Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

8 de janeiro de 2015

Porquê José César, nome simbólico


Estava eu na câmara de reflexão num ambiente onde tudo ou quase tudo me interrogava e ao que eu ia respondendo ao solicitado e aos objectos que á minha volta pareciam que me questionavam mais, que eu a eles.

Estávamos no ano de 1999 e eu um candidato, profano, a entrar para algo que eu pouco conhecia mas que sabia que era uma Ordem com provas dadas desde há séculos na defesa do primado do homem como ser igual fraterno e livre.

Pouco mais era do meu conhecimento nem a minha curiosidade ser bastante para que até ali me debruçasse sobre a maçonaria em particular.

Eu era um simples médico de família que gostava de participar nos movimentos e associações de carácter cívico e social e politica local.

Participei em todas as associações de pais das escolas dos meus 3 filhos, era presidente, e ainda sou, de uma IPSS, com provas dadas no apoio á família na valência de jovens e idosos.

A minha actividade política foi a nível autárquico em juntas de freguesia e assembleia municipal.
O meu percurso de vida era praticamente este, de forma reduzida.

Club dos Mak


Já muito se escreveu sobre Francisco de Almeida Grandella e os Makavenkos, mas persiste um estigma sobre ambos, a boémia. 

Não se entenderia que um homem como Grandella tenha tido a ideia e decidido fundar, com um grupo de amigos, um Clube com propósitos boémios, e no qual não era possível discutir política ou religião e ainda por cima bem acompanhados por belas raparigas, boa comida, alguma bebida e muita alegria. Tudo isto só pela boémia?

Apresento-vos o Club dos Mak, uma compilação de textos de autores que, como eu, se apaixonaram por figuras tão distintas da sociedade portuguesa:

Começo por Anabela Natário, jornalista, autora do prefácio do livro Memórias e Receitas Culinárias dos Makavenkos, autora também de grandes reportagens sobre FAG, a sua vida e a sua obra; Francisco de Almeida Grandella, contado pelas suas próprias palavras; maçom, republicano, comerciante, industrial, especialista em "marketing", avalista de revoluções, regimes livres e "bon vivant"; António Lopes, maçom, historiador e professor, diretor da Revista Grémio Lusitano. A complementar, alguns blogues e textos vários que vagueiam livremente pela internet, todos eles no sentido de me transmitirem a sua opinião pessoal.

4 de novembro de 2014

Judaísmo e Maçonaria

Existe desde há muito tempo uma profunda confusão que tem levado eminentes historiadores e investigadores da maçonaria a atribuírem o início da nossa Augusta Ordem ao povo de Israel, com referências directas a Salomão, a Hiram Abiff e à construção do Templo. Os judeus estão, portanto, implicitamente ligados aos fundamentos da Maçonaria Operativa e da Construção Sagrada. Pelos menos, é assim que o mito maçónico tem sido continuado e declarado até nós. Os nomes, os sinais, as letras, os graus...


Mas perguntemo-nos se durante a Alta Idade Média, os Maçons Operativos de facto se identificavam com os judeus errantes, que construíam as suas comunidades aqui e ali, ao sabor das rotas de comércio que ligavam o Mediterrâneo ao Cáucaso, aos Balcãs, à Península Itálica, à França e à Península Ibérica?

Meus QQ IIr, a história da Maçonaria Especulativa parece estar irrevogavelmente ligada à história do povo de Israel, como se a própria Maçonaria não tivesse outro passado que não fosse o semita. Mas a Maçonaria Operativa terá ela tido a mesma influência de raiz? Terá sido ela forjada no mesmo Mar de Bronze, onde o sol nascente inundava as planícies, os montes Golan e o Horebe na Palestina? É que construtores de catedrais e de palácios sempre houve, desde o período dos grandes impérios, do Médio Oriente à Ásia do Sul, da Ásia Central ao Sudeste Asiático. E entre estes não houve judeus. Pelo menos é assim que se pensa.

31 de outubro de 2014

O grande Comendador do Templo

Tendo sido incumbido de apresentar uma exposição sobre o nome simbólico que escolhi para proteger a minha identidade no mundo profano, tenho o compromisso moral de vos transmitir em poucas linhas o muito que vos gostaria de dizer, esclarecendo o porquê de ter escolhido este nome, recordando simultaneamente quem foi este brilhante pensador e ilustre maçom, eternizado como Montesquieu, o que farei através de uma evolução cronológica e sintética, salvaguardando contudo as diversas fases do Pensamento e da Obra de Montesquieu. 

Impõe-se contudo, antes do mais, esclarecer principalmente a razão desta minha opção.

Após uma aturada pesquisa sobre proeminentes maçons conhecidos, não foi difícil a escolha desta personalidade, que sempre admirei, e com a qual me identifico em muitos aspectos.

O facto de ser um dos principais filósofos iluministas, cujos ideais de liberdade e igualdade também defendo (porque em meu entender, o homem deve ser livre na sua opinião, livre de consciência, de expressão, e deve promover a igualdade entre os seus semelhantes, quer no acesso à saúde e à educação/ensino, trabalho, quer na supressão de tudo o que for discriminatório ou arbitrário, contribuindo assim para uma sociedade mais justa e perfeita), o inestimável contributo para a extinção dos regimes absolutistas, através da defesa da separação de poderes (legislativo, executivo e judicial), e consequentemente abrindo o caminho para os actuais regimes democráticos, ao ponto de muitos o considerarem o pai das actuais constituições, o facto de também ter a mesma formação académica, e a empatia que com ele criei automaticamente por ter sido Advogado, tornou fácil e decisiva esta minha escolha.

Efectivamente, sendo eu um homem livre e de bons costumes, que cultivo os mesmos princípios e valores defendidos por Montesquieu (aos quais acrescento ainda, a fraternidade, solidariedade e tolerância) não foi difícil a escolha, tantas são as coisas em que com ele me identifico.

13 de outubro de 2014

A escolha do nome simbólico Magalhães Lima


Antes de mais uma pequena nota acerca da escolha do meu nome simbólico, Magalhães Lima. Encontrando-me, aquando da iniciação, no retiro isolado de um compartimento em quase plena escuridão, perante um questionário que tinha numa das suas questões a escolha do nome simbólico, tive a percepção, que posteriormente verifiquei estar errada, de que esta escolha implicava a selecção de um nome de uma individualidade que tivesse pertencido à maçonaria. Ora, de entre aqueles que, por leituras diversas pude ter conhecimento de pertença, o nome que relampejou foi o de Magalhães Lima.

Tal deve-se a uma noção que tinha relativamente ao reconhecimento da importância do seu pensamento na doutrinação e propaganda do ideal republicano nos finais da monarquia e no decorrer da I República Portuguesa. Isto é, seduziu-me, por um lado, por na vida cultural ter assumido o papel de publicista, numa vertente de receptor e divulgador de ideias, numa constante militância pela agitação da consciência da opinião pública, de forma a fortificar os princípios da democracia republicana-socialista, e, por outro, por muitas das questões/problemas que levantou e trabalhou ainda hoje terem uma grande pertinência e se debaterem quotidianamente, tais como, por exemplo, a cultura republicana, moral cívica, secularização da sociedade, liberdade de pensamento e expressão, reformismo social, descentralismo, federalismo europeu, pacifismo, etc.

O Sagrado e a Ciência


Para quem não faz questão de se preocupar mas que gosta de enriquecer o pensamento por meio do debate sincero e sem primados de dominação que prazer seria de se poder assistir ao diálogo entre Carolus Linnaeus e Charles Darwin, Demócrito e Niels Bohr, Descartes e António Damásio, St. Agostinho e K. Marx e mesmo Jesus o Cristo e F. Nietzsche, aliás como o fizeram na actualidade, na BBC, o Zoólogo Evolucionista Richard Dawkins e o ex-Bispo de Oxford Richard Harries em que abordam sem preconceitos a Criação (lê-se Sagrado) e a Evolução (lê-se Ciência).

Serve esta pequena introdução para me debruçar sobre uma das mais velhas, e paradoxalmente, mais recentes controvérsias que resumo como o Sagrado e a Ciência.

Separadas à nascença muitas mentes brilhantes tentaram re-ligá-las (a palavra Religião vem do Latim relligare que significa tornar a juntar) e desde o pensamento de Diderot (que dizia que o homem só será completamente livre no dia em que o último Rei for enforcado com as entranhas do último Padre) até aos infernais actos como sequência do Paulinismo político (como o célebre matem-nos todos, não-crentes, sábios, mulheres e petizes que Deus reconhecerá os seus e a não menos célebre Inquisição) muita água passou debaixo das pontes.

Clássica e tradicionalmente, o Sagrado, está intimamente ligado a todas as Religiões conhecidas, quer as aceites como maioritárias (Judaico-Cristã, Islamismo, Hinduísmo, Budismo ou Taoismo) quer as que, embora de menor expressão e sem as características Major de uma religião, também fizeram da ligação ao Sagrado uma das suas componentes marcantes (Mitologia dos Ameríndios, Africanos, América do Sul, de muitas ilhas espalhadas pelos Oceanos e Confucionismo).