Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)

8 de junho de 2012

O silêncio do aprendiz em loja


O silêncio nunca traiu ninguém. Esta afirmação atribuída a Pascal, posiciona bem a questão do significado filosófico do silêncio, por dois motivos: O primeiro porque faz do silêncio um instrumento de fraternidade. Se o silêncio nunca traiu seja quem for, guardar silêncio é uma atitude solidária, fraterna, em relação aos outros. Não falar é não trair.
O segundo motivo é bem diferente: Afirma, mas pela negativa, indo assim no próprio sentido profundo do significado filosófico do gesto de silêncio. Observar silêncio, é praticar, ou afirmar uma acção, que é o silêncio pela ausência de outra acção, ou seja,  o silêncio afirma-se pela acção de não falar.
Ao ficar calado, significo aos outros o meu afastamento, ou a minha recusa da prática das palavras, ou seja dou um sinal de ruptura ou pelo menos de conflito na comunicação com eles.
Mas o próprio silêncio é por si só um discurso, e um espaço com dimensões filosófica, e retórica muito fortes e porventura mais marcadas que muitas frases, por mais elaboradas que sejam.

13 de maio de 2012

Pires Jorge


Um nome que significa Responsabilidade, Tolerância e Solidariedade.

A escolha de um nome simbólico, que nos acompanhará em toda a nossa vida maçónica, tem um significado equivalente ao dos pais quando escolhem o nome dos seus filhos.
A minha opção foi PIRES JORGE. Porquê?
JOAQUIM PIRES JORGE nasceu em Lisboa, em 1907, filho de Pais Camponeses oriundos da região de Castelo Branco (Beira) que, entretanto, tinham migrado para a Capital ficando a viver na Ajuda. 1*
Integrado numa família de fracos recursos económicos começou a trabalhar com 11 anos de idade numa “Fábrica de Cortiça” donde saiu meses depois para ser “Aprendiz de Torneiro numa Oficina de Serralharia” tendo, com essa “profissão”, percorrido mais duas ou três outras oficinas. 2*
Posteriormente, após várias outras peripécias, concorreu à “Banda de Música da Armada” (dados os seus conhecimentos musicais desde os 10 anos,  idade com a qual começou a tocar bandolim) onde foi “1º Clarinete e Saxofonista solista”; usufruiu, mais tarde, duma Pensão de Reforma pelo seu trabalho nessa Banda. 3*

• Da Responsabilidade na organização da luta pela Democracia

Nesse enquadramento militar acabou por participar na “Revolta de 7 de Fevereiro de 1927” na sequência da qual foi deportado para Angola (à data fazendo parte do chamado “Ultramar Português”) durante dois anos. Aí empregou-se na “Banda Municipal” (como Clarinete), deu aulas de música e jogou futebol. 4*

23 de abril de 2012

Viriato


I. Corria… mas devagar…o ano de 180, antes de Cristo.

Numa humilde cabana dos montes Hermínios, (hoje serra da Estrela) situados em plena Lusitânia, ouvem-se os primeiros gritos de um recém-nascido. É o sinal do início de uma grande aventura humana.
Esta aventura virá ser primeiro uma lenda, depois um mito, mais tarde ainda: um verdadeiro símbolo.
Mas nesse primeiro dia de vida a preocupação maior, para os pais foi encontrar um nome para o bébé. O nome escolhido acabou por ser: Viriato.
As referências etimológicas têm origem no latim com um significado ambíguo: portador de adornos ou virias, braceletes… (mas como estamos em plena tribo lusitana não sei se esta será a melhor explicação…).
Ou será portador de virias, entendendo-se por virias, varas ou lanças?
Enfim…a lenda, o mito e o símbolo são as três vertentes de uma mesma realidade.
Sobre o herói Viriato, muito foi dito muito foi escrito, e muito foi, sobretudo  inventado.
Mas concretamente, sobre as suas vitórias contra os romanos, existem relatos escritos como este:
Passo a citar: “o pastor Viriato é natural de Lobriga, hoje Vila de Loriga, no cimo da Serra da Estrela, bispado de Coimbra.
Ao qual, tendo 40 anos de idade, aclamaram rei dos lusitanos, e casou em Évora, com uma nobre senhora, filha de um aristocrata e negociante de gado chamado Astolpas no ano de 147.
Prendeu em batalha ao pretor romano Caio Vetílio, e lhe degolou 4000 soldados.
A Caio Lúcitor, daí a uns dias matou 6000.
Ao capitão Caio Plaucio, matou Viriato mais de 4000, junto de Toledo.
(Abro aqui um parêntesis: em prol da verdade histórica, esperemos que estes 4000 não sejam os mesmos da semana passada)
Mas continuando a citação: -reforçou-se o dito capitão e dando batalha junto a
Évora, prendeu 4000 soldados.
No ano 146 o pretor Claudio Unimano, lhe deu batalha e de todo foi destruído por Viriato que repartiu os despojos pelos soldados, pondo nos montes mais altos da Lusitânia os estandartes romanos.

II. Assim falava de Viriato, ou melhor assim escrevia o bispo-mor do reino de Portugal no ano de 1580.
Mas matar 4000 soldados romanos por semana, tendo isso acontecido de facto, não deve ter sido tarefa muito fácil.

11 de abril de 2012

O privilégio de ter conhecido Carlos Capelas

As memórias que guardo do Eng. Carlos Capelas quando eu era ainda um profano

Nos confins do tempo estarão os antigos processos usados na fundição em areia. Um desses antigos processos foi descrito pelo Engenheiro de fundição Carlos Capelas, num texto que escreveu sobre a construção do Templo de Salomão.
Neste excerto relativo à fundição das Colunas em bronze, Carlos Capelas diz o seguinte:

III – O fabrico das colunas

Infelizmente a Bíblia pouco nos diz quanto ao fabrico das Colunas, mas fala-nos acerca do seu construtor. E se o seu nome Hiram Abiff nos aparece numa obra com a importância da Bíblia, certamente era um artista multifacetado nas várias tarefas que teve de exercer como arquitecto, construtor, engenheiro, escultor, fundidor e gestor, dado que o Templo, por várias vezes teve milhares de trabalhadores.
Assim quanto às Colunas a Bíblia diz: “A primeira tinha dezoito côvados de altura; a sua periferia media-se com um fio de doze côvados. Tinha quatro dedos de espessura e era oca. A segunda coluna era semelhante à outra. Ele fundiu dois capitéis que tinha cinco côvados de altura e eram iguais. E estavam ornados de redes de malha e grinaldas em forma de cadeia; havia sete grinaldas para cada capitel. Para complementar dispôs em círculo, ao redor de cada uma das malhas, duas fileiras de romãs para armar cada um dos capitéis que cobriam as colunas. Os capitéis colocados sobre as colunas do pórtico, tinham a forma de lérias. Com quatro côvados de altura. Os capitéis colocados sobre as duas colunas erguiam-se por cima da parte mais espessa da coluna, além das redes em volta dos dois capitéis, havia duzentas romãs dispostas em círculo”.
Em conclusão as colunas eram iguais, e parece que cada uma delas teria as seguintes dimensões aproximadas: altura do fuste 9,45 m e espessura 80 mm. Isto quer dizer que os elementos da fonte estão certos, parece que o peso de cada uma das colunas em bronze era, aproximadamente de 25 toneladas.
Assim não só o peso de cada coluna, como o fabrico dos moldes em madeira, a preparação da areia de moldação, o fabrico do macho, isto é, o interior da coluna, a moldação de cada uma das peças, isto é, fuste, base e capitel, cada uma destas peças moldadas em areia e, certamente no chão para suportar a pressão da coluna líquida quando do vazamento. Depois o vazamento de toneladas de bronze líquido. A seguir a limpeza da peça, o seu cinzelamento e a colocação na vertical na posição definitiva, tudo isto na época em que foi feito, com a tecnologia existente e as ferramentas ao dispor, certamente que exigiram de Hiram Abiff e seus colaboradores, enorme esforço para se resolverem complexos problemas técnicos de engenharia e para se conseguir a obra de Arte das duas Colunas do Templo de Salomão.

2 de abril de 2012

Hugo Pratt





O Musée de la Franc-Maçonnerie em Paris, está a realizar uma exposição sobre Hugo Pratt (1927-1995) e a sua relação com a Maçonaria.

A mostra inclui mais de 40 aguarelas de Pratt e dezenas de pranchas originais, incluindo diversas do álbum Fábula de Veneza. De acordo com o jornal Le Monde, durante os seus últimos 20 anos de vida, Hugo Pratt fez parte da Loja Hèrmes em Veneza.

A exposição, Corto Maltese ou les Secrets de l'initiation, estará presente ao público até 15 de julho de 2012.