De todos os debates sobre a história da maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. Este tema surgiu no início dos anos setenta, na Escócia, e em França através de Roger Dachez com a divulgação de dois longos artigos publicados na revista Renaissance Traditionnelle, em 1989.
O simples fato de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de se mencionar a ausência de filiação directa com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reacções abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade. Vários autores em diferentes trabalhos, consideraram útil mencionar este debate, já dado como inevitável e que, portanto, era preciso examinar, pelo menos, as teorias da substituição e a teoria clássica da transição, julgadas igualmente dignas dentro da Maçonaria.
Em 1947 dois grandes historiadores britânicos da Maçonaria, Knoop e Jones, expressaram no prefácio da primeira edição da sua principal obra, A Gênese da Maçonaria, o seguinte: “embora até agora tenha sido habitual pensar a história da Maçonaria como uma questão totalmente separada da história comum, justificando, assim, um tratamento especial, nós achamos que se trata de um ramo da história social, do estudo de uma determinada instituição social e das ideias que estruturam esta instituição, e que se deve abordá-la e escrevê-la exatamente da mesma maneira que a história de outras instituições sociais.”
Assim como a história de certas religiões e igrejas, quando tratada com a objetividade às vezes dolorosa do historiador, leva a conflitos com os que se recusam a olhar para a sua própria história, também a “história secular” da Maçonaria não tem conseguido a adesão unânime dos maçons. Durante mais de 15 anos, John Hamill no seu trabalho História da Maçonaria Inglesa, publicado em 1994, após um profundo trabalho de revisão do original The Craft, expressava claramente esta dificuldade: “Há, portanto, dois tipos de abordagens para a história maçónica: a abordagem propriamente dita, como “autêntica” ou científica, segundo a qual uma teoria se fundamenta e é desenvolvida a partir de factos verificáveis ou de documentos, e uma abordagem dita








