Esta prancha, pretende refletir e tentar sistematizar, um pouco mais, sobre se será possível construir o homem novo tendo por base o ritual de aprendiz e a filosofia que preside à N:. A:. O:.Contextualizando, conforme refletia numa anterior prancha de arquitetura uma questão levantada era a de que uma das grandes simbologias maçónicas era a construção do templo interior de cada maçon. E questionava: Mas afinal o que representam estas palavras? E escrevia que talvez o que está por detrás seja algo em construção que nunca nós saberemos o meio mas sim a sua finalidade.
Aquando da feitura da anterior prancha socorri-me do livro de Norberto Bobbio, Teoria Geral da Política, organizado por Michelangelo Bovero, na qual se tentava refletir sobre o seguinte: o ritual de aprendiz leva-nos, falando genericamente, a repensarmo-nos enquanto pessoa, e a prepararmo-nos para algo que gradualmente nos vamos apercebendo noutros graus. Neste contexto, todos nós procuraríamos a ideologia do novo homem. Ora utilizando conceitos do Norberto Bobbio sobre a ideologia do novo homem, utilizei dois conceitos por este autor enumerados: o religioso e o revolucionário.
No primeiro caso porque visa a renovação da sociedade através da renovação do homem. No segundo, pela renovação do homem através da renovação a sociedade. Ou seja, duas formas diferentes de conceber a transformação. Segundo este esquema de pensamento interrogava ainda se não era o que nós procuramos em loja? Isto é, renovarmo-nos enquanto seres humanos para intervir no mundo profano e simultaneamente renovarmo-nos através da renovação da sociedade. Colocava ainda a interrogação se esta não seria uma questão inextricável?
Assim, se forem comparáveis, o religioso e o revolucionário, ambos experimentavam uma insatisfação com tudo o que nos rodeia e talvez ambos creiam, futuramente, num mundo diferente, na qual os homens viverão como irmãos, livres e iguais.
Em suma, poderíamos inferir que tanto o religioso como o revolucionário têm em comum a aspiração de um novo homem. E interrogava ainda: Mas não é o que a maçonaria em geral procura e que em cada loja se trabalha neste sentido?
Ora, tentando dar uma resposta opinava que é nesta busca incessante do aperfeiçoamento biunívoco que, não pretendendo uma interpretação muito abusiva, podíamos interpretar num determinado sentido o princípio ritualístico de que os maços se reúnem em loja para cavar masmorras ao vício, combatendo a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros, e elevar templos à Virtude, glorificando a Justiça, a Verdade e a Razão, ou seja, faz-se trabalho em loja no sentido de nos aperfeiçoarmos interiormente, mas que, este trabalho permita igualmente intervir cada vez melhor no mundo profano.
Também me referia ao filósofo Kant no seu livro “Paz Perpétua e outros Opúsculos”, que identificou a problemática da passagem do ser humano à maioridade, como algo muito difícil, visto que correspondia ao indivíduo começar a pensar por ele mesmo, sendo que, neste processo, surgiam forças contrárias para que este não o fizesse. Em termos heurísticos podíamos cotejar com o que se passa em loja. Nós vimos procurar o aperfeiçoamento interior para aplicar de uma forma frutífera no exterior o nosso labor.
Conforme escreveu Daniel Béresniak no seu livro Judeus e Franco-Maçons – Os Construtores de Templos, o devir é aquilo que os maçons desejam, sendo a “viagem” o que constitui o princípio da iniciação. “Para ver, para saber, para se tornar «melhor e mais esclarecido», para se transformar num «homem livre», ele tem que «talhar a pedra», «ir mais longe», «reunir o que se encontra disperso»”. Desta forma a enunciação destas fórmulas julgámos que permitia pôr em evidência a invenção, a criação, o possível, o imprevisível e não a verdade já dita.





