Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
6 de janeiro de 2018
A Arte da Memória e a Maçonaria
Transcrito, com a devida vénia, do Blogue «O Ponto Dentro do Círculo»
Quando um candidato entra no caminho iniciático da Maçonaria, uma das primeiras coisas que ele descobre é que há uma grande quantidade de memorização envolvida. Os oficiais executam o ritual de memória, e longas palestras memorizadas lhe são apresentadas. Finalmente, talvez para sua consternação, ele descobre que deve memorizar um diálogo antes que possa avançar para o próximo grau.
Por que a memorização é tão importante em Maçonaria? Como a prática de decorar o ritual entra na Maçonaria? A memorização ainda tem valor nos tempos modernos? Considerando a importância tradicionalmente dada à memória na Maçonaria, surpreendentemente pouco foi escrito sobre isso. Uma busca em enciclopédias maçônicas e livros de referência revela praticamente nada.
Um dos poucos livros a lidar com as origens da memorização na Maçonaria é As Origens da Maçonaria, o século da Escócia 1590-1710, de David Stevenson[1]. Stevenson ressalta que as primeiras referências à memória na Maçonaria ocorrem nos Estatutos Schaw.
William Schaw foi nomeado Mestre de Obras do Rei para James VI da Escócia (mais tarde James I da Inglaterra) em 1583. Como Mestre das Obras, Schaw era membro da corte real e era responsável pela manutenção de todos os edifícios reais. Em 1598 e 1599, Schaw emitiu regulamentos para os serviços de construção na Escócia. Eles continham basicamente os regulamentos de saúde e segurança, mas também tratavam de regras para a organização dos pedreiros trabalhadores[2].
Os Primeiros Estatutos Schaw, de 1598, exigiam a seleção de Aintenders (instrutores) para cada novo companheiro em sua admissão. As atas iniciais das lojas de Edimburgo e Haven de Atchison mostram que geralmente eram os companheiros mais recentemente admitidos que eram selecionados como instrutores. Como os candidatos teriam que provar sua proficiência técnica antes de serem admitidos, parece razoável supor que a função de intendente era instruir o novo companheiro em trabalho secreto. Isto é confirmado pelo Manuscrito Dumfries no. 3 do século XVII, que diz:
“Então, deixe a pessoa que, então, é feita um maçom, escolher da loja um maçom que deve instruí-lo naqueles segredos que nunca devem ser escritos, e ele o deve chamará Tutor. Então seu tutor o levará para o lado e lhe mostrará todo o mistério, e, em seu retorno, ele pode exercitar com o restantes de seus colegas pedreiros.”[3]
A primeira referência explícita ao uso da memória na Maçonaria está nos Segundos Estatutos Schaw de 1599:
“[O] Vigilante da Loja…testará a arte da memória e ciência dela de cada companheiro e cada aprendiz de acordo com a sua vocação e, caso tenham perdido algum ponto dela…pagará a penalidade como segue por sua preguiça…”
Aqui, Schaw está criando uma regra especial em que todos os membros da Loja devem ser testados anualmente quanto à capacidade de memorizar algo. Infelizmente, não está claro o que é, mas parece ter algo a ver com o ritual e as cerimônias da loja[4].
Nós sabemos pouco sobre o ritual na Escócia no período em torno de 1600. Os primeiros materiais escritos datam de cerca de um século depois. Quaisquer que sejam os detalhes do ritual, isso era visto de alguma forma ligado ao esotérico. Este pode ter sido um dos fatores que atraíam homens que não eram pedreiros para se juntarem à organização. Uma prova que mostra como a Maçonaria era considerada no início do século XVII é um poema de George Adamson, The Muses Threnodie, publicado em 1638, após a morte de Adamson, mas provavelmente escrito por volta de 1630. Contém as seguintes linhas:
Porque o que pressagiamos não está em bruto,
Porque nós irmãos da Rosa Cruz;
Temos a Palavra do Maçom e segunda vista,
Coisas por vir podemos contar certo.[5]
3 de janeiro de 2018
Efemérides-Janeiro
Transcrito, com a devida vénia e respectiva autorização, do LIVRO DAS EFEMÉRIDES –HISTÓRICAS, POLÍTICAS, MAÇÓNICAS E SOCIAIS - 2016
Daniel Madeira de Castro Página 11
JANEIRO
1742 — Iniciado maçon em Frankfurt numa Loja da Ordem Templária, Karl Gotthelf Hund, barão von Hund, onde lhe foram transmitidos os segredos da chamada Maçonaria Templária. Em 1760 fundou em Unwerden uma Loja e um Capítulo e sobre esta base criou a chamada Estrita Observância Templária, a qual se desenrolou numa assembleia das Lojas de Kholo em 1764, com quatro graus: Aprendiz, Companheiro, Mestre e Mestre de S. André, seguidos pela ordem interna: Escudeiro Noviço, Cavaleiro da Cidade Santa, Cavaleiro Professo e Grande Professo. Implantados em França a partir de 1773, sob as ordens do barão de Weiler, que constituiu vários diretórios distritais, elevado a Mestre em 20/2/1743.
1851 – Um grupo de lojas do G.O.L. liderados por João Rebelo da Costa Cabral criaram o Grande Capítulo Central da Maçonaria Lusitana.
1868 – Nascida na Irlanda em 1842 Edith O’Gorman, emigrou para os E.U.A. e juntou-se em 1862 às Irmãs da Caridade no St. Joseph Convent em Hudson City, onde tomou o nome de irmã Teresa de Chantal, neste mês fugiu do convento e escreveu em 1871 o livro O Convento Desmascarado, que se tornou um best-seller e foi mesmo editado em Portugal, onde descreveu a vida cruel e dura que viveu enclausurada, converteu-se ao protestantismo em 1869 e vendeu mais de 300 mil exemplares do livro, casou-se com William Auffrey, lastimou ter sido alvo de sucessivas tentativas de assassinato ao longo de 15 anos. Em Inglaterra gerou uma campanha dos anglicanos contra os conventos católicos e protestos pela violência vivida no seu seio. Morreu em 1919.
1875 — Saiu em Coimbra o primeiro número da revista maçónica O Reformador, de que foram publicados cinco números até maio, uma iniciativa local da Loja Perseverança.
1888 — Dado à Trav. do Guarda-Mor, em Lisboa, o nome de R. do Grémio Lusitano, por ação de Elias Garcia junto da C. M. de Lisboa (19/8/1937).
1904 — Inaugurado em Lisboa, o cinema Ideal, no Loreto, o mais antigo da cidade.
1910 — Fundada em Lisboa uma associação de inspiração maçónica, a Sociedade de Estudos Pedagógicos, na Rua da Fé, 53-1º, saída da Academia de Estudos Livres, com o objetivo de estudar o desenvolvimento da criança, nas suas diferentes componentes, extinta em 1935 legou o seu património à Sociedade A Voz do Operário. Além da qualidade da reflexão produzida em suas reuniões, também reuniu os principais nomes da pedagogia portuguesa do período. Entre seus cerca de 100 membros estavam Antônio Sérgio, Adolfo Lima, Ferreira Simas, Sá Oliveira, João de Deus Ramos (filho do poeta e inventor da cartilha João de Deus) e João de Barros, entre outros.
1912 – A Loja Montanha tomou a iniciativa de fundar a Univ. Livre, dirigida por Alexandre Ferreira, maçon.
1913 — Uma série de incidentes envolvendo a Loja Paz e o Conselho da Ordem do G.O.L., levou a intervenções policiais e judiciais, num processo que afetou o prestígio da Maçonaria, com assaltos, altercações e desvios de documentos.
1923 – Em Paris cerca de 2.000 comunistas afirmaram preferir o esquadro e compasso à foice e martelo, tendo o Conselho da Ordem do G.O. de França criticado fortemente “os maçons que obedeciam servilmente a uma organização dogmática, perdendo assim a sua qualidade de homens livres”.
1924 – Publicado em Lisboa o primeiro número da Lvsitania – Revista de Estvdos Portvgveses, até outubro de 1927, "Para além da alta importância que têm, ainda hoje, artigos eruditos como, logo na abertura da revista, o da directora acerca do judeu Uriel da Costa; ou os dois volumes temáticos – o camoniano e o in memoriam da, entretanto, falecida mentora da revista –; é de chamar a atenção para
a polémica aí fervilhante entre António Sérgio e António Sardinha e que se estendeu às páginas da Seara Nova e da Nação Portuguesa. Contaram-se entre os colaboradores Jaime Cortesão, Ricardo Jorge, Afonso Lopes Vieira, Jaime de Magalhães Lima, Reinaldo dos Santos, Joaquim de Vasconcelos, Pedro de Azevedo, Wenceslau de Morais, Manuel da Silva Gaio, J. Leite de Vasconcelos, etc.".
1926 – Publicada em Lisboa a revista quinzenal Ilustração, num total de 336 números até dezembro de 1939, dirigida por João da Cunha de Eça, revista de temática diversificada arte, literatura, história, moda, situação da mulher, com muitas ilustrações, de artistas de nomeada, como Abel Salazar, Carlos Reis, Emérico Nunes, Stuart Carvalhais, Jorge Barradas, entre outros. A colaboração literária é vastíssima, contando com artigos de Lopes de Oliveira, Ferreira de Castro, Ana de Castro Osório, António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, Mário Domingues, Teixeira de Pascoaes, entre muitos outros.
25 de dezembro de 2017
NOITE LOUVADA
Com a devida vénia e respectiva autorização mais um poema de Adilson Zotovici

A dizer-vos muito tenho
A pedir-vos quase nada
D’emoção não me contenho
Nessa noite encantada !
A Vós , óh Senhor, eu venho
Com minha voz embargada
Agradecer-vos me atenho
Por nossa feliz jornada
Manjedoura imaculada
Um inefável engenho
A terra iluminada
Nessa data Consagrada
Graças, Graças, com empenho
É NATAL...noite louvada !
Adilson Zotovici
23 de dezembro de 2017
Natal 2017
A comissão Editorial do Blogue deseja Boas Festas a todos os seus leitores e colaboradores.
A Quadra Natalícia tem vários significados esperando que os humanos, quando querem, façam aquilo que tão bem sabem fazer, a saber: o respeito mútuo por todas as interpretações.

Procura Iniciática, Transmissão e Ritual - reflexões
I – Introdução
O caminho que nos é proposto no dia da nossa Iniciação tem por fim fazer-nos passar dum estado considerado "inferior" a um estado "superior “ de consciência, lançando a ponte para o contínuo aperfeiçoamento interior, a caminho do Conhecimento e da Luz, que deve guiar todos os Maçons. Isto é verdade para todos os Ritos, por forma a admitir e elevar os seus adeptos a um grau de conhecimento de certos mistérios, pela entrega das chaves que dão acesso aos dados fundamentais, traçando o caminho a seguir para alcançar as etapas progressivas desse mesmo conhecimento.
Este percurso exige um caminho que desce até o fundo de nós mesmos, via do Conhecimento, indo de " nós mesmos para nós mesmos”. Daí a importância dos Ritos de Iniciação e dos Mitos, que representam os perigos, as armadilhas a evitar para alcançar a visão salvadora do Ser, mas não a do Ter. Daí os perigos dum caminho iniciático, de cariz marcadamente pessoal , caracterizado pelo acesso individual e único, aliado à compreensão dos símbolos, fora de todo o método ou "escolas" tradicionais…
Segundo D. Béresniak (7) : “Enfrentar o medo é uma constante de todos os Ritos Iniciáticos de todos os tempos sendo a sua abolição a primeira etapa para o Despertar. Moral, conhecimento e amor são indissociáveis deste processo”…. “A reflexão sobre os símbolos é o trabalho mais importante que se efectua na Maçonaria não esquecendo que a leitura e a escrita são formas superficiais de uma conversação”.
No desenvolvimento da procura iniciática, o Ritual desempenha um papel primordial, mas apesar da sua inquestionável importância, não será o único vector a ter em conta, já que apesar de representar o guia e o fio condutor do trabalho maçónico em Loja, o objectivo da procura iniciática não se restringe estritamente a ele.
O trabalho que procurámos estruturar é um tributo a dois reconhecidos autores e estudiosos maçónicos, I. Mainguy e Victor Guerra (felizmente ainda vivos) para além do (para nós) sempre presente D. Béresniak, (conforme indicado na bibliografia). Representa uma ligação entre perspetivas independentes, mas que se complementam, construindo o fio condutor do caminho que perspectivamos. Deste modo os erros ou inconsistências que possam existir, serão por certo da nossa inteira responsabilidade.
Atenda-se (e entenda-se) que o Simbolismo maçónico é o elemento fundamental do pensamento iniciático, de que não se pode fazer uma intelectualização redutora. Deve ser acima de tudo um processo de conhecimento e o instrumento da transformação interior do homem. Enquanto que a linguagem da razão é necessáriamente limitada, "o Simbolismo, enquanto suporte da intuição transcendente, abre possibilidades verdadeiramente ilimitadas" (René Guénon, «Perspectivas sobre a Iniciação») (2).Face ao papel primordial do simbolismo maçónico, recordamos (de novo) D. Béresniak (5), ao afirmar : “A Iniciação ao pensamento simbólico não é mais que um utensílio intelectual que ajuda a indagar por que razão tais representações gráficas podem estar associadas a determinadas reflexões.
Os símbolos que o Maçom usa fazem parte de um fundo comum à humanidade mas a maneira particular de os combinar, essa, é específica da Maçonaria” (“L’Apprentissage Maçonnique - Une École de L’éveil»).
21 de dezembro de 2017
Solstício Inverno 2017
Este ano o Solstício de Inverno, ponto da eclíptica em que o Sol atinge a posição mínima de afastamento (altura) em relação ao equador, ocorre no dia 21 de Dezembro às 16h 28min.
Este instante marca o início do Inverno no Hemisfério Norte, estação mais fria do ano. Neste dia, o sol no plano da eclíptica passará pela declinação mínima (latitude ao equador) de -23° 26′ 5″, atingindo o máximo de fluxo de energia solar (J/m2) no hemisfério sul do planeta. Produz também um dos dias mais curtos do ano no hemisfério norte.
Esta estação prolonga-se por 88,99 dias até ao próximo Equinócio que ocorre no dia 20 de Março de 2018 às 16h 15min.
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