Planificar, Edificar, Realizar
Carl Von Clausewitz, pensador prussiano, estudioso da guerra, autor de “PRINCÍPIOS DE GUERRA”, baseou sua obra na interpretação da estratégia de Napoleão Bonaparte. Segundo ele as vitórias napoleónicas provinham de factores morais.
Clausewitz, estudando as campanhas napoleónicas, definiu estratégia como sendo: a combinação entre si de vários combates isolados. A estratégia elabora o plano de guerra, delineia o rumo para as diversas campanhas e prevê as batalhas a serem travadas em cada campanha.
Na Maçonaria a Estratégia traçada nas Lojas deve visar ao fortalecimento da Potência a que a Loja esteja filiada sendo, para isso, necessário a preparação intelectual e a liderança dos Veneráveis Mestres, respeitáveis condutores de homens livres .
Um Venerável capaz e inteligente pugna pelo fortalecimento da sua oficina, instruindo e motivando obreiros, como argamassa sólida capaz de sustentar as colunas da Loja que ele administra.
Excepcionais qualidades de caráter, profundo conhecimento das Leis e Rituais maçónicos, devotamento à causa de bem servir e uma personalidade bem formada, são requisitos que se exigem de um Venerável Mestre, nunca perdendo de vista a sua calma e firmeza nas decisões difíceis de se preservar em situações de crise, pois, sem elas, as mais brilhantes qualidades de espírito são dispersadas.
O Venerável Mestre, antes mesmo de tomar posse, deve escolher seus assessores e, com eles, mantendo diálogo franco no sentido de planear as acções a serem desenvolvidas, visando ao sucesso no desígnio de dirigir sessões qualitativas e não apenas mensuradas por quantidade prevista no calendário.
Todos os cargos ocupados em Loja são mutáveis periodicamente, e todos eles devem estar preparados para assumi-los, quando devidamente convocados na condição de Mestres. Delegar poderes aos Vigilantes, Orador e Secretário é fundamental. Ninguém administra sozinho, e a divisão de tarefas só pode melhorar o convívio entre os Irmãos, fazendo despontar novos líderes.
No desempenho dos trabalhos, deve-se aquilatar a motivação dos irmãos. A seriedade de propósito e o comprometimento dos administradores com os todos os irmãos são factores decisivos do sucesso. É norma patente que “Toda organização espelha o exemplo dos seus líderes”.
Venerável inteligente não age sob o impulso da pressa, da vaidade e do momento. Sentindo-se responsável pela condução da Loja, procura melhorar o relacionamento entre os obreiros, motivando-os ao trabalho em conjunto, pois o espírito de equipe une e leva à melhoria do relacionamento. Longe de ser títere ou um deslumbrado com a posição que ocupa, o Venerável Mestre deve ser um facilitador de situações em quem o obreiro, dentro e fora da Loja, encontra amparo e ombro amigo para orientá-lo, instruí-lo e incentivá-lo.
O progresso e ascensão de uma Loja Maçónica é decorrente da união dos irmãos com um objectivo definido através de constantes diálogos visando empreendimentos. Cada obreiro em Loja é importante e experiente nalguma coisa. Do somatório dessas experiências e das suas efectivas aplicações, evidentemente, pode-se levar a bom termo qualquer empreendimento.
Bem assessorado por Vigilantes, Orador e Secretário, todo Venerável Mestre, administrador e líder, vislumbra três importantes parâmetros: o psicossocial, o dogmático e o ecuménico.
O parâmetro psicossocial deve ser examinado, levando em consideração que uma loja maçónica é composta de homens (ou mulheres) advindos de classes sociais distintas, diferenciados por profissões, religiões, estado civil e idade.
Sem conhecer bem seus pares, vivendo com eles questões que lhes aguçam o espírito, será impossível a qualquer dirigente de Loja convencê-los a traçar metas e conquistar vitórias. Não bastam encontros semanais, repetição de rituais e ágapes depois da sessão para manter os irmãos unidos.
Todos os iniciados na maçonaria passaram por sindicâncias “ou foram entrevistados” (grifo nosso). Os seus espíritos foram sondados por provas simbólicas, mas, quase sempre, a vida, a profissão, a origem, a família, o trabalho, a saúde, o lazer e até mesmo a questão financeira, deixaram de ser dimensionados como parâmetros de fidelidade à Instituição Maçónica. Iniciar um maçom é uma coisa, formar um maçom é outra.
Para reunir esses homens escolhidos e aceitos maçons, muitos deles cansados e stressados pelas exigências da modernidade, é preciso que a Loja seja montada adequadamente não apenas com a beleza dos altares, e incensos, mas com verdadeiro sentido de fraternidade e MOTIVAÇÃO.
A imposição de ideias e ritualismo ficam evidenciados não apenas na abertura e no encerramento dos trabalhos de Loja, mas perdura no tempo e espaço dentro e fora dos denominados Templos maçónicos que devem ser entendidos, vividos e assimilados como “Templos individuais abertos à virtude.”
Uma sessão de Loja pode e deve ser conduzida sem que seja necessário alongar os trabalhos, para isto, todos os oficiais e dignidades obrigam-se a conhecer bem as atribuições dos seus cargos. O horário de começo das reuniões não pode sofrer alterações, senão por imperiosa necessidade.
Não se concebe nenhuma Loja Maçónica sem uma Secretaria Executiva com deveres diferenciados do secretário que assiste à sessão retratando-a em livro, CD ou disquete. Secretário executivo é para cuidar das correspondências e arquivo, além de outras obrigações. Em certas lojas modernas e actuantes o secretário de ofício leva consigo o computador e, na própria sessão, redige a acta, lendo-a para aprovação.
Loja sem biblioteca e bibliotecário é inconcebível. Bibliotecário de Loja hoje deve ser Irmão com formação superior, não mero amontoador de livros em estantes. Um bom profissional do ramo sabe catalogar obras e autores. Biblioteca com livros cheios de mofo caracteriza obreiros que não leem, nem se aprimoram intelectualmente.
Sobre a frequência às reuniões, deve se consciencializar o irmão a comparecer à Loja, não porque, os faltosos são excluídos do quadro, mas, sim, porque é nos templos que eles equacionam o espírito maçónico no trabalho, adquirindo o hábito de perseverar e, na comunhão fraterna, que assimilam os princípios orientadores da Ordem.
No cenário tumultuoso da hodierna vida social, onde está predominando a desorientação mental, criando desafeições, estimulando ódios e propiciando a apologia ao crime, às drogas e ao sexo livre, em detrimento ao cultivo da inteligência e depuração dos sentimentos nobres, é mister que as reuniões maçónicas sejam veladas, mantendo-se o sigilo próprio dos cautelosos e vencedores.
É necessário, pois, que o sigilo seja imposto sobre certos assuntos nas reuniões, sabendo-se que o segredo consiste na significação esotérica dos símbolos e nos sinais com que se prova a identidade maçónica, além da palavra semestral, temporária e mutável, só acessível àqueles que trabalham efectivamente nas oficinas.
O sigilo é, dentro da estratégia de manutenção do respeito que se tem pela maçonaria, condição “ sine qua non” da estabilidade de uma Loja e do bom êxito dos seus trabalhos. O sigilo, forrando o homem de circunspecção e prudência, é a pedra de toque do verdadeiro iniciado maçom.
O recebimento de irmãos visitantes de outras Lojas, sejam de que potência for, deve ser motivo de júbilo e contentamento. O «trolhamento» / Identificação maçónica do visitante, quase sempre esquecido, deve ser motivado não pela desconfiança, mas pela certeza da preparação do irmão nas subtilezas do ritual e na segurança dos trabalhos a que vai assistir.
As solenidades de iniciação, filiação e regularização devem ser préviamente delineadas para que não se transformem apenas em “festa” de ostentação de aventais, medalhas e distinções, mas em momento de reflexão e verdadeiro sentimento de FRATERNIDADE.
Na maioria das Lojas, a prática da filantropia tem respaldo na beneficência praticada pelos obreiros apenas através do óbolo deixado pelo irmão. Uma Loja bem administrada e com uma hospitalaria bem orientada é capaz de entender que a prática desinteressada da filantropia não é apenas distribuir esmolas através de pequenas doações a esta ou aquela entidade caritativa.
A maçonaria, no momento em que vivemos, está a ser convocada para preparar o homem para grandes destinos e não apenas para matar a fome de ignorantes que dão crédito aos distribuidores de bolsas família, bolsa escola, bolsa miséria...Formar o homem, mitigar-lhe a fome, sim; deformar o cidadão jamais.
A filantropia maçónica é muito mais abrangente e diz respeito à formação da cidadania e do carácter humano, combatendo a hipocrisia, os desmandos administrativos e a corrupção.
Esta filantropia foi denominada pelo meu padrinho, ilustrado mineiro e mestre maçom de invulgar cultura, Dr. Leonardo Vieira Peret, de "FILANTROPIA MORAL".
Visitar escolas, proferir palestras elevando os valores cívicos, cantar e ensinar o hino nacional, hastear o pavilhão nacional nos monumentos públicos, participar dos conselhos comunitários, visando à defesa dos direitos da criança, do adolescente e dos idosos é também ser filantropo e praticar a filosofia maçónica.
A presença maçónica nas Escolas de nível médio e superior, através de professores e educadores maçons, é factor preponderante na estratégica acção de estender as reuniões maçónicas à sociedade. Nada é mais justo e perfeito que fomentar e repassar para a juventude valores e ensinamentos aprendidos na filosofia maçónica e na convivência com cidadãos íntegros e de ilibada conduta.
Visitas às Câmaras Municipais, fiscalização rigorosa dos trabalhos do Legislativo Municipal, Estadual e Federal (Câmara e Senado) deve ser preocupação dos maçons que têm a obrigação de preparar líderes políticos com a função de assumir cargos públicos. Toda a Loja tem a obrigação de ter um político actuando no legislativo e muitos funcionários públicos honestos e realmente limpos e puros. Ao estimular a criação de núcleos “De Molays” e “Filhas de Jó” as Lojas, por menores que sejam, estarão, estrategicamente, ocupando espaço nas suas reuniões e estreitando laços de fraternidade entre pais e filhos, tios e sobrinhos. Mesmo aquele irmão afastado ou pouco frequente estará de pé e à Ordem, sabendo que seus filhos estão acolhidos em meio sadio e formador.
O Poder Judiciário através dos nossos Juízes, Ministério Público e demais órgãos devem receber apoio das Lojas e Veneráveis, pois os maçons jamais deixaram de ser chamados a servir e nunca faltaram ao comprometimento com o que é justo e perfeito.
Sabemos que, no momento presente, o flagelo das drogas persegue os lares, destruindo a família, onerando os cofres públicos, matando e ceifando vidas jovens. Por muito tempo foi atribuído ao maçom Poder, Glória e Fama devido à atuação da maçonaria nas ações libertárias e no plano caritativo, confrontando com forças adversas .
Participar em campanhas de alerta ao público, comprometer-se com os órgãos de segurança a ser parceiros em projectos de formação e segurança dos cidadãos é praticar filantropia maçónica.
Muitos procuram a iniciação certos de que a maçonaria actua diretamente no combate aos vícios de toda ordem. Afinal, ouviram nas esquinas, dito por maçons sentados nos bares, à frente do «chope» gelado, que em os maçons cavam masmorras ao vício.
Tem-se constatado grande número de iniciados e poucos permanecem por mais de dois anos ao lado dos “irmãos”, e para este acentuado número de afastamento, têm-se buscado explicações e soluções, esquecendo-se: nada se planeia, quando são ineficientes os meios de luta.
Como manter um jovem aceso e interessado em algo para o qual foi atraído, sem lhe dar condições adequadas de vivenciar os atractivos que lhes são comuns. A vasta literatura, divulgando o mistério, o suspense e mesmo a aventura na busca do insondável mundo místico, levantou o manto que encobria a maçonaria e fez com que muitos nela buscassem abrigo apenas por curiosidade.
Os media e o virtualismo desmistificaram tabus e hoje qualquer menino acede no seu computador buscando lições sobre o que foi e o que é a maçonaria. Centenas de livros e revistas informam sobre maçonaria e quais autores ou livros merecem crédito, enfim, quando chega em Loja, o iniciado pouco ou quase nada recebe ou lhe é acrescentado a não ser absurdas exigências de frequência, pagamento disto e daquilo, além de ostentação de grandeza aparente e ilusória. Perdido em piadas sem nexo e graça, envolvendo personagens do presente e do passado, tem-se exigido do aprendiz preciosismo vocabular, quando ele nem sequer domina o tratamento de terceira pessoa do singular.
Infeliz, analfabeto da língua portuguesa, vítima da péssima educação vigente no país, o jovem aprendiz maçom, tão logo iniciado, é lançado num intrincado tratamento de segunda pessoa do singular e plural, repetindo o “ Não vo-la posso dar senão soletrada... Dai-me... e vos darei ...”
O que é novo atrai. Não seria uma solução motivadora se fosse cobrado do obreiro a discussão sobre este ou aquele assunto, ou mesmo o seu ponto de vista sobre o painel da Loja ou sobre a modernidade do acto de incensar, praticado em certos rituais? Como ler ritual sem se ter a noção exacta do que é ritual e ritualismo? O que são potências maçônicas? Porquê tanto divisionismo se a maçonaria é una? A lei básica e Constitucional de cada potência é lida e conhecida? Como conhecer sem experimentar e vivenciar?
A propósito, é de se perguntar quantas lojas mantêm instrução semanal para os aprendizes e que cultura têm os irmãos destacados para ministrar essas instruções? Sinais, toques e palavras, entrada no templo, e circunvolução não passam de ensinamentos elementares.
A vivência comunitária específica da Loja deve ser medida pelo ecumenismo e não pelo individualismo hipócrita de alguns que se arvoram em chefes de Loja sem levar em conta que as Lojas precisam de Líderes.
Felizes e realizados nos consideramos, buscando consenso daqueles que nos ouvem e lêm, prestigiando a orientação que nos foi legada pelo Grande Arquiteto do Universo iluminador das consciências livres e dos corações bem formados na busca da verdade. Fomos formados acreditando que um plano de paz e concórdia bem traçado é a estratégia perfeita para que as Lojas sejam instrumentos de Unificação da Maçonaria (neste caso a Brasileira).
Ir:. Geraldo Ribeiro Da Fonseca
(selecionado do Boletim Digital da «Loja Francisco Xavier Ferreira» de Pesquisas Maçônicas, 30.Set.2012)
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