Este traçado, inicialmente inserido no Blog «Compasso e Esquadro» em 14.Out.24 (a quem agradecemos a colaboração e a autorização da republicação), pela actualidade e pertinência dos temas tratados, foi considerada importante a sua revisitação e leitura em Loj:. (a Comissão Coordenadora do Blog )
I – Introdução
Durante o ritual de Iniciação, questionado por diversas vezes sobre se realmente deseja ingressar na Ordem, o profano ao responder afirmativamente a todas as questões que lhe são colocadas, firma um pacto com a Fraternidade, a partir da qual recai sobre os seus ombros o peso da responsabilidade de fazer com que os princípios maçónicos sejam, efectivamente, colocados quotidianamente em prática. Em resumo, Iniciado, o maçom tem como incumbência permanente cuidar da prática da ética, da moral e dos bons costumes. Todavia quotidianamente, os maçons deparam-se com algumas situações que colidem com os princípios e objectivos a que se comprometeram, quando da iniciação...
Ao começar a frequentar a Loja (azul ou simbólica) o Aprendiz (Apr:.) vai comprovar a existência de três graus: os dois primeiros em que se usa o mesmo avental branco e o terceiro já com indumentária e adornos diferentes, mais requintados e vistosos, que é o de Mestre Maçom, grau maior da Maçonaria simbólica. São Mestres, o V:.M:. e os quadros da Loja e naturalmente mais alguns IIr:. , alguns dos
quais naturalmente frequentando os "Graus Complementares" (vulgo «Altos Graus») que, em parte significativa, não devem ter incompatibilidade com desempenho de cargos na Loja simbólica, cuja frequência terá sempre prioridade, o que convêm recordar. Os mais novos (AApr:.), usam o avental branco plenamente aberto podendo, após prestação de provas suficientes e de percurso sem mácula, ser elevados a CComp:., mantendo o avental, mas aqui chegados deverão concretizar a dobra da aba e passarem a sentar-se na coluna Sul.De seguida (se para isso continuar motivado e disponível), ao percorrer o caminho normal de progressão no estudo e aprofundamento do Rito, o Maçom será exaltado a Mestre Maçom. Aqui chegado e após um mínimo de cerca de 5 anos (se continuar estudioso e interessado), pode vir a ter a oportunidade de descobrir as mais variadas decorações, colares e aventais, ao candidatar-se ao ingresso na «Loja de Perfeição» do R.E.A.A. (Rito Escocês Antigo e Aceito). Aprovado o acesso, terá lugar a iniciação ao Grau 4º - «Mestre Secreto», grau inicial dos «Altos Graus», que (em nossa modesta opinião) mais não são do que graus laterais de continuidade e progressão, agora com profundidade crescente no estudo, compreensão e aperfeiçoamento do conteúdo histórico-filosófico dos graus precedentes, já que para os devidos efeitos, a partir do grau de Mestre, todos somos MM:.MM:.. e nos reconhecem como tal, a nível da Maçonaria simbólica.
Observamos contudo que, em caso de força maior (esquecimento, inexistência de stocks de apoio, se for o caso) todos os membros da Loja Azul, ou até das LLoj:. dos Altos Graus, independentemente de cargos e/ou graduação, podem usar o avental de Aprendiz. No essencial e como todos sabemos, desde o início, é indispensável ao Maçom, para ser admitido em Loja (qualquer que seja o grau), a utilização de um avental do respectivo grau, independente do vestuário de cada um. É que todos somos “eternos Aprendizes”, sendo essa a razão base pela qual o actual Sob:. Gr:. Comendador do Supremo Conselho do Grau 33º do R.E.A.A., para Portugal e sua Jurisdição, nos alerta, não tendo a menor exitação, em aparecer em Sessões normais, com o avental de Apr:., apesar do prestígio e respeitabilidade do cargo (exemplo saudável, que urge periodicamente reavivar, para alguns IIr:. mais esquecidos...).
Na Maçonaria Operativa do passado (vidé Stevesson [16]), todas as LLoj:. só praticavam os dois primeiros graus (Apr:. e Comp:.) e, neste caso a “padronização” igualitária dos aventais, correspondia à realidade. A única excepção era Mestre da Loja, um Companheiro escolhido para dirigir os trabalhos do dia, em que usando também o mesmo avental, só se diferenciava dos restantes Irmãos, pela utilização de um chapéu e uma fita com o esquadro no peito, símbolo do Irmão que dirige a loja (ver fig. abaixo) :
Portanto as práticas da Maçonaria eram inicialmente simples e igualitárias como podemos verificar em ilustrações antigas (isto por volta de 1730).
Os homens e mulheres que aderem à Maçonaria transportam do mundo profano os respectivos talentos mas também os seus piores defeitos. São estes defeitos inerentes ao ser humano, que a Escola da Maçonaria procura, através dos diversos rituais e simbolismos ancestrais, reduzir, anular ou impedir a propagação. Concretiza deste modo a melhoria e o aperfeiçoamento individual, principalmente no que respeita à moral e ética, para posteriormente alcançar graus mais elevados no que concerne aos valores intelectuais e espirituais, através dos Ritos e rituais, que constituem as principais ferramentas de trabalho de todas as escolas maçónicas, tal como as conhecemos e concebemos.
Isto não atenua o despontar de novas ocorrências indesejáveis, já que não se passará muito tempo em que o tal e simples avental inicial, comece a “receber” mais e importantes detalhes. A primeira vez apenas uma abeta dobrada (grau de Comp:.), mas na seguinte já uma borda revestida de vermelho, adicionada por uma faixa colorida e enfeitada (grau de Mestre). A partir daqui (se o Maçom for trabalhador activo e interessado, como desejável (e/ou devido a ter bons «padrinhos» - as influências “entrantes”, provenientes de contactos decisivos internos e/ou também no mundo profano) [19], não tardará a receber novos e mais detalhados aventais e faixas com floreados, rosetas, penduricalhos e quejandos, entre outros adereços. Tudo isso após os primeiros 2 graus com cerimónia de Iniciação da Loja de «Perfeição» (4º, até ao 9º e deste ao 14º) e claro, classificando-os com outros títulos sonoros que são adquiridos se também estiver em dia com a tesouraria e chancelaria do corpo autónomo. É como que o desabrochar do esplendor da mestria.
No início da Maçonaria pré-especulativa (ou mesmo já especulativa) (Fig. 1 e 2) as salas onde os maçons reuniam também eram desprovidas de qualquer adorno, sendo muitas das Sessões até realizadas em Tabernas e restaurantes, nas quais se desenhava no chão o tapete da Loja, que era apagado no fim de cada Sessão. Nas restantes, normalmente em edifícios particulares, ou até em palácios (de algum dos aderentes nobres) numa sala normal, em que a Loja possuía tapetes próprios (normalmente bordados), que se estendiam no início, sendo no fim recolhidos juntamente com os símbolos referentes ao ritual praticado, e com as três colunas móveis, ladeando o tapete, onde se localizavam os dois Vigilantes e o Mestre da Loja. A Loja era aberta quando estes três acendiam os candelabros saudando a Sabedoria, a Força e a Beleza. O único a segurar um malhete era o Mestre da Loja. E como nobres cavalheiros da época (a maioria), todos eram portadores das suas espadas (algo que a burguesia liberal e comercial, que não tinha esse direito nomeadamente em França, onde a agitação social começava a imperar, nunca aceitou bem, já que considerava este facto, aliado ao Veneralato «ad vitam» das lojas não escocesas, da região de Paris, como atentatório ao princípio fundamental da Igualdade entre todos os Irmãos). Daí ter também vindo a reavivar-se o (re)nascimento do «escocismo», como muitos autores consideram…) [1,11 e16].
Na porta da sala posicionava-se um membro com uma espada em punho a guardar o local, o Guarda-Interno, podendo existir também o Guarda-Externo (que em França passou a ser chamado de “Irmão Terrível”). Não havia altares, apenas uma pequena mesa para o Mestre (Venerável) da Loja, onde se mantinha o Livro dos Juramentos. A ritualística era simples, mas continha as tradições e os conteúdos fundamentais da ordem que chegaram até aos nossos dias, ou seja não existiam extravagâncias e ornamentos múltiplos, e interpretações por vezes divergentes para factos semelhantes, por isso a Tradição e os Rituais chegaram na essência, até hoje.
Entretanto já passaram mais de três séculos, durante os quais a Maçonaria (especulativa) veio evoluindo, especialmente ao longo do século XVIII, em França, surgindo novos Ritos e Obediências e também muita divisão entre eles. No entanto o que urge salientar é que os Ritos (referimo-nos particularmente ao R:.E:.A:.A:., mas podemos alargar a outros) chegaram até nós na sua essência.
Nalguns casos parte deles complexificaram-se em demasia (opinião nossa), transformando os ritos e rituais em peças muito complexas, com títulos rebuscados e requintados, e colares, faixas e aventais sofisticados, sobretudo agregando muitos elementos de distinção entre os Irmãos, encaminhando os Maçons, para salas cada vez mais sofisticadas e de estilo quase “noveau riche” ou mais ou menos barroco.
Teremos aqui de culpar únicamente por tal os franceses da época? Não temos a certeza, mas achamos que talvez, pois continuamos a adoptar e praticar essencialmente o que eles criaram (o R.E.A.A – Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito Francês ou Moderno). O primeiro, apesar do título, teve as suas fundações sustentadamente em França, via «Rito de Perfeição» (ou tb/ de Heredom), sendo “exportado” para a América central, e «expandido» e estruturado pela 1º vez e oficialmente, em Charleston – 1801, nos EUA, com a Constituição do 1º Supremo Conselho do Grau 33 do Mundo.
II - Objectivos
O presente Bal:. pretende deixar novas reflexões sobre temas englobados no título em epígrafe, alguns dos quais já aqui focados (e também em Bal:. anteriores), traduzindo alguns casos que nos têm sido colocados, a par de testemunhos pessoais que vivenciámos (felizmente poucos). Aproveitamos também para reflectir sobre alguns comentários e artigos da imprensa maçónica nacional, mas sobretudo estrangeira (menos “filtrada” e mais ampla), relativos ao assunto. Salientaremos algumas situações mais negativas que por vezes ocorrem nas LLoj:. Maçónicas, reflectindo posições e atitudes individuais incorrectas (que face à natureza humana sempre ocorreram, em menor ou maior escala). Estas podem afectar o ambiente das LLoj:. e por vezes por arrasto, as próprias Obediências (em parte ou mais generalizadamente, conforme o índice de pluralidade de casos).
No essencial estão também subjacentes aos «desvios» factos e actos (individuais e sociais) que são externos ou até antagónicos ao que é o escopo fundamental da Maçonaria: o importante conteúdo iniciático, filosófico / doutrinário que a Maçonaria nos oferece, quer para os membros, quer para a Ordem . (vidé «R.E.A.A. - Do Grau de Mestre ao Grau 33º - Origens e percursos de um Rito» [13]).
É como sentido de alerta e também de prevenção, que procuramos evidenciar alguns comportamentos que considerámos mais prejudiciais, quer ao funcionamento interno da N:.A:.O:., ou dos Corpos Subordinados do SCREAA (independentes daquela), face a eventuais repercussões negativas no mundo profano.
Entre a vida profana e a realidade maçónica existe uma lacuna que pode ser rapidamente preenchida por pessoas com pouca firmeza de carácter ou até mal intencionadas. E se essas pragas ainda conseguem entrar na nossa casa é porque permitimos que elas entrassem, o que significa que alguns Irmãos(as) não deixaram todos os seus metais e o seu ego à porta do Templo.
Isto implica também uma responsabilidade de outros Irmãos(as) que não cumpriram o seu papel de filtro e controlo. Seja por excesso de confiança (p.ex. amiguismo acrítico ou «consanguinidade politico-partidária), seja por uma certa apatia e complacência, ou ainda por falta de atenção do colégio da loja em causa.
Como refere o Tit: I, Art. 3º , da Constituição da N:.A:.O:. [18] ( e citamos): “A Maçonaria tem por fim o aperfeiçoamento da Humanidade, através da elevação moral e espiritual do indivíduo. Não aceita dogmas e combate todas as formas de opressão sobre o Homem, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção e enaltece o mérito”).
Contudo e em vez do que nos é expresso, que deverá constituir: “uma escola de virtudes ilustrada por símbolos e velada por alegorias» afigura-se por vezes, a alguns de nós, parecer ter passado a ser mais uma “uma escola de arrogâncias, velada por vaidades e ilustrada por orgulhosos”. Esta poderá parecer uma frase provocatória ou tendenciosa, mas apelamos a que não façam para já julgamentos antecipados e/ou precipitados.
Ao pactuar com abusos ou desvios aos princípios ético-morais que norteiam a Maçonaria, estaremos a contribuir para que o falso Maçom caminhe inevitávelmente para o trilho da «imperfeição», marcado pela mácula do pragmatismo quotidiano e da desmedida ambição profana, sem referências, fiéis tradutoras da natural ligeireza (ou até ignorância) na aplicação das leis que nos regem.
Muitos destes casos e até outros dizem respeito a Irmãos que vivem obcecados pelo denominado «estatuto» ou seja, pela rápida e sucessiva elevação de Grau, comportando-se como pertencendo a qualquer organização de cariz profano / partidário, para as quais e na generalidade, o determinante é subir o mais rápido possível, não olhando a meios e métodos para tal, além de não se preocuparem o suficiente com a necessária e requerida preparação, traduzindo no mínimo, no caso presente, um «carreirismo maçónico» declarado. Tal constitui um enorme desrespeito pelos restantes Irmãos(as), que calma e exemplarmente foram cumprindo as suas obrigações e estruturando o seu caminho (não sendo, em parte dos casos, recompensados pelo esforço), devido à pressão indevida que aqueles fazem, na ânsia de saltar graus e trocar aventais e faixas por outros cada vez mais cintilantes, na sofreguidão do que confundem ser uma «promoção» ou «ascensão pessoal», que não traduz de modo algum a justa progressão individual (decorrente do trabalho acumulado, com provas e resultados).
Estas doenças podem-se observar mais ou menos com relativa facilidade, (visitando algumas lojas) e de um modo geral, e mais frequentemente (o que deveria ser factor de preocupação acrescida…), as dos Graus Complementares (vulgo «Altos Graus»), onde a guerra pela competição de «graus» / «faixas e aventais», face à natural maior selectividade na entrada, é mais acentuada. Várias vezes algum «facilitismo» das várias lojas azuis de origem, mesmo que não intencional, não ajuda, acabando por apoiar / concretizar a eventual conjugação dalguns lobies inerentes à sustentabilidade de eventuais «poderes virtuais» de facção, em disputa, sempre com o objectivo de atingirem «maior representatividade» (para quê ??? poder-se-á questionar).
Sendo a ambição saudável, motor do progresso individual do ser humano e da sociedade, recorda-nos contudo o Ir:. M. Pinto dos Santos [11] que: “na Maçonaria o lado negativo da Ambição é considerado um vício, pelo que é mencionado como uma das causas da perda da dimensão humana do indivíduo”
Não devemos esquecer que somos os guardiões de Tradições muito antigas, que recebemos dos nossos anteriores, que procuramos transmitir, procurando continuar a transmiti-las sem falhas (ou minimizando-as) para melhor a comunicarmos na sua plenitude, às gerações futuras.
O problema essencial resume-se a que, ao fim de alguns anos, alguns Irmãos ainda não conseguiram compreender o Essencial – a Maçonaria é um caminho individual, de que os Graus não são o objectivo em si, mas a sequência duma aquisição natural e individual de Conhecimento, baseada na presença, no trabalho e no compromisso com as obrigações a que nos comprometemos (dentro e fora da Loj:.).quando da iniciação e posteriormente nas elevações de Grau.
Recordando novamente Manuel Pinto dos Santos [9]: “1 - na Maçonaria o lado negativo da Ambição é considerado um vício… . , Está patente no ritual da cerimónia de exaltação ao grau de Mestre, tal como são condenados igualmente a ignorância e a mentira. 2- Vd. Vicios”.
E mais à frente, em «Vícios» refere: “Imperfeição de dimensão grave, ou defeito de uma pessoa, cujo carácter negativo prejudica a própria, bem como o relacionamento com terceiras pessoas. A maçonaria considera que é obrigação de qualquer maçom combater os vícios, pois eles são responsáveis pelas «trevas» em que o ser humano se encontra. Se bem que não exista uma lista classificativa dos vícios, a maçonaria refere alguns directa ou indirectamente nos seus rituais, nomeadamente ambição, avareza, calúnia, cólera, crueldade, devassidão, fanatismo, hipocrisia, ignorância, incontinência, indiscrição, infidelidade, inveja, libertinagem, mentira, ódio, orgulho, perfídia, superstição e tirania”. [9]
Conforme preconiza a Augusta Ordem (A:. O:.), “o Maçom «activamente inserido na Sociedade, enquanto homem livre e de bons costumes, tem por dever combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca constante da verdade e da razão, fazendo com que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos dentro dos Templos, transcendam o limite estrito da Loja e se espalhem e floresçam no quotidiano profano que nos envolve” [9].
As alegorias ou lendas que as sucessivas iniciações aos diferentes graus nos fazem passar, na progressão ritual (vide por exemplo o R.E.A.A.), na maior parte baseadas em trechos do Antigo Testamento, destinam-se a encontrar sempre um fundamento moral, que nos ensine algo (ou seja a filtrar a Moral da História), que se deva aplicar ao nosso comportamento e que devamos prosseguir e cumprir ao longo da nossa caminhada pela vida, quer na interação com os nossos Irmãos, quer com todos os cidadãos em geral e com a Humanidade em particular, independentemente de raça ou género
Voltando à arrogância e vaidade que a rápida «escalada» dos distintos e mui nobres graus que alguns Ritos podem provocar a alguns IIr:. demasiado ambiciosos e vaidosos, recordamos que todas estas e outras honrarias e títulos vazios não acabam por aqui, pois não tardará, se o Mestre M:. progredir e alcançar os denominados “Altos Graus”, a encaminhar-se para outros grupos de iniciados. Aqui os títulos sobrepõem-se [4]: Mestre Secreto, Mestre Perfeito, Preboste e Juiz, Mestre Eleito dos Nove, Cavaleiro Eleito dos Quinze, Sublime Cavaleiro Eleito, Grande Mestre Arquitecto, Cavaleiro do Real Arco, Grande Eleito, Perfeito e Sublime Maçom, além do título de Três Vezes Poderoso Mestre entre outros. Paralelamente aos títulos pomposos, as alfaias e condecorações multiplicam-se no peito do portador, convencendo-os que estarão evoluindo na Ordem e no Universo, criando a sensação em vários IIr:. (ou melhor “frequentadores da Maçonaria”) de que estarão acima do ser humano comum (vulgo «povo»).
Tentamos exemplificar neste traçado, os cuidados que um Maçom deve ter dentro da Ordem em relação à vigilância interna face ao eventual polimento do seu ego, não favorecendo, quiçá, que a pedra polida, tão árduamente já trabalhada, se deixe contaminar pela erva daninha da Arrogância que se pode desenvolver nesse processo. Todos estes graus, os seus rituais e ensinamentos são uma verdadeira universidade de conhecimento cultural à disposição do caminhante, de muito valor, mas com o perigo de se perderem nas aparências, nos cargos e nos títulos e empavonamentos que o rito propõe, se deficientemente entendido.
E assim chegamos ao nosso propósito de expor com mais detalhes, como refere o Ir:. Alberto Feliciano [4] “ o que esta erva daninha da Arrogância pode causar no Maçom descuidado e não vigilante dos seus sentimentos. Além dos três maus companheiros inerentes na alma humana, a Ignorância, o Fanatismo e a Ambição que assassinam o desenvolvimento da Espiritualidade em nós, a Arrogância manifesta-se como verdadeira praga no nosso Jardim mental e emocional, e se não for alertada e extirpada a tempo, pode vir a tomar o modo de pensar, sentir e agir de um Maçom que se considera empossado nos mais altos graus da Ordem”.
Para nos podermos vigiar e proteger-nos da Arrogância entendemos ser importante compreender melhor o que é e o que provoca no nosso ego. O princípio que gera a arrogância foi provavelmente desenvolvido no homem para o seu bem-estar, traduzindo a ânsia natural de crescer e se realizar, o impulso inerente para progredir. Nos dicionários [5],[6] encontramos: Arrogância, “qualidade ou carácter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez”.
É uma exacerbada estima de si mesmo. Autoconceito superdimensionado. Supervalorização de si. Desejo compulsivo de se impor aos demais. E ainda nos induz a rigidez, competição, imprudência, prepotência, estado orgulhoso de ser.
Segundo também indica o Ir:. Alberto Feliciano [4] , estas são as quatro acções mais perceptíveis em decorrência do acto de se "arrogar" que estruturam expressiva maioria dos estados psicológicos e emocionais do Ser. A partir deste estado orgulhoso de ser, podemos perceber um quadro mental de rígida auto-suficiência, do qual nascem as ilusões e os equívocos da caminhada humana, arrojando-nos aos despenhadeiros da insanidade aceitável e da rivalidade envernizada.
Fica aqui o alerta para que nos auto-vigiemos neste longo processo de evolução dentro da Maçonaria, que é uma grande escola de Moral e Ética, para não incorrer no delituoso estado de arrogância ilusória que o processo maçónico nos pode eventualmente percepcionar.
III – Caminhando para as Conclusões
A Maçonaria oferece uma «sociabilidade filosófica» para todos os tipos de pessoas: A Loja propicia-o e une-nos através do simbolismo da construção, apelando para uma reflexão existencial, intuitiva, não necessariamente académica, simultaneamente pessoal e compartilhada, sobre nós mesmos e sobre o nosso papel no mundo.
Da Constituição da N:.A:.O:. [5]:. ( “Da Maçonaria e seus Princípios”), salientamos, entre vários pontos:
- "A Maçonaria é uma Ordem Universal, filosófica e progressiva, fundada na Tradição Iniciática, obedecendo aos princípios da Fraternidade e Tolerância, e constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e crenças” .....
- "A Maçonaria tem por fim o aperfeiçoamento da Humanidade através da elevação moral e espiritual do indivíduo. Não aceita dogmas e combate todas as formas de opressão sobre o homem, na luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção e enaltece o mérito.”....
- “A Maçonaria adopta como divisa a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, e como lema a Justiça, a Verdade, a Honra e o Progresso.” ....
Para o Maçom, enquanto tal, é essencial ter uma vivência plena segundo os princípios fundamentais da Maçonaria, de modo a aplicar plenamente a nossa filosofia e práticas humanistas e universalistas. Só desta forma faremos a diferença nas comunidades onde as Lojas se inserem, pelo que é determinante a capacidade e responsabilidade de cada Iniciado em compreender e exercer os seus deveres e as suas responsabilidades, perante a Loj:. e a comunidade que o rodeia.
Face à sociedade globalizada que nos envolve e constringe, onde campeia o egoísmo feroz e a competição desenfreada e sem princípios, se idolatram os metais e o êxito a qualquer preço, mas em que inevitávelmente temos de nos situar, compreendemos que não é fácil resistir e afirmar os nossos valores matriciais, mas há que continuar a resistir. !!!
É pois fundamental dar um combate sem tréguas a algumas dos vícios e distorsões que infectam a N:.A:.O:. (como qualquer outra organização humana, mas aqui, dada a sua natureza e princípios, a gravidade é reforçada), como sejam o carreirismo, o dogmatismo, o amiguismo acrítico, a ambição desmedida, que normalmente traduzem o que designa por «Cordonite Aguda» [5] , entre outros. Se não o fizermos estaremos a contribuir (sem disso termos, por vezes, a devida noção) para a «profanização» da N:.A:.O:.. Óbviamente que qualquer um de nós gosta de conviver e trocar impressões com os Irmãos e Amigos, mas para tal não é preciso ser Maçom, muito menos frequentar um Templo, basta marcar um encontro num local profano, como um café, restaurante ou clube.
Irmanados na busca permanente pelo desenvolvimento do edifício social, os maçons devem agir como construtores de uma sociedade mais digna, mais justa e mais humanista.
Porém, para que isso aconteça, é necessário que o maçom reflicta, periódicamente, sobre e desde o dia em que foi iniciado. Sómente assim fará com que a sua consciência actue e realize o homem livre e de bons costumes, conforme foi considerado, ainda de olhos vendados pela escuridão profana, quando bateu à porta do Templo, para o início da sua caminhada maçónica, rumo à Luz da sabedoria.
Se se questionar periodicamente:
1) - em que contribuiu a Maçonaria para corrigir os meus erros e desvios profanos, o meu nível cultural e a melhoria da minha relação com a família e os Amigos?;
2) – em que tem contribuído para melhorar o resultado do meu trabalho profano, a minha inserção na Sociedade, segundo os princípios fundamentais que defendemos? - será um Maçom em crescimento coerente. Ser Maçom afinal é tão simples como isto!
Simultâneamente, lenda urbana e realidade ao mesmo tempo são, por vezes difíceis de conciliar. Porque todos os Irmãos(as) que compõem a Maçonaria, são antes de tudo apenas Seres Humanos, com todos os seus defeitos e qualidades. Todo o nosso trabalho em Loja é realçar as nossas qualidades e silenciar os nossos defeitos. Como diz o Ritual de Aprendiz do R.E.A.A.: “Cavar masmorras aos vícios e erguer Templos à Virtude”.
Afirmámos em trabalhos anteriores, que o principal objectivo dum maçom e óbviamente dum Iniciado é “atingir a “LUZ”, o que de acordo com Daniel Béresniak [4,7,8 e,13], significa «o Despertar», “o estado do homem que age em vez de reagir”.
Atendendo aos factos que infelizmente podemos constatar, seguramente que a Maçonaria raramente é vivida nesta perspectiva, por vários dos membros que a integram, a diversos níveis, já que (e continuando com D. Béresniak [13], podemos identificar várias tipologias de «Irmãos» que não estarão em «sintonia» com alguns dos mais elementares comportamentos dum verdadeiro Iniciado, a saber
1 - “Os Homens, mesmo de boa vontade, mesmo desejosos de aprender e de se aperfeiçoar, mesmo bons e generosos, não se tornam Iniciados pelo simples facto de colocarem um avental, mesmo que ele seja sumptuosamente decorado ou ornamentado. Eles guardam os seus preconceitos e as suas estruturas mentais moldadas pelo meio ambiente. Continuam assim, na maior parte, profanos. Frequentam ou deslocam-se a uma Loja como a um Clube, onde encontram amigos e uma atmosfera particular, por vezes gratificante.”“Projectam na Loja os seus fantasmas, as suas obsessões e os seus desejos sem nunca serem interrogados sobre eles próprios. Alguns encontram mesmo no sistema de «graus» e na hierarquia das Obediências a ocasião de compensar as frustrações sociais ou familiares. Têm assim uma influência negativa, já que perdem de vista (e fazem perder de vista) a Aprendizagem”. E mais à frente:
“Que alegria para este bravo homem, que na vida profana está atolado na mediocridade, de se fazer receber com honras numa Loja maçónica, de se percepcionar, cumprimentar e nomear como «Mui Ilustre» ou «Muito Respeitável», perante uma assembleia respeitosa e admiradora… . Por sua vez será pródigo nos cumprimentos… Para ele e para os seus semelhantes, que magnífica Sessão !!! Para os outros, que tempo perdido !!!”
2 - “Outros não estando atolados nas suas mediocridades, têm na vida profana uma posição elevada. Estimam que a Maçonaria deve confirmar e honrar esta posição. Em contrapartida condescendem em nomear como «Irmãos» pessoas, de outra forma indignas da sua consideração. Têm assim também uma influência nefasta porque reduzem a via maçónica a mundanidades”
3 - “Outros pretendem fazer da Maçonaria um grupo de pressão ideológica, (o ideal é muitas vezes pretexto para desenvolver e fazer carreira), mas existem entre eles pessoas sinceras que são manipuladas pelos «carreiristas» hábeis, e o progresso do homem e da sociedade raramente encontra aqui alguma vantagem”.
4 - “Outros vêm na Maçonaria uma sociedade de pensamento, um laboratório de ideias. A proposta é sedutora. No clima protegido duma Loja, cada um exprime-se mais livremente que noutro lugar e as trocas de ideias são sempre fecundas. São fecundas mesmo se, de síntese em síntese, nós acabamos em «relatórios» em que o pensamento original é excluído em proveito de evidências pueris e de bons sentimentos que reúnam a unanimidade…” . “Se as Lojas maçónicas são laboratórios de ideias, são úteis. Mas o que pode trazer um laboratório de ideias composto por homens que neglicenciaram auto-analisar-se, fazer introspecção, colocar em questão até os seus reflexos mentais e que ignoram que as suas ideias não são alibis para os seus desejos? Um tal laboratório favorece a informação e dá a temperatura dum grupo humano, nada mais”.
Assim vivida, a Maçonaria «Sociedade do pensamento» é como que o prolongamento duma discussão vulgar de um normal «café comercial», não conseguindo, no melhor dos casos, contribuir para a elevação do nível. Para que o «retrato» de outros dos frequentadores das Lojas maçónicas fique completo, faltam:
5 - “… Enfim mencionar os amantes dos mistérios, os fãs do ocultismo, que chegam à maçonaria para procurar a pedra dos filósofos. As ciências ditas «tradicionais» são eminentemente respeitáveis e hoje, não há mais do que alguns «cientistas» dogmáticos e persistentes, para nos rirmos. O «cientista» é o contrário do verdadeiro científico, o qual não se agarra a nenhuma certeza, é prudente e aberto, sempre disponível para admitir uma verdade nova, mesmo se ela o possa constrangir a rever todas as que ele julgava fundamentadas. Mas entre os amantes do mistério e do ocultismo, bem poucos têm o espírito científico, quer dizer, aberto. A maior parte procuram o facilitismo, pretendendo fórmulas que lhe expliquem o mundo”
- “o sucesso que conhece actualmente o ocultismo explica-se pelo facto da ciência não estar mais acessível ao «homem honesto». O homem pretende compreender o mundo, tem necessidades de referências e certezas. As religiões deixam-no insatisfeito. A ciência, mesmo se ele tiver uma formação escolar, torna-se inacessível. Ela é muito vasta e muito complicada. O homem do século XXI não pode mais ter uma visão panorâmica da ciência, como os seus antepassados até ao século XVIII. Então tem tendência a cair de volta nas ciências ocultas, as quais graças a numerosas obras de vulgarização, propõem a explicação do mundo e da vida em algumas lições. Que desperdício de energia, que trapaça! E também que exploração comercial e que manifestações políticas se manifestam em razão deste fenómeno !”.
- “ A maçonaria abre o espírito às ciências tradicionais, de que ela é, como veremos, depositária. Mas não propõe uma via curta ou rápida para os preguiçosos e para aqueles que não querem pagar o justo preço pelas coisas. Quem quer que recuse estudos aborrecidos sobre a matéria e a energia é incapaz de penetrar os arcanos das ciências tradicionais. O que abre um livro de Jacob Bohme ou de Basile Valentin e que ignora as relações da energia com a massa, perde o seu tempo”. - “Nós falaremos da Cabala, mas não exitaremos a tratar como fraudulentos ou charlatães aqueles que pontificam em matéria de Cabala e que são incapazes de ler correntemente a Bíblia em hebreu. Há um começo para tudo e os começos são difíceis. Não existem vias curtas e fáceis. O acesso aos ensinamentos exige sacrifícios e tempo. Isto está inscrito na ordem das coisas”.
Até aqui evocámos apenas a quase totalidade de trapaças que «adoçam» e adornam o património tradicional e que nos afastam da Aprendizagem. Então, e o ensinamento? Que significa exactamente o «Despertar», o estado do Homem que age no lugar e reagir? o Sábio, o Iniciado?”. Também aqui D. Béresniak [13] nos fornece claramente as respostas:
A) - “O primeiro trabalho, o homem deve fazê-lo sobre ele próprio, analizar-se, como diz um termo moderno lançado pela psicanálise. Isto chama-se a “descida ao inferno”, de acordo com o termo tradicional das Escolas Iniciáticas. É a mesma coisa. A Maçonaria proclama-o em todas as suas Lojas, exibindo a fórmula socrática «Conhece-te a ti mesmo». Porquê ? Para pôr a casa em ordem, para ter certeza de que todo o pequeno "Eu" não pare e viva em harmonia para que, no plano mental, a Imaginação, a Intuição e a Razão não existam mais separadamente, cessem de se ignorar e de se especializar e contribuam conjuntamente à percepção. Isto chama-se «reunir o que está disperso»”.
“Esta fórmula encontra-se em todos os textos maçónicos. E depois? Depois disto, logo que esta harmonia esteja realizada, o homem torna-se verdadeiramente livre. Ele é mestre de si próprio, os seus actos são o fruto desta harmonia e não tem necessidade de entrar em guerra entre uma parte do seu «Eu» e uma outra. Ele age verdadeiramente em lugar de reagir. Por este facto ele começa a SER. O Iniciado é este homem. Tornou-se enfim um verdadeiro adulto. Ele está desperto, o que quer dizer que já não se comporta como uma espécie de sonâmbulo.”
B) - “A Maçonaria é uma escola de sabedoria que forma verdadeiros adultos e que aprende a SER. Mas este trabalho sobre si mesmo não constitui um percurso egoísta? Como pode o Maçom passar o seu tempo a ocupar-se de si próprio, a pôr em ordem a sua própria casa, enquanto existe tanta miséria no mundo, enquanto que metade da humanidade permanece faminta, enquanto que a injustiça e a maldade triunfam, enquanto que a violência é desencadeada ? Toda a miséria do mundo, todas as injustiças, todas as falhas existem porque muito poucos seres humanos efectuaram verdadeiramente sobre eles próprios o trabalho proposto pela escola Iniciática, tal como o definimos ”.
C) - “Com efeito e a história o demonstra: os que abatem as tiranias e os ídolos, não têm mais do que pressa em substituí-los por outros. Todas as tentativas de modificar brutalmente as estruturas sociais e políticas tiveram como resultado a substituição dum sistema de opressão por outro”.
D) - “Enfim, a educação escolar e universitária, fundada sobre uma acumulação de informações, sancionada pelos exames, e considerada como o Saber, forma homens e mulheres para os quais o Saber é desenvolvido em detrimento do SER. Estes homens, com a cabeça cheia de saber teórico, trazem a realidade de volta à abstração. Eles complicam em lugar de simplificar e resolvem as dificuldades criando novas, piores ainda. Em consequência, a única hipótese de sair é a de promover uma verdadeira Escola Iniciática que forme homens livres”.
“A Maçonaria, apesar e todos os seus defeitos é, no Ocidente, a única estrutura capaz de transmitir uma tal aprendizagem. Ela é a única capaz de formar adultos responsáveis de que o mundo tanto precisa. Fá-lo-à ela? Isso é uma outra história…”.
E) - “ a Maçonaria não propõe aos seus adeptos uma vida longe do mundo. Ela não possui clausuras, nem internatos de nenhuma espécie, no seio dos quais os adeptos se dediquem exclusivamente ao estudo e à contemplação. O Maçom é um homem inserido no mundo, conservando as suas funções sociais. Em consequência, decorrente das Sessões e dos trabalhos que não o ocupam mais do que algumas horas na semana, nada o impede, bem pelo contrário, em fazer o que pode e o que julga dever para ajudar o seus contemporâneos. Pelo contrário, no interior da Loja, ele será bem mais útil e eficaz se se consagrar exclusivamente à gestação do homem novo, do Iniciado. Se persistir em avançar na Arte, obterá o fruto da união harmoniosa entre o Saber e o Ser. Este fruto é feito de amor e de compreensão. Podemos chamá-lo simplesmente de : Inteligência”.(f.c.)
A Maçonaria não se define como uma doutrina ou uma ideologia concreta. A Maçonaria não se propõe como uma via de salvação religiosa, nem como um projecto político, mas como uma actividade de reflexão pessoal e compartilhada, delimitada por um quadro de valores aberto: Liberdade, Igualdade Fraternidade.
Ainda segundo Javier Ataola [3], “Maçonaria como uma sociedade de pensamento não propõe opções religiosas, nem filosóficas, ou políticas específicas: Parece óbvio que, depois de tudo o que se afirmou, a Maçonaria não seja um "ismo", mas sim um método de especulação e de relação pessoal, não existindo "maçonismo", mas tão sómente Maçonaria. Não tem esse sentido de unidade ideológica e, evidentemente, não é organicamente estruturada como um grupo de acção, ou uma militância, que configure slogans ou objectivos políticos, por muito legítimos e louváveis que sejam, para além de aderir ao princípio geral da defesa dos direitos humanos”
A Maçonaria oferece uma sociabilidade filosófica para todos os tipos de pessoas: A Loja convida-nos através do simbolismo da «construção», a uma reflexão existencial, intuitiva, não necessariamente académica, simultaneamente pessoal e compartilhada, sobre nós mesmos e sobre o nosso papel no mundo.
É essencial que periodicamente nos interroguemos (recordando o célebre discurso do Presidente John Kennedy): «não no que a Maçonaria poderá fazer por mim, mas no que poderei eu fazer pela Maçonaria?».
Irei concluir citando de novo o Mestre D. Béresniak [5 e 9] : “….. “Não se reconhecem os verdadeiros Mestres pela sua Obediência, Graus ou Funções mas apenas pelo facto de não estarem ávidos de considerações, pelos sorrisos tranquilos, pelo que não julgam nem intrigam, pelo falar sem atropelar ninguém e por não procurarem honrarias. O verdadeiro Mestre (que nunca deixa de ser Aprendiz) é aquele que deseja ser ultrapassado pelos seus alunos”. …“ Indiferente às honras, à consideração social, a tudo aquilo por que que os profanos se agitam, o verdadeiro Iniciado segue o seu caminho e sente-se bem em torno dele, irradiando. Não pode ser manipulado pelas ideologias, porque as sabe desmontar, isolando os mitos e os arquétipos que as compõem. Ele está a salvo de regressões, ódio e simplificações. Ele transmitirá um ensinamento da vida. Um tal homem é um homem livre" [5 e 9].
É pois natural que aguardemos que uma forte e muito significativa maioria dos nossos Irmãos e Irmãs, contribua efectivamente para que a Augusta Ordem seja efectivamente e cada vez mais uma “uma escola de virtudes ilustrada por símbolos e velada por alegorias» e nunca degenere numa: “escola de arrogâncias, velada por vaidades e ilustrada por orgulhosos”.: (vidé os «vícios» que fundamentámos e referimos).
Salvador Allen:. M:.M:.
(Mai.2024; revisto em Ago.26 (e:.v:.)
R:.L:. Salvador Allende, a Oriente de Lisboa
Bibliografia:
(2) – Wirth, Oswald - “La Franc-Maçonnerie Rendue Intelligible à ses Adepts – Le Maître”, 2005.
(3) - Ataola , Javier – “Unhas questions à propôs de la Masoneria”, publicado em “El Masòn Aprendiz”, 20.Nov. 2012
(4) - «A Maçonaria: Escola de Moral ou de Arrogância?» Ir:. Alberto Feliciano . Blog «Freemason» de 03/06/2024
(6) – Béresniak, Daniel – “Los Oficios y Los Oficiales de La Logia”
(7) – Constituição da N.A.O. (2005)
(8) - L’Ambition et la Cordonnite aigue, Autor desconhecido - L'EDIFICE - contact@ledifice.net
(9) – Allen:., Salvador M:.M:. – “Alguns Vícios que corroem a Maçonaria” (Blog “Jakim & Boaz” (https://jakimeboaz.blogspot.com)
(10) - Allen:., Salvador M:.M:.- “Comportamento Maçónico e a Loja – algumas notas” (Blog “Jakim & Boaz” (https://jakimeboaz.blogspot.com)
(14) – Mourgues, Jean - «La Franc-Maçonnerie, Societé Initiatique des Temps Modernes»- Éditions Dervy, Paris 2002 –
(15) - Chassaghard, Guy - «Le Petit Dictionnaire de la Franc-Maçonnerie» - Éditions Alphée, 2005
(16) - “L’Apprentissage Maçonnique - Une École de L’éveil» - Béresniak, Daniel, Éditions Detrad – 2009,
(17) – Stevension, David – “The Origins Of Freemasonry – Scotland Century 1590-1710) – Cambridge University - 1998
(18) – Constituição da N:.A:.O:.






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