Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

14 de outubro de 2026

MUNDO JUSTO!

 

Com a devida vénia e respectiva autorização se
transcreve este poema de Adilson Zotovici:



MUNDO JUSTO! 


Num momento, num minuto 

Em Sacro Templo envolvente 

Qual pássaro em voo arguto 

Vou ao alto, ao céu luzente 


Sonho acordado, silente, 

Que tal as alvas nuvens calmas 

Voam soltas, livremente, 

Seguras, em paz... as almas 

12 de outubro de 2026

Antigos e Jovens Maçons - Tradição e Mudança

 



 Antigos e Jovens Maçons - Tradição e Mudança



Autor: Iván Herrera Michel




Já vi muitas coisas acontecerem na Maçonaria. Rostos novos que partem, ideias jovens punidas, opiniões petrificadas, projectos a nascer e a morrer, lojas a desaparecer… e talvez esta reflexão seja uma tentativa de expressar por palavras o que alguns de nós sentimos quando os rituais são deixados para trás e surgem questões. 

Tive a oportunidade de observar a Maçonaria sob diferentes perspectivas e responsabilidades, e a verdade é que, por vezes, sinto algo ao conversar com um Irmão, jovem ou idoso: a sensação de que estamos numa encruzilhada sem precedentes, imersos num mundo vertiginoso de tempos em constante mudança, o que não facilita o caminho de transição que qualquer tradição exige. São tempos que ameaçam a sobrevivência da Ordem tal como a conhecemos e que se tornam cada vez mais difíceis de ignorar e gerir, pois, em última análise, afastam os Irmãos das Lojas.

Em particular, quando falo com jovens maçons, reparo em algo que me chama a atenção e me faz reflectir. Falam-me das suas ideias, sobre como querem que a Maçonaria faça algo pelo mundo de hoje, pelos problemas actuais. E eu fico ali parado, a acenar com a cabeça e a pensar: como é que lhes posso explicar que este lugar é, e ao mesmo tempo e não é, este tipo de lugar? Para compreender isto, precisamos de uma abstração como as sobreposições e os dilemas filosóficos apresentados pelo gato de Schrödinger.

5 de outubro de 2026

O Silêncio dos Sábios - Etarismo e Reverência na Maçonaria

 



O SILÊNCIO DOS SÁBIOS – ETARISMO E REVERÊNCIA NA MAÇONARIA


Autor: Paulo Cesar T. Ribeiro (*)


 


Imagem ilustrativa gerada por IA

Tempora mutantur et nos in illis. Os tempos mudam, e nós mudamos com eles. É deste axioma antigo que parto, porque há reflexões que só amadurecem quando o homem já viveu o bastante para reconhecer, no espelho da Ordem, aquilo que a sociedade insiste em recusar aos seus mais velhos.

Há, no cerne da Maçonaria, um convite ao autoconhecimento e ao aprimoramento moral — um trabalho interior que deveria, por sua própria natureza, dissolver as barreiras que o preconceito ergue entre os homens. E, no entanto, é preciso coragem para admitir que nem sempre é isto o que se vê. A casa que se proclama Templo da Igualdade não está imune às sombras que se projetam sobre o mundo profano. Ela é, como escrevi em outra parte, um microcosmos da sociedade humana: repercute, em suas paredes, os mesmos fenómenos que atravessam o tecido social mais amplo. E entre esses fenómenos há um que se instalou entre nós de maneira particularmente silenciosa — o etarismo, a discriminação por idade, a velhofobia que exclui, sem alarde, justamente aqueles que mais deram à Ordem.

27 de setembro de 2026

A MAÇONARIA - Escola de Moral e Ética ou de Arrogância e Vaidade?

 




A MAÇONARIA -  Escola de Moral e Ética ou de Arrogância e Vaidade? 

Este traçado, inicialmente inserido no Blog «Compasso e Esquadro» em 14.Out.24 (a quem agradecemos a autorização da republicação). Pela  actualidade e pertinência dos temas tratados, foi considerada importante a sua revisitação e leitura em Loj:. (a Comissão Coordenadora do Blog )




I – Introdução 

Durante o ritual de Iniciação, questionado por diversas vezes sobre se realmente deseja ingressar na Ordem, o profano ao responder afirmativamente a todas as questões que lhe são colocadas,  firma um pacto com a Fraternidade, a partir da qual recai sobre os seus ombros o peso da responsabilidade de fazer com que os princípios maçónicos sejam, efectivamente, colocados quotidianamente em prática. Em resumo,  Iniciado, o maçom tem como incumbência permanente cuidar da prática da ética, da moral e dos bons costumes. Todavia quotidianamente, os maçons deparam-se com algumas situações que colidem com os princípios e objectivos a que se comprometeram, quando da  iniciação... 

Ao começar a frequentar a Loja (azul ou simbólica) o Aprendiz (Apr:.) vai comprovar a existência de três graus: os dois primeiros em que se usa o mesmo avental branco e o terceiro já com indumentária e adornos diferentes, mais requintados e vistosos, que é o de Mestre Maçom, grau maior da Maçonaria simbólica.  São Mestres, o  V:.M:. e os quadros da Loja e naturalmente mais alguns IIr:. , alguns dos

23 de setembro de 2026

O Cansaço Silencioso da Loja Maçónica

 


O CANSAÇO SILENCIOSO DA LOJA MAÇÔNICA


O Cansaço Silencioso da Loja Maçónica


Uma leitura psicológica e iniciática sobre a vitalidade, o pertencimento e a produção de sentido na vida colectiva


Autor:  Paulo Cesar T. Ribeiro



Imagem ilustrativa fornecida pelo autor

As Lojas maçônicas  parecem-se com as pessoas: nascem, crescem, atravessam suas maturidades e, um dia, também morrem. Têm infância hesitante, juventude entusiasmada, meia-idade de responsabilidades e velhice. O consolo dessa comparação está na longevidade. Ao contrário dos homens que a compõem, uma loja pode viver por muito tempo, atravessar gerações inteiras, ver netos ocuparem as colunas que os avós um dia ocuparam. Há Oficinas que contam a própria história em séculos, e isso é motivo de justo orgulho.

Mas há uma armadilha escondida nessa longevidade. Uma pessoa, quando adoece por dentro, sente. O corpo avisa, a fadiga impõe-se, algo dentro dela pede socorro. Uma loja, não. Ela pode continuar de pé, funcionando, cumprindo seu calendário, aparentando saúde plena, enquanto por dentro já perdeu boa parte daquilo que a mantinha viva. E é dessa condição estranha, de uma instituição que segue existindo formalmente muito depois de ter deixado de existir em espírito, que eu gostaria de falar aqui.

18 de setembro de 2026

A Taberna em que nasceu o primeiro Conselho do REAA

 



A TABERNA EM QUE NASCEU O PRIMEiRO SUPREMO CONSELHO DO REAA


Autor: Iván Herrera Michel

            

 

No mês passado, completaram-se 225 anos desde o dia em que onze maçons se reuniram numa taberna para criar uma instituição ritual que colonizou a maioria dos espaços maçónicos

Recreação da “Taberna de Shepheard” a partir da imagem do
monumento comemorativo em Charleston

Por isso, vale a pena parar para pensar naquele domingo do final de maio de 1801, quando o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite foi fundado na Taberna Shepheard, na esquina das ruas Broad e Church, em Charleston, Carolina do Norte. Esta taberna servia de ponto de encontro para comerciantes, profissionais liberais, líderes cívicos e maçons. É muito provável que a fundação tenha ocorrido no Salão Nobre, no segundo piso, virado para a Rua Church. A planta do edifício seguia o modelo das grandes tabernas de Charleston: o piso térreo albergava a própria taberna, a loja, a cozinha e as caves, enquanto o segundo piso continha um grande salão para banquetes, reuniões cívicas e atividades culturais. O terceiro e quarto andares estavam reservados para alojamento de hóspedes e alojamento para funcionários.                 

9 de setembro de 2026

Maçonaria no Espelho Digital: Projeção Pública, Redes Sociais e Juventude

 



Maçonaria no Espelho Digital: Projeção Pública, Redes Sociais e Juventude

 


Autor: Víctor Guerra


Este artigo reflecte criticamente sobre os esforços recentes da Grande Loja de Espanha (GLE) e da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) para projectar uma imagem pública da Maçonaria por meio das redes sociais, visando particularmente o público jovem entre 18 e 30 anos. Com base na análise de iniciativas como o projeto ” Ex Libris Lodge nº 3765” e conteúdos como o Craftcast, o artigo avalia a eficácia e a coerência dessas estratégias de comunicação em comparação com o uso tradicionalmente reservado e discreto da imagem maçónica. O artigo também critica a proliferação de conteúdo fotográfico nas redes sociais, muitas vezes sem controle institucional, e seu potencial uso por agentes externos para fins que nada têm a ver com a Maçonaria.