Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

16 de novembro de 2020

Lançamento do Livro "VERSOS A MAÇO E CINZEL

 


  C    O    N    V    I    T    E

Meus irmãos , cunhadas , sobrinhos, meus amigos

Na próxima quinta feira dia 19 de novembro de 2020 às 20:00h (horário de Brasília) faremos a reunião em  sala virtual para o  LANÇAMENTO  do meu novo livro de poemas “ VERSOS A MAÇO E CINZEL “  e terei  imensa alegria e honra em vê-los e  tê-los connosco, assim como seus convidados , amigos e familiares, pelo que sou grato. Segue o endereço da Sala virtual  :

Topic: Lançamento do Livro "VERSOS A MAÇO E CINZEL" de Adilson Zotovici

Time: Nov 19, 2020 08:00 PM Sao Paulo - Brazil

Join Zoom Meeting

https://us02web.zoom.us/j/85739441867?pwd=U01GQVBrbXZCRWNNM09CenhnTWJuZz09

Meeting ID: 857 3944 1867

Passcode: 900301

12 de novembro de 2020

Vaidade e Orgulho

 


Com a devida vénia se transcreve este artigo de opinião de Clóvis de Barros Filho publicado no Blogue «O Ponto Dentro do Círcul

Vaidade e Orgulho

(Publicado em Setembro 2015, São Paulo por Luiz Marcelo Viegas)

A palavra VAIDADE tem uma origem curiosíssima. Ela remonta muito a uma ideia da vida em vão. Então, claro, quando é que vivemos bem? Quando conseguimos viver dentro daquilo que nos é mais favorável, onde somos mais talentosos, mais competentes e assim por diante. Quem se conhece acaba conseguindo se encaixar melhor, levará uma vida mais feliz, melhor e mais harmônica com o resto. O VAIDOSO é um ignorante em si mesmo, alguém que por não entender o seu lugar, não conhece suas próprias competências e habilidades e acaba pretendendo viver em um lugar que não lhe é devido. Por isso é um vício, um equívoco existencial. Muito importante nesse momento diferenciar a vaidade do orgulho.

O ORGULHO é um afeto altamente positivo na existência por que no final das contas o orgulhoso é aquele que consegue identificar em si mesmo causas de alegria e isso, claro, é patrocinador de uma vida boa, por que quando você consegue identificar causas de alegria em si mesmo uma consequência imediata é identificar as próprias fragilidades. O Orgulhoso é sempre alguém que tem mais de si em si mesmo e portanto é necessariamente algo positivo. O vaidoso, na verdade, é um orgulho equivocado, é um orgulhoso que não se conheceu direito, um orgulhoso que não soube flagrar em si mesmo as reais causas de sua alegria.

A VAIDADE é uma tendência muito explicável por que os encontros com o mundo são potencialmente entristecedores e de certa maneira, na hora que você considera que o mundo que você encontra é o que é, inexorável, o que que poderia ser diferente para você não se entristecer. E aí, você conclui: VOCÊ MESMO! Então claro, o vaidoso é invariavelmente aquele que deseja demais não ser quem é justamente por que supõe que não sendo quem é evitará as tristezas e angústias que são concretamente as suas. Todo valor, seja um valor adequado a uma competência como no caso do Orgulho, seja um valor “transbordoso” e desalinhado como no caso da vaidade. Todo valor é uma construção social, resulta de um processo de socialização. É uma questão cultural e aí é que está o grande conflito que a filosofia clássica aponta. De um lado um apreço pela natureza que é a sua, em outras palavras é o que “Nietzsche” chamava de amor fati [1]. É você se reconciliar com o mundo como ele é, e aceitar-se como sendo como é, de certa maneira.

Doutro lado você tem uma sociedade, uma convivência e uma vida social que de certa maneira espera de você performances, espera de você a ocupação de postos, espera de você competências que nem sempre estão alinhadas com as tuas verdadeiras e naturais inclinações. No final das coisas pode-se imaginar o VAIDOSO como alguém “for ent” em sua aparência, mas no fundo é alguém que, ignorante de si mesmo, está disposto a VENDER-SE A SI MESMO EM NOME DOS ENQUADRAMENTOS SOCIAIS .

Autor: Clovis de Barros Filho


Nota


[1] – amor a algo.

24 de outubro de 2020

Amália, sem Sucessores?

 


Transcrito, com a devida vénia, do Correio do Ribatejo de 23.10.2020, este Artigo de António Valdemar.

Amália, sem Sucessores?

«A advertência de Eduardo Lourenço ao considerar que Amália «morreu no seu século e não passou desfigurada para um tempo que não era o seu»

O Fado na sua conceção intemporal, na sua expressão literária ou na sua expressão popular- e todas associadas á realidade social e cultural de sucessivas conjunturas- nos seculos XIX, XX e já agora no seculo XXI, tem sido objeto de estudos eruditos, de ensaios críticos ou de obras de criação literária da autoria de muitas personalidades ligadas á Academia das Ciências. Os exemplos multiplicam – se até chegarmos a Amália Rodrigues. Procuramos sintetizar, numa retrospetiva sumária, subordinada ao tema Amália, a Academia e Académicos os seguintes autores e respetivas obras: Teófilo Braga, em 1868, numa interpretação das raízes do povo português (que antecedeu investigações antropológicas e etnográficas de José Leite de Vasconcelos) deu honras de transcrição integral dos versos recolhidos na tradição oral («Chorai artistas chorai ...») que lamentam a morte da Severa. Henrique Lopes de Mendonça enalteceu o Fado e o introduziu (com a música de Alfredo Keil) nas estrofes de A Portuguesa que a Constituição da República, em 1911, transformou no Hino Nacional. Eça de Queiroz situou Lisboa na génese da invenção do Fado, enquanto Teixeira de Pascoais se pronunciou acerca das modalidades do Fado em várias localidades geográficas. Continua a emocionar a exaltação que Pascoais fez de Hilário em Coimbra. Logo no início do seculo XX, Júlio Dantas escreveu A Severa. Foi a reconstituição para o teatro (e depois para um romance) tal como o próprio Júlio Dantas assim caracterizou: da vida de «uma flor pura, desabrochada na lama», que se evidenciou a cantar o Fado, na Mouraria. «Tinha o orgulho de não ter um ódio de ninguém, de ser feliz com a sua liberdade, o seu Fado, o seu amor ao Sol». 

8 de outubro de 2020

MONUMENTO 'CONTRA A IGNORÂNCIA'

 


MONUMENTO 'CONTRA A IGNORÂNCIA'

A 5 de Outubro em Vieira de Leiria foi inaugurada esta estátua/monumento, de autoria do escultor Fernando Crespo, natural de Vieira de Leiria, com traços de inspiração maçónica, uma iniciativa da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria e financiada pela Câmara Municipal da Marinha Grande. A escultura tem seis metros de altura, num manifesto contra a ignorância e em homenagem à República, Fernando Crespo é também o criador do coração de aço de 12 metros inaugurado em Fátima aquando da visita do Papa Francisco em 2017, imaginou uma nova obra composta por duas figuras neoclássicas iguais: uma dourada que se apresenta de pé sobre uma moldura quadrada, e outra escura, sob essa, de cabeça para baixo. “Todo esse conjunto assenta numa pirâmide, cujo vértice está a dez centímetros da figura que está ao contrário. É como um perigo latente, uma fragilidade. É uma metáfora, como se fosse uma vítima que está quase a ser punida por estar confinado a um espaço de ignorância”, descreveu o autor. Segundo o escultor, “a ignorância é um grande estigma” e “a República veio resolver parte do problema. Infelizmente as coisas têm-se vindo a degradar”, lamenta, justificando dessa forma a associação do novo trabalho ao 5 de Outubro, dia da inauguração. “Esta é a linguagem, facilmente entendível, que entendi para consagrar a República, o que é o conhecimento para o indivíduo e a limitação do conhecimento para o mesmo indivíduo”, sublinha. A peça será instalada no local onde existiu a antiga escola primária de Vieira de Leiria, que Fernando Crespo frequentou esse estabelecimento de ensino, entretanto “demolido há vários anos”. No mesmo espaço ficará a peça escultórica que evoca “a liberdade que o conhecimento traz”, em oposição “ao confinamento cultural, com as consequências que a falta de cultura tem”. Iniciativa de uma comissão de ex-alunos, a obra serve ainda de “homenagem ao ensino e aos professores do ensino primário”, incluindo o antigo docente de Fernando Crespo, Fausto Augusto Linhares, que merecerá distinção especial no dia da inauguração. A propósito do trabalho pensado para a Vieira de Leiria, o artista critica “o estado da cultura” no país. “Esta escultura e o seu aparecimento são paradigmáticos. Só é possível porque eu dei o que pude, para deixar ali uma marca”, diz Fernando Crespo, explicando que cedeu gratuitamente o trabalho, ficando a cargo do município da Marinha Grande pagar os materiais. “Estou a cumprir a minha obrigação cívica e artística para com o país e para com a República. Não sou artista do regime. Esses estão protegidos e, em tempo de crise, os municípios fazem ajustes diretos de valores perfeitamente disparatados. Não posso deixar de sentir alguma indignação”, acrescenta.

5 de outubro de 2020

EFLÚVIOS

 

Com a devida vénia e respectiva autorização, transcreve-se mais um Soneto de Adilson Zotovici:

EFLÚVIOS

Exala tão bom perfume 

No Augusto Templo Sagrado

De livres pedreiros costume

E desde há muito pairado


Não dum incenso que defume

Um ambiente pesado

Pra clarear um negrume

Por algum rancor criado


Mas, bons eflúvios em volume

Fulcro do grupo irmanado

Qual irradiado lume


Essência do iniciado

Pelo aroma se presume...

Da Verdadeira Luz emanado

Adilson Zotovici