As minhas impressões da Iniciação como aprendiz na Maçonaria
A IMPONÊNCIA DO PALÁCIO E A LIBERDADE ENTRE IRMÃOS
Ao chegar ao local da cerimónia, fui imediatamente tomado por um profundo sentimento de admiração. O Palácio onde se desenrolaria a minha iniciação impunha-se a sua grandiosidade, cada detalhe arquitetónico carregado de história e simbolismo. Caminhando pelos corredores, apercebia-me da serenidade e da cumplicidade entre os irmãos que por ali circulavam. Havia entre eles uma liberdade rara, uma irmandade genuína que me fascinava e despertava em mim o desejo de pertencer a algo maior. Aquela atmosfera, simultaneamente solene e acolhedora, fez-me perceber que estava prestes a dar um passo significativo na minha jornada.
A CONDUÇÃO À MASMORRA DE OLHOS VENDADOS
O momento chegou. Fui conduzido de olhos vendados, privado da visão e entregue ao desconhecido. A sensação de desorientação era inevitável, e o silêncio que me envolvia acentuava ainda mais a ansiedade. Cada passo era um exercício de confiança, um abandono consciente do controlo a que estava habituado. Sentia o peso do simbolismo daquela experiência: para encontrar a verdadeira luz, primeiro teria de enfrentar a escuridão e os mistérios que ela encerrava.
OS ENIGMAS E OBJETOS NA MASMORRA
Ao chegar à masmorra, fui envolvido por uma aura de mistério e expectativa. Os sons, os cheiros e os toques transportavam-me para um ambiente enigmático. Os objetos foram tateados com as minhas mãos, cada um com um significado oculto que eu deveria decifrar. A mente trabalhava incessantemente, tentando encontrar lógica no que me era apresentado. Cada enigma era um convite à introspeção, um desafio que me obrigava a refletir sobre mim próprio e sobre o verdadeiro propósito daquela jornada.
AS PROVAS INICIÁTICAS E O SALTO NO ESCURO
As provas sucederam-se, cada uma exigindo de mim não apenas coragem, mas também entrega e humildade. Com os olhos vendados, fui levado a atravessar diferentes desafios, confiando apenas na orientação dos irmãos que me guiavam. Com o coração acelerado, entreguei-me à experiência, sem saber o que me esperava do outro lado. Era o derradeiro teste de confiança e fé, o instante em que deveria provar a minha disposição para avançar sem certezas, mas com determinação.
O CONFRONTO COM O ESPELHO
De repente, fui colocado diante de um espelho. A venda já não cobria os meus olhos, e ali, diante do meu próprio reflexo, deparei-me com a verdade mais difícil de encarar: o meu maior desafio era eu mesmo. O meu olhar encontrou-se com o do meu próprio reflexo, e nesse momento compreendi que a batalha mais árdua não seria contra o desconhecido, mas sim contra as minhas próprias limitações, receios e inseguranças. O espelho não mentia, apenas devolvia a imagem daquele que ali estava, pronto para se transformar.
A DECLAMAÇÃO DO POEMA E AS FELICITAÇÕES PELO NOME SIMBÓLICO
Depois da tempestade de emoções, um momento de calma e reflexão. O irmão 2.º Vigilante declamou um poema de Miguel Torga, e as suas palavras ressoaram no mais profundo do meu ser. A escolha do meu nome simbólico foi felicitada pelos irmãos, dissipando qualquer dúvida que ainda pudesse persistir. Era um momento de acolhimento, de aceitação, e senti-me verdadeiramente integrado na nova jornada que agora iniciava.
O OLHAR DOS MESTRES E O PESO DA RESPONSABILIDADE
Quando finalmente me retiraram a venda, deparei-me com os mestres diante de mim. O seu olhar sereno e sábio inspirava respeito, e percebi naquele instante a profundidade da jornada que me aguardava. Já não havia a segurança da venda para ocultar as minhas incertezas – estava ali, exposto, diante de homens que haviam percorrido este caminho antes de mim. O receio misturava-se com um profundo sentido de responsabilidade. Compreendi que a iniciação era apenas o primeiro passo e que, dali em diante, cada escolha e cada gesto refletiriam o compromisso que agora assumia. A jornada começava verdadeiramente ali, e eu, com humildade e determinação, estava pronto para percorrê-la.
Miguel Torga (simb:.) Apr:.
(O destino destina, mas o resto é comigo)
R:.L:. Salvador Allende, a oriente de Lisboa
(23.Mar. de 2025 (e:.v:.)


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