Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
15 de maio de 2019
8 de maio de 2019
Aquilino, anos 20: entre o exílio e as geografias de Lisboa
Aquilino, anos 20: entre o exílio e as geografias de Lisboa
MOSTRA | 16 maio - 30 ago. ´19 | Sala de Referência | Entrada livre
COLÓQUIO | 16 maio '19 | 9h30 | Auditório | Entrada livre | Programa
A partir da oportunidade oferecida pelo centenário da primeira edição do romance Terras do Demo (1919), realizam-se uma exposição biobibliográfica e um colóquio centrados na análise dos anos que decorreram entre o regresso de Aquilino a Lisboa, vindo do seu primeiro exílio em Paris, e o início do segundo exílio do escritor, ditado pela sua participação na frustrada tentativa de derrube da ditadura militar, em Fevereiro de 1927. Os participantes no Colóquio estão convidados a explorar a Lisboa de Aquilino, articulada entre os seus diversos lugares de residência na cidade, o Liceu Camões, onde ensinou, e a Biblioteca Nacional, na qual ingressou pela mão de Raúl Proença e Jaime Cortesão. Estarão também presentes a França e a Alemanha que observou nestes anos e veio a transpor para títulos tão importantes como É a Guerra e Alemanha Ensanguentada. Numa época marcada pela I Guerra Mundial e pela implantação da República em Portugal, este é um dos mais sugestivos períodos da vida do grande escritor que foi Aquilino Ribeiro, marcado pela escrita de viagens, pela criação de personagens intemporais como as que dão vida a O Malhadinhas e ao Romance da Raposa ou, ainda, pelos textos que compôs para o Guia de Portugal de Raúl Proença.
O Colóquio é organizado conjuntamente pelo Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG-ULisboa) e pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL), em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal. Esta iniciativa é realizada no âmbito das actividades do grupo de investigação ZOE – Dinâmicas e Políticas Urbanas e Regionais do CEG e do grupo de Investigação Literatura e Cultura Portuguesas do CLEPUL.
Comissão organizadora
Aquilino Machado / Diogo Silva / Francisco Roque de Oliveira / Joana Borges / Leandro Gabriel / Luís Pinheiro / Manuela Rêgo / Serafina Martins
Comissão científica
Ana Isabel Queirós │ Instituto de História Contemporânea – IHC-FCSH-NOVA
Aquilino Machado│ Centro de Estudos Geográficos, IGOT - ULisboa
Francisco Roque de Oliveira │ Centro de Estudos Geográficos, IGOT - ULisboa
Maria Alexandre Lousada │ Centro de História da Universidade de Lisboa
Serafina Martins │ Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias - ULisboa
2 de maio de 2019
VASCO, A REGRA DE OURO

VASCO, A REGRA DE OURO
Por António Valdemar
Vasco, no seu melhor, nas várias dimensões da sua energia criativa, na visceral contundência da intervenção satírica, dispersa em jornais, em revistas e outras publicações, encontra-se, a partir de agora, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro.
Estamos perante cerca de uma centena de trabalhos a propósito de figuras e acontecimentos nacionais e internacionais das últimas décadas e, ainda, de comentários a episódios do quotidiano. Pertenciam à coleção de um amigo de há longos anos, e sempre presente nas horas boas e más, Mário Beja Santos, que decidiu oferecer este espólio tão diversificado ao Museu Rafael Bordalo Pinheiro. É um contributo muito significativo para a valorização do património cultural de Lisboa.
Referência obrigatória do desenho de imprensa, Vasco, nos anos 40, enquanto frequentava o liceu, em Vila Real de Trás-os-Montes, despertou a sua vocação através da leitura d’ O Mosquito (criação inovadora de Eduardo Teixeira Coelho, o inesquecível ETC, um açoriano universal cujo centenário do nascimento decorre em 2019), ao mesmo tempo que, também, descobria Picasso. A Guernica comunicou-lhe o gosto radical e excessivo das formas. No Paris Match, conheceu os desenhos de Siné, Bosc e Chaval. Durante os anos 50, na Faculdade de Direito de Lisboa, em vez de estudar os manuais, as sebentas e os códigos preferiu o Grupo Cénico da Faculdade de Direito, os Jograis de Lisboa e a tertúlia surrealista do Café Gelo.
Logo que principiou a guerra colonial Vasco radicou-se em Paris e só regressou a Lisboa, após o 25 de Abril. Viveu e sentiu com intensidade a Revolução dos Cravos. De 1961 a Abril de 1974 residiu, quase sempre, em Montparnasse. Ali chegavam notícias de Portugal. Embora visado pela censura, o suplemento do Diário de Lisboa, A Mosca trazia as Cartas da Guidinha, assinadas por Manuel Pedroso, um dos pseudónimos de Luis de Sttau Monteiro. Fazia a autópsia possível da esclerose múltipla do regime, em desespero com a Guerra Colonial, sem controlar a emigração crescente de intelectuais e de trabalhadores; a resolver com a polícia de choque, os gorilas e a prisão em Caxias, no Aljube e em Peniche, o recrudescimento das manifestações sindicais e dos protestos nas universidades.
Foi no tempo irrepetível dos textos malditos de Luís Pacheco e Mário Cesariny; da rebeldia poética de Alexandre O’Neill, de Alberto Pimenta, da ferocidade de Natália Correia; das crónicas panfletárias de Artur Portela, do sarcasmo escaldante de José Vilhena, na História Universal da Pulhice Humana, na Branca de Neve e os 700 Anões, no Tenha Maneiras e no Filho da Mãe. Custou-lhe o vexame e as torturas nos interrogatórios da Pide, a prisão no Aljube em Caxias; a apreensão dos livros.
30 de abril de 2019
Determinismo Histórico Versus Dialéctico
Determinismo Histórico Versus DialécticoDa fé cega à crença feita com base na experiência empírica vai um passo que o sensível determina pela lógica e pela inteligência. Foi o que os portugueses de quinhentos experimentaram pela primeira vez quando desafiaram a “teoria da terra plana” e a crença em realidades míticas geográficas e humanas que o sonho, a poesia e a religião impuseram pela lei da política e do domínio sobre os homens. Os portugueses disseram que a realidade era contrária às simples palavras e às crónicas, porque estiveram lá e viram.
Esta revolução epistémica e ontológica trouxe uma mudança radical em todo o modo de vida na Europa. As ciências nunca mais foram as mesmas e o confronto com outras culturas deu o estímulo para procurar a prova, o objecto, e para replicar a experiência. Com esta revolução os estilos mudaram quer na arte como nas letras. Mas nem todas as artes mudaram ou se revolucionam ao mesmo tempo. Cada uma tem um ritmo próprio, porque vê o tempo do homem a diferentes velocidades.
A história e principalmente a religião são campos de acção do homem, acção intelectiva e espiritual, que levam mais tempo a aceitar as reformas e que mais resistências oferecem às revoluções epistemológicas. O estilo da crónica histórica, de janela fechada e acomodada de ideias, manteve-se por mais tempo enquanto os textos de carácter científico fizeram o seu caminho rápido trazendo incómodo e causando ruído social e político. Os casos de Galilei Galilei e de Giordano Bruno são paradigmáticos na ciência experimental, na cosmogonia e na filosofia. O pensamento e o experimentalismo desenvolveram-se mas a história andou mais lenta ao ponto de Voltaire, que escreveu sobre filosofia e sobre história, ter de rever o estilo literário da época e da crítica histórica, para que dela se entendesse melhor o seu tempo e o seu pensamento. Assim o fizeram Diderot (1713-1784), Rousseau (1712-1778) e Montesquieu (1689-1755).
A Razão como mito do pensamento, aliada ao método científico emergiu como possibilidade única de fornecer verdades elementares, que embora não fossem definitivas e a muito custo determinísticas, foram ainda assim as bases do progresso do conhecimento. A edição da Encyclopédie ou Dictionnaire Raisonné (1751-1772) inaugurou esse processo do pensamento científico que contaminou a História positivamente, dando-lhe uma “razão” que ela nunca teve, um determinismo científico e social que o legado iluminista preparou para que mais tarde a Dialéctica de Hegel se manifestasse através de uma filosofia utilitarista e totalitária.
10 de abril de 2019
INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA -Um desafio BioÉtico
INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA
-Um desafio BioÉtico
A vontade do Ser Humano em melhorar as suas condições de Vida tem sido constante; no entanto nos últimos séculos e, em particular desde àcerca de trezentos anos, essa preocupação tem adquirido uma maior celeridade.
No tempo distante da “…Antiguidade Grega…assistimos à emergência do Conhecimento àcerca da natureza e do homem…<e, nessa altura>...Ciência e Ética não <eram> verdadeiramente discerníveis…” (1).
Se analisarmos o séc. IV a. C. encontramos SÓCRATES para quem “…não seria possível conhecer o Bem e não o praticar, na assunção de uma perfeita coincidência entre Conhecimento e Moralidade…” enquanto que, para PLATÃO “…esta coincidência se mantém ainda que, ao ser projectada para um plano metafísico, se torne num ideal inalcançável (excepto por participação)…” (2).
Só no séc. III a. C., com ARISTÓTELES, “…opera-se uma clara distinção entre a Ciência como conhecimento teórico e a Ética como conhecimento práctico…” (3).
Muito mais tarde – no séc. XVIII – KANT “…rompeu com o intelectualismo moral ao estabelecer uma irredutibilidade entre a razão teórica e a razão práctica…<sendo que>…a razão teórica procura o Conhecimento, isto é, a relação de necessidade na natureza entre causas e efeitos e a razão práctica orienta o Homem no âmbito da indeterminação da liberdade em que esta se desenrola…” (4).
Mª CÉU PATRÃO NEVES afirma, concluindo, que “…tal correspondeu a uma democratização da Moralidade cujo dever se passa a impor igualmente a todas as pessoas e sem que o nível de Moralidade dependa do nível de Conhecimento…” (5).
Não devemos esquecer, no entanto, a importância do “…Renascimento na formulação de um novo paradigma científico pautado pela exigência de demonstração racional de todo o Conhecimento, fundada na experiência…” o que, no séc. XVII – com FRANCIS BACON e RENÉ DESCARTES – “…se consolida…como método de comprovação de conhecimentos teóricos…” (6).
É no séc. XIX, e após AUGUSTO COMTE “…que,…devido à estruturação do método experimental, vários saberes se vão…constituindo como Ciências…assim se autonomizando da Filosofia, como interpretação racional do real…” (7).
Chegados ao séc. XX assistimos a um enorme desenvolvimento das ciências “…e…<às> suas promessas de um mundo melhor…” (8) até à Segunda Guerra Mundial no contexto da qual, coincidente com o grande conhecimento no âmbito da Física, sucede “…a deflagração das bombas atómicas de HIROSHIMA e de NAGASAKI…” (9), no Japão, como utilização política dos resultados científicos do “ Projecto MANHATTAN que visaria o desenvolvimento da produção de energia…<mas deu origem à>…produção de uma arma de destruição maciça, ímpar até hoje…” (10).
4 de abril de 2019
CHOREMOS! CHOREMOS! CHOREMOS!
CHOREMOS! CHOREMOS! CHOREMOS!
O corpo do N.'. Q.'. Ir.'. Infante D. Pedro (profano António Manuel dos Santos Arnaut) vai estar no Centro de Portugal a partir das 17H do dia de hoje, 3 de Abril de 2019 (e.'.v.'.).
A Cadeia de União pensa-se fazer pelas 21H30M.
O corpo sairá às 10H30M de amanhã, dia 4, para o crematório de Taveiro.
Saudações Maçónicas.
3 de abril de 2019
BASTA O SALÁRIO
Com a devida Vénia e respectiva Autorização transcreve-se mais um Soneto de Adilson Zotovici
BASTA O SALÁRIO
Ouvi sábio comentário
Qual senti com alegria
Dum velho mestre em plenário
Sobre a maçonaria ;
A mim basta o salário
Que jus faço dia a dia
Desde recipiendário
Pelo labor à porfia
Por trabalho solidário
Que Grande Arquiteto guia
Com sapiente ideário
Nele está toda honraria
Laurel é desnecessário
Tudo o mais é utopia !
Adilson Zotovici
Subscrever:
Mensagens (Atom)





