Maçonaria nas Redes Sociais
As Redes Sociais existem desde que a humanidade se organizou em grupos para sobreviver. Nos Grupos humanos as actividades necessárias à sobrevivência são realizadas, normalmente, de forma colaborativa ou competitiva. Mesmo com todo este tempo já passado, sómente recentemente esse assunto passou a ser mais divulgado e acedido pela humanidade. Sem dúvidas com a popularização da WEB, ou Internet, surge um tema novo que, com mais força a partir de 1991, estamos enfrentando, não só na maçonaria como em qualquer actividade desenvolvida pelo homem. Internet ou Web, como muitos conhecem, é uma rede mundial de computadores, onde temos a possibilidade de manter contactos e buscar informações, práticamente em tempo real, com qualquer pessoa ou entidade que esteja conectada com a rede.
A Internet teve o seu desenvolvimento iniciado no ano de 1973, nos EEUU e passou a crescer mundialmente com o desenvolvimento, em 1989, do World Wide Web (www), ficando mais conhecida a partir do ano de 1991, tornando-se hoje o sistema de comunicação mais utilizado, e o que mais cresce, unindo os mais diversos tipos de utilizadores, como pessoas físicas, empresas, órgãos governamentais, entidades de pesquisas, universidades, órgãos culturais, bibliotecas, humor, seitas, enfim o que podemos imaginar, inclusive pornografia, pedofilia e mais recentemente o terrorismo, pois o acesso é livre e de responsabilidade individual. O mundo ficou ao alcance das nossas mãos e o direito à privacidade tem novos conceitos e contornos.
No início, o uso da Internet ficava restrito a poucos privilegiados, mas o desenvolvimento de “sites”, com acesso pago e, principalmente, gratuitos tornaram demasiadamente fácil o uso da Internet e a quantidade de informações colocadas à disposição do internauta, muitas vezes sem respaldo, pesquisa ou embasamento.
Facebook: compartilhamento dos mais diversos assuntos, que inclui dados e detalhes da vida pessoal. É hoje a rede social mais acedida e utilizada no mundo todo, com uma população de 1,5 bilhões de utilizadores cadastrados, sendo cerca de 83 milhões brasileiros;
WhatsApp: é um aplicativo gratuito para a troca de mensagens em tempo real e chamadas de voz. Segundo a empresa, hoje são cerca de 38 milhões de utilizadores brasileiros, equivalendo a 8% dos utilizadores mundiais;
Youtube: utilizado para compartilhamento de vídeos, ficando em terceiro lugar das redes sociais mais utilizadas no Brasil;
Instagram: é o compartilhamento de fotos e vídeos curtos (até 15 segundos) através do celular, ocupando hoje a quarta posição das redes sociais mais acedidas no Brasil;
Twitter: é uma rede social que possibilita aos utilizadores a troca de actualizações pessoais através de textos de até 140 caracteres. O Brasil é o segundo país em número de utilizadores nessa rede e um dos mais activos também.
LinkedIn: compartilhamento dados profissionais, formação académica, experiências, habilidades e oportunidades de emprego;
e-Mail: uma das mais antigas formas de rede social virtual, onde as informações de qualquer natureza são distribuídas em forma de correio eletrónico;
Google+: permite compartilhar fotos, informações com os contactos do email e ligações. Além disto, permite realizar vídeo-conferências, mostrar uma apresentação ou compartilhar o desktop de seu computador;
Flickr: permite armazenar, ordenar, buscar, vender e compartilhar fotos e vídeos na internet;
Badoo: Voltada para conhecer pessoas e expandir o círculo de amizades.
Enfim, poderíamos ficar citando uma enorme gama de sites e fornecedores colocados à disposição de cada um de nós para atender qualquer de nossos desejos e/ou necessidades.
Com todas estas possibilidades colocadas a nossa disposição, não podemos, nós os Maçons, ficar ao largo destes instrumentos e as Potencias Maçónicas adaptaram-se à nova realidade e encontram-se disponíveis na Internet.
Certificadamente, as páginas maçónicas das Obediências mantêm dados criteriosos de análise de temas maçónicos e com acessos restritos, o mesmo não podemos dizer das páginas individuais criados por Irmãos ou “Irmãos” e algumas Lojas.
Podemos encontrar centenas de “sites” com temas maçónicos e alguns antimaçónicos e, sabemos, ser extremamente difícil um controle rígido a respeito do conteúdo disponibilizados
Portanto temos um tema que precisamos desenvolver estudos e tomarmos uma posição em defesa da Ordem Maçónica, sob pena de termos revelados, passo a passo, todos os nossos segredos, outrora transmitidos de boca a ouvido.
Sem dúvida, nessa discussão, a base será a Ética.
Este assunto já veio a baila no XX Encontro de Membros Correspondentes, realizado em Juiz de Fora – MG, nos dias 18 e 19 de outubro de 2013.
Ética Maçónica. Como defini-la?
Não é tarefa fácil fixarmos um conceito de ética maçónica, mas ética é a palavra chave no momento em que estamos vivendo. Está, permanentemente, na consciência e nos pensamentos de todos os maçons “livres e de bons costumes”, materializando-se em nossos actos, vivências e convivências.
A Maçonaria é uma grande fonte para o desenvolvimento da ética, onde as mais diversas atividades (profissões) se encontram representadas, todas regulamentadas por rígidos Códigos de Ética e de Conduta (Contadores, Advogados, Engenheiros, Profissionais da Saúde, para exemplificar), e que, com certeza, são aperfeiçoados pela postura ética dos maçons integrantes dessas atividades, através de exemplos, comportamentos e reconhecimentos, produzindo resultados positivos incomensuráveis. A continuidade deste processo cabe a cada um de nós, a obrigação de cultivar e difundir esta postura em todos os momentos de nossa vida, tanto maçónica como profana.
A Maçonaria é uma Ordem Universal, formada por um contingente de membros que reúne todas as raças, credos e nacionalidades que, com seu trabalho busca o desenvolvimento da sociedade dentro dos princípios mais puros da moral e da ética.
A ética maçónica tem por fundamento os conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade desde sua mais remota constituição, com a firme observância das suas regras morais tradicionais ou escritas nos rituais, leis e regulamentos maçónicos.
Existe uma Ética Maçónica?
Particularmente entendo que não, pois para sermos indicados e aceitos como integrantes da Ordem, a condição preponderante é “ser livre e de bons costumes” e o que é “ser livre e de bons costumes”? Seria alguma coisa diferente ter uma educação esmerada, em todos os sentidos, ter cultura desenvolvida, ter respeitabilidade na comunidade onde está inserido, ter moral elevada e, por fim, SER ÉTICO.
Ingressando na Ordem simplesmente deixamos de ser profanos, deixamos de ser uma referência de conduta na sociedade em que vivemos e passamos a ser, simplesmente, maçons, que pelas nossas leis não devemos esquecer nosso comportamento profano e sim ampliá-los.
Simplesmente incorporamos a nossos princípios profanos, os princípios maçónicos de que devemos ter uma vida transparente, uma conduta ilibada, não praticarmos actos ilícitos, amorais ou antiéticos, ou seja, continuarmos a ser “limpos e puros”.
Sabemos que não, em alguns casos, a amizade, quem indicou, interesses pessoais ou da Loja, fazem que a quantidade tenha mais força do que a qualidade. Basta acompanharmos os Boletins das Potências para termos a resposta a este nosso questionamento, mas devemos também acompanhar o número de desistências, quites e irregularidades relacionadas nestes mesmos Boletins.
Muitas vezes passamos por cima de normas e determinações, para “facilitarmos” a admissão de um novo membro, atendendo interesses pessoais, nosso famoso QI (Quem Indicou), e o que é pior, interesses financeiros (mais um ou, normalmente, vários para pagar mensalidades da Loja) ou profissionais.
Onde está faltando comportamento ético?
Entendemos que o início desse processo está nas indicações de novos obreiros e na forma como são elaboradas as sindicâncias. Não simplesmente em quem está indicando o neófito, mas, também, em quem indicou o sindicante, é uma corrente com seus elos, se um é falho os demais não se sustentarão.
Falta ética ao Irmão que indica uma pessoa não preparada para estar junto aos verdadeiros maçons. A falta de ética pode continuar a ser praticada, na forma com que o Sindicante realiza sua importante tarefa, no momento em que não assume totalmente suas responsabilidades, proporcionando sindicâncias superficiais, sem conteúdo, pouco esclarecedoras quanto às verdadeiras intenções do candidato proposto e/ou de seu indicante. Aqui cabe tratarmos, mesmo que de forma superficial sobre o papel do Sindicante.
A Sindicância é, em nosso entendimento, uma incumbência de grande vulto e estrita consideração para o e com o Irmão escolhido pelo Venerável Mestre. Não estamos sendo nenhum pouco originais quando dizemos que, quando encarregados de fazermos uma Sindicância deveremos ser minuciosos e severos no exame dos candidatos, pois é de nosso desempenho na busca das respostas dos requisitos que vamos gerar o convencimento dos demais Irmãos, na admissão de um profano na nossa Ordem. Quando estamos examinando um candidato temos que examinar muito mais do que as características indicadas pelo proponente e que giram em torno de boa convivência social, trabalhador, de moral reconhecida e honestidade.
Sem dúvidas são características necessárias para ser aprovado, mas perguntamos, são as únicas? Com toda a certeza temos outros valores e qualidades que têm que ser avaliadas, tais como ética, justiça, sabedoria, inteligência, liderança, perseverança e caridade. Quanto mais e precisas as informações que trazemos para a Sindicância, muito menos possibilidades de errarmos na escolha de um novo membro para a Ordem.
E assim poderemos ir adiante, em cada fase do processo de aprovação da indicação e consequente Iniciação do Neófito e poderemos verificar alguns comportamentos que evidenciam a falta de elementos éticos. Ponhamos a mão na nossa consciência e pensamos sobre o assunto.
Maçons e ética caminham, ou deveriam caminhar, sempre juntos, por isso a Maçonaria não deve se preocupar com a formação ética e moral dos seus Obreiros, isto nós já trazemos do mundo profano, somente devemos continuar a desenvolvê-las.
Ética Maçónica nas Redes Sociais
Em termos de Maçonaria, encontramos os mais diversos sites, para pesquisas e informações, de Lojas, livros e revistas, chats para contatos e bate-papos, uns com acesso sómente para maçons identificados, outros livres, listas de discussões, maçónicas e antimaçónicas e muitos outros meios eletrónicos que, a nosso ver, vem tornando nossa Ordem cada vez mais conhecida internamente, nossos segredos aos poucos sendo desvendados publicamente e com isso tornando-nos cada vez mais vulneráveis.
Hoje temos Potências e Lojas buscando adeptos pelas redes sociais com propaganda pública nos média e oferecendo iniciações, elevações, exaltações e até graus filosóficos, além de grandes vantagens.
Já paramos para pensar quantos de nossos segredos estão nas Redes Sociais?
Este problema já é motivo de muitas discussões no seio da Ordem e as conclusões remetem para que se realizem debates sobre a elaboração de um Código de Ética, que deveria ser iniciativa de todas as Potências Maçónicas do Brasil, onde, democráticamente, seriam discutidos e definidos alguns pontos, dos quais destacamos, entre outros:
> o comportamento do Maçom na rede;
> o comportamento de uma Autoridade maçónica na rede;
> o uso de uma instituição maçónica na rede;
> uso indevido do nome de instituições maçónicas na rede;
> condições de sigilo e requisitos básicos para termos e regularizarmos uma Loja Virtual;
> atitudes a serem tomadas em relação a Irmãos chamados “indiscretos”;
> quem apura e julga as faltas maçónicas praticadas na Rede;
> uso das Redes, pelos maçons, em benefício da humanidade como um todo, e outros temas também relevantes que surgiriam a partir das discussões iniciais.
As conclusões seriam consensualizadas e implementadas nacionalmente pelas respectivas Potência em forma de um Código de Ética Maçónica.
É importante que tratemos deste assunto no âmbito nacional que, entendo, é de suma importância para a maçonaria. É nosso dever darmos exemplos de moral e de ética, pois ao sermos acolhidos na Ordem trazemos estes qualificativos do mundo profano e sendo a Ordem uma instituição que é educativa, filantrópica e filosófica e que tem por objectivo os aperfeiçoamentos moral, social e intelectual do Homem, o nosso crescimento pessoal só tem um caminho, melhorar nossa conduta moral e ética.
Código de Ética Maçónico
A título de conhecimento transcrevemos uma manifestação do Irmão Paulo Jorge Costa, da A.'. R.'. B.'. L.'. S.'. União e Silêncio nº 1582, do Distrito Federal:
“A Maçonaria não dispõe de um “Código de Ética” que possa constituir um compromisso de honra para os que aceitam ingressar em nossa Ordem, e todos sabem que, ao ingressar na Maçonaria, cada indivíduo traz consigo os valores do seu convívio social, suas concepções morais e éticas já elaboradas, o que pode provocar na convivência maçónica comportamentos aéticos, a exemplo das omissões, das disputas pelo poder, perseguições, malversação dos conhecimentos e da doutrina maçónica, excessos no uso da inteligência e da desinteligência e as mais variadas formas de indisciplina e inadaptabilidades às regras maçónicas, causando o enfraquecimento do sentido de unidade do corpo social “.
A Nossa Ordem não tem um “Código de Ética Maçónico”, temos os Landmarks, Estatutos, Regulamento Geral, Regimentos Internos das Lojas, Princípios e Leis, todos nos dando os caminhos que devemos seguir na nossa vida dentro e fora da Ordem, que, presume-se, sejam do conhecimento de todos os Iniciados e de todos os Maçons. Dai nos perguntamos: Seria necessário termos, também, um Código de Ética Maçónica?
Muitos maçons têm-se manifestado sobre o assunto e eu, particularmente, entendo que a Maçonaria deveria criar seu próprio Código de Ética, para que cada um de nós, nossa Loja e nossa Potência, possam ter definidas as defesas contra as ações de pessoas não preparadas para estar em nosso convívio.
De há muito deixamos de ter inimigos externos à Ordem e passamos ter os mais predadores inimigos dentro de nossas hostes trazidos pelas fracas sindicâncias, pelo seu QI (Quem Indica), normalmente curiosos e mal preparados psicológica e eticamente, que após iniciados transbordam a vaidade, o orgulho, a arrogância, a indulgência, a presunção e a preguiça, dando-se ao luxo de não cumprir as Leis e os Regulamentos, sem falar nas suas defesas em favor de simplificações dos Rituais e Ritualísticas.
Por certo este Código de Ética deverá ser flexível e dinâmico, dentro de nossos Princípios e Leis.
Sabemos ser este um assunto complexo e polémico, mas precisamos nos posicionar, analisar e definir consensualmente.
Meus Irmãos, a vida, ensinam-nos os grandes mestres, é um eterno processo de escolhas, assim responda de forma consciente e honestamente:
Você é um Maçom ético?
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Marco Antonio Perottoni M:.M:.
Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas - Loja Cônego Antonio das Mercês
Grande Oriente do Rio Grande do Sul Porto Alegre - RS
(selecionado do Informativo "CHICO DA BOTICA" - Ano 12 Edição 105 - 30 Nov 2016 – por -«Comp&Esq»)
Bibliografia:
COSTA, Paulo Jorge – A Ética na Maçonaria – Artigo – Internet
ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo – Maçonaria e Internet – Artigo - Internet
ENEY, Dirceu e outros – Ética na Maçonaria – Artigo - Internet
LEITE, Hélio P. – A Ética na Maçonaria – Artigo - Internet








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