de diferentes dados históricamente determinados, já que ao longo deste período existem indícios por vezes contraditórios e/ou confusos, constituindo óbviamente um forte aliciante para estudiosos e historiadores.
Teremos de prosseguir até 1730, ano em que surge a conhecida publicação “The Masonry Dissected” de Samuel Prichard, que constitui a primeira divulgação, impressa e pública, da Lenda de Hiram e o momento a partir do qual se tem datado “oficiosamente” a sua divulgação. Para melhor enquadrarmos a origem do grau teremos, segundo Trébuchet [7], de ter em conta na análise deste período, a simultaneidade das duas seguintes condicionantes:
a) - Existência na primeira metade do século XVIII de diferentes tradições da maçonaria;
b) - Diferenças significativas de organização entre as lojas da Escócia e as de Inglaterra, durante o século XVII e início do século XVIII, particularmente no que respeita ao estatuto e função dos Mestres, nestes dois países.
A Lenda de Hiram era práticamente desconhecida da Maçonaria operativa. Alguns dos documentos mais antigos da primeira série dos “Antigos Deveres / Old Charges” (Manuscritos "Regius" e "Cook") não fazem menção nem ao Templo de Salomão nem a Hiram [9].
No manuscrito “Regius” ou de “Halliwell” (cerca de 1390), não era mencionado nem Hiram Abif, nem sequer o templo de Salomão. Por sua vez o manuscrito “Cook” (finais do século XV) converte Hiram, filho do rei de Tiro, em Mestre Maçom de Salomão. Curiosamente o manuscrito “Graham”,já mais recente (1726), descreve um psicodrama análogo ao de Hiram, sendo contudo a personagem central o profeta Noé [16]. Embora nada o possa comprovar até ao momento, terá sido esta uma das vias inspiradoras da lenda?
Não restam dúvidas de que a Maçonaria Especulativa se constituiu na Grã-Bretanha, ao longo do século XVII, em condições históricamente pouco documentadas, já que ao procurar evidências do seu desenvolvimento, verificamos serem abundantes na Escócia mas insuficientes ou até ausentes em Inglaterra.
No entanto há uma data que devemos ter como referência - Novembro de 1660, data da fundação da Royal Society , que apesar de se constituir como uma sociedade com objectivos científicos, independentemente das posições politicas ou religiosas dos seus membros (o que foi notável para a época), teve na sua génese a acção determinante de vários «proto-maçons», como Sir Robert Moray, Elias Ashmole, Sir Christopher Wren, John Wilkins e outros.
Vários estudiosos e historiadores maçónicos defendem que o grau de M∴M∴ foi originado para reformar a Maçonaria e selecionar os membros mais capacitados para dirigir uma loja.
Poderá existir alguma sustentabilidade nesta interpretação, se atendermos à juventude (oficial) da maçonaria especulativa e ao insuficiente grau de conhecimento médio e preparação dos maçons de então, mas afigura-se-nos insuficiente. Ao mesmo tempo a informação disponível à época era reduzida e/ou incompleta, ou orientada para objectivos inerentes às origens, ou com a confrontação decorrente da luta de influências travada entre hanoverianos e jacobitas, com algumas influências rosacrucianas e hermetistas pelo meio.
Nesta perspectiva se deve entender a tentativa de consolidação representada pela constituição da Grande Loja de Londres (G.L.L.) em 1717, bem como os posteriores diferendos ritualísticos protagonizados com a corrente designada pelos “Antigos”, cerca de trinta e quatro anos depois, a par do desenvolvimento significativo e autónomo do ramo francês (pesem embora aqui as origens escocesas e inglesas). No entanto recentes trabalhos do respeitado historiador e investigador William Prescott, vêm colocar dúvidas quanto à efectividade daquela data fundadora, situando-a pelo menos em 1721, ou seja quatro anos depois.
Hiram Abif é referido pela primeira vez nas primeiras Constituições de Anderson (1723), sendo designado por “o Maçom mais perfeito da Terra". Por outro lado, no folheto ”The Great Mystery discovered” (1725) , este tema é um pouco mais explícito, embora evidencie que o desenvolvimento da lenda ainda não estaria completamente estruturado.
É geralmente aceite que a versão do terceiro grau, apesar das revisões das Constituições em 1738, não terá sido originada directamente pela Gr. Loja de Londres. Existem dados/registos que comprovam ter sido introduzida em primeiro lugar numa ou em várias Lojas, tendo-se gradualmente propagado às Oficinas da Obediência. Contudo, o “mistério” que envolve as suas origens continua a constituir um enigma para os investigadores e historiadores mais documentados. A mesma conclusão decorre para o ritual no formato que chegou até nós
.1 - A contribuição da Escócia
Percorrendo os registos do século XVII e os anteriores à criação da G. L. L. Steveson [13] e Naudon [9], comprovaram que a maçonaria escocesa possuía já um grau de organização e expansão nacional, muito mais consistente do que acontecia em Inglaterra, na mesma época. Steveson [13] mostrou inequivocamente que esta organização profundamente inovadora, era estritamente específica da Escócia sem que anteriormente nenhum sistema idêntico tenha existido.
Por outro lado R. Dachez [9] salienta ainda que, contráriamente às versões clássicas, o aspecto mais importante deste trabalho foi evidenciar que a característica da “aceitação”, expressão típicamente inglesa, utilizada para justificar a penetração dos especulativos nos operativos, não era genéricamente utilizada na Escócia durante o século XVII.
Os famosos «Estatutos de Shaw» (1959) constituem o primeiro documento conhecido onde são lançadas as bases organizativas do sistema de Lojas da Maçonaria operativa, que posteriormente veio a servir de modelo à estrutura das Lojas especulativas. Estes estatutos utilizam os termos, aprendiz (“journey man”/mais tarde ”entered apprentice”) e Companheiro (“Fellow-Craft”), o que prova a existência de pelo menos dois graus na maçonaria operativa escocesa da época (século XVII).
Na sua obra principal D. Steveson [13], conclui que a contribuição medieval e renascentista para a organização e história da Ordem esteve na base de alguns dos ingredientes essenciais à formação da Maçonaria, mas que o processo de combinação desses com outros ingredientes só ocorreu por volta de 1600 e teve lugar na Escócia, sobretudo através dos referidos Estatutos e suas consequências.
Das numerosas actas e «minutas» conservadas das lojas escocesas, ressalta a evidência da existirem vários Mestres em cada Loja. Conforme preconizavam os “Estatutos de Shaw”, ao longo do século XVII sómente os Mestres e não os Companheiros, tinham o direito de votar para a eleição do Vigilante da Loja.
Deste facto parece evidente que o estatuto de Mestre era diferente do de Companheiro (“Felow-craft”), não representando contudo um grau em si.
É no início do século XVIII, por volta de 1700, que o British Museum data o mais antigo manuscrito conhecido descrevendo os três graus, e indicando a “palavra de mestre” (“Sloane 3329”). As denominações utilizadas (“interprintices, fellow crafts, attenders, this is bose or hollow”) são inquestionávelmente escocesas.
No início do século XVIII (1710), Steveson [13] identifica a existência de vinte e cinco Lojas na Escócia, das quais a maioria permanecerá firmemente operativa, mas em que seis são constituidas, ou mesmo fundadas maioritáriamente por não operativos: Dunblane, Hamilton, Kelso, Haughfoot, Aberdeen e Dumfries.
A prática comprovada, mas excepcional, das Lojas receberem a titulo honorário pessoas exteriores à profissão, que raramente lá voltavam, terá produzido, segundo Dachez [9], um conjunto de “maçons livres” com a possibilidade de transmitir uma Maçonaria que foram transformando em função dos seus próprios objectivos e preocupações intelectuais. Tinham descoberto algo que lhes interessou vivamente, um ritual e uma tradição.
Assim a «fronteira do Norte” terá sido permeável à expansão até ao Sul de Inglaterra destes maçons «não-operativos», que a maçonaria operativa nunca integrou, propiciando e eventualmente justificando que a maçonaria inglesa do século XVII tenha sido, desde a origem, essencialmente especulativa.
.2 - A contribuição Irlandesa e Inglesa
Na Irlanda surge em 1711, cerca de seis anos antes da fundação da Grande Loja de Londres (G.L.L.), o segundo manuscrito (para alem do “Sloane 3329”) referido como Manuscrito do “Trinity College, Dublín”, especifica a «palavra de Mestre». Esta data está definitivamente comprovada e o conteúdo é ainda mais claro do que o de Sloane, já que define uma loja perfeita como sendo constituida por “três mestres, três companheiros e três aprendizes” (o de Sloane definia 2 de cada grau) bem como os sinais e toques respectivos aos três graus.
Contudo existe documentação manuscrita que permite perceber a existência de uma Maç∴ especulativa já no último quartil do século XVII, como se pode comprovar a partir do discurso do «Terrae Filius» de 1688, no Trinity College de Dublin.
Knoop & Jones [7] afirmam que o Manuscrito do “Trinity College” é o documento mais antigo registado, em que o conhecimento maçónico se desenvolve pelos três graus. Pela análise do sistema de três graus apresentado quer no Manuscrito do “Trinity College, Dublín”, quer no referido em “The Masonry Dissected” de Samuel Prichard, concluem que esta nova versão com três graus (“trigradal”) é obtida por:
a)- tratamento de “fellow crafts” e “master masons” (equivalentes nos operativos escoceses) como graus diferentes;
b) - divisão do ritual operativo escocês de Aprendiz (“Entered Aprentice”) em “Aprendiz” e “Companheiro aceito”;
c)- transformação do ritual operativo escocês de Companheiro (“fellow-craft”) em “Mestre Maçom Aceito”
Existem em 1711 comprovadamente lojas irlandesas que conhecem o terceiro grau, com os cinco pontos perfeitos da mestria e uma palavra de mestre muito próxima da que actualmente conhecemos. No chamado manuscrito “Wilkinson”, que parece por volta de 1727, consta o seguinte passo: “A forma da loja é um quadrado largo. Por quê? Pela forma do túmulo do mestre Hiram”.
Embora permaneçam incertos os motivos do aparecimento do sistema de três graus, não existem dúvidas de que a sua sua adopção recebeu um razoável estímulo com o sucesso de vendas do livro de S. Prichard.
Oswald Wirth [10] tem uma interpretação temporalmente concordante, já que afirma “como quer que seja, não é senão a partir de 1733 que as Lojas de Londres aprenderam a gemer ritualisticamente sobre o túmulo do artista que veio de Tiro para se colocar ao serviço do rei Salomão, … , tornou-se súbitamente o herói primordial da Maçonaria.”
As “Obrigações dum Franco-maçom” referidas nas Constituições de Anderson de 1723 referem sempre os Companheiros no plural e Mestre no singular, reservando esta designação para o Mestre da Loja. É com a revisão de 1738 que passa a figurar o Grau de “Mestre” e a lenda de Hiram Abif, sendo necessário esperar até à década de 1740/50 para ser definitivamente generalizada na Grã-Bretanha. Em França, possívelmente resultante das diferentes etapas de germinação do «escocismo», o processo foi mais rápido.
Contrariamente à Escócia, nas primeiras lojas inglesas não se detectam ligações aos operativos, sugerindo-nos que a maçonaria foi aqui uma criação «artificial», originada por pessoas sem contacto directo com a profissão, provavelmente muitas vezes influenciados pelo que “acontecia” ou terá sido “importado” a partir da Escócia. Não existe actualmente nenhuma loja em Inglaterra a que se possa ser feita referência continuada antes de 1716-17, quando a G.L.L. foi criada, a não ser eventualmente uma das suas 4 Lojas constituintes, mas sómente por um curto período de 4 anos (o que nem todos os historiadores aceitam).
Poderão as lutas religiosas de 1640 a 1660 /80 e depois entre stuartistas e hanoverianos, estar na origem da falta de documentação relativa às Lojas Inglesas ou à sua eventual existência esporádica? Terão sido as indicações do Duque de Montagu, diligentemente executadas por Anderson? Ou ambas?
Recorde-se que a Escócia era, no início do século XVII um pais estrangeiro e inimigo, existindo poucas relações entre ambos.
Há contudo um ano que não é muitas vezes referido e a que devemos prestar atenção. Trata-se de 1707, em que se realizou-se o “Acto de União”, transformando a Escócia e a Inglaterra num único reino. As duas nações que tinham estado até aqui de costas voltadas e muitas vezes em guerra, iniciaram finalmente uma lenta mas real aproximação, sem que contudo a desconfiança dum país face ao outro se tivesse automáticamente atenuado.....
Segundo d’Alviella [8], num discurso pronunciado na loja de York (independente e rival da G.L. Londres) em 1726, o Ir∴ Francis Drake menciona os E.P. (“Entered Aprentices”), F.C. (“Fellow Crafts”) e os M.M. (“Master Masons”). O mesmo autor refere que em 1723 começaram a aparecer nas listas oficiais das oficinas de Londres as “Lojas de Mestres Maçons”, como sendo lojas especiais compostas exclusivamente por Mestres e que se reuniam para conferir aos Companheiros o 3º Grau, designado como “grau superior da Maçonaria”.
Cinco anos após a divulgação dos folhetos de Prichard [6] , em 1735, os primeiros “mestres escoceses” são confirmados pela existência duma acta da reunião de 28 de outubro de 1735, na loja de Bath (pequena vila no pais de Gales), numa altura em que numerosas lojas inglesas ou escocesas não reconheciam ainda o terceiro grau, enquanto outras já o praticavam desde aproximadamente o início do século.
Também em Londres, no ano de 1740, o livro de arquitectura da “Old Lodge nº 1” regista que em 17 de Junho alguns IIrs∴ foram “feitos Mestres Maçons escoceses”. Segundo A. Bernheim [4] por volta dos anos de 1730 surgiram em Inglaterra enigmáticos “Scots Masters”, cuja origem exacta ainda não foi determinada, mas que sugerem ser os antepassados dos incontestáveis “Mestres Escoceses” que se expandem no Continente, nomeadamente em França, poucos anos depois.
Segundo Oswald Wirth [7], se os maçons franceses imprimiram um carácter verdadeiramente iniciático ao ritual dos dois primeiros graus, é contudo aos maçons ingleses que se deve o privilégio da concepção do exaltante simbolismo da Mestria.
Em resumo, no primeiro quartil do século XVIII comprova-se estarmos em presença duma Maçonaria onde coexistiam 2 sistemas: um em dois graus, que parece ser o mais expandido na Grã-Bretanha e que acompanha o desenvolvimento da Grande Loja de londres (G.L.L.) e outro em três graus que evidencia ter fortes ligações sobretudo com a Irlanda, mas também com a Escócia.
.3 - A contribuição “Escocesa” em França
A Maç∴ stuartista chegou a França em 1688 através das primeiras lojas militares que se formaram nos regimentos que acompanharam James II, no exílio em Saint-Germain de Laye. Existem provas de que a fuga para França intensificou a criação de Lojas maçónicas nos regimentos stuartistas. O papel desempenhado pela Maçonaria Escocesa em França confirma-se pelo famoso discurso do Cavaleiro Ramsay, em 1737.
Para Trébuchet [7] poucos documentos significativos e nenhum de ordem ritual aparecerão em Inglaterra até à constituição da Grande Loja dos «Antigos», em 1751 e à divulgação do seu ritual em 1755.
O mesmo não se passa em França na mesma época, onde surgem numerosas divulgações, conhecendo-se paralelamente vários manuscritos descrevendo os chamados “graus escoceses”. De salientar que a quase totalidade dos graus que formatarão o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) serão estruturados durante as décadas de 1740/60, em particular os que respeitam à “Antiga Mestria” (Os “Élus Parfaits” de Bordéus, fundados em 1745 por Étienne Morin, são considerados por vários autores como a primeira “Potência Escocesa” no mundo).
A análise histórica evidencia que em consequência do exilio dos Stuarts para terras francesas, as Lojas maçónicas foram utilizadas até quase meados do séculos XVIII, também como veículo da rivalidade entre jacobitas (católicos e apoiantes dos Stuarts) e hanoverianos (protestantes e apoiantes do rei em exercício).
O conflito provocado pela existência de duas categorias de lojas rivais – escocesas e inglesas persistiu até à criação da Grande Loja de França e à nomeação do duque de Antin, par de França, como Grão-Mestre (ad vitam), em 24 de Junho de 1738.
Uma das mais antigas descrições do grau de M∴ M∴ em França encontra-se numa divulgação intitulada “Le Catéchisme des Franc-Maçons”, datada sómente de 1744.
É pois necessário ter em conta a determinante influencia escocesa / irlandesa em França, no arranque e expansão da maçonaria continental, a sua independência face à corrente inglesa representada pela G.L.L. (“Modernos”), a posterior influencia irlandesa em Inglaterra traduzida pelo aparecimento dos “Antigos” e a sua expansão até à fusão das duas (“Antigos” e “Modernos”) e as consequências daí decorrentes, em França.
.4 – Em jeito de resumo:
O desenvolvimento e estruturação do grau de Mestre desenvolveu-se entre finais do século XVII e sobretudo ao longo das primeiras quatro décadas do século XVIII, em Inglaterra e logo a seguir em França, tendo contudo a sua origem provávelmente raízes irlandesas (Manuscrito “Trinity College, Dublín”) e escocesas ( Manuscrito “Sloane 3329”), já que são lá que encontramos as primeiras referências concretas e históricamente comprovadas.
A sua introdução propagou-se gradualmente nas lojas especulativas a partir de 1720/25, tendo a sua existência sido sancionada oficialmente em Inglaterra com as Constituições de 1738, oito anos após a divulgação (mais ou menos sensacionalista e não autorizada pela G.L.L.) dos folhetos de S. Prichard. Contudo só por volta de 1740 /50 terá sido “universalmente” aceite.
O facto das Constituições elaboradas pretensamente pelo rev. Anderson (que era pastor presbiteriano escocês) em 1723, seis anos depois da constituição da G∴ L∴ L∴ terem sido acompanhadas por uma “limpeza criativa e radical” (ordenada e continuada pelo duque de Montagu) de toda a documentação anteriormente existente, contribuiu para reforçar um conjunto de interrogações relativas à falta de documentação credível, em que as origens do 3º Grau óbviamente se incluem, e em cujos fundamentos vários reconhecidos investigadores e historiadores têm vindo a trabalhar.
No primeiro quartil do século XVIII, os textos analisados permitem concluir que na génese do grau de M∴ M∴ terão estado as diferenças entre as 2 versões evidenciadas pela Maçonaria escocesa / irlandesa face à inglesa, coexistindo 2 sistemas: um em dois graus, o mais expandido na Grã-Bretanha em que sustenta a criação e o desenvolvimento inicial da G.L.L. , e outro em três graus que evidencia ter fortes ligações à Irlanda e desta à Escócia.
Deste modo a lenda que suporta o terceiro grau não resulta da divulgação extemporânea do “Masonry Dissected” de Samuel Prichard [16] no “Daily Journal” de 20 de Outubro de 1730, já que os rituais divulgados respeitando aos três graus da Maçonaria, são bastante detalhados (“I – Aprendiz entrado; II – Companheiro do Ofício e III – Mestre”) e para o grau de “Mestre” desenvolvem pela primeira vez a lenda de Hiram e o ritual correspondente.
Segundo d’Alviella [8] é curioso notar que em 1733 há registos em Londres de lojas compostas exclusivamente por Mestres (“Master Mason’s Lodges”) , sendo também o ano em que se mencionam pela primeira vez as Lojas de Mestres escoceses (“Scots Mason’s lodges”). A G.L.L. absorveu as primeiras e descartou as segundas, que podem ter contribuído para a primeira origem dos diferentes graus escoceses, organizados a partir de França.
Embora a génese do Grau de Mestre continue ainda suficientemente nublada sabe-se o suficiente para afirmar com alguma segurança que o «novo» grau terá sido inspirado pela vontade de criar uma Maçonaria “mais elevada”, uma espécie de aristocracia do Ofício, segundo defendem Dachez, Mollier e Bernheim [4].
III – Do grau de Mestre aos graus «Escoceses»
O Cavaleiro de Ramsay (André Michel - 1686-1743), nascido na Escócia, erudito, partidário dos Stuarts, protegido do Bispo Hercule de Fenélon e com ligações a grande parte das cortes da Europa, surge frequentemente como inspirador dos graus «escoceses» ou da criação dos «Graus Superiores», parte dos quais vieram mais tarde a “desaguar” no Rito Escocês Antigo e Aceito (R.E.A.A.).
O seu famoso discurso terá sido escrito em 1737, e segundo alguns autores pode até ser apócrifo, já que se julga que existam quatro versões, duas das quais plenamente comprovadas [4] e [5]. Talvez nunca tenha sido lido em qualquer Loja, ou apresentado em qualquer assembleia maçónica, mas no entanto foi amplamente distribuído pelas lojas francesas e também nas dos países vizinhos.
Neste documento Ramsay defende que a origem da Maçonaria remonta aos Templários, o que não é comprovadamente verdadeiro, proclama o ideal maçónico da Fraternidade e dum mundo sem fronteiras (inovador à época) e enaltece a hierarquia na Ordem, tentando atribuir (falsamente) à Maçonaria uma antiguidade e nobreza, que se provou não corresponder à realidade.
Segundo Ragon terá feito uma proposta às lojas inglesas para acrescentarem mais três graus (Mestre Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo) aos já existentes, o que a Maçonaria inglesa rejeitou, sendo que estes três graus teriam sido criados pelo próprio Ramsay. Terá também feito uma proposta para que se acrescentassem mais sete graus suplementares às lojas francesas, o que também não foi aceite.
Todavia a partir daí iniciaram-se as introduções templárias e rosacrucianas que traduziram o começo da germinação dos Altos Graus. Contudo muitos autores rejeitam a contribuição ou a participação de Ramsay, enquanto inspirador dos «graus ecoceses», enquanto Ragon e outros o perfilham.
O conjunto de graus criados em França entre 1740 e 1745, reagrupados sob a qualificação descritiva de «Escoceses», proporcionam importantes acréscimos à “lenda de Hiram”. Para L. Trébuchet [2] e R. Dachez [4] a palavra “escocês”, de significação discutível, parece simplesmente traduzir o reconhecimento entre os primeiros Maçons, quer em França quer em Inglaterra, do papel fulcral desempenhado pela Escócia na maturação do sistema maçónico especulativo.
As palavras «escocês» e «escocismo» passaram a designar tudo o que a Maçonaria considerava como particularmente «digno de honra e respeito, escolhido ou eminente», sem que isso traduzisse ou implicasse uma ligação própriamente dita à Escócia.
Pierre Chevallier questiona em “Histoire de la Franc-Maçonnerie” em que condições apareceu o que é ambicioso chamar, por volta de 1740, o «rito escocês»? Propõe que será preciso procurar como ponto de partida o desejo de certos maçons em reformar a Ordem, viciada rapidamente por abusos de diversas espécies (recorde-se que as sessões eram quase sempre acompanhadas de banquetes onde o champanhe era de rigor, além de músicas, canções, e até de brincadeiras e propostas amorosas).
O mesmo autor, mais à frente e na mesma obra, levanta judiciosa e pertinentemente a seguinte questão “ … Desenvolvendo e criando graus superiores, pode-se pensar que os inventores teriam menos em vista a reforma duma Maçonaria aviltada, a de São João, do que a criação duma nova Maçonaria, a de Santo André (da Escócia), em que o acesso seria ciosamente reservado à alta aristocracia, à nobreza, e aos burgueses endinheirados. Com efeito como conciliar o princípio igualitário, que constitui o ponto cardeal do edifício maçónico, com o respeito pelas distinções sociais?» [1].
Na realidade o «Escocismo» não sendo proveniente da Escócia, poderá ter tido origem maioritária em meios escoceses, numerosos em França a partir de 1688, não ficando contudo limitado sómente àquele âmbito. É o que confirma Étienne Gout [1] que aniquilando a falsa «teoria dualista» das origens do «Escocismo» (defensora da existência de dois tipos de lojas rivais e opostas), refere que é no seio das alegadas lojas azuis escocesas, católicas e jacobitas, que nasceriam, por volta de 1743, os Altos Graus. A Grande Loja Parisiense, tendo-os rejeitado, ter-se-ia tornado como que a metrópole das lojas de matriz inglesa do reino (em linha com o praticado pela G.L.L.). As lojas escocesas, agora emplumadas nos seus altos graus, reagruparam-se progressivamente sob a égide de diversas «Lojas Mães Escocesas».
Apesar das muitas críticas e comentários verrinosos, por parte de muitos maçons dos graus simbólicos, não existiu nenhuma guerra aberta entre estas lojas, de cor azul, e as lojas dos graus escoceses, de cor vermelha, o que não nos deve surpreender, uma vez que muitos dos membros das primeiras eram certamente filiados nas segundas. De tal modo que a Grande Loja de França (do conde de Clermont), conforme os seus Regulamentos e directivas internas evidenciam, se não ignorou o escocismo, também não o afrontou enquanto tal, pretendendo sómente que a sua competência se concentrasse na administração e gestão dos três graus simbólicos - Aprendiz, Companheiro e Mestre.
É comprovado o registo em 1743, na Grande Loja dos Mestres de Paris, da presença em lojas, de «mestres escoceses» carregados de ornamentos e àvidos de honrarias. Um dos primeiros textos impressos onde é registada a sua presença, junto aos «mestres comuns», encontra-se na obra «Le Parfait Maçon», publicada em 1744, cujo título completo era curiosamente «O Maçom perfeito, ou os verdadeiros segredos dos quatro graus de aprendizes, companheiros, mestres comuns e mestres escoceses, da Maçonaria” [5].
Será pois muito provável que naquela época, o que chamamos «loja escocesa» não possuísse ainda todas as características que encontraremos posteriormente. Podemos afirmar que seria uma loja que praticava os três graus simbólicos, na qual uma parte significativa dos irmãos é revestida de graus superiores ao de Mestre, e onde o Venerável é quase sempre sujeito a eleição anual.
Paul Naudon [5] refere que os altos Graus, quer pela afirmação aristocrática, títulos pomposos, quer pela representação duma autoridade real ou usurpada, exerceram uma atracção sedutora sobre os espíritos vaidosos e as imaginações vagueantes, não tardando a interessar os mercadores do templo. A sobreposição e criação de múltiplos graus, títulos pomposos, todos mais ou menos «grandes, sublimes ou soberanos», tornaram-se também pretexto para o início dum comércio florescente.
No entanto não tardou a efectuar-se uma primeira selecção natural, pois qualquer grau maçónico para se afirmar e perdurar não pode ter sómente um título, mais ou menos enriquecido de decorações, mas tem de estar dotado dum mito e duma lenda, repousando num simbolismo esotérico determinado e praticado em função dum ritual estruturado ou seja, estar integrado harmoniosamente num sistema coerente. Muitos dos graus da primeira geração desapareceram precisamente por não cumprirem estes critérios.
Portanto resulta evidente que, aproximadamente no espaço de trinta anos, entre 1743 e 1773 mudou em França a natureza profunda da Maçonaria. Segundo C. Guérillot [6] “Cresceu de forma explosiva o número de Lojas mas sobretudo, ao lado das lojas «inglesas» praticando, no essencial, uma Maçonaria convivial, aparecem as Lojas Escocesas, já plenamente especulativas e iniciáticas. Esta mutação, mais presente no espírito do que na letra do «discurso de Ramsay», irá modificar a paisagem maçónica, expandir-se pela Europa, conquistar o Novo Mundo e mesmo em Inglaterra, acelerar a mutação especulativa das Lojas”.
(CONTINUA)
Salvador Allen:. M:.M:.
(Março. 2017 e:.v:.)
R:.L:. Salvador Allende, a oriente de Lisboa
Bibliografia:
1) – “Aux Sources du Rite Écossais Ancien et Accepté” – Guy Chassagnard – Éditions Alphée, 2008
2) - “El Nacimiento del Escocismo” - Louis Trébuchet (www.masoniclib.com)
3) – “Rito Escocês Antigo e Aceito - História, Doutrina e Prática” - -José Castellani - Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. Londrina, 1988
4) – “-Origine-du-ou-des-grades-ecossais” – R. Dachez, P. Mollier & A. Bernheim - revista “Renaissance”
5) – “Le Rite en 33 Grades” - Alain Bernheim - Éditions Dervy, Paris, 2011
6) - “La Rose Maçonnique” – Vol. I - Claude Guérillot – Éditions Vega( Paris 2010)
7) – “La Structuraction du Grade de Maître” – Louis Trebuchet - revista “Renaissance” - Agosto.2010
8) – “Las Origines do Grado de Mestre” - Goblet d’Alviella
9) – “Les Origines de la Maçonnerie Spéculative” – Roger Dachez, revista “Renaissance”
10) – “Mais de dois séculos do Rito Escocês Antigo e Aceito: que origens?” – José Marti M:. M:.
11) – “O Grau de Mestre e a Consolidação da Maçonaria especulativa – Algumas notas” – Salvador Allende M:. M:.
12) – “Did Écossais (early “High”)Degrees originate in France?” – Pietre-Stones review of FreeMasonry
(http://www.freemasons-freemasonry.com/bernheim17.html)
13) – «The-Origins-of-Freemasonry-Scotland-s-Century-1590-1710» - David Stevenson – Cambridge University Press, 1988
14) – “A História do Grau 33” – Hercule Spoladore - «J B News», nº 1045
15) - Blog + Sites “Jakim & Boaz” ( http://jakimeboaz.blogspot.pt)
16) – “La Légende d’Hiram” – Claude Guérillot – Guy Trédaniel Éditeur, Paris 2003







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