Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

25 de maio de 2025

A Maçonaria é uma Instituição Ocultista ?

 



A Maçonaria é uma Instituição Ocultista ? 


Autor: Iván Herrera Michel



Recebi um e-mail de uma pessoa que não é me

mbro da Ordem, perguntando-me se a Maçonaria é uma instituição esotérica e pedindo-me que confirmasse a sua forte suspeita de que os maçons são ocultistas.

A este respeito, conheço muitos maçons que se apressariam a contestar categoricamente que a Ordem sem ocultismo não é Maçonaria, e muitos outros que rapidamente afirmariam  que a sua doutrina se limita a ser "uma alegoria moral ilustrada por símbolos", que nada tem a ver com as ciências ocultas.

Eu, olhando à minha volta, não vejo as coisas tão preto e branco, e reconheço ao mesmo tempo, numa pluralidade inegável, maçons racionalistas, ocultistas, cristãos, a falar de ética e moral, professando espiritualidades ateístas, a aceitar as anteriores sem problemas de maior, em nome da tolerância, e a um variado etc…  

15 de maio de 2025

O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.

 


O G.A.D.U. na Tradição Maçónica Francesa. Problemas Históricos e mal-entendidos.


Autor: Roger Dachez




Visualizamos novamente este interessante artigo de Roger Dachez ( inicialmente publicado neste Blog em Out. 2016), pois estamos em crer que apesar de decorridos 16 anos após a sua apresentação inicial, e do muito que se escreveu no passado e desde então se terá escrito, sob este tema «fracturante» entre a Maçonaria «adogmática / liberal» e a «dogmática / anglo-saxónica», pela interpretação divergente (entre ambas), mantendo deste modo,  plena actualidade e interesse. ( pel' Comissão Editorial do Blog «Comp & Esq» - Salvador Allen:. M:.M:.)


“ recupero este antigo e interessante trabalho do Ir:. Roger Dachez, que nos apresenta de forma aberta uma reflexão clara sobre a figura do  G.A.D.U. e da sua presença no  corpus maçónico francês e dos problemas de entendimento e mal-entendidos registados” - V.G. (Victor Guerra)

Primeiro de tudo, quero agradecer o convite especial para participar nesta reunião da  Cornerstone Society, como um estudioso da Maçonaria - pois parece que é assim que sou considerado com certa indulgência por algumas pessoas - e, em seguida, sim como estudioso da Maçonaria, é conhecido o meu interesse pelos trabalhos desta Sociedade. Sinceramente sinto-me honrado por estar aqui hoje.

Vinte anos atrás, quando fui introduzido na pesquisa e investigação maçónica pelo meu professor,  o irmão René Guilly - um estudioso altamente respeitado sob o pseudónimo de "René Desaguliers" - que me disse que, sendo britânica a origem da maçonaria não se

1 de maio de 2025

Séc. XXI - Actualização da Maçonaria versus Sociedade

  




Séc. XXI - Actualização da Maçonaria versus Sociedade


 

I - Introdução

A Maçonaria, uma das mais antigas e enigmáticas instituições fraternais do mundo, carrega consigo séculos de tradição e uma forte conexão com valores como a Liberdade, Igualdade, Fraternidade e aperfeiçoamento individual   da pessoa humana. A maçonaria não é uma religião, sendo contudo muitas vezes associada a crenças espirituais. É contudo uma instituição que transmite os seus conhecimentos, membro a membro,  através de rituais carregados de símbologia e alegorias

A Maçonaria ao longo da sua história, tem procurado adaptar-se às sucessivas mudanças sociais e culturais, ao mesmo tempo, que tenta preservar os princípios e valores que a definem. No século XXI, o impacto das novas tecnologias e a modernidade dos costumes e novas hábitos e ideias sociais representarão um novo e enorme desafio para a Instituição. Estas notas que vos apresento procuram explorar / perspectivar a forma como a Maçonaria poderá lidar com a revolução digital e as novas «modas» sociais, bem como interiorizar e envolver-se nas novas tecnologias, quanto baste, sem perder a sua essência, enquanto tal.

29 de abril de 2025

Porquê ser Maçom no Século XXI ?

 





Porquê ser Maçom no Século XXI ?


(publicado inicialmente no Blog «Comp&Esq» em 17:jul.2019 - actualizado e revisto à data desta republicação, em conformidade com a parceria mútua acordada entre as respectivas gestões)




I – Introdução – A Maçonaria, a Globalização e o estado do Mundo


A globalização suportada no avanço vertiginoso e implacável das novas tecnologias impôs mudanças aceleradas nas sociedades, novos padrões de vida, novos comportamentos, modos de vida e mentalidades. Sobretudo “programou” (via impacto das Redes Sociais «apoderadas» pelos novos oligarcas multimilionários, meios de comunicação não independentes, «fake news», etc,) as mentalidades da generalidade das pessoas, dos povos e nações, quase sempre em sentido oposto aos princípios que defendemos enquanto Maçons. Recentemente, podemos citar como exemplo, a última campanha de Trump como efeito paradigmático, para quem eventualmente tivesse dúvidas....

21 de abril de 2025

A Simbologia do Tapete da Loja no Grau de Aprendiz

 



A Simbologia do Tapete da Loja no Grau de Aprendiz 

A Maçonaria expressa-se essencialmente por símbolos. Estes não servem apenas para adornar os templos, mas para transmitir ensinamentos morais e espirituais de forma subtil e profunda. Entre todos os elementos simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceite, o Tapete da Loja, também conhecido por Painel do Grau, assume especial importância no Grau de Aprendiz, pois é nele que se projeta o primeiro contacto do iniciado com o universo simbólico maçónico. O estudo desta simbologia é amplamente tratado na obra Simbolismo Maçónico, de Carlos Frazão, que serve de base ao presente trabalho.


1. O TAPETE COMO ESPAÇO INICIÁTICO

Segundo Carlos Frazão, o Tapete é mais do que uma representação visual; é uma síntese simbólica do Templo e do próprio caminho iniciático. Nos primórdios, bastava traçar com giz no chão o quadro do grau para que os trabalhos pudessem decorrer com legitimidade. Esse gesto simples carregava já um profundo significado: o espaço profano era, simbolicamente, transformado em sagrado. Este quadro, repleto de símbolos, era apagado após a sessão, lembrando a efemeridade da existência e a natureza transitória da matéria.

11 de abril de 2025

O Homem, o Maçom e a Maçonaria

 



O Homem, o Maçom e a Maçonaria


Autor: Hércule Spoladore 


Com a devida vénia e autorização do Blog «Comp&Esq» («Compasso e Esquadro»), com quem temos uma parceria activa e fraterna, tomamos a liberdade de publicar este interessante trabalho, para apreciação dos IIrs da NRL:. e dos nossos leitores


O Homem é um ser complexo, estranho e imperfeito. Às vezes se julga senhor do mundo e às vezes em depressão, ou quando algo na sua vida não está bem se sente muito pequeno inútil e destruído. Nos seus momentos de fantasia, aspira ser Deus, sendo que jamais poderá vir a sê-lo.

Quer ser imortal, pois não admite a morte, mas nunca se lembra que se perpetua através dos seus genes nos seus descendentes.

É um ser gregário, aliás, condição vital para sobreviver. Desde os tempos das cavernas ele aprendeu a viver em grupo. É curioso. Pergunta muito, muito embora não tenha respostas para causas maiores da sua existência. Isto traz-lhe um conflito existencial muito grande. Quer conhecer a todo custo o que se passou com as civilizações anteriores e quer entrar em contacto com seres inteligentes do Universo.

26 de março de 2025

ADORMECIDO (quod omnis probus liber)

 

ADORMECIDO

(quod omnis probus liber)

Tibúrcio, era um jovem como outro qualquer evidenciando ainda no rosto as pequenas sequelas de acne juvenil, mas já com traços de alguma maturidade, que não os exteriores (como a barba cerrada ou as expostas rugas frontais) mas, sobretudo, os interiores-aqueles que são só dele e, portanto, intransmissíveis. Muito sociável tinha de todos uma atenção especial podendo constatar-se que estava plenamente integrado na comunidade a que pertencia.

Estudioso, atento e sensível encaixava-se bem naquilo que os Antigos denominavam de Artes Liberais, ou seja e como deixou escrito um dos Pais do Empirismo de seu nome John Locke, …interrompia bem o santuário da vaidade e ignorância que é uma obrigatoriedade do entendimento humano…Também aderiu ao pacto social-necessidade imperiosa para quem quer viver em comunidade-e procurava nos laços comuns da sociedade (justiça, tolerância e igualdade) o ponto de encontro entre a sua interioridade e o que lhe era dado pelo mundo sensível, aliás, num processo absolutamente racional e comum a toda a humanidade que assim evoluiu per secula seculorum ad nauseam.

Num determinado momento decidiu-se por um caminho iniciático, isto é, entrar no mundo do invisível que não significa transcendente, antes pelo contrário, porque apenas procurava o que de indizível havia no que é evidente. Este processo, pejado de barreiras, levou-o a acantonar-se, melhor dizendo, deu por si num meio restrito, quase secreto, mas de uma riqueza simbólica e interpretativa que o deixava deslumbrado.

Claro que isso lhe custou a perda de popularidade junto dos que, alegremente e sem consciência de tal, se mantinham atidos a uma estruturação social profundamente assimétrica e onde os contrários (riqueza/pobreza; ignorância/sabedoria; evolução/criação; bom/mau ou belo/feio;) erguiam templos ao vício, indignidade e desigualdade.

Naturalmente, e quase sem dar por isso, foi crescendo interiormente afastando-se, lenta e gradualmente, de um mundo que lhe era favorável, mas que deixou de ser interessante que é como quem diz, cavou masmorras intransponíveis para que a vaidade, arrogância e ignorância não mais o atingissem.


Demorou algum tempo (substantivo e respectivo conceito a que ele se agarrou para ligar o que lhe parecia descontínuo e desconexo) a perceber que se sentia isolado, e nos entretantos da sua maturidade interior, sustentada nos vários degraus da escada iniciática, descia amiúde à profanidade do mundo que decidira abandonar dando-se conta que, afinal, era muito parecido com aquele núcleo restrito a que aderiu com a diferença fundamental de que uns exibiam os seus vícios profundamente convictos de tal e os outros disfarçavam o que mais podiam, e quando diz disfarçavam, é no seu sentido mais restrito, ou seja, não queriam mesmo nada verem-se livres dos vícios, antes os escondiam com ferramentas da Ordem a que pertenciam pendurando à cintura utensílios de um enorme significado e valor ou com sinais, toques e palavras de uma responsabilidade sagrada (no sentido etimológico do termo) e legítima.

Devido à sua solidez mental construída, passo a passo e de acordo com uma tradição geometricamente sustentada, não se deixou ir abaixo, antes pelo contrário, continuou empenhadamente a calcorrear o caminho da Luz que derrotou as trevas podendo pronunciar-se como o conhecimento que tudo ilumina e esclarece as zonas cinzentas.