Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

8 de janeiro de 2015

Cabala e Maçonaria: que dimensões comuns?


Agora que me é dada a responsabilidade de apresentar esta segunda Prancha, não posso deixar de reiterar o meu agradecimento pelo apoio e a paciência que todos demonstram, para com a lentidão do esforço continuado de transformar esta pedra bruta numa pedra que, embora com muitas arestas por suavizar, poderá continuar a aspirar a vir a ter forma.

Fiz esta prancha no sentido de partilhar um fenómeno e um profundo interesse que tem acompanhado a minha vida, faz alguns anos, e ainda antes de me ter sido dada oportunidade de crescer beneficiando do contacto com os valores e momentos de reflexão que me permite a Nossa Augusta Ordem.

Trata-se do interesse que desenvolvi, na modéstia das minhas limitações, pela estrutura filosófica de interpretação dos fenómenos do Universo, reconhecido como a Cabala.

Neste primeiro texto sobre o tema, vou apenas introduzir algumas questões essenciais para a nossa reflexão e como marcadores de Futuros textos que gostaria de escrever.

Assim, procuro estabelecer respostas a duas questões centrais:
a) O que é a Cabala e que dimensões têm sido identificadas como comuns com a Maçonaria?
b) Que implicações pode ter a Cabala para o meu caminho como Maçom?

O que é, então, a Cabala?

Pela complexidade da resposta a esta simples pergunta, tem sido argumentado que para chegar a uma resposta, podemos sempre começar por esclarecer antes o que a Cabala não é. Vejamos.

Porquê José César, nome simbólico


Estava eu na câmara de reflexão num ambiente onde tudo ou quase tudo me interrogava e ao que eu ia respondendo ao solicitado e aos objectos que á minha volta pareciam que me questionavam mais, que eu a eles.

Estávamos no ano de 1999 e eu um candidato, profano, a entrar para algo que eu pouco conhecia mas que sabia que era uma Ordem com provas dadas desde há séculos na defesa do primado do homem como ser igual fraterno e livre.

Pouco mais era do meu conhecimento nem a minha curiosidade ser bastante para que até ali me debruçasse sobre a maçonaria em particular.

Eu era um simples médico de família que gostava de participar nos movimentos e associações de carácter cívico e social e politica local.

Participei em todas as associações de pais das escolas dos meus 3 filhos, era presidente, e ainda sou, de uma IPSS, com provas dadas no apoio á família na valência de jovens e idosos.

A minha actividade política foi a nível autárquico em juntas de freguesia e assembleia municipal.
O meu percurso de vida era praticamente este, de forma reduzida.

Club dos Mak


Já muito se escreveu sobre Francisco de Almeida Grandella e os Makavenkos, mas persiste um estigma sobre ambos, a boémia. 

Não se entenderia que um homem como Grandella tenha tido a ideia e decidido fundar, com um grupo de amigos, um Clube com propósitos boémios, e no qual não era possível discutir política ou religião e ainda por cima bem acompanhados por belas raparigas, boa comida, alguma bebida e muita alegria. Tudo isto só pela boémia?

Apresento-vos o Club dos Mak, uma compilação de textos de autores que, como eu, se apaixonaram por figuras tão distintas da sociedade portuguesa:

Começo por Anabela Natário, jornalista, autora do prefácio do livro Memórias e Receitas Culinárias dos Makavenkos, autora também de grandes reportagens sobre FAG, a sua vida e a sua obra; Francisco de Almeida Grandella, contado pelas suas próprias palavras; maçom, republicano, comerciante, industrial, especialista em "marketing", avalista de revoluções, regimes livres e "bon vivant"; António Lopes, maçom, historiador e professor, diretor da Revista Grémio Lusitano. A complementar, alguns blogues e textos vários que vagueiam livremente pela internet, todos eles no sentido de me transmitirem a sua opinião pessoal.

4 de novembro de 2014

Judaísmo e Maçonaria

Existe desde há muito tempo uma profunda confusão que tem levado eminentes historiadores e investigadores da maçonaria a atribuírem o início da nossa Augusta Ordem ao povo de Israel, com referências directas a Salomão, a Hiram Abiff e à construção do Templo. Os judeus estão, portanto, implicitamente ligados aos fundamentos da Maçonaria Operativa e da Construção Sagrada. Pelos menos, é assim que o mito maçónico tem sido continuado e declarado até nós. Os nomes, os sinais, as letras, os graus...


Mas perguntemo-nos se durante a Alta Idade Média, os Maçons Operativos de facto se identificavam com os judeus errantes, que construíam as suas comunidades aqui e ali, ao sabor das rotas de comércio que ligavam o Mediterrâneo ao Cáucaso, aos Balcãs, à Península Itálica, à França e à Península Ibérica?

Meus QQ IIr, a história da Maçonaria Especulativa parece estar irrevogavelmente ligada à história do povo de Israel, como se a própria Maçonaria não tivesse outro passado que não fosse o semita. Mas a Maçonaria Operativa terá ela tido a mesma influência de raiz? Terá sido ela forjada no mesmo Mar de Bronze, onde o sol nascente inundava as planícies, os montes Golan e o Horebe na Palestina? É que construtores de catedrais e de palácios sempre houve, desde o período dos grandes impérios, do Médio Oriente à Ásia do Sul, da Ásia Central ao Sudeste Asiático. E entre estes não houve judeus. Pelo menos é assim que se pensa.

31 de outubro de 2014

O grande Comendador do Templo

Tendo sido incumbido de apresentar uma exposição sobre o nome simbólico que escolhi para proteger a minha identidade no mundo profano, tenho o compromisso moral de vos transmitir em poucas linhas o muito que vos gostaria de dizer, esclarecendo o porquê de ter escolhido este nome, recordando simultaneamente quem foi este brilhante pensador e ilustre maçom, eternizado como Montesquieu, o que farei através de uma evolução cronológica e sintética, salvaguardando contudo as diversas fases do Pensamento e da Obra de Montesquieu. 

Impõe-se contudo, antes do mais, esclarecer principalmente a razão desta minha opção.

Após uma aturada pesquisa sobre proeminentes maçons conhecidos, não foi difícil a escolha desta personalidade, que sempre admirei, e com a qual me identifico em muitos aspectos.

O facto de ser um dos principais filósofos iluministas, cujos ideais de liberdade e igualdade também defendo (porque em meu entender, o homem deve ser livre na sua opinião, livre de consciência, de expressão, e deve promover a igualdade entre os seus semelhantes, quer no acesso à saúde e à educação/ensino, trabalho, quer na supressão de tudo o que for discriminatório ou arbitrário, contribuindo assim para uma sociedade mais justa e perfeita), o inestimável contributo para a extinção dos regimes absolutistas, através da defesa da separação de poderes (legislativo, executivo e judicial), e consequentemente abrindo o caminho para os actuais regimes democráticos, ao ponto de muitos o considerarem o pai das actuais constituições, o facto de também ter a mesma formação académica, e a empatia que com ele criei automaticamente por ter sido Advogado, tornou fácil e decisiva esta minha escolha.

Efectivamente, sendo eu um homem livre e de bons costumes, que cultivo os mesmos princípios e valores defendidos por Montesquieu (aos quais acrescento ainda, a fraternidade, solidariedade e tolerância) não foi difícil a escolha, tantas são as coisas em que com ele me identifico.

13 de outubro de 2014

A escolha do nome simbólico Magalhães Lima


Antes de mais uma pequena nota acerca da escolha do meu nome simbólico, Magalhães Lima. Encontrando-me, aquando da iniciação, no retiro isolado de um compartimento em quase plena escuridão, perante um questionário que tinha numa das suas questões a escolha do nome simbólico, tive a percepção, que posteriormente verifiquei estar errada, de que esta escolha implicava a selecção de um nome de uma individualidade que tivesse pertencido à maçonaria. Ora, de entre aqueles que, por leituras diversas pude ter conhecimento de pertença, o nome que relampejou foi o de Magalhães Lima.

Tal deve-se a uma noção que tinha relativamente ao reconhecimento da importância do seu pensamento na doutrinação e propaganda do ideal republicano nos finais da monarquia e no decorrer da I República Portuguesa. Isto é, seduziu-me, por um lado, por na vida cultural ter assumido o papel de publicista, numa vertente de receptor e divulgador de ideias, numa constante militância pela agitação da consciência da opinião pública, de forma a fortificar os princípios da democracia republicana-socialista, e, por outro, por muitas das questões/problemas que levantou e trabalhou ainda hoje terem uma grande pertinência e se debaterem quotidianamente, tais como, por exemplo, a cultura republicana, moral cívica, secularização da sociedade, liberdade de pensamento e expressão, reformismo social, descentralismo, federalismo europeu, pacifismo, etc.