Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

14 de novembro de 2023

Á volta do do TEMPO, da IDADE e da MAÇONARIA



 À volta do Tempo, da Idade e da Maçonaria

Á volta do do TEMPO,  da IDADE e da  MAÇONARIA

Achamos útil voltar a recordar alguns conceitos relacionados com os 3 temas acima, publicados inicialmente neste Blog em 12.Jul.2022,  já que  julgamos serem poucas vezes recordados e discutidos nas Sessões em Loja.  O facto de considerarmos importante a sua análise periódica, muito em especial para os AApr:. e CComp:. leva-nos a acreditar que será útil voltar a recordá-los (p' Comissão Editorial do Blog - Salvador Allen:.M:.M:.)

Algumas das interrogações que mais frequentemente se nos colocam, são precisamente as que surgem acima. Existirá,  por norma, decreto ou prática, ou até por algum acaso, alguma idade ajustada para se ser Iniciado, ou deverá existir, pelo contrário e  essencialmente, uma maturidade certa para se ser Iniciado.

Constatamos infelizmente que a esmagadora maioria dos homens e mulheres, nunca atinge (ou atingirá) 

27 de outubro de 2023

Centenário da morte de Guerra Junqueiro

 


Transcrito, com a devida vénia, da Revista As artes entre Letras de 7.10.2023 este artigo de António Valdemar

Centenário da morte de Guerra Junqueiro

Junqueiro, a coragem da opinião

O centenário da morte do poeta permite revisitar a sua obra repleta de testemunhos implacáveis acerca de Portugal e do comportamento dos portugueses e sobre a ausência das soluções necessárias para ultrapassar as crises.

Os grandes acontecimentos nacionais e internacionais que se verificaram no tempo de Guerra Junqueiro (1850-1923), refletiram-se na conduta do homem e na obra do poeta. Basta citar o Finis Pátria (1890) e a Pátria, (1896) dois livros de combate, onde procurou retratar ou caricaturar as tendências dominantes no país real e as singularidades do temperamento e do carácter dos portugueses. Espetador e interveniente nas guerras e nas guerrilhas, que agitaram a vida política, social e cultural portuguesas, Junqueiro acompanhou de perto as consequências do Ultimatum de 1890 e da Revolução Republicana do 31 de Janeiro. Os ataques desferidos por ocasião da ditadura de João Franco levaram-no à barra dos Tribunais. Este consulado político, que decorreu entre Maio de 1906 e acabou com o Regicídio (1 de Fevereiro de 1908), precipitou o fim da Monarquia e abriu caminho para a instauração da República.Junqueiro também seguiu de perto os anos agitados da República: a repetição de erros crassos, desvios graves e as violências sangrentas, ainda assistiu a mais duas ditaduras, a de Pimenta de Castro (28 de janeiro de 1915 a 14 de maio de 1915) e a de Sidónio Pais (9 de maio de 1918 a 14 de dezembro de 1918) que deixaram feridas abertas. A 28 de maio de 1926 – Junqueiro havia falecido a 7 de julho de 1923 – implantava-se ainda mais outra ditadura portuguesa no século XX. A tomada do poder pelos militares, seguida pela ditadura de Salazar que se estendeu por mais de quatro décadas, até ser derrubada pelo 25 de Abril.A publicação de sucessivas edições do Finis Pátria e da Pátria, desencadeou uma controvérsia política, enquanto o aparecimento d’A Velhice do Padre Eterno (1885), circunscreveu-se a uma polémica sem precedentes, no âmbito da igreja católica. A ferocidade da sátira envolveu desde as mais altas hierarquias até ao pároco da aldeia. Denunciou a conduta religiosa que, em nome da fé e em nome de Deus, mergulhava nas malhas obscuras da política quotidiana, para favorecer interesses institucionais e materiais e reforçar o poder em todas as instâncias. O panfleto da autoria do

18 de outubro de 2023

A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA E A ESCRAVATURA GLOBAL


 A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA E A ESCRAVATURA GLOBAL

Quando Étienne de la Boétie escreveu no seu “Discurso sobre a Servidão Voluntária”, e cito…os tiranos fazem de tudo para ganhar fortuna e poder…, mal sabia ele que estava a adivinhar o futuro. Com efeito, se tivermos a ousadia de revisitarmos a obra referida, constatamos que a Servidão Voluntária, melhor dizendo, servir em vez de obedecer, está relacionada com, no tempo de Étienne, a religião e monarquia e, nos tempos de hoje, com a ignorância e a iliteracia.

Montaigne (amigo do Autor) considerava que a obra do amigo terá sido o 1º hino à liberdade escrito e pensado por um ser humano. Assim, ressaltou que o poder que um ser humano sozinho exercia sobre o outro era ilegítimo; que o uso da demagogia só tinha efeito devido à ignorância que grassava na época (só o clero e alguns Nobres sabiam ler e escrever); será, como escreveu Étienne, que a liberdade está muito perto da solidão e da loucura?

Exponho-vos a minha reflexão pessoal, a saber:

Não vou cair na tentação de tentar justificar porque tantos servem um só (seria objecto para 4 ou 5 pranchas elaboradas poe eruditos), apenas deixo-vos algumas pistas que poderão desenvolver se assim o entenderem. A 1ª é a contradição expressa no título, servidão voluntária (ou como escreveu Étiennetraidores de nós próprios), não imposta traumaticamente, apenas aceite e sem luta. A 2ª tem a ver com alguns freudianos que insistem que é o medo da liberdade que leva à servidão, ou seja, a incapacidade de nos governar a nós próprios abre caminho a quem o faça por nós. Por fim a 3ª pista que é a polarização (a velhíssima tensão do se não és por mim és contra mim tão habilmente aproveitada pelos dominadores que se apropriam da habituação à servidão no dizer de Étienne) política implícita que é o contrário do diálogo e da dialéctica, processos que mais facilmente impedem o amorfismo e a dominação e nos dão a consciência e a capacidade de destruir a tirania. Se por um lado e de acordo com S. Freud, o homem nasce entre urinas e fezes e o extraordinário percurso que o levará a ser decente, solidário, culto, fraterno e, sobretudo, livre, deve ser contado, relembrado e partilhado.

Por outro lado, é a chamada descida aos infernos que torna a elevação marcadamente válida, ou seja, estudar e revisitar a servidão voluntária poderá levar-nos a renascer na liberdade (liberdade que é muito bem caracterizada por Étienne numa tríade que cito…obedientes aos que têm mais experiência; submissos á razão; e de ninguém escravos;)?