SOCIEDADE E MAÇONARIA NO SÉC.XXI -- a visão de um arquitecto
Introdução
O presente artigo de opinião surge num contexto de reflexão de um pequeno grupo de livres-pensadores e numa época de pandemia, portanto com características específicas muito peculiares.
Reforço e esclareço alguns dos pressupostos enunciados no parágrafo de abertura, nomeadamente:
. artigo de opinião – antítese de artigo científico, escapando à correspondente ditadura metodológica mas, em contrapartida, usufruindo das prerrogativas do kairos e da ágape/generosidade , antigos conceitos gregos que adiante explicitarei
. pequeno grupo de livres-pensadores – não no sentido de insignificante mas, antes pelo contrário, reportando-me ao gSA e considerando um enquadramento, já proporcionado e mais circunscrito, consubstanciado em anteriores artigos directamente relacionados com a presente prancha, nomeadamente “Os Desafios da Tecnologia – Sociedade, Emprego e o Futuro”/I:.Salvador Allende, “A Maçonaria no Séc.XXI – Sociedade, Inteligência Artificial, Automatização e Desemprego – Que Fazer?”/I:.Isaac Newton e “A Maçonaria no Séc.XXI – porquê e como?”/I:.Cândido
. época de pandemia/características específicas – não sendo um objectivo a análise exaustiva deste fenómeno, a reflexão incidirá nas alterações por ele provocadas no próprio entendimento da realidade; terá sido superficial ou substancial, acessório ou acelerador das mudanças em curso?
Reflectindo sobre a questão da Maçonaria no Séc.XXI, mas tentando evitar redundâncias relativamente aos trabalhos atrás enunciados, a tónica é posta na especificidade referida no sub-título “...a visão de um arquitecto”, ou seja, inspira-se em aspectos epistemológicos da arquitectura e no seu entorno metafísico, para esboçar propostas de fios condutores para a acção maçónica no contexto temporal contemporâneo.
Temas como as alterações climáticas, as questões da sustentabilidade, a mobilidade urbana, as novas tecnologias, as “smart cities”, as casas inteligentes ou a digitalização são certamente temas que “...a visão de um arquitecto”, perspectivando o impacto da arquitectura no pensamento maçónico do séc.XXI, ou vice-versa, deverá ter em conta mas, pessoalmente, julgo que há outros, menos ou raramente evocados, que considero pertinentes e portanto incluo na minha reflexão, nomeadamente o tempo e a memória.
Para justificar esta assumpção, para além dos argumentos que adiante serão apresentados, desde já recorro à opinião de uma colega, Helena Roseta, expressa num artigo de jornal (Público, 30/10/2019), do qual apresento alguns excertos:
“Vivemos... dominados pelo culto da juventude, padrão de comportamento e símbolo de saúde e beleza. A ditadura da novidade impregna as sociedades de consumo e gera uma aceleração e ansiedade crescentes, a que se junta a frustração da inacessibilidade às múltiplas e caras solicitações que bombardeiam as pessoas...








