Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

2 de junho de 2013

Homem Livre e de Bons Costumes

(Do volume Re-Versos)









Homem livre e de bons costumes!
Oníricos os actos não são,
Masturbações intelectuais também não,
Então, iniciática a transformação
Mantida e protegida nos cardumes,

Lisonjeados mas sérios,
Invertendo a noite em dia,
Vencendo defeitos e desvarios,
Reatando a promessa sem apatia
E, justa e tolerantemente, como os rios

Engrossando as avenidas humanas

Dominadas, em anos e anos,
Em igualdade e liberdade por abraços fraternos.

Belo e Feio abraçam-se, pobres,
Ociosos, eruditos, lavradores,
Ninfas, mulheres feitas, nobres
Sem título, todos, intensos colaboradores

12 de março de 2013

José de Almada Negreiros

Almada Negreiros é uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX. Essencialmente autodidata, a sua precocidade levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. Mas a notoriedade que adquiriu no início da sua carreira prende-se acima de tudo com a escrita interventiva ou literária.

Almada teve um papel particularmente ativo na primeira vanguarda modernista, com importante contribuição para a dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu. Sendo a sua ação determinante para que essa publicação não se restringisse à área das letras.

O seu espírito inconformado, e até mesmo de revolta, em relação ao que o rodeia, deve-se em grande parte à sua história. Perde a mãe ainda muito novo e é internado num colégio pelo pai.

Almada põe em tudo aquilo que faz a força da vida, as suas obras são vibrantes, polémicas, mas nunca banais ou capazes de passar despercebidas. A escrita, é a sua arma de arremesso, põe nas palavras a força que as transformam em verdadeiras lanças, capazes de ferir os demais poderes instituídos, os vícios da sociedade e as figuras burguesas, pelas quais, nutre um especial desrespeito e ódio.

28 de fevereiro de 2013

Hermetismo e suas Influências

Um dia, há muitos Séculos atrás, Séneca escreveu: procura a satisfação de veres morrer os teus vícios antes de ti.

Do Hermetismo nada sabíamos senão o que está escrito nas Enciclopédias, pouco interesse nos despertava por ser especulativo, inconsistente, folclórico e transcendente.

Freud dizia que «é o saber não sabido» que invectiva a procura do conhecimento, coisa que na Nossa Augusta Ordem estamos não só habituados como também estimulados de acordo com regras secularmente edificadas e praticadas.


Como, por um lado, estamos num Grau da Instrução Iniciática que nos incita a estudar os contrários para atingir a Luz e, por outro lado, um irmão ter tão bem dissertado sobre a Irmandade Pitagórica, decidimos melhor conhecer uma das grandes influências (a par do referido pitagorismo) que a Maçonaria sofreu ao longo dos Séculos e que ainda hoje, particularmente nas Obediências da América do Sul, é tão seguida e praticada.

Enquadramento histórico. A origem histórica começa com Hermes o conhecido Mensageiro dos Deuses que foi o primeiro a coligir os preceitos fundamentais básicos do conhecimento que haveriam de influenciar Raças, Nações e Povos pois para os Deuses «os homens nada sabiam mas são chamados a tudo conhecer». Foi considerado o inventor das regras estruturais dos 3 mundos (material, espiritual e mental) e transmitiu o seu saber encerrado em símbolos dando instruções para que fossem significados.

23 de janeiro de 2013

A Irmandade Pitagórica e a Maçonaria Portuguesa

“Durante muito tempo se pensou que a Maçonaria especulativa, ou seja, a Maçonaria de tipo actual, derivava directamente, por evolução, da Maçonaria operativa, isto é, das lojas de pedreiros de origem medieval. Esta tese está hoje muito abalada, «explorando-se a possibilidade de que os originadores da Maçonaria especulativa se disfarçassem na aparência de uma organização operativa ou corporação, a fim de encobrir actividades e ideias que, na época, se tornava impossível praticar abertamente». Assim, as primitivas lojas «maçónicas», surgidas na Grã-Breatanha em finais do século XVI e no século XVII, poderiam não ser mais do que associações de convívio político e religioso, opondo-se à intransigência estatal. O seu objectivo primacial teria sido «a promoção da tolerância e a consequente criação de uma sociedade melhor». Outra hipótese, com grandes perspectivas de desenvolvimento, faz remontar a Maçonaria especulativa a associações de socorros mútuos, mais ou menos laicas, surgidas no século XVII e derivadas do convívio interprofissional conseguido em tabernas, botequins, estalagens, etc. Os seus primeiros membros seriam, por isso mesmo, comerciantes. Teria então começado a evolução para uma Maçonaria de tipo filosófico e alegórico.


Para Portugal, não existem ainda estudos sobre associações de qualquer desses tipos, nomeadamente caritativas, onde tendências similares possam ser encontradas. Além das corporações, sabe-se terem existido, no século XVIII sociedade de pedreiros operativos, mas nada se conhece da sua multiplicação e eventuais características especulativas. Também se sabe que a Irmandade de S. Lucas, fundada em 1602, com compromisso em 1609, além de agremiar pintores, arquitectos, escultores, iluminadores «ou outras quaisquer pessoas que professarem debuxo», podia receber gente de distinção nas Armas e nas Letras. Praticamente extinta em 1755, a Irmandade foi reconstituída a partir de 1781 sem grandes resultados práticos. O compromisso de 1792-94 permitia a existência de «protectores», que curiosamente foram o duque e a duquesa de Lafões, recebidos em Maio de 1792.


A Maçonaria portuguesa surge, assim, como um produto de importação de além-Pirinéus. Todavia, mesmo que fosse essa a Maçonaria que vingou e que prosseguiu até aos nosso dias, nada obsta a que uma outra Maçonaria ou «para-maçonaria» de origem e tradições nacionais, tenha existido até finais do século XVIII, como resultado de uma evolução paralela à de outros países. É uma hipótese que os historiadores do futuro terão de admitir e aprofundar” (O. Marques, pp. 17-18).


As tradições do Mediterrâneo Oriental (escolas gregas e latinas, gnósticas, pitagóricas e cristãs) encontram-se no fundamento do pensamento espiritual e filosófico da identidade europeia. Este é um facto que reconhecemos consensualmente, porém não sabemos exatamente como se desenvolveram as confrarias e irmandades, já que elas por natureza, sempre mantiveram uma discrição própria ao labor iniciático.

 A literatura greco-latina, como a medieval e a renascentista, expressam exaustivamente todo o universo iniciático, com ou sem alusões de simbólica pagã, mas igualmente num ambiente cristão, demonstrando assim uma continuidade de tradição e de ritos herdados da síntese elaborada in illo tempore pelo Imperio Romano e pelas diversas comunidades cristãs.

23 de setembro de 2012

Egrégora

Sugeriu-me o Ven:.M:. que pudesse dissertar sobre o significado de Egrégora porque, segundo ele, faria todo o sentido falarmos um pouco sobre o espírito e objectivos a atingir nas nossas Reuniões.
Pesquisando o tema, tentando perceber a mensagem que o Ven:.M:. pretendeu passar, pude chegar a algumas conclusões que convosco partilho e gostaria de colocar à discussão.

Primeiro a palavra. Provém do Grego Egrêgorein e significa Velar, Vigiar. Ao longo dos tempos ela foi utilizada para definir uma entidade resultante da soma da energia psíquica e emocional dos membros de uma qualquer assembleia reunidos por uma qualquer razão.

Naturalmente que esta ampla designação pode aplicar-se a todas as Reuniões de duas ou mais pessoas que se juntem para debater, analisar, contraditar, comungar qualquer conjunto de emoções veiculadas pela palavra, pelo silêncio, ou quaisquer outras formas de expressão.

Na Génese, no Livro dos Reis, Jafé criou o Céu e a Terra, e perante as trevas e o   abismo, pairando sobre a águas, o G:.A:.D:.U:. disse – “Fiat Lux”  e fez-se luz.

Poderemos considerar ser esta a Egrégora primordial?

Sendo Egrégora a energia da soma das vontades de duas ou mais pessoas só será possível entendê-la como uma Egrégora porque o G:.A:.D:.U:. é:

UNO pois não há quem o preceda

DUAL porque concentra o Alfa e o Ómega

TRIPLICE pois congrega a dogmática Santíssima Trindade, Pai, o Filho e o Espirito Santo, numa apropriação por parte dos Cristãos Romanos do conceito de Espirito que era a força de Yahweh, no Antigo Testamento, força essa que impelia os enviados a cumprirem a missão recebida. A partir do Novo Testamento passou a ser a força do Cristão.