Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

13 de junho de 2018

ANÚBIS




Qual estrela reinventado a imanência da sua luz no cosmos da imortalidade, onde a mítica constelação da vida se traduzia e renovava num fulgor eterno, Anúbis (Anupu em egípcio) iluminava a noite do panteão egípcio enquanto pilar que sustinha o templo de um mito intemporal que prometia às almas a eternidade.
Escravizados pelo alento de vogarem no regaço da imortalidade, superando os próprios limites da existência, os Egípcios conceberam a arte do embalsamamento, que, ao conservar os seus corpos, os arrebatava ao abominável espectro da deterioração, tal como sugere uma das muitas inscrições talhadas sobre os caixões: “Eu não deteriorarei. O meu corpo não será presa dos vermes, pois ele é durável e não será aniquilado no país da eternidade”. Esta arte divina, apta a enfeitiçar o tempo, tornando-o escravo daqueles que a ela recorriam, era ditada, reinventada e abençoada por Anúbis, guardião das sublimes moradas da eternidade, Soberano das mumificações e embalsamamentos, intermediário entre o defunto e o tribunal que o aguardava no Além e deidade cuja aparência é estigmatizada pelas incumbências de que é investido. Por conseguinte, e numa flagrante evocação dos cães e chacais que velavam pelas inóspitas e desérticas necrópoles, esta divindade surge como um animal da família dos Canídeos ou, então, como um homem detentor de uma cabeça de chacal. A mitologia egípcia revela-nos que Anúbis era fruto de uma ilegítima noite de amor vivida por Osíris nos braços de Néftis.
A lenda revela-nos que tão inusitada união dera-se aquando do retorno do então Soberano do Egipto ao seu magnífico país. Extenuando de uma viagem que o mantivera longe da sua pátria por uma eternidade, Osíris ardia em desejo de sentir o Sol que raiava no olhar de Ísis despir a mortalha de nuvens, tecida pela saudade, que vestia e sufocava os céus de sua alma. Ao vislumbrar Néftis, o deus enlaça-a então em seus braços, tomando-a pela sua esposa. E os seus sentidos, cegos pela paixão, revelam-se impotentes para lhe desvendar a traição que ele cometia, antes desta encontrar-se consumada. Graças a uma coroa de meliloto abandonada por Osíris no leito de Néftis, Ísis abraça a percepção de que o seu amado esposo havia-lhe sido infiel e, desesperada, confronta a sua irmã, que lhe revela que de tão ilídimas núpcias nascera um filho, Anúbis, o qual, temendo a cólera do seu esposo legítimo, Seth, ela havia ocultado algures nos pântanos. Ísis, a quem não fora concedido o apanágio de conceber um filho de Osíris, enleia então a resolução de resgatá-lo ao seu esconderijo, percorrendo assim todo o país até encontrar a criança. Acto contínuo, e numa notória demonstração da benevolência que lhe era característica, a deusa amamenta Anúbis, criando-o para tornar-se o seu protector e mais fiel companheiro.
A lenda de Osíris comprova que Ísis foi coroada de sucesso, uma vez que, após o desmembramento do corpo de seu esposo, Anúbis voluntariou-se prontamente para auxiliar a deusa a reunir os inúmeros fragmentos do defunto. Posteriormente, Anúbis participa com igual dedicação nos rituais executados com o fim de restituir a Osíris o sopro de vida e que lhe facultaram a concepção da primeira múmia, facto que legitimou a sua conversão no venerado deus do embalsamamento, eterno guia do defunto no Além. A sua crescente influência garantiu-lhe um posto relevante no tribunal composto por quarenta e dois juizes que julgava os recém- inumados. De facto, é ele quem conduz o morto até Osíris, apresentando-o ao tribunal por ele presidido, para de seguida proceder à pesagem do coração. Se porventura o morto desejar mais tarde regressar à terra, é Anúbis quem ele tem a obrigação de notificar previamente, dado que esta surtida só será exequível com o seu consentimento expresso, formalmente consignado sob a forma de um decreto.

11 de junho de 2018

APRENDER COM A NOSSA HISTÓRIA

SEMINÁRIO-30 JUNHO || LOUSADA-10H00 -17H00

EVOLUÇÃO DA MAÇONARIA DO SEC. XVIII AO SEC. XX

ABERTURA || ENCERRAMENTO || MODERAÇÃO:
EDUARDO SILVA. JOSÉ RIBEIRO – ALEXANDRE CAMPOS –
PALESTRANTE
ANTÓNIO VENTURA
PROFESSOR CATEDRATICO
G.’.M.’. ADJ.’. GRANDE ORIENTE LUSITANO
UMA ORGANIZAÇÃO NO ÂMBITO DO TRIÂNGULO DE AMIZADE

2 de junho de 2018

Efemérides-Junho


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do LIVRO DAS EFEMÉRIDES –HISTÓRICAS, POLÍTICAS, MAÇÓNICAS E SOCIAIS - 2016
Daniel Madeira de Castro Página 269

JUNHO
926 — Assembleia geral em York, presidida por Edwin, filho menor do rei e G.M., onde foi elaborada a Carta de York dos Maçons Livres. A palavra Maçonaria apareceu no ano de 1280, mas esta carta Já referia os termos: G.M., Vigilante, Irmão, Antigos Deveres e Privilégios. Em 1356 o rei Edward III de Inglaterra reviu os Estatutos d'Atheltsan, (Atheltsan era filho de Alfredo, o Grande) ou as Anglo-Norman Charges da obediência dos Maçons de York. Estes textos foram destruídos, mas em 1840 James Haliwell descobriu no museu Britânico o Manuscrito Regius — 1390, ou de Haliwell (27/12/1561).
1728 — Constituiu-se em Paris o G.O. de França, então G.L., com a eleição do seu primeiro G.M. o duque Wharton (24/6/1738).
1745 — A polícia francesa surpreendeu uma reunião maçónica, com cerca de quarenta membros, que foram admoestados e o dono do restaurante foi multado.
1762 — Apareceu pela primeira vez em França a alusão ao Grau de Rosa-Cruz em Maçonaria.
1787 — Publicado o segundo volume da obra Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite, do barão de Tschoudy, maçon francês, a criação estruturada do Rito Adonhiramita, com treze graus (abril de 1766).
1789 — O papa Pio VI admitiu que eram forjados os decretos do séc. IX sobre os quais se baseava a autoridade papal.
1793 — Iniciou-se com a prisão dos deputados girondinos à Convenção Nacional, a ditadura do Partido Jacobino, iniciando uma época de terror, sangrenta e arbitrária. Os jacobinos viam no terror um instrumento da revolução, ganhando a guilhotina o estatuto de sanção moral. O terror só terminou quando Robespierre, Danton e Saint-Just subiram ao cadafalso (27/7/1794).
1798 — Grasse-Tilly, seu sogro Delahogue e cinco outros deputados Grandes Inspetores fundaram um Conselho Kadosh, depois Grande Conselho dos Príncipes do Real Segredo.
1892 – Elevada para doze anos a idade mínima para as raparigas se poderem casar, em Itália.
1893 – Conferência dos republicanos ibéricos, em Badajoz.
1909 – Magalhães Lima, G.M. do G.O.L., acompanhado de José Relvas e Alves da Veiga, iniciou um périplo pela Europa, que se prolongou por Julho, nomeadamente, Paris e Londres, numa ação secreta para recolha de apoios à revolução republicana, para pôr fim à monarquia, junto das obediências maçónicas locais, que resultou positivo, à exceção de Espanha, onde reinava Afonso XIII, que não visitaram.
1921 – 3a Congresso do P.C.U.S., que proibiu os membros do Komintern de poderem ser maçons.
1972 – Rebentou o escândalo de Watergate, que levou à resignação de Richard Nixon, pres. dos E.U.A.. Cinco homens assaltaram a sede do Partido Democrático, no edifício Watergate, Washington, para recolha de informação, e provou-se que eram colaboradores de Nixon.
1992 – Realizou-se no Rio de Janeiro, a Conferência Mundial sobre a Terra e o Ambiente, sob os auspícios da O.N.U., em consequência da degradação progressiva dos recursos naturais e do meio ambiente.
D. Madeira de Castro

1 de junho de 2018

A C Á C I A


Transcrito, com a devida vénia e repectiva autorização, mais um soneto de Adilson Zotovici:


Não só por sabedoria
Da sua sublime história
Ícone da confraria
Justo pois, dedicatória

Qual sol ao raiar do dia
Com força na trajetória
Brilha flor que inebria
Com sua beleza notória

Primordial companhia
No revés ou na vitória
Sempre vital parceria

De louvores meritória
A  Acácia , que nos guia !
Do Grande Arquiteto...a glória !

Adilson Zotovici

Apresentação de Livro


No dia 11 de Junho de 2018, segunda-feira, pelas 18.00H, o Museu Maçónico Português, realiza no Palácio Maçónico do Grémio Lusitano a apresentação do livro  À Mesa na Trindade - Diálogos sobre a Maçonaria, de Nuno Cruz, com apresentação de Fernando Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e António Ventura, Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano
 
Através de diálogos ficcionados – embora partindo de casos reais - entre um Mestre com muitos anos de prática maçónica e um aprendiz com pouco mais do que 3 meses de iniciação na Maçonaria, são abordados muitos dos aspectos menos conhecidos do grande público. Sem nenhuma ideia preconcebida, por estes diálogos passam muitas das inquietações dos maçons na sua prática quotidiana mas também se desmonta muito do que se “ouve dizer” no chamado mundo profano e não só!
Fernando Castel-Branco SacramentoDirector


23 de maio de 2018

O Tesoureiro e a Tesouraria


...Editado pela Comissão Editorial do Blogue.., decidi apresentar-vos uma prancha sobre o cargo com que me honrastes neste último ano. O cargo de Tesoureiro da RLSA.
O Tesouro da Loja é o conjunto dos seus recursos financeiros, considerados independentemente do Tronco da Viúva e das obras de Solidariedade.
O cargo de Tesoureiro é frequentemente encarado como tendo um cunho essencialmente profano e administrativo, longe de considerações filosóficas ou de abordagens esotéricas.
No entanto, uma leitura atenta da nossa... Editado pela Comissão Editorial do Blogue..., permitem-nos compreender que a atividade do Tesoureiro está intimamente ligada à garantia da própria existência das Oficinas e, com elas, da nossa Augusta Ordem.
De facto,... Editado pela Comissão Editorial do Blogue... é uma das obrigações da Loja “Pagar as contribuições ordinárias e extraordinárias estabelecidas por lei” e, Editado pela Comissão Editorial do Blogue, como uma das obrigações dos obreiros “Satisfazer pontualmente todos os encargos materiais a que forem obrigados por lei e aqueles que assumirem voluntariamente”.
Por seu turno,... Editado pela Comissão Editorial do Blogue... estabelece que “os obreiros são responsáveis pelo pagamento de todas as contribuições aprovadas” e que “as capitações mensais [...] são devidas no primeiro dia do mês a que disserem respeito”, e define Editado pela Comissão Editorial do Blogue que são funções do Tesoureiro:
a) o recebimento das quantias devidas a qualquer título e a guarda dos fundos, valores e títulos pertencentes à Oficina;
b) o pagamento das despesas da Oficina;
c) o registo atualizado da contabilidade da Oficina e o pagamento em dia ao Grande Tesouro das contribuições por esta devidas.

Ao Tesoureiro cabe pois garantir que a Loja de que faz parte se mantém viva e atuante, mediante o zelo pela arrecadação dos recursos devidos pelos Irmãos à Loja e pelo pagamento das contribuições a que a Loja está sujeita, de forma que sejam atendidas as obrigações maçónicas e profanas da Loja.
É por esse motivo que muitos definem o Tesoureiro como sendo ‘o guardador dos metais da Loja’, ou seja, aquele que dispõe dos recursos e dos meios necessários para o cumprimento das obrigações financeiras desta.
Assim procedendo, o Tesoureiro cumpre com suas funções para com a Loja, contribuindo para que os trabalhos decorram de modo justo e perfeito.

22 de maio de 2018

Choremos, Choremos, Choremos!


Cerimónias Fúnebres do Past Grão-Mestre António Arnaut.
21 de Maio:
18h30 – Chegada do féretro ao Convento de São Francisco, na cidade de Coimbra
21h00 – Chegada do Grão-Mestre Fernando Lima (se as condições o permitirem realizar-se-á uma Cadeia de União)
22 de Maio:
16h30 – Cortejo Fúnebre com destino ao Centro Funerário da Figueira da Foz.
18h00 – Cremação em cerimónia reservada
Grande Secretário-Geral
 

16 de maio de 2018

RITUAL E TRADIÇÃO


A Kabbalah não é judaísmo e não é religião, mas também não é um culto de new age. A Kabbalah emergiu na cultura judaica como um conjunto de técnicas ligadas à filosofia especulativa, à cosmogonia e à alquimia. Porém, a Kabbalah, não sendo em si uma religião, acabou por formar o esqueleto da religião judaica.
A N:.A:.O:. e o nosso Rito Escocês Antigo e Aceito é de tradição cabalística, o que significa que a tradição iniciática que seguimos e praticamos, parte do conhecimento da Kabbalah enquanto filosofia e não como religião.
A nossa tradição é cabalista porque nasceu no seio da cultura mediterrânica, partilhada por três grandes tradições com mais de dois mil anos de convívio: a tradição judaica, a cristã e a islâmica. Em todas as três podemos encontrar marcas profundas da mesma Kabbalah.
Mas o que é verdadeiramente a Kabbalah? Como ela se encontrar enraizada na Maçonaria? Como os nossos rituais se ligam à matriz cabalística? Qual o fim da Kabbalah na aprendizagem dos maçons?
Estas questões, que são verdadeiramente importantes e fundadoras do perfil da Maçonaria, e da ética do Maçon, devem ser respondidas e aprendidas por todos, desde o Aprendiz ao Mestre. A Kabbalah sempre foi um conhecimento reservado e discreto, e na antiguidade foi exclusivo do sacerdócio e auxiliar da ciência (astronomia/astrologia), da filosofia, da dialética, da lógica, da matemática e da linguística. Desde a sua formação que a Kabbalah sempre foi uma súmula de conhecimento universal, constituindo-se como instrumento hábil do saber e da investigação da vida e do universo.

Eis as razões porque a Kabbalah está na origem de várias ordens iniciáticas, de várias escolas filosóficas e científicas. Desde a antiguidade clássica até hoje podemos encontrar vários pensadores e cientistas que foram cabalistas, e que por terem aprendido o método cabalístico, poderam desenvolver e avançar nos seus estudos. Não só na tradição rabínica, como fora da comunidade judaica, grandes intelectuais e cientistas usufruíram do método cabalístico para resolver vários problemas e questões que de outra forma teriam demorado muito mais tempo ou teriam ficado insolúveis.

11 de maio de 2018

Conferência


O Ritual do Grau de Aprendiz e a Questão Vertente da Possibilidade da Construção do Homem Novo


Esta prancha, pretende refletir e tentar sistematizar, um pouco mais, sobre se será possível construir o homem novo tendo por base o ritual de aprendiz e a filosofia que preside à N:. A:. O:.
Contextualizando, conforme refletia numa anterior prancha de arquitetura uma questão levantada era a de que uma das grandes simbologias maçónicas era a construção do templo interior de cada maçon. E questionava: Mas afinal o que representam estas palavras? E escrevia que talvez o que está por detrás seja algo em construção que nunca nós saberemos o meio mas sim a sua finalidade.
Aquando da feitura da anterior prancha socorri-me do livro de Norberto Bobbio, Teoria Geral da Política, organizado por Michelangelo Bovero, na qual se tentava refletir sobre o seguinte: o ritual de aprendiz leva-nos, falando genericamente, a repensarmo-nos enquanto pessoa, e a prepararmo-nos para algo que gradualmente nos vamos apercebendo noutros graus. Neste contexto, todos nós procuraríamos a ideologia do novo homem. Ora utilizando conceitos do Norberto Bobbio sobre a ideologia do novo homem, utilizei dois conceitos por este autor enumerados: o religioso e o revolucionário.
No primeiro caso porque visa a renovação da sociedade através da renovação do homem. No segundo, pela renovação do homem através da renovação a sociedade. Ou seja, duas formas diferentes de conceber a transformação. Segundo este esquema de pensamento interrogava ainda se não era o que nós procuramos em loja? Isto é, renovarmo-nos enquanto seres humanos para intervir no mundo profano e simultaneamente renovarmo-nos através da renovação da sociedade. Colocava ainda a interrogação se esta não seria uma questão inextricável?
Assim, se forem comparáveis, o religioso e o revolucionário, ambos experimentavam uma insatisfação com tudo o que nos rodeia e talvez ambos creiam, futuramente, num mundo diferente, na qual os homens viverão como irmãos, livres e iguais.
Em suma, poderíamos inferir que tanto o religioso como o revolucionário têm em comum a aspiração de um novo homem. E interrogava ainda: Mas não é o que a maçonaria em geral procura e que em cada loja se trabalha neste sentido?
Ora, tentando dar uma resposta opinava que é nesta busca incessante do aperfeiçoamento biunívoco que, não pretendendo uma interpretação muito abusiva, podíamos interpretar num determinado sentido o princípio ritualístico de que os maços se reúnem em loja para cavar masmorras ao vício, combatendo a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros, e elevar templos à Virtude, glorificando a Justiça, a Verdade e a Razão, ou seja, faz-se trabalho em loja no sentido de nos aperfeiçoarmos interiormente, mas que, este trabalho permita igualmente intervir cada vez melhor no mundo profano.

Também me referia ao filósofo Kant no seu livro “Paz Perpétua e outros Opúsculos”, que identificou a problemática da passagem do ser humano à maioridade, como algo muito difícil, visto que correspondia ao indivíduo começar a pensar por ele mesmo, sendo que, neste processo, surgiam forças contrárias para que este não o fizesse. Em termos heurísticos podíamos cotejar com o que se passa em loja. Nós vimos procurar o aperfeiçoamento interior para aplicar de uma forma frutífera no exterior o nosso labor.
Conforme escreveu Daniel Béresniak no seu livro Judeus e Franco-Maçons – Os Construtores de Templos, o devir é aquilo que os maçons desejam, sendo a “viagem” o que constitui o princípio da iniciação. “Para ver, para saber, para se tornar «melhor e mais esclarecido», para se transformar num «homem livre», ele tem que «talhar a pedra», «ir mais longe», «reunir o que se encontra disperso»”. Desta forma a enunciação destas fórmulas julgámos que permitia pôr em evidência a invenção, a criação, o possível, o imprevisível e não a verdade já dita.

10 de maio de 2018

A Minha Iniciação


Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas. Mais de bondade e ternura que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá- Charles Chaplin
A minha iniciação integrou muitas sensações, emoções e dúvidas. Fui confrontado com um conjunto de símbolos, de cenários e de situações que me estimularam a curiosidade, contribuindo para aprofundar o desejo de saber “tudo” acerca da maçonaria e dos seus mistérios.
No princípio na (editado pela Comissão Editorial do Blogue), na caverna, experienciei um tempo de tensão crescente e senti o meu coração a palpitar energicamente, enquanto que, no meu cérebro, múltiplas sinapses se sucediam a uma velocidade estonteante. Tive algumas dúvidas no preenchimento do questionário e, sobretudo, muitas interrogações acerca do que haveria de escrever (editado pela Comissão Editorial do Blogue).
Estava perante uma situação inédita e, talvez por isso, senti-me momentaneamente apático, sendo que reagi de imediato para me concentrar no que iria acontecer a seguir. A tensão teve novo pico quando fui levado para um local onde ouvi, pela primeira vez, uma voz humana que me colocou algumas questões inquietantes. Nesse momento, procurei adotar, tanto quanto me foi possível, uma atitude forte, decidida e coerente.
De facto, respondi com convicção às questões que me foram colocadas, apesar da agressividade (seguramente intencional) que me chegava através da tal voz. Curiosamente, seguiu-se um dos momentos mais tranquilos que tive neste processo iniciático. De seguida, regressou novamente um turbilhão de sensações fortes resultante das sucessivas viagens, dos sons, dos obstáculos e, enfim, de toda esta acção a que fui sujeito e que me remeteu para uma estranha combinação entre um estado emocional de forte intensidade e uma dinâmica racional de especial lucidez.
A maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar-
Fernando Pessoa

O momento sublime desta experiência iniciática revelou-se quando me destaparam os olhos, dando por mim refletido num espelho.
Nesse momento, invadiu-me uma sensação estranha, de medo, de receio acerca de mim próprio, talvez por ter estado com os olhos vendados durante todo este processo. Ao meu lado estavam pessoas, com espadas apontadas mas, também, com sorrisos tranquilizadores que sugeriam uma atmosfera ambivalente e agridoce. Eis uma imagem que retenho na memória com muita intensidade.
Depois, talvez devido ao facto de terem tirado a venda e de conseguir, finalmente, ver o que se passava à minha volta, fiquei mais tranquilo, seguindo viagem confiante, sendo que, apos estas tempestades emocionais por que passei, senti uma força renovada para continuar em frente.
Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito-William Shakespeare

António Damásio, Apr.'.

9 de maio de 2018

CRIANÇA

Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, mais um Soneto de Adilson Zotovici

Oh quão doce criatura
Que de amar não se cansa
De alva alma tão pura
Marca do amor, da bonança!

Vê-se claro em tua figura
Toda bem-aventurança
Gravado em tua candura
Que do PAI és semelhança

O teu riso é confiança
O abraço desenvoltura
Teus olhos toda pujança

Em ti habita a esperança
Vez que a própria ventura...
Sagrada e terna “criança” !

Adilson Zotovici

5 de maio de 2018

Ferramente de um Iniciado!


Transcrito, com a devida vénia, da Revista Maçónica Virtual "A Arte Real", Ano XII, nº96-Abril/2018
Ferramente de um Iniciado!
 de Francisco Feitosa

Neste momento em que o mundo vive uma dualidade de opiniões, em que se você não for a favor de uma ideia imposta, já é considerado um contrário, adversário, inimigo; onde os interesses de alguns se sobrepõem ao raciocínio das massas - se é que essas fazem uso disso, percebemos uma atmosfera de rancor, de ódio, de desarmonia entre as pessoas. Uma energia pesada, tamásica que, como uma nuvem escura, anuncia uma enorme tempestade a nos envolver, desequilibrando, em muito, o nosso emocional.
A humanidade atravessa o vale das trevas de uma Kali Yuga anunciada, resgatando um Carma Coletivo acumulado por épocas. Tudo o que está acontecendo, nada mais é do que os reflexos de nossas próprias atitudes, em algum momento da história. Se vivemos em determinado país; se somos parte de determinada família, grupo de pessoas, associação ou Ordem, não é por um simples acaso. Tudo está medido, contado e pesado no que preceitua as Leis do Criador.
Este preâmbulo se justifica pelo temário desta edição – Egrégoras. Como citado no Editorial, um assunto abstrato, conhecido de muitos e entendido por poucos, sendo contestado por alguns mais céticos. Nossa ousadia em abordar tal tema, ancora-se na preocupação de seu real entendimento, devido ao desconhecimento de muitos, sobre o poder do pensamento, da força mental emanada em um propósito, que poderá ocasionar consequências terríveis.
Abrimos este texto falando do momento de incompreensão e intolerância em que vive a humanidade. Saber um pouco mais sobre do que se trata o termo “egrégoras”, na prática, poderá lhe ser muito útil para tomar uma postura mental, diante dos mais adversos acontecimentos, além de melhor dirigir as emanações de suas energias mentais, em prol de um determinado propósito, em especial, no interior de nossos templos.

4 de maio de 2018

Efemérides-Maio


Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do LIVRO DAS EFEMÉRIDES –HISTÓRICAS, POLÍTICAS, MAÇÓNICAS E SOCIAIS - 2016
Daniel Madeira de Castro Página 215

MAIO
381 — Reuniu o concílio de Constantinopla com a presença de 150 bispos, para debate da divindade do Espirito Santo, negada pelos arianos e pelo teólogo Máximo, que se auto proclamara bispo. Ao Credo foi acrescentada a fórmula referente ao Espírito Santo, encerrou em Junho sob o governo do papa Dâmaso I, hispânico, secretariado pelo imp. Teodósio e por Jerónimo, que viria a traduzir de hebraico para latim as Sagradas Escrituras.
1790 — Residiu na ilha da Madeira até meados de 1791 o cirurgião francês, Jean Josset d'Orquigny, maçon, contribuindo para a instalação duma segunda loja e tencionando instalar uma terceira, abrindo lugar à constituição da G.L. na Madeira, que nunca se verificou. Acabou sendo preso pela Inquisição e transferido para Lisboa, onde foi julgado.
1812 — O barco a vapor Comet, de Henry Bell atingiu uma velocidade de sete nós.
1814 — O papa Pio VII, regressado a Roma, restaurou a inquisição, reincentivou o índex e a ação dos jesuítas.
1843 — Aprovados os Estatutos Gerais da Antiga e Sublime Ordem da Carbonária Portuguesa, com oito capítulos e setenta e cinco artigos.
1864 – Cisão na Confederação Maçónica Portuguesa liderada por Lobo de Ávila, por demasiada politização da mesma.
1904 — Conferência Mundial do R.E.A.A., em Edimburgo.
1922 – Publicado em Lisboa o primeiro de 10 números da coleção A Novela Vermelha, novelas do ideário anarquista da secção editorial do periódico A Batalha, onde colaboraram Aquilino Ribeiro, Nogueira de Brito, Mário Domingues, Augusto Machado, Julião Quintinha, etc..
1926 — A Loja Montanha, antevendo o avanço da reação proclamou ao povo num manifesto a defesa da república.
1934 — Conferência Mundial do R.E.A.A., em Paris.
1961 – O P.C.P. preparou a fuga de Álvaro Cunhal para o exílio, na eminência de ser preso, atravessou Espanha, direto a Paris, donde viajou de combóio para a Suíça, Genebra ou Zurique, daqui de avião para Praga e finalmente de avião para Moscovo, seu destino final.
1981 — Anunciada a lista por antiguidade dos Supremos Conselhos do R.E.A.A. no mundo, o Sup. Cons. dos Grandes Inspetores Gerais do 33° e Último Grau do R.E.A.A. para Portugal e sua Jurisdição era o 12.° mais antigo, a seguir por ordem a: E.U.A, França, Itália, Espanha, Bélgica, Venezuela, Irlanda, Brasil, Peru, Colômbia e Haiti.
2001 — Reuniu em Madrid, a Conferência Mundial das Grandes Lojas, com a presença de cerca de 500 dirigentes e 80 obediências, entre as quais a G.L. Regular de Portugal, cujo G.M. era José Anes (21/6/1944), que defendeu utopicamente, para Portugal, uma solução como a encontrada em Espanha, a incorporação do G.O.L. na G.L.R.P.. Neste evento foi anunciada a dissolução do G.O. de Espanha, por se ter agrupado à G.L. de Espanha, este sob o malhete de Tomás Sarobe, que anunciou a sua G.L. tinha 3.000 maçons espanhóis.
Daniel Madeira de Castro, M.'.M.'.

2 de maio de 2018

Conferência

3 Maio (5ª feira – 18 e 30)
Entrada é livre

 O Contributo da 1ª Republica  na Defesa e Valorização  do Património
Antonio Valdemar

BIBLIOTECA/MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA
- ESPAÇO CIDADE UNIVERSITÁRIA

Rua Alberto  Souza, 10 A - Zona B do Rego  Tel:217 802 760
Metro: Cidade Universitária

Conferência promovida pela
ASSOCIAÇÃO ACADEMIA HIPÓCRATES
no âmbito do Ano Europeu do Património