Fiquem vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

(Últimas declarações de Salvador Allende ao povo chileno a 11 de Setembro de 1973, quando os aviões dos generais fascistas já bombardeavam o Palácio de La Moneda)
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9 de janeiro de 2012

Diógenes de Sínope, 404 a 323 a.C.

"A casa de Diógenes", Jean-Léon Gérôme_ 1860
Diógenes «o Cínico ou o Cão» foi um Filósofo Grego nascido em 404 a.C. na cidade de Sínope (Colónia Jónica na Costa do Mar Negro e hoje pertencente à Nação Turca) e pensa-se que morreu em Corinto (Peloponeso) no ano de 323 a.C.
Por ter sido acusado de falsificar a moeda local foi expulso da sua cidade Natal tendo escolhido Atenas para viver.
Foi um dos expoentes máximos de uma das Escolas Menores Pós-Socráticas (a Escola Cínica) fundada por Antístenes de quem foi discípulo apesar de este o ter rejeitado na primeira tentativa de aproximação daquele.
O nome desta Escola não tem uma origem precisa pois sugerem-se duas hipóteses:
1. deriva de um ginásio situado próximo de Atenas, o Cinosargo, onde Antístenes, o seu fundador, ensinava ou 2. derivada da palavra grega Kyon que significa cão.
A Semântica, com o tempo, alargou o significado da palavra «cínico» dando-lhe uma conotação actual que nada tem a haver com a antiga.

A Escola Cínica_ Os seguidores de Sócrates que não atingiram projecção, quer na Academia de Platão quer no Liceu de Aristóteles, juntaram-se em Escolas que foram denominadas como Escolas Menores Pós-Socráticas (Cirenaica, Megárica, Ilíaca e Cínica).
A Escola Cínica foi fundada por Antístenes de Atenas discípulo de Górgias e depois de Sócrates. Cultivaram a princípio a Ética Socrática mas desviaram-se para um exagero de desapego à Civilização. Desejavam um retorno à vida mais primitiva e mais próximo da natureza.
O Cinismo era definido como «um atalho para a virtude» em oposição à cultura erudita que requeria muito tempo de aprendizagem e saber. Este atalho, contudo, era um método muito rigoroso (askésis) que exigia exercício, prática, treino e disciplina.
Começaram por praticar a perseverança e a resistência e substituíram a mediação conceptual pelo exemplo e pela acção. O exercício e a fadiga eram capazes de habituar o homem a dominar os prazeres visto que são estes a amolecer o físico e o espírito pondo em perigo a liberdade.
Na liberdade da palavra (parresía) atingiram os limites da desfaçatez e da inconveniência e na liberdade da acção (anaídeia) se encontravam para com auto-controle, auto-suficiência e impaciência alcançarem «o bastar-se a si mesmo (autárkeia)».
Para eles os verdadeiros adversários existenciais eram o exílio, a pobreza de espírito, a fome e a morte usando a franqueza, a liberdade do discurso e o riso para os enfrentar.
Tinham como guias a Humildade, Frugalidade e Integridade.

22 de novembro de 2011

Marcus Tullius Cicero, 106 a 43 a.C.


Cícero é uma referência da história Europeia. Muita gente o interpretou, durante vários séculos até aos dias de hoje, como um dos pensadores mais versáteis da Roma antiga e, sobretudo, um dos principais contribuintes intelectuais para a prática de um Humanismo fundamentado nos valores da Liberdade de pensamento, da Democracia e da Fraternidade.
Foi Cicero que apresentou à Elite Romana e aos Romanos as escolas da filosofia grega. Foi este homem que pela sua acção e, por exemplo, ao criar um vocabulário filosófico em Latim, até aí inexistente, mais contribui para a elevação de uma cultura Romana anteriormente exclusivamente guerreira e adepta de um crescimento pela força. A elevação cultural de Roma beneficiou toda a Europa para os Séculos seguintes. Cícero teve um papel central nesse processo.
Cícero distinguiu-se como um orador impressionante e embora muitos o tenham referenciado mais pela sua carreira política, foi o seu humanismo e os seus trabalhos filosóficos e políticos que perduraram no tempo e nos inspiram, hoje, como um exemplo de Vida dedicada ao bem comum e ao conhecimento com aplicação prática para o desenvolvimento da sociedade em que viveu.