Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do Blogue «Jakim&Boaz»

I – Introdução
Este texto pretende elencar algumas das principais obrigações e aspectos simbólicos decorrentes do acto iniciático, com o objectivo de salientar a responsabilidade que os Maçons adquirem, após a Iniciação, no que respeita ao comportamento individual e colectivo e ao desenvolvimento da Maçonaria e da Sociedade em geral.
A Maçonaria como tradição intelectual e moral surgida oficialmente em 1717, evoluiu de maneira distinta em diferentes países e contextos sociais, divergindo para posições conflituantes e até mesmo antagónicas em alguns aspectos, razões pelas quais em termos estritos, deveremos falar de Maçonarias em vez de Maçonaria, o que na maior parte das vezes é negligenciado ou até esquecido.
O Maçom, inserido activamente na Sociedade, homem livre e de bons costumes, conforme exige a Augusta Ordem (A:.O:.), tem por dever combater a injustiça, a ignorância e o ódio, na busca constante da verdade, fazendo com que a doutrina e os princípios maçónicos difundidos dentro dos Templos, transcendam o limite estrito da Loja e floresçam no quotidiano profano.
Não adianta acumular conhecimento se não for transmitido aos mais próximos e sobretudo às novas gerações, como testemunho da perenidade dos ensinamentos que fomos colectando ao longo da vida, traduzindo o nosso contributo para a sociedade que nos envolve, projectando no futuro. Isto é particularmente importante no que respeita à Maçonaria. O conhecimento maçónico, se não for transmitido e aplicado, nada mais é, utilizando uma metáfora, do que uma estante cheia de livros, protegida por uma rede elétrica que impede os leitores de os alcançar e ler.
Iniciado, o maçom tem como incumbência permanente cuidar da prática dos bons costumes, da ética e da moral. Durante o ritual de iniciação, questionado por diversas vezes sobre se realmente deseja ingressar na Ordem, o profano ao responder afirmativamente a todas as questões que lhe são colocadas, firma um pacto com a Fraternidade, a partir da qual recai sobre os seus ombros o peso da responsabilidade de fazer com que os princípios maçónicos não passem de simples retórica de ocasião e sejam, efectivamente, colocados quotidianamente em prática.
Em relação a este tema José Castellani (7), afirma: “Ser Maçom especulativo significa ser observador, perceber os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los na construção de relacionamentos humanos confiáveis, sinceros e leais, e, através do estudo e da observação, tentar aprender a melhor forma de construir uma perfeita e harmoniosa fraternidade”.Como consequência da Iniciação, o Maçom assume diversas responsabilidades, decorrentes da sua livre vontade em ingressar na Ordem Maçónica. Contudo, dada a natureza humana e as suas implicações na sociedade envolvente, à qual a Maçonaria não é estanque, quotidianamente o maçom depara-se com situações que colidem com tudo aquilo a que se comprometeu, quando da sua iniciação.
Em qualquer caso, se comprometido com a Ordem, deverá reflectir e evitar trilhar caminhos tortuosos ou indignos. Tal reflexão é necessária e premente, já que podemos infelizmente vislumbrar, em muitas ocasiões, através duma análise elementar, maçons dissociados (interna e externamente) da filosofia maçónica, transmitida e professada internamente aos Templos. Se pactuar com abusos ou desvios aos princípios ético-morais, com a intolerância e a ignorância, caminhará inevitavelmente para o caminho da imperfeição, marcado pela mácula do pragmatismo quotidiano e da imoralidade profana, sem referências ou princípios.








