Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

20 de junho de 2016

Perspectiva histórica da transição da maçonaria operativa para a maçonaria especulativa


De todos os debates sobre a história da maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. Este tema surgiu no início dos anos setenta, na Escócia, e em  França  através de  Roger Dachez com a divulgação de dois longos artigos publicados na revista Renaissance Traditionnelle, em 1989.

O simples fato de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de se mencionar a ausência de filiação directa com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reacções abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade. Vários autores em diferentes trabalhos, consideraram útil mencionar este debate, já dado como inevitável e que, portanto, era preciso examinar, pelo menos, as teorias da substituição e a teoria clássica da transição, julgadas igualmente dignas dentro da Maçonaria.

Em 1947 dois grandes historiadores britânicos da Maçonaria, Knoop e Jones, expressaram no prefácio da primeira edição da sua principal obra, A Gênese da Maçonaria, o seguinte: “embora até agora tenha sido habitual pensar a história da Maçonaria como uma questão totalmente separada da história comum, justificando, assim, um tratamento especial, nós achamos que se trata de um ramo da história social, do estudo de uma determinada instituição social e das ideias que estruturam esta instituição, e que se deve abordá-la e escrevê-la exatamente da mesma maneira que a história de outras instituições sociais.”

Assim como a história de certas religiões e igrejas, quando tratada com a objetividade às vezes dolorosa do historiador, leva a conflitos com os que se recusam a olhar para a sua própria história, também a “história secular” da Maçonaria não tem conseguido a adesão  unânime dos maçons. Durante mais de 15 anos, John Hamill no seu trabalho História da Maçonaria Inglesa, publicado em 1994, após um profundo trabalho de revisão do original The Craft, expressava claramente esta dificuldade: “Há, portanto, dois tipos de abordagens para a história maçónica: a abordagem propriamente dita, como “autêntica” ou científica, segundo a qual uma teoria se fundamenta e é desenvolvida a partir de factos verificáveis ou de documentos, e uma abordagem dita

18 de maio de 2016

CHOREMOS; CHOREMOS; CHOREMOS

Informo-vos ter partido, ontem, terça-feira, 17 de Maio corrente, pela manhã, para o Or:. Eterno o nosso M:. Quer:. e Resp:. Ir:. António Roseiro.

O féretro do nosso  M:. Quer:. e Resp:. Ir:. será transferido para o Pal:. Maç:., ao Or:. de Lisboa, onde ficará, a partir das 16h00 de hoje, apenas acessível à família de sangue.

Amanhã, quinta-feira, 19 de Maio corrente, entre as 14h00 e as 24h00, ficará em câmara ardente, então, acessível aos Resp:. IIr:. que ali lhe queiram prestar uma última homenagem.

A Cerimónia de Cremação realizar-se-á na próxima sexta-feira, 20 de Maio corrente, pelas 14h00, no Cemitério de Vale Flores, Rua de Vale Flores, no Feijó, Almada.

11 de maio de 2016

Globalização, Sociedade em Rede e Maçonaria – perspectivas e interrogações


I – Introdução
Nas reflexões éticas e filosóficas que fazemos, procuramos manter permanentemente vivos os objectivos do nosso trabalho, questionando:
É assim que me contruo plenamente como ser humano?  É esta a sociedade que permite o desenvolvimento integral do ser humano?

Se resolver a primeira é cumprir o caminho iniciático da Maç:. a segunda corresponde em manter o comprometimento com o papel do homem na sociedade e no mundo.   Como o iremos fazer nestes tempos simultaneamente   difíceis e desafiantes marcados pela Globalização,  é o que pretendemos lançar à reflexão.  

Segundo o sociólogo( polaco)  Zygmunt Bauman (10) a globalização é  a desvalorização da ordem enquanto tal”, já que pode ser considerada como subversão dos territórios por obra do mercantilismo, dividindo mais do que une, já que cria uma diversidade cada vez maior entre quem possui («the haves») e quem nada tem («the have-nots»). Para o intelectual (malaio) Martin Khor (10) a globalização representa simplesmente «uma versão actual do colonialismo», já que não sendo «natural» representa antes um “projecto preciso para tornar governos e indivíduos subalternos às forças de mercado”, uma vez que a soberania popular que se exprime através da eleição dos parlamentos e governos é minada pelo enorme poder das multinacionais  e das organizações internacionais, actuando como escudo e protecção daquelas.
Uma abordagem mais favorável é a de Thomas Friedman (10) que define a globalização como “a inexorável integração dos mercados, estados-nações e tecnologias a um nível nunca antes atingido, com a consequência de permitir aos indivíduos, empresas e estados-nações estender a própria acção por todo o mundo mais rápida e profundamente e com menor custo do que alguma vez foi possível anteriormente”.

10 de maio de 2016

Uma Nova Cronologia para o Templo de Salomão

 
Ao longo de mais de trinta anos tenho-me deparado com as incongruências da história contadas pelos homens de várias gerações. Enquanto aprendiz de historiador, nos anos que passei pela Faculdade de Letras de Lisboa, memorizei datas coligidas e determinadas pelos historiadores de várias épocas, sem que me fosse dado o direito de as discutir, ou de até mesmo de as verificar.

Partindo de fronteiras temporais diferentes, com tendências políticas que forjaram as datações e ocultaram displicentemente os factos, aqueles historiadores e cronistas destruíram evidências, para que os acontecimentos se encaixassem num lógica cronológica de um tempo exageradamente religioso e político. Uma história quadrada, certinha, arranjadinha, segundo a ordem de um mundo dado à partida, não pelo universo, não como expressão de um Grande Arquitecto, mas de um artífice disforme com a aparência de um ogre, traidor até à medula, do qual descendem os historiadores e os políticos que nos avassalaram a liberdade no séc. XX e que arruinaram o Ocidente durante pouco mais de um século.

É certo que o homem faz a história, fabrica documentos e artefactos, mas igualmente os distorce perversamente, com intenções que muitas vezes contradizem o rumo da história, tentando apagar um passado que não corresponde à realidade vivida pela humanidade. É neste sentido que o passado igualmente se revela como uma fractal, não apenas o presente e o futuro. Sim, a deliberada acção dos cronistas e historiadores comprometidos com as instituições religiosas e políticas, sempre expressaram a futilidade de abdicar da ética e da deontologia, a troco de sestércios e dobrões de ouro; Hipátia foi vítima desta corja de falseadores, que construíram os Estados ditadura e um dos sistemas religiosos mais perversos da história da humanidade corrente, o cristianismo ocidental.