Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

2 de maio de 2018

Conferência

3 Maio (5ª feira – 18 e 30)
Entrada é livre

 O Contributo da 1ª Republica  na Defesa e Valorização  do Património
Antonio Valdemar

BIBLIOTECA/MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA
- ESPAÇO CIDADE UNIVERSITÁRIA

Rua Alberto  Souza, 10 A - Zona B do Rego  Tel:217 802 760
Metro: Cidade Universitária

Conferência promovida pela
ASSOCIAÇÃO ACADEMIA HIPÓCRATES
no âmbito do Ano Europeu do Património

27 de abril de 2018

FREQUÊNCIA


Com a devida vénia e repectiva autorização transcreve-se mais um Soneto de Adilson Zotovici:

Carece atenção e cuidado
Essa questão de frequência
Que se tem observado
Com acinte e Irreverência

Um assunto delicado
Diria de muita urgência
Com abrangência  tratado
A razão de tanta ausência !

Mormente um iniciado
Pedra bruta em indolência...
Decerto há algo errado

Neófito em florescência
Quiçá um desmotivado...
Por nossa própria dormência  !?!

Adilson Zotovici

26 de abril de 2018

Da História e do Conceito da Eutanásia

 
como afirmou SIMONE DE BEAUVOIR,

“…todos os Homens são mortais, mas para cada Homem a sua morte é um acidente e,  mesmo que ele a conheça e consinta, uma violência indevida  (1)
nunca esqueçamos que ante a insinuação dum assassínio piedoso, em nenhuma circunstância, e sob nenhuma pressão, devem os Médicosdar drogas venenosas a alguém, nem jamais sugerir tal conselho” … reza o Juramento de HIPÓCRATES(2)

Vida Biológica não se identifica com Vida Humana. Pode haver Vida Vegetativa depois de ter desaparecido, de todo, o rastro de Vida Humana... (3)

Comecemos pela “Declaração de GENEBRA da Associação Médica Mundialrevista em Outubro de 2017  na passada 68ª Assembleia - CHICAGO (EUA) .
Aí se afirma, entre outros compromissos, que o MÉDICO se obriga

“… - a considerar a SAÚDE e o BEM-ESTAR do seu DOENTE como as primeiras preocupações;

… - a RESPEITAR a Autonomia e a Dignidade do seu DOENTE;

… - a GUARDAR o máximo respeito pela Vida Humana;

… - a EXERCER a profissão com Consciência e Dignidade e de acordo com as boas práticas médicas;

… - a PARTILHAR os seus conhecimentos médicos em benefício dos Doentes e da melhoria dos Cuidados de Saúde…” (4).
#  Definições

LUCÍLIA NUNES recorda-nos o “…significado GREGO de “EUTHANASIA” (morte serena, agradável)…”  (5) também chamada de boa morte como nos explica DIEGO GRACIA: “…há situações de tal deterioração, por exemplo física, que o atingimento desse ideal…” o “…da felicidade ou da plenitude vital  (a “eudaimonia” de ARISTÓTELES)…” (6) se torna impossível “…pelo que os filósofos antigos, sobretudo os Estóicos, consideraram que nesses casos o dever moral era o de não morrer indignamente…e que o correto era buscar a boa morte (e isso significa “eutanásia”)…” (7).

Mas LUCÍLIA NUNES lembra-nos que “…hoje se define eutanásia como a ação iniciada por um Profissional de Saúde para pôr termo à Vida de uma Pessoa, a seu pedido…” (8) e que”… a Morte é deliberadamente provocada, sendo que a Pessoa solicita a Morte e um Médico a realiza, cumprindo um conjunto de requisitos e procedimentos…” (9). Mais nos lembra que “…suicídio assistido...define o processo em que  uma Pessoa quer pôr termo à         <sua> Vida e outra Pessoa põe os meios à <sua>  disposição, sendo que <é> o próprio que realiza o ato...” (10).
#  História antiga

Sabemos que “…ESPARTA se “libertava” dos débeis, que os BRÂMANES abandonavam as Crianças na selva e <que> vários Povos da Polinésia …”davam a morte” aos anciãos e praticavam infanticídio por hábito quando os filhos excediam um certo número…” (11). Fica, assim, claro o desprezo pelo Ser Humano quer pela velhice e consequente falta de produtividade, quer pelo excesso de filhos e consequente falta de capacidade para o seu sustento.  Da mesma forma o uso eugénico da eutanásia “… para “acabar” com os monstros, os Doentes incuráveis e crónicos, os delinquentes graves e os loucos … e ainda os inúteis e pouco produtivos…” (12) foi  prática por este Mundo fora. Sê-lo-á ainda hoje? Há , também, que ter  em conta o conceito de “…assassínio piedoso…” (13), isto é, o outrora  efetuado em contexto de grande sofrimento do Doente sem que a Medicina ou a logística da época (técnica e outra) permitissem o seu controle, designadamente em PORTUGAL tal como  a descrição do “…ato de “homicídio ritual”  praticado por cristãos-novos nos agonizantes…“ (14). Noutras culturas, como a dos CELTAS e a da BIRMÂNIA, “…enforcavam os Doentes sem salvação…” (15) e na dos “…Povos ESCANDINAVOS, ESLAVOS ou das Ilhas FIDGI … se “punha termo”,  além dos anciãos, … aos Doentes que os sobrecarregavam…” (16). Tudo isto nos leva à Moral e à Ética com o preceito de que “…não matarás (evocado por MOISÉS no “Decálogo”)…” (17) ou ainda com a prática dos Princípios da Beneficência e da não-Maleficência,  sistematizados nos primórdios da Ética principialista dos anos 70 do século XX.

25 de abril de 2018